MAD MAX (1979)

snapshot20090405075405 Como todas as atenções dos fãs do bom cinema de ação estarão em cima do lançamento de MAD MAX: FURY ROAD, o quarto exemplar da franquia iniciada lá atrás, há 36 anos, achei que seria legal fazer alguns comentários sobre a série. Começando por MAD MAX, o primeiríssimo, até porque revi todos por esses dias e é sempre uma experiência incrível acompanhar as aventuras de “Mad” Max Rockatansky e a visão do diretor George Miller na criação de um dos universos mais perturbadores e definitivos do mundo pós-apocalíptico, copiado de todas as formas possíveis no cinema – especialmente o segundo, que é uma obra-prima e um dos meus filmes favoritos da vida.

Para quem não viu ou já se esqueceu, o primeiro MAD MAX não é ainda aquele universo devastado e desértico cristalizado pelos episódios subsequentes da franquia, mas mostra um mundo à beira de um colapso numa Austrália futurista onde a sociedade ainda se encontra em fase de desintegração, a lei e a ordem rumam rapidamente à deterioração, já dominada por gangues violentas que espalham o terror pelas pequenas cidades e estradas do país. Ainda restam, no entanto, os poucos e bravos homens da lei que se esforçam para manter as coisas no lugar, mesmo sabendo que a tarefa tem se tornado cada vez mais impraticável. É o exemplo de Max, imortalizado por um jovem e desconhecido Mel Gibson.

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Reza a lenda que Gibson, com seus vinte e poucos anos, foi acompanhar um amigo ator que tentaria uma vaga nas audições para a escolha do elenco de MAD MAX. Mas na noite anterior se meteu numa briga de bar e chegou no local com a cara cheia de hematomas, o que deve ter impressionado um bocado o diretor de casting, pois ele acabou sendo escolhido para viver o protagonista. A figura de Max é elemento fundamental e, com o rosto de Mel Gibson, acabou virando um ícone. Lembro-me até hoje, era moleque e o SBT nos anos 80 anunciava freneticamente que iam passar MAD MAX e sempre mostravam o plano que apresenta o personagem de Max ao público (curiosamente um travelling em direção ao personagem muito similar ao que apresenta John Wayne em NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS).

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bscap0010John Wayne surge em NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (Stagecoach, 1939), de John Ford
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bscap0007E “Mad” Mel é apresentado como “Mad” Max

Na trama, A situação fica tão extrema para Max, que ele decide largar a força policial, pegar a mulher e filho, e sair por aí em busca de paz e tranquilidade no campo. Mas a selvageria dos fora-da-lei, aparentemente, já contaminou todos os cantos do país. Uma tragédia – uma das cenas mais impactantes do filme – acaba colocando Max na trilha da vingança. Pior para os bandidos, porque despertam a fúria de alguém muito mais sádico e violento que qualquer gangue inteira que cometa o erro de se colocar em seu caminho.

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A direção de George Miller é simplesmente fantástica. Um misto da criatividade latente de um jovem com sua visão de mundo, de cinema, com a habilidade de quem enfrenta o desafio de fazer um filme desse porte com um orçamento bastante limitado (custou apenas 400 mil dólares). Há quem diga que Miller só conseguiu filmar 80% do roteiro porque o dinheiro acabou e teve até mesmo que destruir seu próprio carro numa cena de perseguição. Mesmo assim, as sequências de ação enchem os olhos em todos os sentidos, especialmente a do início do filme, com um trabalho genial de dublês e carros sendo estraçalhados em alta velocidade. Coisa de louco!

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Já as cenas de perseguições e tiros que acontecem posteriormente não conseguem ser tão grandiosas e espetaculares, por conta do orçamento, mas têm uma simplicidade e crueza que mantém o nível de brutalidade sempre alto. O filme entra também num marasmo em termos de ação em determinado momento, mas nunca perde sua força, graças à tensão palpável gerada pela própria narrativa, por aquele universo que pulsa violência o tempo todo, mesmo nas cenas mais tranquilas e tenras. E também pelos personagens que nunca perdem o fascínio, como Toecutter, o líder histérico da gangue de motoqueiros interpretado por Hugh Keays-Bryne (E que estará presente em MAD MAX: FURY ROAD).

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MAD MAX foi um sucesso de bilheteria. Aqueles 400 mil renderam milhões no mundo inteiro (nos Estados Unidos tiveram que fazer um trabalho de dublagem para o espectador americano entender o sotaque australiano, haha!), tornando possível a sequência, MAD MAX 2: THE ROAD WARRIOR, um dos melhores filmes de todos os tempos e que é assunto pra depois.

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9 pensamentos sobre “MAD MAX (1979)

  1. Discordo! As cenas de ação do Mad Max 1 ficaram ótimas no final do filme. A cena da ponte que os motoqueiros saem voando é uma marca registrada quando ainda nem existia CGI e os dublês eram a grande atração. A perseguição de Max, no seu Black Interceptor, ao líder da gangue Toecutter, é clássica!

    • Olá, Joana, eu nunca disse que as cenas de ação do final eram ruins, pelo contrário, elogio mesmo não sendo tão espetacular quanto a sequencia de abertura.

  2. Assisti a uma reprise desse Mad Max 1979 no cinema em 04/07/2015 em Fortaleza. Na realidade foi uma maratona da saga que incluía a Estrada da Fúria. Achei o original mais convincente e tem uma narrativa que flui melhor, personagens mais caricatas e um Falcon XB GT Black Interceptor novo e pronto pra velocidade. Sobre a Estrada da Fúria, achei uma pirotecnia cansativa e raso, até mesmo inferior que o Mad Max 2 com o Mel Gibson. Fico com o clássico de 79. Valeu!

  3. como primeiro filme a gente nunca esquece é o que acontece com este filme,apesar que o segundo filme dá um banho neste ..mas como é primeiro merece ser reconhecido pelo os novos cinefilos que estão surgindo.Parabens por este texto,Perrone !
    Principalmente esta cena do filme do John Wayne e esta do Mad Max,sera uma homenagem do diretor George Miller ao Grande Diretor John Ford .
    George Miller que alias eu conheci antes de passar este filme na TV pois ele era um dos diretores da serie ” Bellamy ” que passou nas noites dos anos 80 na TVS no qual eu assistia.
    MAD MAX foi exibido na primeira vez na TV Aberta no SBT ” Cinema em Casa ” em 04/05/1990 na Sexta-feira .

    • Ah, não digam isso do terceiro… hahaha! Já vi que vou ter que fazer o papel de advogado do diabo quando comentar sobre ele…

  4. Mad Max de 81 assisti n cine cacique em poa n época e tbm ta entre meus 10 favoritos . o primeiro de 79 tbm é maravilhoso, só n gosto do terceiro c a Tina Turner , fraquissimo o q é aquelas crianças chatas….

    • Pois é, é quase unânime esse desgosto pelo terceiro… Mas, para a minha surpresa, achei simplesmente sensacional na revisão que fiz. Como disse, este primeiro é um baita filmaço, mas gosto mais ainda do terceiro, o mais fantasioso e maluco de todos. Nem as crianças “chatas” me chatearam… Ainda essa semana posto alguma coisa sobre ele. 🙂

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