MAD MAX – ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO (Mad Max Beyond Thunderdrome, 1985)

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E ontem foi o grande dia da estreia do tão aguardado MAD MAX: FURY ROAD, o quarto episódio da saga do personagem Max Rockatansky e suas desventuras no universo definitivo do pós-apocalipse. Mas, como só vou poder ver o filme hoje à noite, seguimos ainda com um dos antigos, MAD MAX – ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO, que até outro dia era responsável por fechar a trilogia com chave de ouro.

Ok, eu sei que este terceiro é a ovelha negra da série, os comentários de vocês nos outros posts e no facebook já demonstraram o quão ele é desprezado. Todo mundo adora falar que MAD MAX 2 é um dos seus filmes favoritos da vida, assim como eu também falo, mas quando chega a hora de tratar deste aqui, a coisa muda de figura. O que queriam? Um MAD MAX 2 requentado? Se o segundo conseguia expandir o universo do primeiro, aqui Miller ultrapassa todos os limites da expansão, leva a história para direções completamente surtadas, fantasiosas e inusitadas e vocês, aparentemente, não estavam preparados para essa mudança! Vocês não estavam preparados! Muahaha!

Brincadeiras à parte, o fato é que eu acho MAD MAX III do caralho e já que vou ter que fazer o papel do advogador do Diabo, nada melhor que umas provocações. Mas não levem a sério o parágrafo anterior… 🙂

Pra falar a verdade, até fazer as revisões recentes da trilogia, havia muitos anos que não assistia a MAD MAX III e lembrava bem pouco, como a fantástica cena na tal Cúpula do Trovão, as crianças e que a sequência de perseguição final era numa locomotiva. Ah, e claro, da música da Tina Turner, que fez sucesso na época. Aliás, nem achava um bom filme até então. Por isso a minha esperança com alguns de vocês é de que seja um filme ruim na memória, mas nada que uma boa revisão em blu-ray não resolva. Bem, pra mim resolveu e muito! gosto até mais que o primeirão (o segundo, claro, continua imbatível).

A ideia de um mundo pós-apocalíptico é mostrada da forma mais devastada possível. Por exemplo, ao invés de carros em alta velocidade pelas estradas inóspitas deste futuro, brigando por gasolina, o primeiro carro que aparece aqui é uma geringonça puxada por camelos num deserto sem fim. Acho que já gastaram toda a gasolina que salvaram no final de MAD MAX 2… E, vejam só, o “motorista” dos camelos é o anti-herói “Mad” Max Rockatansky (Mel Gibson), que a essa altura parece viver como um nômade, vagando pelas terras devastadas da Austrália, com um macaquinho de estimação e uma cabeleira ao estilo CORAÇÃO VELENTE (95).

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Após ter seus camelos e veículo roubados, Max é deixado no deserto e só lhe resta seguir até Bartertown, uma cidade-comércio onde é o destino mais provável de seus pertences. O local é o mais perto de uma civilização que teremos por aqui, embora beire mais uma cidade medieval e primitiva do que qualquer outra coisa, governada por Aunty Entity (Tina Turner) e cuja fonte de energia é bosta de porcos tratados nos subterrâneos.

Não demora muito, Max se mete em encrenca e no fim das contas tem que entrar na tal Cúpula do Trovão do título, uma mistura de arena de gladiadores romanos com o globo da morte de motoqueiros, e lutar até a morte contra o gigantesco The Blaster. A única função de The Blaster é carregar nas costas o anão Master, que é um gênio produtor de metano extraído dos excrementos dos porcos. Juntos, anão e gigante, formam uma dupla que, no controle do centro de energia de Bartertown, ameaça os poderes de Entity. Por conta disso, Max é “recrutado” para eliminar o grandão.

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A sequência do combate entre Max e Blaster é simplesmente antológica. A lei da cidade diz que dois entram e apenas um pode sair. Os caras dentro da cúpula são sustentados por cordas e voam de um lado pra outro pegando vários tipos de armas, como foices, marretas e até motosserras… a coisa é brutal! Mas Max, decide poupar a vida do oponente quando percebe que trata-se de uma “criança num corpo de brutamontes”. Expulso de Bartertown, Max precisa novamente encarar o deserto… E estamos ainda na metade do filme.

Até este ponto, os detratores, pelo menos alguns, elogiam MAD MAX 3. Tem que ser muito chato pra reclamar, é um mundo tão elaborado visualmente, há tanta coisa para olhar e decifrar. Tão rico em detalhes aleatórios, tipo quando Max entra nos aposentos de Entity e há um saxofonista oriental que parece ser um ex-Yakuza. Coisas desse tipo me deixam vidrado. E nessa primeira metade o filme é todo carregado de elementos visuais que Miller ajudou a definir no cinema pós-apocalíptico.

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O aparente problema do filme começa quando Max se depara com a tribo de crianças. É quando MAD MAX III começa a entrar numa lógica de aventura de conto de fadas, que faz perder a essência dos dois primeiros. Na verdade, problema pra vocês, porque pra mim é onde as coisas começam a ficar realmente surtadas e o filme ganha a sua própria essência. O que me encanta é justamente a maneira como Miller leva seu personagem e história à uma direção completamente inusitada, abandona qualquer ideia de padrão em relação aos filmes anteriores e todo o arco narrativo que se passa nessa espécie de civilização infantil é simplesmente fascinante.

As crianças representam um novo tipo de civilização, de uma pureza à margem daquele universo violento, e esperam um messias pós-apocalíptico, fruto de uma profecia, e que vai guiá-los de volta ao mundo como era antes. Bem, calhou do Max ser esse “salvador”, que vai liderá-los à procura da memória do que era a humanidade e do recomeço da civilização. Claro que para isso o filme culmina numa nova e espetacular sequência de perseguição final pelo deserto envolvendo uma locomotiva, veículos que conseguem ser mais bizarros que os do filme anterior, motocicletas, um avião, tudo movido à bosta de porco. Não chega a ser tão épica quanto ao clímax de MAD MAX 2, mas é grandiosa o suficiente para ser memorável e não deixar dúvidas das habilidades de Miller sobre o assunto.

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E uma curiosidade é que Miller, desta vez, só ficou responsável mesmo pelas cenas de ação. Durante a pré-produção, seu amigo e produtor do filme, Byron Kennedy, morreu num acidente de helicóptero enquanto procurava locações e o diretor perdeu totalmente o interesse no projeto. Acabou colocando George Ogilvie para filmar o resto do filme. Mas o fato é que fica claro e evidente que toda a concepção de MAD MAX III saiu da mesma mente que nos trouxe os filmes anteriores. Ogilvie fez apenas o trabalho artesanal, sob a batuta de Miller, que passou a se concentrar mais nas partes onde carros se chocam em alta velocidade cruzando os ares ou coisa do tipo.

Sei que não vou convencer ninguém de reavaliar MAD MAX III e, por favor, nem é essa a minha intenção. Não sei nem se fiz um bom trabalho de defesa desta tão mal falada sequência de uma das melhores sagas de ficção/ação/aventura do cinema, mas tudo bem, o lance é que só estou com cabeça agora para o quarto filme que verei logo mais. E que não seja nem uma cópia do segundo, muito menos siga a linha do terceiro. Que seja mais surtado ainda, mais fantasioso, mais absurdamente espetacular e que consiga seguir nesta toada de “universo em expansão” que Miller demonstrou a cada filme dessa trilogia inicial.

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9 respostas para MAD MAX – ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO (Mad Max Beyond Thunderdrome, 1985)

  1. Anônimo disse:

    Parabéns. O segundo é o melhor em tudo mas, todos são excelentes (Miller tornou-se meu diretor favorito e Mad Max o herói, ou anti-herói? rs). Erram, aqueles que pressupõem não haver sequência na trilogia e natural tendência ao amornar dos ânimos do contexto. Precisa notar a evolução dos cenários, os perfis dos personagens, etc. No reencontro com o capitão Gyro por exemplo, sem muita cerimônia… afinal, não há tradições morais e éticas por ali, apenas resquícios longínquos de perfis sociais como do religioso adaptado a apresentador da ‘cúpula do trovão’… ou, do empresário vendedor de água radioativa; a própria Titia Entity (Tina Turner), ao dizer que veio ‘do nada’ para liderar Batertown e até o rapaz lider dos muliquim da areia, encarnando 15 anos depois, um crescido menino bumerangue perdido na terra devastada. Os detalhes da coisa toda são de fato o mais interessante – como disse – e é onde está o ‘pulo do gato’ da estória. Como não imaginar a evolução de um futuro pós-armagedon, com tudo aquilo exposto nas obras e em Mad Max 3, com aquela música que não mais se vê (Maurice Jarre) e a perfeita trilha sonora?… Impossível!

  2. Marcio Alves disse:

    Sempre vão existir aqueles que gostam e aqueles que não gostam, o que realmente importa é a opinião de cada um e não se o colega do lado gosta, o Mundo é fantastico por isso nem todos temos o mesmo modo de pensar se não seriamos robos programados para gostar sempre da mesma coisa. CRITICAS E ELOGIOS SEMPRE VÃO EXISTIR ENTÃO NÃO VALE A PENA NEM ENTRAR EM CHOQUE O QUE REALMENTE VAI ACABAR CANSANDO VOCÊ. FILME MUITO BOM. SEUS COMENTÁRIOS FORAM EXCELENTES, SOBRE OS DEJETOS DE PORCOS QUE VIRAVA ENERGIA NA USINA ITAIPU BINACIONAL ESTÁ SENDO CRIADO UM PROJETO SOBRE ISSO SOMENTE AGORA EM 2015. POUCAS PESSOAS OBSERVAM PEQUENOS DETALHES EM FILMES QUE PASSAM DESAPERCEBIDOS. PARABÉNS PELA POSTAGEM.

  3. você resumiu bem a treta, todo mundo elogia o filme ATÉ a parte em que entram as crianças. Aí vira “Princesa Xuxa e Os Trapalhões”

  4. anselmo luiz disse:

    eu acho esse Mad Max III fraco não vou esculhampar o filme pois já tantas pessoas já fizeram isso ao longo dos anos ,eu assisti que ele em sua primeira exibição na TV Aberta na Rede Globo no Tela Quente em 01 /04/ 1991 Segunda – Feira .Alias ! naquela epóca só passava filmão nesta emissora ,hoje passa umas merdas de dar dó de assistir,triste fim da TV Aberta.

  5. Artur Alves disse:

    compreendo o pessoal que não gostou, mas acho interessante essa coisa do personagem recuperar a sua humanidade, lógico que vai ser frustrante pra quem espera que ele seja o mesmo cara do final do 1 e do restante do 2, em que ele perdeu o que mais tinha de precioso e que por pouco não ficava louco como a galera maluca naquele lugar sem lei (até os colegas policiais do Max tavam piradões) a partir do momento quw le perde isso, quase se iguala àqueles que combatia antes da devastação quando era policial então acho válida e relevante, ele recuperar a sua sanidade neste terceiro filme e ser uma espécie de novo messias, pra mim isso dá personalidade ao personagem e não o relega ao mais do mesmo, parabéns George Miller.

  6. Paulo Gueiral disse:

    Sim, vc n vai me convencer q esse filme é bom , pelo amor de deus ecos de Peter Pan n meio da história q SIM começa bem . depois vira um produto enlatado qualquer … Tu n viu n época em 85 n Cine c eu q viu os 3 e te garanto TODOS odiaram o filme, E O PRIMEIRÃO É CULT ATÉ A MEDULA ! ABRAÇO !

    • ronaldperrone disse:

      Bom, na época eu tinha apenas 2 anos, por isso não vi no cinema… Mas o fato de TODOS terem odiado, pra mim não significa absolutamente nada no meu julgamento. E como eu disse, não era minha intenção convencer ninguém a nada. 😉
      Abraço!

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