VIY – O ESPÍRITO DO MAL (Viy, 1967)

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Meu fim de semana passado começou com a conferida do clássico do horror russo VIY. E, nossa, finalmente… era um filme que estava no meu radar há muitos anos e não sei porquê demorei tanto pra ver. Acho incrível como é uma obra tão curta, aparentemente simples, mas que possui tanta substância e exige uma atenção aos mínimos detalhes por parte do espectador. Baseado em um conto popular escrito por Nikolai Gogol, VIY carrega o peso de um universo inteiro do folclore russo, numa narrativa ancorada num visual extremamente arrojado e efeitos especiais transgressores, muito à frente do seu tempo. É impressionante do início ao fim… principalmente o fim.

Um jovem sacerdote meio preguiçoso acaba sequestrado por uma bruxa velha, que o leva para voar na sua vassoura. Na primeira oportunidade, o sujeito espanca até a beira da morte a velha, que acaba se transformando numa jovem e bela moça. Antes de morrer, no entanto, a jovem revela seu último desejo: que o mesmo sacerdote que lhe bateu fique responsável por velar seu corpo durante algumas noites, lendo as escrituras, o que deve ser alguma tradição russa… O rapaz tenta fazer de tudo pra não ir, mas não tem jeito. Acaba forçado a viajar ao local onde se encontra a defunta e encarar três longas noites que se transformam em um autêntico pesadelo para o mancebo, especialmente quando a moça se levanta do caixão e passa a atormentá-lo numa vingança dos infernos.

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E tudo isso em apenas 77 minutos. O que é uma maravilha, porque a riqueza de detalhes do filme faz com que pareça que tenha umas 2 horas. VIY toma seu tempo, apresenta lentamente o protagonista, personagens secundários, ambientes, e prepara sem pressa alguma o público para o final, épico, aterrador, um dos mais impressionantes que eu já vi em termos de horror. Se fosse um bocado mais longo, acho que perderia a força, mas os diretores Konstantin Ershov e Georgi Kropachyov parecem saber exatamente como tratar do ritmo, trabalhando o que é essencial.

O filme começa como um conto de fadas narrado de forma branda para logo se tornar num frenético filme fantástico nas sequências no interior da igreja, que são mesmo o que há de melhor em VIY. Em especial a último noite do sacerdote no local, com momentos realmente de arrepiar. É preciso elogiar mais uma vez os incríveis efeitos especiais práticos, realizados pelo grande gênio no assunto, Alexandr Ptushko, diretor de diversos filmes de aventura fantástica do cinema russo nos anos 50 e 60 e que, embora não tenha recebido créditos por isso, chegou a dirigir algumas cenas de VIY. Como sua especialidade sempre foi efeitos especiais, acredito que justamente as sequências aterrorizantes tenham ficado sob seu comando.

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Criaturas que saem e se rastejam pelas paredes, mãos gigantes que tentam agarrar o protagonista, maquiagens bizarras de demônios que fazem gelar a espinha e a utilização de um preto e branco que contrasta com o sacerdote colorido que é uma coisa linda de se ver, são alguns dos momentos de arrepiar do clímax. Vale destacar também que tudo isso é um contraponto interessante para os instantes cômicos que o filme investe. Nada muito exagerado. Em nenhum momento VIY torna-se engraçado. Mas há um tom sutil de humor que permeia todo o filme.

Para finalizar, uma curiosidade: o mesmo conto de Gogol adaptado aqui também serviu de base para Mário Bava em uma de suas histórias na antologia BLACK SABBATH. Quem viu vai saber identificar facilmente qual me refiro. Na verdade, VIY já teve mais outras duas ou três versões, sendo que a última delas saiu ano passado. Obviamente não vi, mas pelas imagens e trailer dá pra ver que é o exagero de CGI que assola o cinema atual e que não possui um pingo do charme do filme de 1967.

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2 pensamentos sobre “VIY – O ESPÍRITO DO MAL (Viy, 1967)

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