LEE MARVIN EM DEZ FILMES

O leitor Nivaldo Luiz quer saber quais são os meus dez filmes (e desempenhos) preferidos do grande Lee Marvin. Como se trata do meu ator favorito, fica difícil colocar em alguma ordem de preferência a questão da atuação, então resolvi apenas listar os filmes em ordem cronológica, comentar a seleção e eventualmente apontar algumas performances do homem que se destacam mais que outras.

Só escolhi os filmes em que o Marvin é protagonista, ou algo próximo disso, já que em alguns casos divide a tela com outros grandes atores. Deixei de fora, portanto, alguns momentos ótimos do “início” da carreira dele, como OS CORRUPTOS (1955) e O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (1962), que não possui tanto tempo em cena. E como ainda me falta assistir vários títulos, pode ser que dêem falta de algum exemplar…

tumblr_nbw2ttlPCu1tijkw9o1_128001. THE KILLERS
(1964), de Don Siegel
Baseado numa história de Ernest Hemingway e refilmagem de um noir de 1946, o filme apresenta dois assassinos profissionais que, diante do próximo alvo, questionam-se porque a vítima aceitou de forma tão pacífica o seu destino. Resolvem, então, investigar o que há por trás daquele simples “assassinato de rotina” e descobrem uma trama digna das mais inspiradas novelas pulp. Lee Marvin interpreta um dos assassinos, mas não tem muito espaço para demonstrar todo seu potencial. Ainda assim, consegue se destacar com sua presença e seu tom de voz marcante quando aparece em cena. A direção primorosa de Don Siegel é outro motivo para que THE KILLERS não seja nunca esquecido entre os amantes do bom cinema policial.

02. CAT BALLOU
(1965), de Elliot Silverstein
Listar os grandes desempenhos do grisalho e deixar CAT BALLOU de fora seria um equívoco. Embora não esteja entre as minhas atuações prediletas do homem, foi aqui que Marvin recebeu o Oscar de melhor ator, com uma atuação que demonstra a sua versatilidade. O filme mesmo nem é grandes coisas, mas o carisma e beleza de Jane Fonda no papel título e Lee Marvin, que interpreta dois personagens diferentes, elevam bastante o grau de qualidade.

03. OS PROFISSIONAIS
(The Professionals, 1966), de Richard Brooks
Lee Marvin é contratado por um milionário texano para uma missão perigosa por terras mexicanas: resgatar a jovem e bela esposa (Claudia Cardinale) do sujeito das garras de um revolucionário, vivido por ninguém menos que Jack Palance, que supostamente a sequestrou. Para isso, Marvin recruta outros três veteranos do mesmo calibre que o dele, Robert Ryan, Woody Strode e Burt Lancaster, que o seguirão nessa jornada cheia de surpresas, onde nem tudo é o que parece. Cada personagem possui sua especialidade, a de Marvin, como ator, é de conseguir, mesmo rodeado de bravos compañeros no elenco, manter a pose badass do sujeito mais durão que o cinema já teve.

tumblr_n9j81khDAV1s05tm4o1_50004. OS DOZE CONDENADOS
(The Dirty Dozen, 1967), de Robert Aldrich
Aqui o desafio é o mesmo de OS PROFISSIONAIS e Marvin consegue manter o brilho mesmo estando entre várias figuras carimbadas, como John Cassavetes, Telly Savalas, Donald Sutherland e Jim Brown. Só que o grau de dificuldade aumenta por contracenar com outro monumento do cinema de gênero americano: Charles Bronson. Ainda bem que ambos estão do mesmo lado. Azar dos nazistas que terão de enfrentar os doze soldados mais insanos que o exército americano já reuniu numa das missões de guerra mais grandiosas e bem encenadas do cinema. OS 12 CONDENADOS é clássico obrigatório!

05. À QUEIMA ROUPA
(Point Blank, 1967), de John Boorman
Após ser traído pelos seus comparsas e deixado praticamente morto durante um golpe, Lee Marvin só quer a sua parte do dinheiro, aquilo que lhe pertence. Nada mais. Mesmo que muita gente malvada dificulte as coisas entrando em seu caminho. Eu sei, muitos devem estar se lembrando agora de O TROCO, com o Mel Gibson. Na verdade, este último é uma refilmagem de À QUEIMA ROUPA, que por sua vez é baseado num clássico romance de Richard Stark. Mas o que importa mesmo é que se trata de um puta filmaço, com Marvin em ponto de ebulição e estado de graça em uma de seus melhores desempenhos. A direção do britânico John Boorman é impecável, com uma elegância absurda e um senso estético primoroso. O uso das cores é algo revolucionário, para ser estudado mesmo, como na cena em que Marvin entra em confronto com vários capangas atrás de uma tela de projeção. Embora ainda não seja a melhor atuação de Marvin, é o meu filme favorito desta lista.

06. INFERNO NO PACÍFICO
(Hell in the Pacific, 1968), de John Boorman
Em plena segunda guerra mundial dois mundos opostos colidem: Um piloto americano, vivido por Marvin, e um oficial japonês, encarnado por Toshiro Mifune. E para quem ainda se lembra das aulas de história, EUA e Japão não se deram muito bem durante este período… Ambos personagens acabam isolados numa ilha deserta e agora precisam conviver e cooperar um com o outro para sobreviver. Se é que isso é possível. Outra prova incontestável de que Marvin foi um dos maiores de todos os tempos, contracenando em pé de igualdade com o astro japonês num filme que concentra grande parte de sua força na atuação desses dois indivíduos. Mais uma vez, o trabalho de Boorman na direção é de encher os olhos, aproveitando-se de todo aparato visual do cenário exuberante que o filme dispõe.

tumblr_nbh03yY3C41qa0zv9o1_128007. A MARCA DA BRUTALIDADE
(Prime Cut, 1972), de Michael Ritchie
Pouca gente comenta sobre A MARCA DA BRUTALIDADE atualmente, o que é uma pena. Só o plot já me faria correr atrás na hora, caso eu ainda não tivesse visto: Lee Marvin, tão badass quanto em À QUEIMA ROUPA, é um membro da máfia de Chicago que vai cobrar dinheiro de Gene Hackman, um rancheiro caipira que comercializa escravas brancas, uma delas encarnada por uma jovem Sissy Spacek. O que acontece a partir daí só o cinema dos anos setenta sabia proporcionar. Destaque para o tiroteio num campo de girassóis, um dos momentos mais inspirados do filme.

08. O IMPERADOR DO POLO NORTE
(The Emperor of the North Pole, 1973) de Robert Aldrich
Provavelmente a melhor atuação de Lee Marvin nesta lista. Pelo menos é a minha favorita, já que é para apontar alguma… O IMPERADOR DO POLO NORTE é uma obra-prima colossal de Robert Aldrich e já teci alguns comentários no blog antigo, na época em que Ernest Borgnine morreu. Clique aqui para ler.

09. AGONIA E GLÓRIA
(The Big Red One, 1980) de Samuel Fuller
Lee Marvin é o sargento casca-grossa que lidera um pequeno pelotão que vaga pela Europa perto do fim da Segunda Guerra Mundial, atravessando as mais perigosas campanhas, como o Dia D, por exemplo, e situações das mais bizarras, como fazer uma grávida dar a luz dentro de um tanque de guerra abandonado num campo de batalha. AGONIA E GLÓRIA chegou aos cinemas em 1980 mutilado pelo estúdio, mas já tinha a força cinematográfica do seu realizador, Sam Fuller, que participou da Segunda Guerra e vários momentos do filme são encenações de suas próprias experiências. A versão lançada em DVD há mais ou menos dez anos reconstruiu a obra da maneira que Fuller imaginava e acabou resultando no que, na minha opinião, trata-se do melhor filme que transcorre na Segunda Guerra já realizado. E embora tenha sido acusado de ser muito velho para viver um sargento, Marvin está sublime no papel, como não poderia ser diferente.

4712163710. PERSEGUIÇÃO MORTAL
(Death Hunt, 1981) de Peter R. Hunt
Para finalizar, não poderia deixar de fora o embate dos ícones monumentais do cinema de gênero americano: Lee Marvin e Charles Bronson, que desta vez se encontram em lados opostos. O primeiro é o homem da lei que lidera uma caçada pelo segundo, acusado injustamente por um crime, pelas terras geladas de Yukon. A princípio, o espectador fica do lado de Bronson; no decorrer da trama, o próprio Marvin também fica. O que não impede de termos, ainda assim, um duelo interessante entre os dois, mais apoiado na inteligência estratégica do que no confronto físico. E no respeito entre os dois. Belo filme que fecha de vez uma era para esses grandes atores – com algumas exceções, o que fizeram depois já não tinha tanto gás para competir com trabalhos das décadas anteriores.

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5 respostas para LEE MARVIN EM DEZ FILMES

  1. anselmo luiz disse:

    outro filme esquecido apesar que esta lista esta excelente pois só coloca Lee Marvin como protagonista,o filme em si ele fez com outro monstro do cinema pra mim ele é isso não enquanto a voces , Marlon Brando em ” O Selvagem ” ele interpreta um lider de um gang de motoqueiros que chega em uma cidadezinha para causa confusão e Lee Marvin tambem está neste filme,eu mesmo nem lembro se o Lee Marvin é de uma gang rival ou da gang dele e começa a questiona-lo se ele ( Brando ) merece continuar lider dela ,pois este filme eu assisti há uns 15 ou 20 anos na Sessão Cine Clube da Rede Globo.Valeu por esta sua lista que esta excelente ,Perrone!

  2. brucetorres disse:

    Valeu pela lista, Ronald. Muito boa mesmo. Sempre achei que Lee Marvin fosse underrated – como Charles Bronson, seu colega/inimigo em outros filmes. Eu fico é impressionado com a capacidade dele – algo que o Fuller extraiu muito bem em Agonia e Glória.

    • ronaldperrone disse:

      Exato, ele sabia tanto ser o casca-grossa dos filmes de ação como também construir personagens diferentes e dramáticos. Valeu!

  3. Nivaldo Luiz disse:

    Realmente, cara, fica difícil colocar em ordem de preferência. Uma verdadeira tarefa ingrata. Também não arriscaria essa empreitada. Então, dessa forma, ficou excelente essa seleção. Não tem como não virar fã do Cara. rsrs A Marca da Brutalidade e Perseguição Mortal, não estavam na maratona que fiz do Lee Marvin e esse último, descobri aqui no blog, só não sei se foi nesse novo ou no antigo. Fica restando somente esse A Marca da Brutalidade. Agora, sobre ‘The Killers’: que química entre o Lee Marvin e o Clu Gulager, apesar do pouco espaço que tiveram ( como você mesmo frisou). Os dois fizeram escola.

    • ronaldperrone disse:

      Don Siegel é foda. Ele e o Lee Marvin deveriam ter feitos mais filmes juntos. E sim, grande química entre ele e o Gulager, que era outro ótimo ator. Me deu vontade de rever THE KILLERS… Já faz alguns anos.

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