ENTER THE PANTHER (aka Conspiracy, 1976)

OseJUYU

Não faz muito tempo eu comentei aqui sobre BRUCE LEE AGAINST SUPERMEN, um bruceploitation surtado e divertidíssimo, o que me motivou a conferir mais um exemplar do subgênero, buscando uns 90 minutos de pancadaria mal coreografada e outras bizarrices que esse tipo de filme tem a oferecer. Para entender um pouquinho mais sobre o ciclo Bruceploitation, recomendo uma olhada neste post.

Agora, sobre ENTER THE PANTHER, infelizmente não tivemos a mesma sorte. Apesar do título GENIAL (uma óbvia referência a ENTER THE DRAGON, do verdadeiro Bruce), o filme não chega nem perto do nível de alguns outros exemplares estrelados pelos clones do grande astro Bruce Lee.

A trama, novamente, é uma confusão impossível de acompanhar. Começa com um grupo descobrindo ouro numa industria de mineração, o que leva à primeira sequência de pancadaria desenfreada por aqui, já que todo cidadão chinês nasce sabendo lutar kung fu. Depois o dono da industria é envenenado por, aparentemente, seu próprio irmão, numa conspiração para obter a posse da propriedade. Uma outra trama começa em outro ponto quando Yu Lung (interpretado por Bruce Li) aparece em cena como um especialista de Kung Fu, que chega na cidade para ajudar seu tio numa escola de artes marciais. E, de alguma maneira, as tramas acabam se relacionando, o que gera alguns momentos de lutas em intervalos periódicos.

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Bom, ficar decifrando o enredo já é um dos grandes desafios de ENTER THE PANTHER, mesmo tendo consciência de que a narrativa não é tão complexa, o problema é a forma que o diretor Fei Lung Huang conduz a coisa, sem ter muita noção também do que se passa, do que deve mostrar para deixar as coisas mais claras… No fim das contas, o filme é sobre uns bandidos que ficam tentando encobrir um crime (o tal envenenamento) ao mesmo tempo em que tentam sequestrar o que eu imagino ser a filha do defunto (sim, tentar discernir as relações familiares por aqui também não é tarefa fácil) e Bruce Li tenta protegê-la dos facínoras.

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Toda essa confusão narrativa poderia ser facilmente relevada se o filme tivesse pelo menos umas cenas de luta decentes. O que não vem ao caso. Grande parte das sequências de porrada são muito rápidas, extremamente mal filmadas e a coreografia deixa a desejar. Não consegui me empolgar nem com os movimentos de Li, que já demonstrou ter capacidade de encenar uns golpes legais nesse tipo de cena.

Mas eis que chega a sequência final. Aqui a coisa muda de figura, tanto para o bem, quanto para o mal, vai depender do seu grau de tolerância para o que está por vir. O fato é que o personagem de Li derruba fácil dezenas de capangas juntos em vários momentos do filme, mas quando se trata do vilão principal, ele leva simplesmente VÁRIAS surras, repetidas vezes, de uma forma que eu nunca vi num filme de artes marciais em toda a minha vida! Ele vai pra cima do bandido e leva uma série de golpes até ser derrubado, e isso acontece algumas vezes… Depois rasga sua camisa nervoso e parte pra cima novamente – e o expectador imagina que agora vai conseguir vencê-lo – mas a coisa se repete… Ele se levanta de novo e é derrubado mais uma vez. Sério, isso acontece umas cinco ou seis vezes. E aí vem o melhor: Li só consegue ganhar vantagem depois de JOGAR AREIA NOS OLHOS DO VILÃO!!! Epa, não é suposto os bandidos tomarem essa atitude?!?!

50076441Bruce Li comendo poeira em uma das várias quedas

Enfim, o negócio vai totalmente contra os padrões dos cinema de artes marciais e eu nunca tinha visto um protagonista apanhar tanto… E só pela decisão de trapacear numa luta contra o grande vilão no clímax do filme, uma decisão deveras transgressora dos realizadores, ENTER THE PANTHER já mereceria um lugar de destaque no ciclo Bruceploitation. Pena que o restante do filme não acompanhe o grau de genialidade do final…

Uma última observação, pra deixar o filme um pouco assistível, é a utilização, em alguns momentos, de uma canção da trilha de Ennio Morricone para ERA UMA VEZ NO OESTE. O tema do Chayenne para ser mais exato. É meio estranho, mas não deixa de criar uma atmosfera legal quando o protagonista entra em cena. Só não sei se os produtores pagaram os direitos autorais pela música. Haja picaretagem!

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