MOMENTO JESS FRANCO: VIRGIN REPORT (Jungfrauen-Report, 1972)

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A virgindade sempre foi tema de interesse na obra de Jess Franco. Vez ou outra aparece uma virgem como elemento de reflexões filosóficas e… ok, quem eu tô tentando enganar? O fato é que Franco resolveu realizar VIRGIN REPORT, o pseudo-documentário definitivo sobre o assunto, para dar vazão à uma de suas obsessões, examinar a questão da virgindade em diversas culturas diferenciadas ao logo dos séculos e em vários locais ao redor do planeta. Obviamente, tudo uma mera desculpa para filmar mulheres nuas.

É evidente que Franco tinha consciência do que estava fazendo em termos de picaretagem. Ora, estamos no início da década de 70, ninguém tinha internet, o filme foi feito num momento em que até mesmo coisas como antropologia, sociologia e ciências humanas não eram interesse das pessoas e aí o espanhol me chega com esse filme que te promete uma viagem imagética através do tempo e da cultura, mostrando povos indígenas e a sociedade contemporânea e suas relações com a virgindade, é claro que meio mundo que viu o filme na época acreditou no que via com seus próprios olhos. O que não deixa de ser, ainda, uma mera desculpa para filmar mulher pelada.

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VIRGIN REPORT inicia sua jornada com Adão e Eva, passa pela Idade da Pedra e vai seguindo até chegar numa discoteca alemã da “atualidade” (início da década de 70), onde um sujeito com um microfone aborda jovens sobre a sua virgindade. Visto hoje, até acho interessante como há quarenta anos a moçada lidavam com o assunto, bem parecido com o que se passa hoje, de certa forma, mas não vamos nos aprofundar no assunto, porque, como já disse, o filme é uma justificativa para filmar uns peitos.  E também Franco logo se cansa dessa parte mais documental e, como bom anarquista, resolve filmar outra coisa qualquer sem muito nexo, como encenar uma pequena história de uma moça que está insatisfeita sexualmente com seu namorado e resolve bater à porta do vizinho, que é mais experiente…

Depois, Franco retorna à aula de história, mostrando tribos indígenas de tempos longínquos, épocas que nem existiam equipamentos de filmagens, embora Franco não esteja nem aí e filma como se fossem imagens reais, filmadas na época. O cara é gênio e a picaretagem não tem fim.

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Bom, eu não quero dar a impressão também de que o filme é só mulheres nuas, sexo e não tem algo a ensinar sobre a cultura da virgindade. Acredito realmente que Franco pesquisou histórias e lendas de alguns povos antes de elaborar um roteiro e resolveu filmar como uma verdade. Por exemplo, aprendi em VIRGIN REPORT que os indianos sentavam-se nus em formigueiros para anular quaisquer desejos carnais; os gregos inventaram um vibrador prateado; nativos americanos fazem sexo com árvores… Sobra até para o Brasil, onde mulheres da floresta Amazônica circuncidam os homens com lâminas afiadas nos dentes. E, com certeza, deve ser tudo verdade, oras, quero ver me provar o contrário diante das imagens de Jess Franco!

Uma das melhores coisas do filme é a trilha sonora hippie setentista que acompanha as imagens com uma coesão absurda. Na verdade, é uma única música que toca em alguns momentos da narrativa e contribui bastante para o clima. A participação de Howard Vernon – fiel colaborador de Franco – e a de um italiano que não entende nada de alemão também merece um breve destaque.

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5 respostas para MOMENTO JESS FRANCO: VIRGIN REPORT (Jungfrauen-Report, 1972)

  1. marcos punch disse:

    será que as Velhas Virgens vão gostar de assistir esse filme?!

  2. Gabriel C. Godinho disse:

    Assistiu algum dos filmes de Jess Franco com Christopher Lee? nunca vi mas tenho muita curiosidade de ver um trabalho com os dois…

  3. Opa! Tenho que dizer que acompanho o seu trabalho a anos e, sem sombra de dúvidas, o Dementia e essa facilidade/entrega em pesquisar o cinema desconhecido, foi uma das maiores inspirações para eu criar o meu blog, também de cinema alternativo.

    Queria te convidar para dar uma olhada, seria uma grande honra: http://cronologiadoacaso.com.br/

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