MOMENTO JESS FRANCO: CINEMA COM COLHÕES

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KILLING SPREE (1987)

dEdN3Tim Ritter iniciou bem cedo a profissão de fazedor de filmes de horror. Mal entrou na puberdade, filmando com uma super-8, e os professores já passavam suas obras em sala de aula e os alunos babavam vidrados para conferir as cheerleaders da escola sendo toscamente assassinadas. Autêntico desbravador do cinema caseiro, a coisa foi ficando séria e com menos de vinte anos, Ritter já possuia uma filmografia com vários pequenos homemovies de horror, como DAY OF THE REAPER, e pelo menos um longa que virou clássico do slasher oitentista, TRUTH OR DARE? A CRITICAL MADNESS (de 1986, filmado em 16mm), que lhe deu a oportunidade de dar um passo mais adiante na carreira. E é aí que chegamos em KILLING SPREE, a obra-prima de Ritter.

UIakYMas não pensem que o tal “passo adiante” signifique mais dinheiro. TRUTH OR DARE? transformou a vida de Ritter num inferno por conta dos produtores e o sujeito teve que batalhar muito para ter seu nome creditado como roteirista e diretor. KILLING SPREE significa independência para Ritter. Também é um projeto de 16mm e custou algo em torno de 75 mil dólares conseguidos com investidores locais (muito menos até que o seu filme anterior). É um valor bem baixo, na verdade. Só pra ter uma noção, filmes clássicos de horror considerados de baixíssimos orçamentos, como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, de Tobe Hooper, e THE LAST HOUSE ON THE LEFT, do Wes Craven, realizados quinze anos antes, foram mais caros que KILLING SPREE. Mas só de ficar sem produtores fungando o cangote já valeria a pena…

Essas duas questões refletem bastante o que é KILLING SPREE. Um filme pobre visualmente, com estética de microbudget, mas com uma liberdade criativa delirante bem próxima do que um Lucio Fulci fazia, por exemplo. E não pára por aí…

KillSpree4Nov10A trama é sobre Tom Russo, um sujeito meio abitolado e deveras ciumento com sua esposa. Quando descobre um diário no qual sua mulher narra umas “puladas de cerca” com o seu melhor amigo, o encanador, o entregador, o reparador, o instalador, e por aí vai, Russo desparafusa de vez e decide matar cada possível amante com requintes de crueldade, com direito a torturas, mutilações e mortes criativas com todo o tipo de parafernalha pontiaguda e cortante. Até aí tudo bem, o negócio é que quanto mais a insanidade do protagonista aumenta, mais a narrativa perde o pé da razão, até chegar num ponto onde não sabemos o que é real e o que é fantasia da cabeça do pobre Russo. E quando finalmente ficamos sabendo, KILLING SPREE já chutou o balde com qualquer possibilidade plausível e fodeu a mente do espectador. Ou vai me dizer que dá para ficar indiferente diante disso?:

29q01g7Um dos destaques da obra é o trabalho de efeitos especiais que, apesar das restrições orçamentárias, os realizadores investiram bastante para criar sequências de extrema violência gráfica que mexessem com o público. O filme é um espetáculo gore, com muitas tripas, membros decepados e um derramamento de sangue que causou até problemas para Ritter. É que a casa utilizada no transcorrer da história pertencia ao amigo do diretor, e também um dos produtores do filme, Al Nicolosi, que não ficou muito satisfeito ao ver a sujeira do sangue falso em cima dos móveis, paredes, carpetes e resolveu expulsar toda a equipe de produção no meio das filmagens!!! Ritter teve que prometer que entregaria a casa de volta totalmente limpa para que o sujeito permitisse que continuassem o trabalho. Isso gerou um grande mal estar entre eles… Mas no fim das contas, a quantidade de sangue e vísceras espalhadas pelo chão consegue cumprir sua função.

vlcsnap-00017Tanto que eu nem senti muita falta de um detalhe quase sempre presente nesse tipo de produção: peitos de fora. Aí eu chamo a atenção para a atriz principal de KILLING SPREE, uma gata estonteante, Coutney Lercara, em momentos sensuais, que imploram por uma nudez gratuita, mas que infelizmente não mostra muita coisa. No entanto, o foco mesmo acaba sendo o protagonista. O nome dele precisa ser escrito em negrito e caixa alta: ASBESTOS FELT. Isso mesmo, seu nome é Asbestos Felt… Asbestos! Só por esse nome eu já virei fã do sujeito. E Asbestos só estrelou este filme aqui na vida (fez pequenas participações em outros), mas manda muito bem! É um péssimo ator, mas para esse tipo de filme é simplesmente perfeito! Asbestos é exagerado, canastrão e visualmente cômico. Há uma cena em que aparece só de cuecas passando o aspirador de pó que é de uma genialidade subversiva!

vlcsnap-00009Aliás, o filme é cheio de sacadas da mais pura genialidade, como a presença de Joel D. Wyncoop, the king of B movies, fiel colaborador de Tim Ritter, fazendo uma ponta como o cara que conserta televisão e luta karate. E a diversão não para em momento algum em KILLING SPREE. É desses filmes intensos que não deixa passar muito tempo sem que o espectador seja surpreendido com algum toque criativo, uma gag bem humorada, soluções espertas, algum personagem interessante que surge em cena ou com o festival splatter que o filme promove. Simplesmente delicioso. Mas só para paladares finos, afccionados por uma boa tralha e fãs do Asbestos.

THE WASP WOMAN (1995)

UZy3tTHE WASP WOMAN faz parte de uma série de refilmagens que mencionei no post anterior, na qual o mestre Roger Corman, num acordo com o canal Showtime em meados dos anos 90, atualizou alguns clássicos que dirigiu, como BUCKET OF BLOOD (59), e produziu, como PIRANHA (78), de Joe Dante, e HUMANOIDS FROM THE DEEP (80), de Barbara Peeters, lançandos diretamente para a TV.

Dirigido por um dos pupilos mais prolíficos de Corman, Jim Wynorski, a trama de THE WASP WOMAN é exatamente a mesma do filme de 59. Janice Starlin (Jennifer Rubin), proprietária e principal modelo que estampa a publicidade de uma grande empresa de cosméticos, descobre que as ações vêm caindo e uma das propostas dos marketeiros é justamente recrutar uma modelo mais jovem (que vem a ser a deliciosa Maria Ford) para dar uma cara nova à empresa. Desconcertada com essa situação, Janice acaba dando uma chance a um cientista desacreditado, Dr. Zinthorp, que desenvolveu um estranho soro derivado de hormônios de vespas.

KULAeOs resultados não poderiam ser mais extremos: se por um lado as rugas e olheiras de Janice desaparecem e seu aspecto jovial é evidente, por outro ela desenvolve a capacidade de se transformar numa vespa gigante (com grandes peitos, porque… bem, é o Wynorski, né?) com um incontrolável desejo de matar qualquer um que tenha, em algum momento, se colocado contra ela.

Desconsiderando as desigualdades dos tipos de produções de classe B realizado nos anos 50 e um da mesma estirpe na década de 90, há duas grandes diferenças que saltam aos olhos entre o original e esta refilmagem. A primeira delas é o visual da criatura, a vespa-monstro com tetas, que apesar de ter uma mobilidade limitada consegue ter um impacto muito mais forte que a máscara tosca usada por Susan Cabot no filme original. O orçamento de ambos são mínimos, mas é fato que construir uma fantasia complexa como esta daqui era bem mai fácil nos anos 90…

F5f78A segunda diferença é o teor sexual de algumas situações, mais especificamente a exploração erótica de corpos femininos, com a presença de belos pares de peitos de fora balançando na tela. Claro que a sexualidade feminina entra no pacote filosófico de temas que o filme de 59 abordava, mas nudez seria algo quase impensável no filme de Corman. Já este material nas mãos de Wynorski, em plenos anos 90, fica difícil não ter, especialmente com Maria Ford no elenco, protagonizando algumas ceninhas interessantes. A personagem de Jennifer Rubbin apresenta também alguns momentos excitantes, uma pena que ela mesma não tenha mostrado nada de seus atributos e utilizou uma dublê de corpo nas suas cenas.

Ainda assim, em comparação com outros filmes do Wynorski, o que temos aqui é pouco em relação à nudez. É óbvio que o filme não devia depender disso, no entanto, e já entrando no ponto negativo do filme, uma quantidade maior de mulheres nuas ajudaria bastante. Apesar de ter algumas modificações e a visão de Wynorski impressa na tela, esta versão de THE WASP WOMAN sofre muito por ficar preso a um enredo escrito algumas décadas antes, o que torna o filme sem ritmo, cansativo e sonolento, em grande parte da projeção.

Le80HOs admiradores do trabalho do diretor vão perceber que THE WASP WOMAN está longe de ser dos seus melhores filmes, mas também não é uma total perda de tempo. Vale uma conferida nem que seja pelos momentos dos ataques da vespa-monstro peituda e pela oportunidade de ver algumas figurinhas legais do cinema classe B marcando presença, como Daniel J. Travanti, Gerrit Graham, o fiel colaborar de Wynorski Lenny Juliano, as deliciosas Melissa Brasselle e Julie K. Smith (numa ponta “piscou perdeu”) e até o diretor Fred Olen Ray. Então… por mais chatinho que possa ser em alguns momentos, já temos vários motivos pra conferir essa versão de THE WASP WOMAN. Mas não deixem de conferir primeiro o original!

A MULHER VESPA (The Wasp Woman, 1959)

wasp5A MULHER VESPA, dirigido pelo maior gênio dos filmes B americanos, Roger Corman, é claramente uma tentativa de aproveitar o sucesso do clássico A MOSCA DA CABEÇA BRANCA (1958), de Kurt Neumann, com o grande Vincent Price no elenco. Mas aqui é uma mulher, Susan Cabot, quem assume a posição de protagonista, dando vida a uma quarentona, dona de uma empresa de cosméticos. Além de proprietária, ela costumava ser o rosto bonito que enfeitava os anúncios publicitários da empresa, mas com o passar do tempo, a idade chega e ela resolve colocar uma pessoa mais jovem e menos enrugada para continuar a divulgação de seus negócios, acarretando uma inesperada diminuição retumbante de vendas. Em suma, para continuar sendo a garota propaganda que o público quer, Cabot acaba conhecendo um cientista maluco que desenvolveu um novo cosmético a partir das enzimas das vespas, transformando o envelhecimento da pele na beleza da juventude. A senhora começa a usar em si mesma o produto e em pouco tempo, está com rostinho de 20 anos novamente. É lógico que em algum momento algo daria errado, caso contrário, não teríamos um sci-fi de terror, e sim mais um drama sobre uma mulher em conflitos existenciais partindo numa jornada sem mapa para o interior dos imperativos selvagens de si própria… ou algo assim. thewaspwomanDe maneira gradativa, a natureza lasciva da vespa rainha inicia um processo de mutação física e de personalidade na nossa protagonista. À noite, ela se transforma numa espécie de híbrido metade mulher, metade vespa (mas nem chega perto do desenho do cartaz do filme, que é genial, diga-se de passagem), bem ao estilo Corman, com uma máscara mal feita cujo pescoço da atriz fica à mostra e umas luvas de forno trabalhada para dar a impressão de… mãos de vespa? Enfim, o resultado é um charme, prezando mais pela ideia absurda e criatividade do que pelas limitações orçamentárias. E isso vale não só para esse filme, mas para a obra inteira do Corman. Algumas curiosidades: A MULHER VESPA foi originalmente lançado nos drive-ins em sessão dupla com A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA, do Monte Hellman. Corman utilizou vários de seus colaboradores habituais em serviço, como Daniel Heller (diretor de arte) e seu irmão, o produtor Gene Corman (que faz uma ponta no filme), além de seus jovens e promissores pupilos. Um fato engraçado é que a duração final nessas sessões era tão curta que ficava impossibilitado de passar o filme na TV. Então Corman colocou Jack Hill, que ainda era cabaço na Corman Factory para escrever e dirigir algumas cenas adicionais, como por exemplo, todo o início do filme que se passa na fazenda produtora de mel. Hill se tornou mais tarde um dos grandes nomes do cinema exploitation americano. Na metade dos anos 90, Corman produziu uma série de  refilmagens que atualizava vários de seus clássicos de horror e sci-fi dos anos 50. Em 1995 saiu a de A MULHER VESPA, dirigido pelo grande Jim Wynorski (Breve aqui no blog).

Saiu num DVD duplo no Brasil, na coleção Sessão da Meia-Noite, junto com o filme O ATAQUE DAS SANGUESSUGAS GIGANTES (1959), de Bernard L. Kowalski.

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BIOHAZARD (1985)

biohazardFilme de início de carreira de Fred Olen Ray, o homem por trás de uma porrada de bagaceiras deliciosas como HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS e que possui no currículo mais 100 filmes como diretor. BIOHAZARD é uma mistura muito bizarra de sci-fi e terror, realizado de modo independente, com atores péssimos, produção tosca, mas com muita disposição em divertir um grupo específico de cinéfilos que adora exemplares que de tão ruins, tão mal feitos, se tornam ótimas diversões.

Há um tempo atrás cheguei a me questionar quanto a isso, mas não tem jeito: levando em conta o cinema atual, com suas cada vez mais raras exceções, prefiro sentar no sofá e desfrutar uma porcaria sem pretensão alguma, realizado orçamento minúsculo, como é o caso de BIOHZARD, do que ir ao cinema ver esses filmes pretensiosos que se levam a sério, superproduções das quais foram investidos rios de dinheiro, mas não chegam aos pés de tranqueiras que não possuem preocupação em atrair um grande público ou ganhar o Oscar de efeitos especiais (mas nada contra a este tipo de filme também).

vlcsnap-2011-12-11-12h56m39s51vlcsnap-2011-12-11-12h56m50s175E BIOHAZARD é um charme em vários sentidos. Não são poucas as vezes que aparece um microfone nos cantos da tela, ou então algum assistente de produção querendo fazer um ponta onde não devia, entre outros momento de rachar o bico. Se há algum elemento de qualidade é o trabalho de maquiagem de Jon McCallum. O próprio Fred costumava trabalhar como maquiador, mas nos seus próprios filmes deixava nas mãos de pessoas mais competentes este serviço fascinante e o resultado aqui é muito bacana.

Segundo o próprio diretor, BIOHAZARD é uma espécie de episódio da série de TV The Outer Limits combinado com bastante gore em efeitos de maquiagem. O filme é sobre uma experiência num laboratório secreto que dá errado, liberando uma criatura de outro mundo que causa o terror na cidadezinha onde o filme se passa.

biohazard3A criatura, só para constar, tem o tamanho de um garoto de cinco anos. Na verdade, quem estava dentro da fantasia era realmente um garoto de cinco anos, o filho de Fred.

Destaque para a cena em que um mendigo pendura um pôster do filme ET, do Spielberg, encontrada no lixo, e a criatura, na primeira oportunidade que tem, rasga e pisa em cima ferozmente! hehe! E também para o elenco, que conta com o grande Aldo Ray no papel de um general e outros colaboradores de Fred, a maioria um bando de desconhecidos que devem ser amigos do diretor. E, claro, a exuberante Angelique Pettyjohn, já velha conhecida desde os produtos B do fim dos anos 60. Tenho certeza que os cuecas de plantão vão gostar de algumas cenas com ela exibindo seus belos atributos mamários…

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