SHE MOB (1968)

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A Something Weird Video é uma famigerada distribuidora americana especializada em bagaceiras undergroundtrash, exploitations, responsável por lançar petardos dirigidos por Herschell Gordon Lewis, Doris Wishman e diversos outros diretores. Um bom exemplo é SHE MOB, uma tralha que só mesmo a SWV teria a cara de pau de distribuir. É um verdadeiro achado, mas tenho o dever de avisar que só vai prestar mesmo para os trashmaniacos profissionais, é o típico filme que de tão mal feito, tão horrível em diversos aspectos, acaba sendo genial. Ou como diz um sujeito no imdb: “its incompetently made, but it has that special and rare sort of ineptitude that crosses the line over into surrealism“.

Isto posto, trata-se de um bom retrato do cinema caseiro que legava a um determinado tipo de cinéfilo nos anos 60, a possibilidade de ver na tela grande alguns elementos que ainda não eram comuns no cinema mainstream naquele período, como temas controversos, gore e a bela dose de nudez gratuita que SHE MOB e o seu diretor, Harry Wuest (que não quis nem colocar seu nome nos créditos), fazem questão de captar através das lentes de suas câmeras.

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Pelas imagens acima já deu pra perceber que é impossível SHE MOB não ter algum valor. Além disso, a trama até que é engraçada e bem movimentada na medida do possível. Logo no início somos apresentados a um casal e percebe-se que o homem da relação, Tony, é um gigolô, embora a ricaça Brenda demonstre estar realmente apaixonada pelo sujeito.

Já em outro local encontra-se uma gangue feminina que fugiu da prisão, entre elas a líder e lésbica Big Shim e sua namorada, a siliconada das imagens, que passa quase o filme inteiro de topless e se masturbando. As outras moças reclamam do tédio e decidem chamar Tony para terem alguns momentos de diversão. Mas quando o gigolô chega ao local, a robusta Big Shim lhe aponta uma arma e o sequestra pedindo a Brenda uma quantia de dez mil dólares para tê-lo de volta.

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Desesperada, Brenda chama uma detetive particular para que recupere o seu amado. Entra em cena então Sweety East, a detetive baranga com cara de traveco, que se encarrega de levar o dinheiro e tentar trazer Tony de volta. Depois de muita confusão, porradaria, perseguição de carro e tiroteios – com a impressão de que tudo foi filmado por um garoto de 12 anos – Sweety East consegue recuperar o sujeito, mas decide não devolve-lo para Brenda, pois também se apaixonou por Tony, o gigolô.

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Er… Que loucura… Bom, a trama é basicamente isso. Acabei contando o filme inteiro, mas aposto que ninguém vai querer assistir SHE MOB mesmo. Pelo menos não pelo enredo e seus “criativos” desdobramentos, só se for pela quantidade de nudez, a dose de violência e os milhares de detalhes constrangedores de rachar o bico. Toda a produção é simplesmente risível, a edição é tosca e a direção é amadora, o que contribui ainda mais para a diversão. Wuest se esforça para extrair alguma coisa das encenações, já que o elenco também não vale o ingresso, com exceção de Marni Castle, que além de fazer papel duplo (Brenda e Big Shim), realiza um bom trabalho com a personagem da vilã lésbica (no imdb, SHE MOB é o único filme em que ela aparece creditada como atriz).

Toda essa combinação de deficiências atiçou a curiosidade de uns malucos e acabou dando ao filme uma considerável bilheteria nos cinemas por onde passou no fim dos anos 60. Hoje, serve de artefato histórico para os verdadeiros interessados em cinema exploitation e tranqueiras de baixo orçamento.

HARRY WUEST:
Encontrei pouquíssimas informações sobre o diretor nos meus levantamentos. O imdb aponta apenas três créditos na direção e em outras funções, contando com SHE MOB. Os outros dois são HEAT OF MADNESS (66) e THE GAME IS SEX (69), o primeiro eu sei que foi distribuído pela Something Weird Video, o outro já não tenho certeza, mas ambos parecem ser na mesma linha deste aqui, pérolas da putaria caseira sessentista.

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