ESPECIAL DON SIEGEL #2: NOITE APÓS NOITE (Night Unto Night, 1949)

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Correndo sérios riscos de ser o filme mais fraco de Don Siegel, NIGHT UNTO NIGHT, o segundo longa do homem, é claramente um trabalho de contrato, rotineiro, cujo material não apresenta nada muito consistente que interessasse ao diretor e ele acaba por não colocar sua alma no projeto. O que não significa também que seja ruim, a trama possui alguma graça e os personagens, ao menos um ou outro, são simpáticos.

John Gaylord (Ronald Reagan) é um cientista que sofre de epilepsia, um fato que tenta esconder de todos a sua volta, e procura um lugar para morar nas belas praias da Flórida, onde pretende ter uma vida mais calma e cuidar de sua doença. Ann Gracie (Viveca Lindfors) é uma viúva atormentada por ouvir a voz do seu marido, morto na Segunda Guerra e que aluga uma casa à beira de praia para John. E a partir daí, claro, constrói-se uma história de amor…

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E se na ficção esse romance não atinge sua força máxima, para Siegel a coisa ficou séria. Encantado com a sueca Viveca Lindfors, o diretor acabou se apaixonando e pouco tempo depois os dois se casaram. Siegel conta que – além dos problemas com o produtor e a falta de comunicação com o roteirista – até esse detalhe amoroso atrapalhou durante as filmagens. Deslumbrado com a moça, não conseguia perceber nada de errado com sua performance, não tinha condições de criticá-la. Achava tudo absolutamente adorável.

Siegel dizia que a escolha do elenco era a “mais equivocada do século” e não gostou de trabalhar com o meu xará, Ronald Reagan, e reclama até mesmo do grande Broderick Crawford, que faz um pintor que não consegue passar a sensibilidade que o personagem deveria ter. No entanto, é justamente o pintor a figura que mais gosto, e as sequências em que tem discussões com John sobre vida e morte são bem interessantes. E Crawford está excelente. Há ainda a irmã de Ann, interpretada pela exótica Osa Massen, que também se apaixona pelo protagonista e ao final, durante um furacão que prende todos os personagens dentro de casa, enche a cara e acaba tendo uma crise de ciúmes. Se fosse um film noir, seria uma femme fatale arrasadora.

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Portanto, apesar dos problemas evidentes, NIGHT UNTO NIGHT não é totalmente de se jogar fora. É apenas um projeto que caiu nas mãos do diretor errado para esse tipo de material que o realizou como um trabalho de rotina. Se fosse um Douglas Sirk, quem sabe? Faço um paralelo com este texto aqui, que caiu nas mãos de um escriba que não se interessa muito por dramalhões românticos. Acaba saindo assim, qualquer coisa… Embora eu também tenha ficado apaixonado pela Viveca Lindfors…

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