BLASTFIGHTER (1984)

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“YOU WANT TO KNOW WHO I AM? I’M A SON OF A BITCH… who wants to be left alone.”

A frase acima extraída de BLASTFIGHTER, de Lamberto Bava, condiz tanto com o personagem principal do filme quanto com o próprio ator que o interpreta, o americano Michael Sopkiw. O sujeito atuou em apenas quatro filmes na Itália nos anos 80, demonstrou certo talento e características de um autêntico herói de ação da época e, de repente, largou mão do cinema. Em entrevistas, Sopkiw diz que após estrelar essas produções italianas, resolveu retornar aos EUA com a ideia de trabalhar como ator em Hollywood, mas infelizmente fazer apenas quatro filmes de gênero na Itália não ajudou muito. Após dois anos tentando e totalmente quebrado financeiramente, o sujeito decidiu tentar outra carreira. Foi estudar e trabalhar com remédios naturais, montou uma empresa e hoje importa e distribui nos Estados Unidos um tipo de garrafa de vidro que protege o conteúdo (os tais remédios) dos raios solares…

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Um dos melhores filmes que Sopkiw fez foi BLASTFIGHTER, um baita filmaço de ação onde o sujeito dá um show como action hero, o que me fez ficar ainda mais encucado pelo homem abandonar a carreira tão precocemente. Até porque dos quatro filmes que fez, vi três, e são todos ótimos! Primeiro foi 2019: AFTER THE FALL OF NEW YORK (1983), um divertido rip-off de FUGA DE NOVA YORK dirigido pelo Sergio Martino; depois foi trabalhar com Lamberto Bava num filme de tubarão, SHARK: ROSSO NELL’OCEANO (1984), este eu não vi ainda; repetiu a parceria com o Bava filho neste aqui e finalizou a carreira com o clássico filmado no Brasil PERDIDOS NO VALE DOS DINOSSAUROS (1985), de Michele Massimo Tarantini, completando cerca de três anos trabalhando no cinema.

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O projeto inicial de BLASTFIGHTER era de um sci-fi pós-apocalíptico, gênero que pintava aos montes naquele período, e a direção estava nas mãos do Lucio Fulci. Mas em algum momento da pré-produção acabou virando um filme de ação florestal, rip-off de FIRST BLOOD. E não se trata daquelas produções carcamanas com roteiro meia boca, que vale mais pelo visual, o humor involuntário e cenas de ação. A história e os personagens de BLASTFIGHTER são muito bem escritos e a produção, cujas filmagens aconteceram nas belas paisagens da Geórgia, EUA, é bem caprichada.

Sopkiw, com um bigode estilo Mauricio Merli e Franco Nero, interpreta Tiger Sharp, um ex-policial que acabou de sair da prisão por ter agido por vingança ao invés de fazer seu trabalho seguindo as regras da lei. Agora retorna à pequena cidade onde cresceu para tentar viver uma vida de forma pacata. Sem procurar muito contato social, acaba tendo que reencontrar a sua filha, que não vê há muitos anos e agora já é uma moça adulta; além do seu velho amigo de infância, vivido por George Eastman.

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Não demora muito o jeitão fechado de Tiger acaba atraindo alguns jovens da cidade, que começam a implicar com o sujeito. O problema é que a coisa foge do controle e ultrapassa todos os limites do respeito pela vida humana. De repente estamos assistindo a um exército de caipiras armados com rifles de caça em punho perseguindo o protagonista e sua filha pela floresta adentro. E após uma tragédia, Tiger se vê na posição de revidar, e seu contra-ataque é simplesmente brutal!

Vale comentar que o herói possui uma arma avançada tecnologicamente, com munição especial, que deve ser remanescente do projeto inicial de ficção científica e que é interessante vê-la em atividade, até porque há toda uma preparação para a ação do personagem, uma lenta construção do inferno que ele cria para cima de seus inimigos com a utilização dessa arma. Confesso que fiquei impressionado com a sequência final, um tiroteio explosivo daqueles de encher os olhos! Com direito a ossos quebrados, facadas sangrentas, carros e corpos explodindo, membros decepados, uma boa dose de gore. E é por isso que dá uma pena saber que Sopkiw fez uma quantidade risível de filmes e que o Bavinha retornou ao horror ao invés de aprontar outros exemplares no estilo de BLASTFIGHTER.

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Lamberto Bava, aliás, assina como John Old Jr. e confesso que não sei quantos filmes de ação ele fez, mas um sujeito que realiza BLASTFIGHTER deveria ter se dedicado mais no gênero. Aposto que se daria bem melhor do que na carreira de diretor de horror. Bava tem alguns filmes excelentes, como DEMONS (85), mas de uma maneira geral sua carreira não tem tanta expressividade como a de um Fulci, Soavi, Argento, Freda, Deodato, e, claro, o papai Mario Bava. Acho que carregar esse sobrenome não deve ter sido mole…

Algumas curiosidades para finalizar. Há uma versão do cartaz de BLASTFIGHTER que parece demais com as artes feitas para os filmes pós-apocalípticos daquele período (abaixo à esquerda). Imagino que seja uma arte conceitual ainda da fase em que o projeto seria um sci-fi. Além disso, utilizaram essa mesma arte, cuja figura representa o Sopkiw para copiar no cartaz brasileiro de outro filme estrelado por ele, PERDIDO NO VALE DOS DINOSSAUROS (abaixo à direita). Da mesma forma, a ótima trilha sonora de BLASTFIGHTER também foi reaproveitada no filme de Tarantini, provando mais uma vez que a zoeira desses italianos não tem limites.

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5 pensamentos sobre “BLASTFIGHTER (1984)

  1. Pingback: DELIRIUM (Le Foto di Gioia, 1987) | O Homem dos Olhos de Raio-X

  2. Bastante bom. É pena que Lamberto não tenha seguido este tipo de registo. E acabaste por contribuir involuntariamente para a minha duvida de que filme iria ver esta tarde. Pois é, esse “Perdido…” está aqui à mão e em minutos será exibido na «sala de cinema» cá de casa!

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