LES DÉMONIAQUES (1974)

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Tem como não amar uma obra que começa com um letreiro escrito “Un film expressionniste de JEAN ROLLIN“?

E tem como não amar a beleza da vestal Joëlle Coeur? Ah, não tem… Jean Rollin é um realizador essencial para os admiradores do eurohorror pela maneira poética de conduzir suas histórias e o visual exuberante, mas também pelo tom erótico que move seus filmes. Portanto uma das principais razões para que LES DEMONIAQUES seja um dos meus favoritos da carreira do homem é a presença libidinosa da atriz francesa deslumbrante Joëlle Coeur, que já havia colaborado com o diretor em outros filmes e que vive aqui uma das vilãs mais sensuais e sórdidas do cinema eurocult. Além de bela e talentosa, é daquele tipo de atriz que só fica de roupa quando o roteiro exige. Como o roteiro de LES DEMONIAQUES não é lá muito exigente…

Aqui o roteiro exige.

Aqui o roteiro exige.

Aqui nem tanto...

Aqui nem tanto…

Aqui o roteiro não exige mais nada.

Aqui o roteiro não exige mais nada.

Um grupo de perversos piratas, ao saquear um navio naufragado, descobre duas jovem moças sobreviventes no local. Como são os vilões da história, os piratas não vão levá-las a um hospital ou algo parecido. A única coisa que lhes vem à mente é estuprá-las e abandoná-las à beira da morte. De volta ao vilarejo onde vivem, na comemoração regada à bebedeiras pelos saques noturnos, o líder da gangue começa a ter alucinações com as duas jovens. Encucado com isso, convence o grupo de voltar ao local para dar cabo de vez das pobres senhoritas.

As duas realmente estavam vivas, mas desta vez conseguem fugir para um mosteiro em ruínas, quase abandonado. “Quase” porque lá encontram algumas entidades e o próprio Diabo, que lhes propõe poderes sobrenaturais para se vingarem em troca de favores sexuais. Os tais poderes não são lá muito expressivos. Mas são coerentes com a narrativa lenta e poética que Rollin imprime. As moças passam a atormentar o bando com aparições insólitas, não são mais vulneráveis a qualquer tipo de arma, e acabam provocando o suficiente para o processo de vingança. A única imune a tudo isso é a deliciosa Tina The Wrecker (Joëlle Coeur), o “membro” feminino da trupe pirata, que na verdade é quem comanda, manipulando os corações dos facínoras, principalmente do suposto líder. E do espectador também… Eu quase fui parar no pronto-socorro.

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Em termos visuais, LES DÉMONIAQUES oferece o que há de melhor da estética de Rollin, um diretor com noção única de composição e de apelo visual. Quando o mundo for um lugar justo para se viver, Jean Rollin terá o respeito que merece. Até lá, continuamos a guerrilha… As cenas que se passam no mosteiro, por exemplo, são de prender a respiração pela força pictórica, seja com ou sem mulheres peladas interagindo com o ambiente. Da mesma maneira as sequências noturnas na praia, com os piratas procurando as duas garotas entre as grandes carcaças de barcos naufragados, uma mistura de tensão atmosférica sufocante com um fascínio pela beleza das imagens. O final, do mesmo modo, trágico, surreal e antológico, comprova toda a noção precisa da poética de Rollin. Mas claro, se todo o lirismo visual ainda não for suficiente pra vocês, ainda tem a Joëlle Coeur desfilando na tela em trajes mínimos.

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Um pensamento sobre “LES DÉMONIAQUES (1974)

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