ESPECIAL DON SIEGEL #8: DINHEIRO MALDITO (Private Hell 36, 1954)

privateConsiderando o resultado de REBELIÃO NO PRESÍDIO (54), DINHEIRO MALDITO pode ser encarado como um passo atrás para Don Siegel. Mas é um filme policial que tem seu interesse, com direção elegante do homem, boa fotografia com tons de film noir e uma dupla central de ótimos atores.

Como sempre, a companhia que produziu o filme é que foi alvo de algumas observações por parte do diretor. Especialmente por conta de Ida Lupino, que era uma das proprietárias da produtora e foi também responsável pelo roteiro de DINHEIRO MALDITO, além de ter trabalhado como atriz principal. Em suma, a mulher era quem mandava na produção e, como de costume, acabou não tendo uma relação das melhores com o pobre Siegel, que dizia que ela mesma deveria ter dirigido o filme. Mas não de maneira irônica. Lupino foi uma senhora diretora, e recomendaria assistir a O MUNDO É CULPADO (Outrage, 1950) se alguém duvidar, uma pequena obra-prima de caráter transgressor. Siegel era admirador do trabalho da mulher, mas não teve jeito…

bscap0006DINHEIRO MALDITO é um buddy cop movie, centrado nos policiais Carl Bruner (Steve Cochran) e Jack Farnham (Howard Duff), que estão na pista de um criminoso com uma grande quantia de dinheiro roubado. As notas estão marcadas e quando alguma entra em circulação, os dois entram em cena para investigar. Quando finalmente conseguem desmascarar o facínora, com a ajuda da cantora de night club interpretada por Lupino, acabam se deparando com aquela enorme quantidade de grana dando sopa.

Carl não aguenta e passa a mão numa quantia. Jack não quer se sujar, mas também não entrega o parceiro, acaba se sentindo culpado do mesmo jeito e o desenrolar dessa história só pode acabar em tragédia.

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No fim das contas, o filme precede um bocado o que Siegel faria em MADIGAN (68), uma desconstrução do homem da lei, aqui num estudo desses dois personagens, o durão, cool e amoral, Carl Bruner, e o oposto, o certinho, homem de família, Jack Farnham. Não deixa de ter também alguns momentos de ação cuidadosamente inseridos à narrativa, como o bom e velho Siegel sabia fazer. Destaque para o tiroteio no assalto logo no início e para a perseguição de carros no centro do filme.

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