MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (Mad Max: Fury Road, 2015)

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Divagações rápidas sobre este novo episódio, pra fechar a série de comentários que fiz na semana passada. Estava aqui pensando… Trinta anos separam ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO de MAD MAX: FURY ROAD e, durante esse tempo, o cenário do cinema de ação foi de mal a pior. Tirando, claro, as raras exceções que ainda encontramos a cada ano, frequentemente soltamos um “não se faz mais filmes de ação como antigamente…”, lamento quase unânime entre os fãs de ação old school. E aí precisou vir esse senhor de setenta anos, que atende pelo nome de George Miller, retornando ao universo que criou há quase quatro décadas, para mostrar à maioria dos diretores atuais do gênero que, na verdade, eles não têm a mínima noção do que fazem.

Colocará o cinema de ação de volta nos trilhos? Não. FURY ROAD é um espetáculo da magnitude que apenas um George Miller é capaz de fazer. Teriam que começar a dar total liberdade e dinheiro para uns McTiernan’s e Verhoeven’s da vida para se criar uma nova “escola de filmes de ação” e, a partir daí, surgirem diretores novos sem a contaminação do que é feito hoje por Michael Bay’s e Christopher Nolan’s… Talvez assim tivéssemos esperança. Mas isso não vai acontecer.

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No entanto, bom, temos FURY ROAD, o melhor exemplar do gênero desde… Sabe-se lá quando. Mas provavelmente neste século ainda não temos concorrente à altura em termos de ação (THE RAID é um forte candidato). Não acho que seja uma obra perfeita, possui alguns detalhes equivocados (aqueles flashbacks de Max, além de desnecessários, são toscos e apesar de gostar de Tom Hardy, não sei se foi a melhor escolha), mas que não chegam a incomodar e são compensados pela energia deflagradora de uma narrativa movida à adrenalina. Por um instante foi como voltar na era de ouro dos filmes surtados de ação oitentistas, ou descobrir um filme de ação perdido de outra época, algo do tipo…

Na verdade, toda a narrativa é estruturada numa longa sequência de perseguição e permanece nesse estado de tensão e adrenalina até os últimos momentos de projeção. O que proporciona uma das experiências sensoriais e imersivas mais incríveis que nunca pensei em ter numa sala de cinema. Imaginem os quinze minutos da perseguição final de MAD MAX 2 estendida por quase duas horas. O melhor de tudo é que Miller continua extremamente habilidoso na condução de um bom espetáculo de ação, filmado da maneira correta, à moda antiga, sem câmera tremida e de forma artesanal, com dublês se arriscando, veículos sendo estraçalhados sem efeitos especiais computadorizados ou fundo de tela verde. Coisa linda! Muito amor por tantas cenas e imagens do filme, como essa aí embaixo, que só poderia sair da mente surtada de Miller.

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Há tanta coisa que eu queria falar, especialmente sobre os personagens pitorescos (como Immortan Joe, o grande vilão que tem seu rosto escondido atrás de uma máscara de respiração medonha e é interpretado por Hugh Keays-Byrne, o mesmo ator que fez o Toecutter, vilão do primeiro MAD MAX), mas no fim das contas não ia acrescentar muito ao que tem sido escrito aos montes por aí (motivo pelo qual eu parei de escrever sobre lançamentos).

Mas, pra finalizar, acho bacana destacar o fato de Max ficar quase todo o filme em segundo plano, ofuscado pelo brilho de Furiosa (Charlize Theron), que é, de longe, a personagem mais fascinante por aqui. Um detalhe que tem irritado grupos de “ativistas machistas” pela internet afora, o que já coloca o filme à beira da genialidade. Não acho que FURY ROAD seja uma “propaganda feminista” ou algo do tipo (muita gente criando teorias sobre isso), embora possua figuras femininas muito fortes. Mas só por ter irritado machistas de plantão o filme já merece todos os elogios que vem recebendo.

Sem dúvida MAD MAX: FURY ROAD é o melhor filme de 2015 até o momento, na minha opinião, e acho difícil pintar algo mais interessante até o fim do ano.

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11 pensamentos sobre “MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (Mad Max: Fury Road, 2015)

  1. Pingback: OSCAR 2016: OS INDICADOS A MELHOR FILME | O homem dos olhos de raio-x

    • Bom demais o link. Já tinha visto algumas coisas assim…

      E, pois é… foi-se o ultimo Sergio dos Spaghettis…

  2. Pingback: (2015) “Mad Max – Estrada da Fúria” – Não se ensinam novos truques a um cachorro velho (graças a Deus) | O Poderoso Chofer

  3. Pingback: Mad Max: Estrada da Fúria (George Miller, 2015) | Análise Indiscreta

  4. Acabei de assistir e achei uma caralhada nas fuças. Fazia tempo que não via algo assim. Só achei o Tom Hardy meio apagadão no filme, mas como tu falaste ele ficou meio que em segundo plano e o destaque mesmo foi da Furiosa, o que pra mim foi muito positivo foi o fato de termos uma heroina sem aquela farfalhonisse das heroinas Hollywoodianas que vimos em tantos filmes merdas por aí, por um cinema com mais Furiosas.

  5. Com os “infinitos” filmes nas listas de um cinéfilo para obrigatoriamente assistir, ‘Mad Max’ é um pendente na minha. Porém, agora com o lançamento dessa nova versão, o original se tornou mais que obrigatório (:

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