SOLDADO UNIVERSAL (Universal Soldier, 1992)

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É curioso voltar a SOLDADO UNIVERSAL, de Roland Emmerich, tendo em mente o que a série se tornou. Claro, eu adoro o dois últimos, especialmente o DAY OF RECKONING (2012), mas não deixa de ser estranho. Lembro-me de assistir a este aqui logo que saiu nas locadoras da pequena cidade onde morava, um  evento de proporções épicas pra um moleque como eu, viciado em filmes de ação e que já acompanhava os dois astros, Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren. Revendo agora, depois de tanto tempo, percebe-se lá suas fragilidades, mas ainda é um filmaço eletrizante, com toques sci-fi, que não tem como dar errado.

Vamos fingir que ninguém viu ou esqueceu da história de SOLDADO UNIVERSAL e mandar uma sinopse, até porque o conceito do filme é legal: soldados americanos mortos no Vietnã são, de alguma maneira, reanimados nos dias de hoje, passam por uma lavagem cerebral e formam um esquadrão de elite do governo americano, num programa militar secreto chamado Unisol.

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Gosto da ideia do filme nunca explicar direito os detalhes por trás da experiência de reviver os corpos dos soldados. Como a coisa funciona? Acho que nem os roteiristas sabem explicar. Mas em tempos de INTERSTELLAR, onde tudo é explanado nos mínimos detalhes, tendo como base teorias da física, algo direto e objetivo como SOLDADO UNIVERSAL chega a ser um frescor.

Entre essas unidades “zumbis” está um caso especial: um soldado, Van Damme, e seu sargento, Dolph, antes de baterem as botas tiveram um pequeno desentendimento… No calor da guerra, o tal sargento surta, mata seus próprios subordinados e coloca em prática seus talentos artesanais fazendo um colar de orelhas decepadas. Van Damme e Dolph podiam ter resolvido esse problema no diálogo, mas parece que não deu… Já no programa militar, os dois começam a recordar as diferenças passadas e, como não vão muito com a cara do outro, retomam a briga de décadas atrás. SOLDADO UNIVERSAL é basicamente isso.

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Na sua essência, o filme é uma grande sequência de perseguição, ou como uma montanha russa, com seus altos e baixos, mas sempre com a adrenalina injetada na veia do espectador, nos bombardeando com tiroteios alucinantes, pancadarias grosseiras, explosões, uma dose de violência que não existe mais no cinema comercial americano, perseguições de carro, caminhão, ônibus, à pé, nos mais diversos cenários… Sobra tempo até para uns toques de humor.

Em cima de tudo isso, SOLDADO UNIVERSAL consegue desenvolver um lado emocional interessante com Luc Deveraux, personagem do Van Damme, que “acorda” nessa nova época e de alguma maneira quer reconstruir seu passado, tentando retornar a casa dos pais, diferente de Andrew Scott (Lundgren), que “desperta” tão insano e com sede de sangue quanto no período da guerra. É uma situação que me toca um bocado, em meio a tantas cenas explosivas de ação gratuita.

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É evidente que é preciso ignorar os sotaques, algo que nunca me incomodou, na verdade, mas ambos, Van Damme e Dolph, estão extremamente à vontade em seus personagens. O primeiro com sua simpatia característica, um lado cômico, mostrando a bunda em plano detalhe para fazer uma graça com a mulherada e outros públicos, mas carrega também uma certa vulnerabilidade que dá a impressão de que nunca vai conseguir derrotar seu oponente.

Já o Dolph está insano como o sargento psicopata artesão-de-colar-de-orelhas! O sueco encaixa muito bem no papel de vilão, já havia feito isso antes, como em ROCKY 4, mas em SOLDADO UNIVERSAL tem um dos melhores desempenhos de sua carreira. Outros brutamontes aparecem como unisoldiers, como Ralf Moeller e Tommy ‘Tiny’ Lister. Ed O’Ross e Ally Walker, que faz o par quase romântico com Van Damme na aventura, completam o elenco.

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Roland Emmerich, que é um diretor com mais erros do que acertos em sua carreira, pode se orgulhar de ter criado alguns momentos que se tornaram clássicos do cinema de ação dos anos 90. A já citada cena com o Dolph e o colar de orelhas, gritando “can you hear me?“, ou Van Damme atravessando as paredes de um motel de beira de estrada sob uma saraivada de balas atiradas pelos unisoldiers. A sequência de luta no restaurante também é muito boa e há a perseguição onde o Dolph arremessa granadas no veículo ocupado pelo herói. Enfim, o que não falta é ação da boa para alegrar o dia! E nem mencionei o confronto final entre Dolph e Van Damme, que é épico, brutal e fecha a bagaça com chave de ouro.

Apesar de ser um filme que tem um lado reflexivo, com questões éticas sobre a utilização de corpos humanos para experiências governamentais e a busca de humanidade num personagem à deriva no tempo, SOLDADO UNIVERSAL não tenta fingir ser aquilo que não é. Ou seja, é honesto em tratar-se de reconhecer que é um produto de entretenimento, por vezes estúpido e inverossímil, mas que consegue divertir com todos os elementos que os admiradores de cinema de ação esperam ver num filme como esse. Menos a bunda do Van Damme… Isso eu dispenso.

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4 respostas para SOLDADO UNIVERSAL (Universal Soldier, 1992)

  1. Pingback: INDEPENDENCE DAY (1996) – DEMENTIA¹³

  2. Fiama santos disse:

    N gosto de filmes assim muito feio filmes d ensinamento biblico ninguem ponha na tv né eu to dando minha opniao cada um tem a sua…JESUS AMA VCS.

  3. Joao disse:

    Gosto muito desse filme, uma das coisas que mais aprecio nele é a quimica entre o baixinho e a reporter, acho que rende algumas das melhores cenas. Revi um dia desses muito doido, legal demais.

  4. Tungstênio disse:

    Com esse filme, Roland demonstra, mais uma vez, uma verdade revigorante: não importa o quão ruim seja a carreira de um diretor, ele pode acertar ao menos uma vez. Não conheço a ‘fase nacional’ do Emmerich, e também desisti de seus trabalhos pós-2012, ou seja, sou um ignorante. Mas é um tipo de cinema ruim, não por ser ‘bobo’, mas por ser chato, pedante, as vezes até, olhe só, pretensioso… e isso torna tudo tão desnecessariamente ruim. Claro, I.Day é um filme muito legal, divertido, e que mesmo com os cacoetes típicos de Roland, consegue ser um bom programa.

    MAS eis que, na lista de sua filmografia nos deparamos com Soldado Universal. Revi mais velho, já mais imparcial (afinal, é um filme que permeou a vida/infância de uma geração), e descobri um filmaço. E justamente pelos aspectos que você ressaltou: despretensão, diversão, domínio, dois astros a vontade e fodas, e um Roland relaxado, demonstrando perícia da bagaça, sabendo fazer um filmaço de ação descerebrada (e que cenas de ação, hein?), em que pode ter tudo, desde que não suprima o essencial: o entretenimento. E nem por isso precisa ser um entretenimento sem vida, cretino, insosso, como 10.000ac ou 2012 (ou dia depois… ou… etc); enfim, excelente resenha, conseguindo resumir a essência do negócio perfeitamente no último parágrafo. obrigado.

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