ESPECIAL DON SIEGEL #5: MEDO QUE CONDENA (Count the Hours, 1953)

A primeira lacuna do Especial Don Siegel é o filme NO TIME FOR FLOWERS, conhecido no Brasil como ADORÁVEL TENTAÇÃO, de 1952, e que não foi possível localizar em lugar algum… Se alguém souber onde achar, é só falar que eu gostaria de dar uma conferida. Trata-se de uma comédia com a então esposa do diretor, Viveca Lindfors, apesar de não aparentar um exemplar muito expressivo na filmografia do homem, portanto, sem choro caso fique de fora. Sigamos em frente com  MEDO QUE CONDENA que veio logo a seguir.

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MEDO QUE CONDENA é um pequeno film noir, tão pequeno que as filmagens duraram apenas nove dias, o que é claramente notado quando se assiste, e o plot é tão simples que se resume facilmente: sujeito é injustamente condenado por um assassinato enquanto sua esposa e o advogado resolvem investigar e descobrir o verdadeiro assassino. A simplicidade aqui nem é problema, já que a partir desse mote dá pra criar muita coisa boa, o problema é que Siegel, na maior parte do tempo, se perde num dramalhão cheio de excessos, tornando o andamento pesado, mesmo com a curta duração.

Como de costume, algumas curiosidades de bastidores e problemas com o produtor também tornaram as coisas mais difíceis para o diretor. Só pra ter uma noção, Siegel descobriu que seu superior estava num embuste, produzindo MEDO QUE CONDENA às escondidas, utilizando sets e equipamentos sem que ninguém do estúdio soubesse. No fim das contas, Siegel teve que terminar as filmagens “na casa de alguém”, como o próprio diretor relata. Outro detalhe era que, por causa dessa confusão e a velocidade na qual as filmagens ocorreram, atores e equipe não haviam recebido o pagamento. Nem Siegel havia sido pago. O que causou uma certa hostilidade. Finalizaram o filme quando decidiram que só entregariam o material pronto depois de acertarem as contas.

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É evidente que, em se tratando de Siegel, nem tudo está perdido. MEDO QUE CONDENA tem seus momentos, quando o diretor tenta imprimir aqui e ali a sua visão de mundo, abordando algumas questões interessantes, dando ao filme um tom reflexivo, ainda que bem superficial, sobre o sistema judiciário meia boca do interior americano. Além disso, cria algumas sequências bem fortes para época, como os assassinatos secos e brutais no início, filmados com uma crueza sem igual, e há também uma cena de tentativa de estupro lá pelas tantas. Portanto, vale uma conferida nem que seja para notar como Siegel parece cada vez mais à vontade ao filmar sequências de tiros – e a já citada cena inicial foi uma das melhores coisas que ele tinha feito até então. Destaque também para o visual, com um incrível trabalho de sombras, e a participação do ator Jack Elam, que foi um desses grandes subestimados que merecia maior reconhecimento.

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