MOMENTO JESS FRANCO: CINEMA COM COLHÕES

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KILLING SPREE (1987)

dEdN3Tim Ritter iniciou bem cedo a profissão de fazedor de filmes de horror. Mal entrou na puberdade, filmando com uma super-8, e os professores já passavam suas obras em sala de aula e os alunos babavam vidrados para conferir as cheerleaders da escola sendo toscamente assassinadas. Autêntico desbravador do cinema caseiro, a coisa foi ficando séria e com menos de vinte anos, Ritter já possuia uma filmografia com vários pequenos homemovies de horror, como DAY OF THE REAPER, e pelo menos um longa que virou clássico do slasher oitentista, TRUTH OR DARE? A CRITICAL MADNESS (de 1986, filmado em 16mm), que lhe deu a oportunidade de dar um passo mais adiante na carreira. E é aí que chegamos em KILLING SPREE, a obra-prima de Ritter.

UIakYMas não pensem que o tal “passo adiante” signifique mais dinheiro. TRUTH OR DARE? transformou a vida de Ritter num inferno por conta dos produtores e o sujeito teve que batalhar muito para ter seu nome creditado como roteirista e diretor. KILLING SPREE significa independência para Ritter. Também é um projeto de 16mm e custou algo em torno de 75 mil dólares conseguidos com investidores locais (muito menos até que o seu filme anterior). É um valor bem baixo, na verdade. Só pra ter uma noção, filmes clássicos de horror considerados de baixíssimos orçamentos, como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, de Tobe Hooper, e THE LAST HOUSE ON THE LEFT, do Wes Craven, realizados quinze anos antes, foram mais caros que KILLING SPREE. Mas só de ficar sem produtores fungando o cangote já valeria a pena…

Essas duas questões refletem bastante o que é KILLING SPREE. Um filme pobre visualmente, com estética de microbudget, mas com uma liberdade criativa delirante bem próxima do que um Lucio Fulci fazia, por exemplo. E não pára por aí…

KillSpree4Nov10A trama é sobre Tom Russo, um sujeito meio abitolado e deveras ciumento com sua esposa. Quando descobre um diário no qual sua mulher narra umas “puladas de cerca” com o seu melhor amigo, o encanador, o entregador, o reparador, o instalador, e por aí vai, Russo desparafusa de vez e decide matar cada possível amante com requintes de crueldade, com direito a torturas, mutilações e mortes criativas com todo o tipo de parafernalha pontiaguda e cortante. Até aí tudo bem, o negócio é que quanto mais a insanidade do protagonista aumenta, mais a narrativa perde o pé da razão, até chegar num ponto onde não sabemos o que é real e o que é fantasia da cabeça do pobre Russo. E quando finalmente ficamos sabendo, KILLING SPREE já chutou o balde com qualquer possibilidade plausível e fodeu a mente do espectador. Ou vai me dizer que dá para ficar indiferente diante disso?:

29q01g7Um dos destaques da obra é o trabalho de efeitos especiais que, apesar das restrições orçamentárias, os realizadores investiram bastante para criar sequências de extrema violência gráfica que mexessem com o público. O filme é um espetáculo gore, com muitas tripas, membros decepados e um derramamento de sangue que causou até problemas para Ritter. É que a casa utilizada no transcorrer da história pertencia ao amigo do diretor, e também um dos produtores do filme, Al Nicolosi, que não ficou muito satisfeito ao ver a sujeira do sangue falso em cima dos móveis, paredes, carpetes e resolveu expulsar toda a equipe de produção no meio das filmagens!!! Ritter teve que prometer que entregaria a casa de volta totalmente limpa para que o sujeito permitisse que continuassem o trabalho. Isso gerou um grande mal estar entre eles… Mas no fim das contas, a quantidade de sangue e vísceras espalhadas pelo chão consegue cumprir sua função.

vlcsnap-00017Tanto que eu nem senti muita falta de um detalhe quase sempre presente nesse tipo de produção: peitos de fora. Aí eu chamo a atenção para a atriz principal de KILLING SPREE, uma gata estonteante, Coutney Lercara, em momentos sensuais, que imploram por uma nudez gratuita, mas que infelizmente não mostra muita coisa. No entanto, o foco mesmo acaba sendo o protagonista. O nome dele precisa ser escrito em negrito e caixa alta: ASBESTOS FELT. Isso mesmo, seu nome é Asbestos Felt… Asbestos! Só por esse nome eu já virei fã do sujeito. E Asbestos só estrelou este filme aqui na vida (fez pequenas participações em outros), mas manda muito bem! É um péssimo ator, mas para esse tipo de filme é simplesmente perfeito! Asbestos é exagerado, canastrão e visualmente cômico. Há uma cena em que aparece só de cuecas passando o aspirador de pó que é de uma genialidade subversiva!

vlcsnap-00009Aliás, o filme é cheio de sacadas da mais pura genialidade, como a presença de Joel D. Wyncoop, the king of B movies, fiel colaborador de Tim Ritter, fazendo uma ponta como o cara que conserta televisão e luta karate. E a diversão não para em momento algum em KILLING SPREE. É desses filmes intensos que não deixa passar muito tempo sem que o espectador seja surpreendido com algum toque criativo, uma gag bem humorada, soluções espertas, algum personagem interessante que surge em cena ou com o festival splatter que o filme promove. Simplesmente delicioso. Mas só para paladares finos, afccionados por uma boa tralha e fãs do Asbestos.

THE WASP WOMAN (1995)

UZy3tTHE WASP WOMAN faz parte de uma série de refilmagens que mencionei no post anterior, na qual o mestre Roger Corman, num acordo com o canal Showtime em meados dos anos 90, atualizou alguns clássicos que dirigiu, como BUCKET OF BLOOD (59), e produziu, como PIRANHA (78), de Joe Dante, e HUMANOIDS FROM THE DEEP (80), de Barbara Peeters, lançandos diretamente para a TV.

Dirigido por um dos pupilos mais prolíficos de Corman, Jim Wynorski, a trama de THE WASP WOMAN é exatamente a mesma do filme de 59. Janice Starlin (Jennifer Rubin), proprietária e principal modelo que estampa a publicidade de uma grande empresa de cosméticos, descobre que as ações vêm caindo e uma das propostas dos marketeiros é justamente recrutar uma modelo mais jovem (que vem a ser a deliciosa Maria Ford) para dar uma cara nova à empresa. Desconcertada com essa situação, Janice acaba dando uma chance a um cientista desacreditado, Dr. Zinthorp, que desenvolveu um estranho soro derivado de hormônios de vespas.

KULAeOs resultados não poderiam ser mais extremos: se por um lado as rugas e olheiras de Janice desaparecem e seu aspecto jovial é evidente, por outro ela desenvolve a capacidade de se transformar numa vespa gigante (com grandes peitos, porque… bem, é o Wynorski, né?) com um incontrolável desejo de matar qualquer um que tenha, em algum momento, se colocado contra ela.

Desconsiderando as desigualdades dos tipos de produções de classe B realizado nos anos 50 e um da mesma estirpe na década de 90, há duas grandes diferenças que saltam aos olhos entre o original e esta refilmagem. A primeira delas é o visual da criatura, a vespa-monstro com tetas, que apesar de ter uma mobilidade limitada consegue ter um impacto muito mais forte que a máscara tosca usada por Susan Cabot no filme original. O orçamento de ambos são mínimos, mas é fato que construir uma fantasia complexa como esta daqui era bem mai fácil nos anos 90…

F5f78A segunda diferença é o teor sexual de algumas situações, mais especificamente a exploração erótica de corpos femininos, com a presença de belos pares de peitos de fora balançando na tela. Claro que a sexualidade feminina entra no pacote filosófico de temas que o filme de 59 abordava, mas nudez seria algo quase impensável no filme de Corman. Já este material nas mãos de Wynorski, em plenos anos 90, fica difícil não ter, especialmente com Maria Ford no elenco, protagonizando algumas ceninhas interessantes. A personagem de Jennifer Rubbin apresenta também alguns momentos excitantes, uma pena que ela mesma não tenha mostrado nada de seus atributos e utilizou uma dublê de corpo nas suas cenas.

Ainda assim, em comparação com outros filmes do Wynorski, o que temos aqui é pouco em relação à nudez. É óbvio que o filme não devia depender disso, no entanto, e já entrando no ponto negativo do filme, uma quantidade maior de mulheres nuas ajudaria bastante. Apesar de ter algumas modificações e a visão de Wynorski impressa na tela, esta versão de THE WASP WOMAN sofre muito por ficar preso a um enredo escrito algumas décadas antes, o que torna o filme sem ritmo, cansativo e sonolento, em grande parte da projeção.

Le80HOs admiradores do trabalho do diretor vão perceber que THE WASP WOMAN está longe de ser dos seus melhores filmes, mas também não é uma total perda de tempo. Vale uma conferida nem que seja pelos momentos dos ataques da vespa-monstro peituda e pela oportunidade de ver algumas figurinhas legais do cinema classe B marcando presença, como Daniel J. Travanti, Gerrit Graham, o fiel colaborar de Wynorski Lenny Juliano, as deliciosas Melissa Brasselle e Julie K. Smith (numa ponta “piscou perdeu”) e até o diretor Fred Olen Ray. Então… por mais chatinho que possa ser em alguns momentos, já temos vários motivos pra conferir essa versão de THE WASP WOMAN. Mas não deixem de conferir primeiro o original!

A MULHER VESPA (The Wasp Woman, 1959)

wasp5A MULHER VESPA, dirigido pelo maior gênio dos filmes B americanos, Roger Corman, é claramente uma tentativa de aproveitar o sucesso do clássico A MOSCA DA CABEÇA BRANCA (1958), de Kurt Neumann, com o grande Vincent Price no elenco. Mas aqui é uma mulher, Susan Cabot, quem assume a posição de protagonista, dando vida a uma quarentona, dona de uma empresa de cosméticos. Além de proprietária, ela costumava ser o rosto bonito que enfeitava os anúncios publicitários da empresa, mas com o passar do tempo, a idade chega e ela resolve colocar uma pessoa mais jovem e menos enrugada para continuar a divulgação de seus negócios, acarretando uma inesperada diminuição retumbante de vendas. Em suma, para continuar sendo a garota propaganda que o público quer, Cabot acaba conhecendo um cientista maluco que desenvolveu um novo cosmético a partir das enzimas das vespas, transformando o envelhecimento da pele na beleza da juventude. A senhora começa a usar em si mesma o produto e em pouco tempo, está com rostinho de 20 anos novamente. É lógico que em algum momento algo daria errado, caso contrário, não teríamos um sci-fi de terror, e sim mais um drama sobre uma mulher em conflitos existenciais partindo numa jornada sem mapa para o interior dos imperativos selvagens de si própria… ou algo assim. thewaspwomanDe maneira gradativa, a natureza lasciva da vespa rainha inicia um processo de mutação física e de personalidade na nossa protagonista. À noite, ela se transforma numa espécie de híbrido metade mulher, metade vespa (mas nem chega perto do desenho do cartaz do filme, que é genial, diga-se de passagem), bem ao estilo Corman, com uma máscara mal feita cujo pescoço da atriz fica à mostra e umas luvas de forno trabalhada para dar a impressão de… mãos de vespa? Enfim, o resultado é um charme, prezando mais pela ideia absurda e criatividade do que pelas limitações orçamentárias. E isso vale não só para esse filme, mas para a obra inteira do Corman. Algumas curiosidades: A MULHER VESPA foi originalmente lançado nos drive-ins em sessão dupla com A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA, do Monte Hellman. Corman utilizou vários de seus colaboradores habituais em serviço, como Daniel Heller (diretor de arte) e seu irmão, o produtor Gene Corman (que faz uma ponta no filme), além de seus jovens e promissores pupilos. Um fato engraçado é que a duração final nessas sessões era tão curta que ficava impossibilitado de passar o filme na TV. Então Corman colocou Jack Hill, que ainda era cabaço na Corman Factory para escrever e dirigir algumas cenas adicionais, como por exemplo, todo o início do filme que se passa na fazenda produtora de mel. Hill se tornou mais tarde um dos grandes nomes do cinema exploitation americano. Na metade dos anos 90, Corman produziu uma série de  refilmagens que atualizava vários de seus clássicos de horror e sci-fi dos anos 50. Em 1995 saiu a de A MULHER VESPA, dirigido pelo grande Jim Wynorski (Breve aqui no blog).

Saiu num DVD duplo no Brasil, na coleção Sessão da Meia-Noite, junto com o filme O ATAQUE DAS SANGUESSUGAS GIGANTES (1959), de Bernard L. Kowalski.

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BIOHAZARD (1985)

biohazardFilme de início de carreira de Fred Olen Ray, o homem por trás de uma porrada de bagaceiras deliciosas como HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS e que possui no currículo mais 100 filmes como diretor. BIOHAZARD é uma mistura muito bizarra de sci-fi e terror, realizado de modo independente, com atores péssimos, produção tosca, mas com muita disposição em divertir um grupo específico de cinéfilos que adora exemplares que de tão ruins, tão mal feitos, se tornam ótimas diversões.

Há um tempo atrás cheguei a me questionar quanto a isso, mas não tem jeito: levando em conta o cinema atual, com suas cada vez mais raras exceções, prefiro sentar no sofá e desfrutar uma porcaria sem pretensão alguma, realizado orçamento minúsculo, como é o caso de BIOHZARD, do que ir ao cinema ver esses filmes pretensiosos que se levam a sério, superproduções das quais foram investidos rios de dinheiro, mas não chegam aos pés de tranqueiras que não possuem preocupação em atrair um grande público ou ganhar o Oscar de efeitos especiais (mas nada contra a este tipo de filme também).

vlcsnap-2011-12-11-12h56m39s51vlcsnap-2011-12-11-12h56m50s175E BIOHAZARD é um charme em vários sentidos. Não são poucas as vezes que aparece um microfone nos cantos da tela, ou então algum assistente de produção querendo fazer um ponta onde não devia, entre outros momento de rachar o bico. Se há algum elemento de qualidade é o trabalho de maquiagem de Jon McCallum. O próprio Fred costumava trabalhar como maquiador, mas nos seus próprios filmes deixava nas mãos de pessoas mais competentes este serviço fascinante e o resultado aqui é muito bacana.

Segundo o próprio diretor, BIOHAZARD é uma espécie de episódio da série de TV The Outer Limits combinado com bastante gore em efeitos de maquiagem. O filme é sobre uma experiência num laboratório secreto que dá errado, liberando uma criatura de outro mundo que causa o terror na cidadezinha onde o filme se passa.

biohazard3A criatura, só para constar, tem o tamanho de um garoto de cinco anos. Na verdade, quem estava dentro da fantasia era realmente um garoto de cinco anos, o filho de Fred.

Destaque para a cena em que um mendigo pendura um pôster do filme ET, do Spielberg, encontrada no lixo, e a criatura, na primeira oportunidade que tem, rasga e pisa em cima ferozmente! hehe! E também para o elenco, que conta com o grande Aldo Ray no papel de um general e outros colaboradores de Fred, a maioria um bando de desconhecidos que devem ser amigos do diretor. E, claro, a exuberante Angelique Pettyjohn, já velha conhecida desde os produtos B do fim dos anos 60. Tenho certeza que os cuecas de plantão vão gostar de algumas cenas com ela exibindo seus belos atributos mamários…

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THE LOST EMPIRE (1985)

vlcsnap-2014-05-12-20h51m46s192Antes de se tornar um dos diretores mais conspícuos do cinema classe B pós-80’s, Jim Wynorski ganhava experiência e bagagem cinematográfica trabalhando como roteirista, escrevendo artigos sobre filmes de gênero em publicações como a Fangoria e estando sempre envolvido em produções do mestre Roger Corman. Quando chegou o momento de realizar seu primeiro trabalho como diretor, juntou todos os clichês de seus filmes favoritos, se envolveu com várias pessoas ligadas ao tipo de cinema que queria fazer e misturou com com todas as suas obsessões próprias. O resultado é THE LOST EMPIRE, um sci-fi muito louco que possui ninjas assassinos, artefatos místicos, um feiticeiro decano, terras desconhecidas, mulheres peitudas com figurinos provocantes e um elenco bem batuta!

bbbbO enredo é tão divertido quanto bagunçado e acho que não valeria a pena ficar perdendo tempo explicando. Mas só prá dar um gostinho, trata-se de três beldades que vão parar numa ilha comandada por um feiticeiro chamado Dr. Sin Do para descobrir as circunstâncias do irmão de uma delas ter sido assassinado por um bando de ninjas. Lá acontece um torneio de artes marciais, ao mesmo tempo mulheres são mantidas escravas em trajes mínimos e, por fim, o tal Dr. possui planos diabólicos de combinar algumas pedras preciosas antigas que lhe darão poder para conquistar o mundo!

aaaa (1) aaaaÉ Jim Wynorski prestando homenagem às coisas que tanto ele quanto nós adoramos no cinema grind house e exploitation. Percebe-se em THE LOST EMPIRE influências do próprio Corman, mentor de Wynorski e produtor de vários de seus filmes (incluindo este aqui), Jack Hill, Russ Meyer (pelas várias cenas de peitos de fora), e até filmes de espionagem estilo 007. Jim nunca foi um diretor estiloso, mas sempre demonstrou habilidade para filmar cenas marcantes, sexys e engraçadas, além de muita personalidade para trabalhar com vários rostos famosos dos filmes B. Analisando a carreira do sujeito, percebe-se um sutil amadurecimento no trabalho de direção, especialmente nos anos 90, mas é incrível como Jim já tinha pulso firme pra fazer o que queria já nesta primeira experiência atrás das câmeras.

bbbbb ccccUm detalhe marcante neste debut é a quantidade de celebridades do cinema independente que Winorsky conseguiu reunir em THE LOST EMPIRE. Isso é que dá ter Roger Corman como padrinho. Do lado feminino, várias musas do cinema classe B que nunca tiveram receio de tirar a blusa, como Melanie Vincz, Raven De La Croix (que trabalhou com Russ Meyer), Angela Aames, Linda Shayne e a deusa exuberante Angelique Pettyjohn. Na ala carrancuda temos Blackie Dammett (também conhecido por ser pai de Anthony Kiedis, vocalista da banda Red Hot Chilli Peppers), o fortão Robert Tessier e o grande Angus Scrimm (o Tall Man, da espetacular série de horror PHANTASM), que faz o vilão Dr. Sin Do.

bbbbbbb dddddAtualmente, Jim Wynorski ainda se encontra em pleno vapor e já possui computada uma filmografia com mais de cem títulos. Nem todos são bons, muito menos obrigatórios. Mas para quem se interessa por cinema independente de gênero ou admira o trabalho do homem, THE LOST EMPIRE é imperdível.

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WEREWOLF IN A WOMEN’S PRISON (2006)

09Mais um filme de lobisomem do Jeff Leroy produzido com um orçamento minúsculo, da mesma maneira que EYES OF WEREWOLF (1999), do post anterior. Aliás, recomendo uma olhada no post deste último antes de ler sobre WEREWOLF IN A WOMEN’S PRISON, para ter uma noção do que é o universo microbudget e o que esperar dos filmes de um realizador do naipe de Jeff Leroy. Só não pensem que o tema principal do sujeito se resuma ao famigerado monstro que se transforma nas noites de lua cheia. Leroy já atirou para todos os tipos de gêneros e se há um denominador comum no seu cinema é a quantidade de sangue e peitos na tela.

15A trama de WEREWOLF IN A WOMEN’S PRISON é bem simples e faz uma mistura muito louca entre filmes de lobisomem com Women in Prison, gênero no qual mulheres prisioneiras são protagonistas. Sarah (Victoria de Mare, que não chega aos pés da Stephanie Beaton, mas dá pro gasto) sai para acampar com seu namorado quando ambos são atacados por um lobisomem. A moça acaba sobrevivendo, mas acorda numa estranha prisão e descobre que seu namorado foi morto pela criatura. O problema é que Sarah foi mordida pelo lobisomem e, bom, todos nós sabemos o que isso significa. Leroy abusa de todos os clichês que se espera num werewolf movie, mas também dos filmes de prisão feminina: briga de detentas, lesbianismo, guardas sádicos, nudez gratuita… O fator lobisomem entra no conjunto acrescentando um sabor a mais: doses cavalares e explícitas de gore.

17Não custa ressaltar novamente que se trata de uma produção extremamente pobre e só é recomendado para paladares finos. É preciso muita boa vontade por parte do espectador para aceitar o péssimo desempenho do elenco (se bem que com a abundância de peitos, atuação não faz muita diferença), os cenários modestos que parecem tudo, menos uma prisão, e os efeitos especiais toscos, mas eficientes e criativos, levando em conta o orçamento humilde da produção… Finalizo citando o amigo Osvaldo Neto quando diz que o charme de WEREWOLF IN A WOMEN’S PRISON “reside no roteiro cheio de referência e amor ao cinema exploitation e na mais completa cara de pau do seu realizador e equipe fazerem de tudo para o longa ser um espetáculo de sanguinolência e putaria do início ao fim.” Eu não poderia concordar mais.

EYES OF THE WEREWOLF (1999)

bscap0010Antes de começar a falar sobre EYES OF WEREWOLF, é preciso que o leitor tenha em mente que estamos entrando no universo do microbudget e falamos sério sobre o quão irrisório é o montante dessas produções. Não se trata de cinema de baixo orçamento, mas de filmes feitos literalmente SEM orçamento algum! Pelas próprias screenshots deste post já dá pra ter uma noção da qualidade dos cenários, do visual pobre, dos efeitos especiais caseiros….

O orçamento de EYES OF THE WEREWOLF, por exemplo, gira em torno de cinco mil dólares, segundo o imdb. CINCO MIL dólares!!! Não dá nem prá pagar o almoço do Tom Cruise num dia de filmagem numa produção Hollywoodiana. E esses caras fazem um filme inteiro com esse dinheiro, na raça e por amor ao cinema de gênero.

bscap0006E é preciso fazer essa introdução porque esse tipo de cinema, infelizmente, não é pra qualquer um. Pode parecer arrogância, mas são poucos os que possuem paciência e boa vontade para encarar exemplares que parecem filmados com câmera de VHS… Na verdade, muitos filmes desse universo são realmente realizados com esse tipo de equipamento. No entanto, quem conseguir entrar no clima e aproveitar as boas coisas que esses filmes têm a oferecer, será bem recompensado. Eu acho…

bscap0002Bom, estão avisados. Vamos ao filme. EYES OF THE WEREWOLF é sobre Rich Stevens, um cientista que sofre um acidente de laboratório que o deixa completamente cego. Graças a um milagroso transplante de olhos o sujeito consegue enxergar novamente. O problema é que o médico responsável pela operação compra órgãos do mercado negro e, por uma grande coincidência, os novos olhos do protagonista pertenciam a alguém que nas noites de lua cheia se transformava em lobisomem. É claro que não demora muito e o sujeito começa a uivar, assumir a forma meio lobo, meio humano, e atacar as pessoas durante as noites que a lua brilha mais forte. Nessa jornada, Rich conta com a ajuda de uma galeria de personagens interessantes, entre eles a enfermeira gostosa Sondra, interpretada pela robusta Stephanie Beaton, e um anão aleijado especializado em ocultismo, além de uma detetive lésbica que fica dando em cima da enfermeira…

bscap0004O filme foi escrito e dirigido por Tim Sullivan, que também faz o papel do médico. Na verdade, Sullivan é ator e pode ser visto em várias produções do “gênero” microbudget. Embora não seja creditado, o imdb aponta Jeff Leroy também como diretor. Acredito que atualmente Leroy seja a mente mais criativa no cenário independente de gênero, trabalhando em diversas incumbências atrás das câmeras, como diretor de fotografia, edição e efeitos especiais. Neste último item, quase sempre o faz à moda antiga, bem artesanal, evitando ao máximo o uso de CGI, mesmo em trabalhos mais recentes.

Alíás, um dos principais destaques de EYES OF THE WEREWOLF é justamente os efeitos especiais de maquiagem nas cenas dos ataques violentos do lobisomen. Apesar de toscos, são cheios de gore e demonstram a criatividade de Leroy para driblar os evidentes problemas orçamentários.

bscap0007Mas o principal atrativo do filme se chama Stephanie Beaton, a enfermeira que se apaixona pelo protagonista. Uma ruiva maravilhosa de corpo exuberante e que não tem receio algum em botar os peitões prá fora. E os diretores fizeram muito bem em explorar a boa vontade da moça em tirar a blusa. Os nossos olhos agradecem. Há duas longas cenas de sexo softcore (nem a calcinha ela tira) na qual os atributos de Beaton ficam expostos por um bom tempo na tela.

bscap0003 bscap0017Agora, em outros departamentos a coisa complica. O visual dos cenários é bem simples, o trabalho de iluminação e câmera é pobrezinho, as cenas noturnas são claramente filmadas durante o dia e são porcamente adicionados filtros que imitam a noite; as atuações de todo o elenco são péssimas, com exceção do anão aleijado que parece levar seu personagem à sério. hehehe! Beaton está perdoada pela dose de nudez. Mas tudo isso faz parte do charme desse tipo de produção e seria estranho se não fosse assim. EYES OF THE WEREWOLF é uma boa maneira de entrar com o pé direito nesse universo do microbudget. Há boas ideias, peitos, violência, um lobisomem à solta e cumpre a missão de ser uma despretensiosa diversão.

OBS: Se o imdb estiver correto e Jeff Leroy tiver mesmo participação na direção, trata-se da sua estreia nessa função.

OBS2: Leroy aproveitou exatamente a mesma maquiagem de Lobisomem utilizada aqui em EYES OF THE WEREWOLF em outro filme seu: WEREWOLF IN A WOMEN’S PRISON, outra belezinha que pretendo comentar depois.

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O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER (The Brain that Wouldn’t Die, 1962)

snapshot20101009192829O título desse filme é daqueles que fazem qualquer amante do cinema classe B ficar mais excitado que Testemunha de Jeová na seção de portas de loja de construção. O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER… É simplesmente muita tentação para os ouvidos. Mas até que me segurei por muito tempo! Sim, meus caros, há anos que tenho por aqui e só agora resolvi encarar essa tralha, dirigida por um tal Joseph Green, que de tão ruim, tão mal feita, tanto mau gosto reunido em película, é impossível não se divertir!

Com seus 82 minutos de duração, o enredo de O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER é facilmente resumido. Jason Evers – aqui creditado como Herb Evers – é o Dr. Bill Cortner, um cirurgião com métodos nada ortodoxos na prática de sua profissão e que nas horas vagas dedica-se, juntamente com um assistente com um braço deformado – o tradicional cúmplice que não pode faltar nesse tipo de produção – à pesquisa de um soro que tornaria possível o transplante perfeito de membros humanos. A natureza deste trabalho fica ainda mais evidente quando a noiva do sujeito, Jan (Virginia Leith), é decapitada num acidente de carro e o devotado noivo e “brilhante” cientista, mantém viva a cabeça de sua amada até que possa ser enxertada em um novo corpo.

Seguindo a cartilha dos cientistas de filmes B, Cortner inicia uma árdua jornada para encontrar o corpo ideal para Jan, o que significa visitar clubes de strip e concursos de biquinis, locais perfeitos para possíveis “doadoras”. No entanto, pela cara de safado malicioso do sujeito, mostrado em vários closes acompanhado de música jazz bem animada, fica difícil entender se há uma confusão nas intenções do filme, na direção de atores, na construção do personagem ou se Cortner está mesmo pouco se lixando e só quer ver moças desfilando em trajes mínimos.

Brain8O fato é que tanto Evers quanto o diretor Joseph Green parecem mais à vontade criando esse tipo de sequência, em locais vulgares com mulheres desinibidas, do que trabalhando o material sci-fi/horror com a tal cabeça viva falante, apesar destes elementos serem o foco. Pessoalmente, acho isso sensacional… E até ousado pra sua época, tanto que o filme acabou enfrentando diversos problemas com a censura, sendo lançado em 1962, três anos após as suas filmagens. Se formos parar para pensar, no final da década de 50 a mentalidade de certas figuras “do bem” talvez não estivesse muito confortável com a temática de O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER. E, para complicar ainda mais, trazia ainda cenas que o público não estava acostumado a ver na tela grande, nem mesmo quem fosse aficcionado por filmes de terror naquela altura. E estamos falando de uma produção que, por mais ridículo que hoje possa parecer, se levava bastante a sério (o que dá ainda mais motivos para dar boas risadas). Algumas imagens deveriam ter causado fortes emoções, como as cenas com a cabeça viva, falando naturalmente; ou o monstro mutante formado por vários membros alheios, fruto de experiências do Dr. Cortner que não dera muito certo; e até mesmo a cena incrível onde o braço de um dos personagens é arrancado violentamente, com bastante sangue escorrendo para todos os lados…

Sobre a cabeça falante, é preciso destacar a trucagem, por mais óbvia e tosca que fosse, e todo o aparato visual que fazem a absurda ideia da cabeça viva funcionar sem o corpo. Não é a toa que a imagem de Jen, com sua cabeça em cima de um tabuleiro de metal e os tubos e suportes acoplados à sua volta, acabou tornando-se um ícone na cultura pop do horror ao longo dos anos. A atuação de Virginia Leith também merece ser salientada, consegue dar alguma dignidade à sua “cabeça viva”, apesar da situação ridícula que se meteu…

brain4Ao contrário do que o título nacional indica, entretanto, o desejo do cérebro (ou da cabeça) era morrer sim. Jan fica puta da vida quando descobre que apenas lhe restou do pescoço pra cima e que o noivo é um baita maluco psicopata desumano para ter feito uma barbaridade científica dessas com ela ao invés de deixá-la morrer naturalmente. “Deixe-me morrer!“, é o que grita numa determinada cena. Portanto, ela planeja vingança. Mas o que uma cabeça pode fazer? Falar no ouvido do cara até ele morrer? Morder o nariz do sujeito? Felizmente, o tal monstro mutante, trancado numa sala – e também puto pra cacete – resolve ajudar a moça quebrando tudo num final épico.

Filmado em grande parte no porão da casa de alguém, O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER é um dos grande clássicos de quinta categoria do autêntico cinema trash americano. Fruto da imaginação de seu diretor, Joseph Green, que dirige da forma mais simples e econômica possível, e do produtor Rex Carlton, ambos escreveram o roteiro, genial e edificante, desta obra-prima da tosquice… Carlton cometeu suicídio alguns anos mais tarde. Mas não por causa deste filme ou de seus outros trabalhos da mesma laia, como BLOOD OF DRACULA’S CASTLE, de Al Adamson, o que seria até um motivo aceitável, mas por supostamente estar atolado em dívidas com a máfia… O filme foi lançado no Brasil num DVD duplo de uma coleção chamada Sessão da Meia-Noite, que trazia diversos clássicos B dos anos 50 e 60. A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA, primeiro filme de Monte Hellman e produzido por Roger Corman, faz dupla com este aqui.

MORTE PARA UM MONSTRO (Die, Monster, Die! 1965)

DieMonsterDie-CG06-tnOs aficcionados pela obra do escritor H. P. Lovecraft provavelmente vão querer conhecer MORTE PARA UM MONSTRO, de Daniel Heller, produção de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, os cabeças da American International Pictures (AIP) – responsáveis por vários dos melhores trabalhos do genial Roger Corman. O filme adapta The Colour Out of Space, conto escrito em 1927 por Lovecraft. Ao contrário dos filmes de Corman, no entanto, especialmente as adaptações de Edgar Allan Poe, e já fazendo uma comparação um tanto cretina, até porque é impossível não pensar o filme como um sub-Corman, MORTE PARA UM MONSTRO pode soar um bocado simplista e até mesmo bobo em termos de conteúdo e personagens, mas ainda reserva alguns atributos interessantes para segurar a atenção.

A verdade é que as histórias de Lovecraft têm se demonstrado quase infilmáveis. Tirando, claro, as adaptações extremamente livres de Stuart Gordon, com o seu RE-ANIMATOR, FROM BEYOND e outros, quais filmes fielmente adaptados do autor americano resultaram em grandes obras? Bem, pelo menos eu não consigo me lembrar de nenhum exemplo e, assistindo a MORTE PARA UM MONSTRO, isso não mudou muito de figura, embora eu tenha curtido o filme, especialmente o que toca todo o conceito estético.

vlcsnap-2014-04-11-03h40m33s120_zps09db6bacNick Adams é Stephen Reinhart, um americano que chega à pequena cidade de Arkhan, na Inglaterra, em busca da mansão dos Witley, mas acaba sendo sendo extremamente mal recebido pelos locais no instante em que, apavorados, ficam sabendo que o rapaz está procurando tal lugar. Mesmo com os avisos de dar meia volta, retornar aos EUA e se enfiar debaixo das cobertas, Reinhart resolve seguir caminho. Ao se aproximar do seu destino, o rapaz percebe que algo estranho tem assolado a paisagem, especialmente aos arredores da mansão, totalmente desértico, com uma imensa cratera no chão, onde deveria haver uma vegetação verdinha, além uma névoa densa e constante realçando a atmosfera, provavelmente até o cheiro deveria ser incomum…

Uma vez dentro da mansão, as coisas não ficam melhores. Surge em cena Nahum Witley, personagem de Karloff, arrepiante como o patriarca da mansão, preso numa cadeira de rodas, mas que atormenta o pobre Reinhart dizendo que ele não pode ficar e deve ir embora imediatamente. Além disso, uma estranha luz verde fosforescente brilha no porão da casa, acrescentando ainda mais o número de bizarrices do local e instigando a curiosidade de Reinhardt. Mas nada disso impede o rapaz de permanecer no local. A atenção de Reinhart é somente à bela filha de Karloff, interpretada por Suzan Farmer, demonstrando ou uma estupidez sobre-humana ou um desejo incontrolável do cara em tirar o cabaço da moça, para não sair correndo dali o mais rápido possível!

vlcsnap-2014-04-11-03h41m05s185_zps01806678A primeira hora de MORTE PARA UM MONSTRO é basicamente resolvida na conversa, com uma narrativa lenta que trabalha os elementos do suspense de forma esporádica, para não dizer arrastada e enfadonha. Heller dirige o filme de maneira pesada, sem grandes inspirações com a câmera, mas bastante apoiado no visual que a obra possui e que é absurdamente fascinante, seja pela elaboração dos elementos estéticos ou pela forma como a cor é distribuída na tela. Isso a ajuda a manter o foco na história.

É curioso notar também que Heller foi diretor de arte de vários filmes de Roger Corman no ciclo Edgar A. Poe, cujo padrão estético reserva muita semelhança com MORTE PARA UM MONSTRO. Portanto, não é difícil identificar os motivos que fizeram Heller se preocupar mais com o visual do que com o ritmo da narrativa e detalhes de dramaturgia. E, neste caso, atrapalha um bocado o fato dos personagens não terem tanto carisma quanto deveriam, nem mesmo a presença de Karloff em cena é suficiente, um ator com bons recursos dramáticos para esse tipo de produção.

Die Monster Die - CG.avi_snapshot_00.53.42_[2012.12.15_23.46.45]Mas à medida em que os personagens aproximam-se das reais ameaças que a trama prepara e alguns corpos começam a aparecer misteriosamente, a coisa engrena e melhora consideravelmente. Reinhart, por exemplo, passa a bisbilhotar a estranha luz verde no porão e descobre que o artefato trata-se de um pedra que caiu do céu, ou como dizia aquele personagem do Ramón Valdéz, num episódio de Chapolim: “São aerolitos! Aerolitos!“. O velho Witley pegou o meteorito para usar a radiação nas suas plantas dentro de uma estufa, fazendo-as crescer e dar uma “bombada”.

O problema é que com o tempo, as plantas do velhote se transformam em criaturas bizonhas e o efeito colateral da radiação foi responsável pela morte de sua esposa, Letitia, e tem ferrado com sua saúde e a de todos que se aproximam do local, afetando até mesmo o ecossistema da região. Nahum planeja destruir o meteorito, mas as coisas só pioram… pioram para os personagens, claro, porque para o espectador é só diversão. Ao final, por exemplo, temos uma sequência espetacular na qual Karloff passa por uma transformação e torna-se numa espécie de Surfista Prateado com um brilho esverdeado, já “possuído” pelo meteoro, e tenta matar quem estiver em seu caminho.

DieMonsterDie-CG28-tn No fim das contas, MORTE PARA UM MONSTRO consegue deixar uma boa impressão, principalmente pelos acontecimentos do terço final, que é bem mais instigante para o público e mantém uma ação mais contínua na tela até certo ponto; o visual estonteante, que acaba sendo o principal elemento a ser apreciado, também contribui para a impressão final; e, claro, o Karloff, que apesar de não ser suficiente para contribuir com o ritmo na primeira metade do filme, ao menos participa com dignidade e consegue brilhar, literalmente e simbolicamente, na metade final. Ainda assim não dá para ignorar a falta de ritmo que o filme possui, o que pode tornar a experiência um bocado cansativa.

Vale ressaltar que MORTE PARA O MONSTRO não é a única adaptação cinematográfica do conto The Colour Out of Space. A mais famosa, além desta aqui, é A MALDIÇÃO – RAÍZES DO TERROR (87), um dos poucos filmes dirigidos pelo ator David Keith. Nunca vi, não sei se presta. Mas na dúvida, mesmo com todos os seus problemas visíveis, recomendo MORTE PARA UM MONSTRO.

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FAVORITOS DEMENTIA¹³ DE 2014

Como venho repetindo ao longo dos anos, não sou um devorador de filmes recentes e procuro ver apenas o que julgo essencial da nova safra. Prefiro passar ano após ano a tentar redescobrir e conhecer alguns clássicos e exemplares obscuros, ou fazer ciclos com diretores e atores que me interessam. De todo modo, aqui estão os meus 20 filmes favoritos de 2014 em ordem de preferência (com margem até 2013, com produções que não assisti naquele ano):

Copy-of-Blue-Ruin-Dwight-Contents20. BLUE RUIN (2013), Jeremy Salnier

3027812-inline-i-6-adam-stockhausen-grand-budapest-hotel19. O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
(The Grand Budapest Hotel, 2014), Wes Anderson

Arnold-Schwarzenegger-in-Sabotage-2014-Movie-Image118. SABOTAGE (2014), David Ayer

Screenshot-2014-04-29-15.01.34.png-905x50917. GODZILLA (2014), Gareth Edwards

rover216. THE ROVER (2014), David Michôd

gone-girl-DF-01826cc_rgb.jpg15. GONE GIRL (2014). David Fincher

1c972c56bf5e989c78d01b9f489cd0eb14. JAUJA (2014), Lisandro Alonso

maxresdefault13. A PELE DE VÊNUS (La Vénus à la fourrure, 2013), Roman Polanski

o5J80S12. SEVENTH CODE (Sebunsu kôdo, 2013), Kiyoshi Kurosawa

18-Stray-Dogs-411. CÃES ERRANTES (Jiao you, 2013), Tsai Ming Liang

blood-ties-billy-crudup10. BLOOD TIES (2013), Guillaume Canet

OnlyLoversLeftAlive_209. AMANTES ETERNOS (Only Lovers Left Alive, 2013) Jim Jarmusch

The-Raid-2-Reviews-Berandal08. OPERAÇÃO INVASÃO 2 (The Raid 2: Berandal, 2014), Gareth Evans

Cold-in-July-2014-movie-pic407. COLD IN JULY (2014), Jim Mickle

4f8Vesj06. O LOBO DE WALL STREET (The Wolf of Wall Street, 2013), Martin Scorsese

tumblr_nh5hwijZTp1u0gntxo4_128005. JERSEY BOYS (2014), Clint Eastwood

96480700_o04. WELCOME TO NEW YORK (2014), Abel Ferrara

tumblr_ncwxn0dstJ1qe7cq4o1_128003. MAP TO THE STARS (2014), David Cronenberg

tumblr_newqsoQpMw1qhzxxyo1_128002. HARD TO BE A GOD (Trudno byt bogom, 2013), Aleksey German

tumblr_nhhas8PgMq1qmvx2fo1_128001. ERA UMA VEZ EM NOVA YORK (The Immigrant, 2013), James Gray

PAINEL DO CINEMA DE AÇÃO DE 2014

O painel 2014 do cinema de ação foi bem meia boca, eu diria. É deprimente a quantidade de filmes que realmente enchem os olhos de um amante do gênero e o aborrecimento que tem sido acompanhar o panorama. De todo modo, deu pra fazer uma pequena relação pessoal com dez exemplares que me chamaram a atenção. Alguns mais, outros menos, e nem todos, claro, são exatamente ação (forço a barra colocando crime, thriller, policial, épico, sci-fi, e até um zombie movie no meio disso tudo), mas acabam representando de alguma forma ou de outra o que busco dentro do gênero ao longo do ano. A margem vai até 2013, com os filmes que não pude ver naquele ano.

Em ordem alfabética, comecemos com os filmes que se destacaram, ficaram acima do nível geral em vários aspectos:

a5mkI8NBLOOD TIES (2013), Guilaume Canet

BlueRuin1BLUE RUIN (2013), Jeremy Salnier

cold_in_july_ensembleCOLD IN JULY (2014), Jim Mickle

Fury-Offical-Trailer-2CORAÇÕES DE FERRO (Fury, 2014), de David Ayer

dodsno2DEAD SNOW 2 (Død Snø 2, 2014), Tommy Wirkola.
Sem muita desenvoltura para criar algo próximo ao horror, Wirkola deixa o susto e o medo de lado neste segundo filme da sua série de zumbis e investe em sequências de ação deflagradoras pra lá de bacanas.

Bryan-Cranston-and-Aaron-Johnson-in-Godzilla-2014-Movie-ImageGODZILLA (2014), Gareth Edwards

raid2-will-the-raid-2-berendal-live-up-to-the-raid-redemptionTHE RAID 2: BERANDAL (2014), Gareth Evans

rey_eric_the_roverTHE ROVER (2014), David Michôd

1394095002_kinopoisk.ru-sabotage-2355622SABOTAGE (2014), David Ayer.
Mais um filme do Ayer na lista, comprovando que o sujeito é um dos nomes mais interessantes (e até com certa moral) entre os diretores que trabalham com ação/policial sob as ordens dos engravatados de Hollywood.

young_detective_dee_rise_of_the_sea_dragon_h_2013YOUNG DETECTIVE DEE: RISE OF THE SEA DRAGON (2013), Tsui Hark

Outros seis exemplares que, se não possuem o mesmo nível desses aí em cima, ao menos não são de se jogar fora (em ordem alfabética):

LiamNeesonCAÇADA MORTAL (A Walk Among the Tombstones, 2014), Scott Frank

19481olxhmjrpjpgCAPITÃO AMÉRICA 2: O SOLDADO INVERNAL (Captain America: The Winter Soldier, 2014), Anthony & Joe Russo
A cena do atentado ao carro de Nick Fury (Samuel L. Jackson) tá entre as melhores sequências de ação do ano. Uma pena que o filme é mais do mesmo dos filmes de super-heróis atuais, e pra ser sincero, já começaram a me encher o saco.

exodus_01-plague-battles-and-big-waves-in-first-exodus-gods-and-kings-trailerEXODUS – GODS AND KINGS (2014), Ridley Scott

guardians-of-the-galaxy-zoe-saldana-chris-prattGUARDIÕES DA GALAXIA (Guardians of the Galaxy, 2014), James Gunn

maxresdefaultNON-STOP (2014), Jaume Collet-Serra

chrisevanssnowpiercerSNOWPIERCER (2013), Joon-ho Bong

A grande decepção do ano ficou por conta da terceira parte de uma série na qual eu sou fã:

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Não que OS MERCENÁRIOS 3 seja a pior coisa do mundo. É um filme divertido em alguns momentos, não dá pra colocar Stallone, Snipes, Schwarza, Harrison Ford, Dolph, Mel Gibson num mesmo filme e não sentir aquela sensação boa de nostalgia para quem cresceu vendo esses caras destruindo tudo nos anos 80 e 90.

Mas este terceiro filme da série me decepciona profundamente por conta de alguns detalhes. Primeiro, o filme recebeu classificação PG13, ou seja, nada de sangue, nada de facas atravessando o bucho, nada de corpos explodindo, nada de pessoas arremessadas em hélices de helicópteros. Todos personagens santinhos sem falar palavrão… ou seja, a melhor série de ação dos últimos anos ganhou seu capítulo politicamente correto, limpinho, sem a boa e velha dose de violência catártica, que tinha um peso danado nos outros episódios,  para não corromper os jovens de hoje.

Segundo, a própria construção das sequências de ação é porca, preguiçosa, muito mal resolvida em certos aspectos, sem domínio dos espaços, sem aqueles momentos “PUTAQUEPARIU” que os dois primeiros haviam aos montes. Na verdade, há uma tentativa, um esforço pra isso, mas é muito pouco. Só a cena do Statham enfrentando o Scott Adkins no segundo filme é melhor que todas as cenas de ação desse terceiro juntas. Que decepção, Patrick Hughes… Volta pra Austrália!

Por fim, temos a péssima ideia de rejuvenescer o elenco, botando uma turminha manceba junto com os brucutus velhos. Isso não faz sentido, não é de bom senso, é uma tremenda falta de inteligência e ousadia. A mesma ousadia que há cinco anos atrás o Stallone teve pra fazer o primeiro filme. Desceu tudo pelo ralo abaixo. Esses moleques tiram tempo de tela de quem NÓS realmente queremos ver dando porrada. No climax da ação final temos Dolph, Arnoldão, Jet Li, Snipes sendo extremamente mal aproveitados, enquanto uns carinhas que nunca ouvi falar tomam conta da tela… Ronda Rousey, por exemplo, distribui mais porrada que o Statham e Jet Li juntos. Que merda… Se a ideia é continuar dando espaço pra molecada, por mim a série pode terminar por aqui.

E chega, já falei demais. Dentro de alguns dias posto a minha lista de melhores filmes de 2014. E antes que alguém me pergunte, não assisti ainda ao THE DROP, um crime movie que muitos amigos estão elogiando bastante, e o DE VOLTA AO JOGO (John Wick), com o Keanu Reeves.