INVENTÁRIO EUROCULT #14

O Daniel Vargas edita o blog Top Bad Dates with De Niro, já é um colaborador oficial por aqui (na verdade, só escreveu este texto, mas vem mais por aí) e enviou uma lista com seus filmes europeus favoritos para ser anexada ao Inventário Eurocult:

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A ÚLTIMA GARGALHADA (Der letzte Mann, Alemanha, 1924);
Dir. F. W. Murnau, com Emil Janning, Maly Delschaft e Max Hiller

Poderia muito bem ser chamado também de “O Último Suspiro” ou “A Morte de um Porteiro”.

M – O VAMPIRO DE DÜSSELDORF (M, Alemanha, 1931);
Dir. Fritz Lang, com Peter Lorre

Em tempos de linchamento público, um clássico mais do que atual.

MORANGOS SILVESTRES (Smultronstället, Suécia, 1957);
Dir. Ingmar Bergman, com Victor Sjöström, Bibi Andersson e Ingrid Thulin

Os eternos fantasmas das decisões da vida que tomamos no passado.

OS INCOMPREENDIDOS (Les quatre cents coups, França, 1959);
Dir. François Truffaut, com Jean-Pierre Léaud

A dor da necessidade de ser notado e amado.

LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence of Arabia, Reino Unido, 1962);
Dir. David Lean, com Peter O’Toole, Omar Sharif, Alec Guinness e Anthony Quinn

O homem que queria ser o rei de outro mundo.

AGUIRRE: A CÓLERA DOS DEUSES (Aguirre, der Zorn Gottes, Alemanha, 1972);
Dir. Werner Herzog, com Klaus Kinski,

O homem que queria ser o rei do seu PRÓPRIO mundo.

MEANTIME (Reino Unido, 1984);
Dir. Mike Leigh, com Tim Roth, Gary Oldman e Alfred Molina

Classe operária britânica não vai ao paraíso.

A FRATERNIDADE É VERMELHA (Trois couleurs: Rouge, França/Suíça/Polônia, 1994); Dir. Krzysztof Kieslowski, com Irène Jacob e Jean-Louis Trintignant

Um coração solitário também.

A AGENDA (L’emploi du temps, França, 2001);
Dir. Laurent Cantet, com Aurélien Recoing e Karin Viard

Neto de “A Última Gargalhada” e o eterno fantasma da incerteza em pleno século 21.

LILYA 4-EVER (Lilja 4-ever, Suécia/Dinamarca, 2002);
Dir. Lukas Moodysson, com Oksana Akinshina e Artyom Bogucharskiy

O começo até o fim da destruição completa de um ser humano perante nossos olhos impotentes.

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FINALMENTE, PHANTASM V

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Para entenderem a noção do “perigo”, a série PHANTASM, iniciada em 1979 e criada por Don Coscarelli, é simplesmente uma das coisas mais geniais já realizadas no horror americano e cada um de seus quatro filmes mostra um universo dos mais fascinantes que já vi. O último episódio, lançado em 98, além de deixar toda a saga em aberto, sem um desfecho, deixou também os fãs da série em polvorosa ao longo dos anos sedentos por um capítulo final que não chegava nunca… De vez em quando Coscarelli soltava indícios que retornaria ao universo de PHANTASM, mas tudo resultava em furada…

Um detalhe que pegava nisso tudo é que um dos personagens principais da série, o vilão Tall Man, é interpretado por Angus Scrimm, um ator que já na sua primeira participação, em 79, tinha 53 anos nas costas. Em 98, no último filme, já era então um senhor de 72 anos. E nenhum fã que eu conheça consegue imaginar um novo PHANTASM sem a presença de Scrimm encarnando novamento o personagem, soltando aos quatro ventos o seu famigerado “Boooooooyyyyy!!!!“. Pois é, ao passar dos anos, a possibilidade do ator bater as botas a qualquer momento vem aumentando ainda mais a ansiedade dos fãs. Até agora, Scrimm não morreu…

No final de 2012, após 10 anos sem filmes novos (o último havia sido BUBBA HO-TEP), Coscarelli lançou JOHN DIES AT THE END, comprovando que ainda tinha bala na agulha. Nessa ocasião, o assunto PHANTASM novamente veio à tona: “Well here is the thing… ever since we’ve been doing the publicity on JOHN DIES AT THE END, I’ve been overwhelmed in every situation with the question, ‘When’s the next one?’ and I didn’t realize that thirty years on that there is still interest in that. The good news is that the PHANTASM actors are all in great shape, in fact Angus Scrimm’s got a great role in JOHN DIES AT THE END. I think after this is over, its something I’m going to seriously consider because if so many people want it how can you say no?

Opa, parecia que agora ia, né? Bom, demorou, mas depois de dois anos, nesta semana para ser exato, um teaser poster de PHANTASM V surgiu na rede. E já com um subtítulo de acompanhamento: RAVAGER!

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Mesmo assim, o pé continuou atrás. Qualquer mané que sabe mexer num photoshop faz um poster hoje em dia e acaba enganando meio mundo… Mas eis que no dia seguinte surgem duas notícias para esquentar as coisas:

1. PHANTASM V: RAVAGER já está pronto! Sim, era isso que dizia a notícia. As filmagens começaram em 2008 e foram acontecendo de forma lenta desde então até a sua conclusão recente. Ou seja, Coscarelli tava na zoeira com aquele papinho em 2012. As filmagens já estavam rolando…

2. Don Coscarelli NÃO é o diretor de RAVAGER. O responsável pelo feito é o animador e ilustrador David Hartman. Claro, uma notícia dessas é praticamente um banho de água fria. Mas não sei, parece que as filmagens tiveram toda a supervisão e acompanhamento do Coscarelli, portanto não vejo lá como um grande prejuízo. O importante é ter o espírito dos filmes anteriores.

Mas será que tudo isso ainda seria verdade? Após tantos anos de boatos, não me surpreenderia se tudo não passasse de história para boi dormir mesmo com os sites de notícias afirmando que era tudo informação oficial.

No entanto, para coroar a semana repleta de novidades em relação a este tão aguardado capítulo da série PHANTASM, hoje lançaram um trailer que comprova a veracidade de tudo que foi dito aí em cima! Confiram:


Wow! Além de trazer os elementos da série de volta, como as esferas mortais, e os atores dos filmes originais, como Reggie Bannister, é possível ver o grande Angus Scrimm em carne, osso e muitas rugas, no auge dos seus 87 anos, marcando presença novamente como Tall Man! Agora não tem jeito, não tem volta! O capítulo final de PHANTASM é uma realidade e só nos resta, finalmente, esperar a oportunidade de assistir.

Com a palavra, o próprio Coscarelli: “The PHANTASM films have been a guerrilla operation for decades now, totally outside of the studio system. We do them for the fans, and I think RAVAGER will definitely please them. In the past few years several studios have made offers to remake PHANTASM with large budgets, but the fans were very vocal that they wanted the original cast to return and finish this iteration of the story with class. And for the first time there’s an extended sequence on the Tall Man’s home world. I know PHANTASM fans will be as excited as I am to see it.

O ÚLTIMO BOY SCOUT (The Last Boy Scout, 1991)

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CARTAS DE AMOR DE UM BADASS #02
por GUSTAVO SANTORINI

Joe Hallenbeck não vive seus melhores dias.

Ex-agente do serviço secreto americano, o agora detetive pé de chinelo passa os dias chafurdando no álcool, é odiado pela filha rebelde e ainda chega ao cúmulo de aceitar uma oferta de trabalho do homem a quem acabara de flagrar dentro do armário da esposa. Descobrir que o tal sujeito era seu melhor amigo não lhe motiva a recusar o serviço, afinal de contas, “quinhentos dólares são quinhentos dólares”, ele justifica, embora saiba que, no fundo, esse está longe de ser o verdadeiro motivo. Ocorre que o próprio Joe Hallenback não vê a si com bons olhos, e sufocar o orgulho diante de seu traidor é a forma mais abjeta de autopunição ao alcance. O serviço, aliás, também não é grande coisa. Sua função é proteger Cory (Halle Barry, apetitosa), uma stripper que vem sofrendo ameaças de morte. Ela afirma desconhecer os autores, mas é provável que esteja encobrindo algo. A despeito dos riscos envolvidos, o maior desafio de Joe será lidar com o namorado insuportavelmente irritante da moça, Jimmy Dix (Damon Wayans, canastrão na medida certa), um ex-jogador de futebol americano que poderia ter sido grande, caso não tivesse se envolvido no esquema ilegal de apostas. Quando Cory é assassinada, ambos resolvem unir forças para investigar a autoria do crime, e entre trocas de sopapos e insultos, as pistas os levarão a alta cúpula do esporte e da política de Los Angeles. E isso, caro leitor, é apenas o bilhete de entrada para uma montanha russa de intrigas, humor corrosivo e muita, muita ação de altíssima voltagem.

Mas não só isso.

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Os buddy movies, como são chamados os filmes cujo cerne temático é a convivência indesejada entre duas pessoas de personalidade opostas, constitui um subgênero dos mais férteis no cinema americano. Entre alguns exemplos de duplas icônicas, seria uma heresia não mencionar Bud Abott & Lou Costello, Jerry Lewis & Dean Martin (16 filmes juntos!), Walter Matthau & Jack Lemmon, Paul Newman & Robert Redford, Richard Pryor & Gene Wilder. A narrativa que envolvia essas duplas explorava com humor as situações antagônicas, e mesmo quando flertava com outros gêneros, raramente fugia do tom predominantemente escapista (uma exceção que me vem à mente é ACORRENTADOS, 1958, de Stanley Kramer). Em 1969 o conceito ganharia uma reinvenção com o denso PERDIDOS NA NOITE, o único de censura 18 anos a vencer o Oscar de melhor filme, a reboque das magníficas atuações de Dustin Hoffman e John Voight. A ruptura permitiu que outras variações começassem a surgir (OPERAÇÃO FRANÇA ganhou o Oscar dois anos depois), e o caso mais emblemático são os buddy cop movies dos anos 80. Pérolas como 48 horas, MÁQUINA MORTÍFERA, TOCAIA, INFERNO VERMELHO e FUGA A MEIA NOITE fizeram a alegria de toda uma geração de cinéfilos, sendo reprisadas a exaustão no saudoso Domingo Maior, da Rede Globo. No final da década, porém, a fórmula já se mostrava desgastada, vide o fracasso de TANGO & CASH (1989), o que contribuiu para a fria recepção de O ÚLTIMO BOY SCOUT. É uma pena, pois para mim esse é o exemplar mais rico que o subgênero apresentou.

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A primeira razão disso identificamos no eixo narrativo. A rigor, o filme tem consciência de que pertence a um nicho de arcabouço rígido, com começo, meio e fim muito bem delineados, e ainda assim não tem o menor pudor em remexê-lo numa argamassa extravagante. O tom deliciosamente histérico já nos pega na abertura, um clipe de futebol americano com uma explosão de fogos e cores vivas, onde atletas indômitos dividem a arena com voluptuosas cheerleaders de sorriso fácil, a bandeira americana ao fundo, e um cantor alucinado a esgoelar uma balada pop fanfarrona. Passado o espalhafato do inicio, somos jogados no meio de uma tensa partida de futebol, sob uma chuva abundante. Durante o intervalo do jogo, Billy Cole, um dos astros em campo – interpretado por Billy Blanks, um dos maiores badass de videolocadora dos anos 90, aqui numa rara aparição em blockbuster – recebe uma ligação em que é ameaçado de morte caso não decida a partida em favor de seu time. A pressão causa um abalo emocional no jogador, que sai com a bola em disparada pelo campo e, num touchdown insano, saca um revolver da cintura e baleia o rosto do jogador adversário, acerta outros dois pelo caminho, e ao final, antes de atirar contra a própria têmpora, exclama a seguinte frase: “Puta que pariu, que vida estúpida!”. A sequência é pintada como um pesadelo noir, e então o filme corta para a cena de apresentação do personagem de Bruce Willis largado no carro após uma noite de bebedeira. Roncando, Joe Hallenbeck é alvo das travessuras de um grupo de crianças. Quando abre os olhos, a raiva não é tanto por ser incomodado, mas por ainda estar vivo para se deixar incomodar. Dele passamos para o personagem de Damon Wayans, ridicularizado por um colega de farra. Ele até consegue revidar a ofensa, mas não sem o custo de expor sua fissura emocional. A mensagem no subtexto é simples: estamos diante de dois Billy Coles, tão esmagados pela letargia quanto o primeiro. Porém, um acerto do roteirista Shane Black – o qual deu ao mundo o já citado MÁQUINA MORTÍFERA, filme síntese dos buddy cop movies, e cuja estreia na direção se deu com BEIJOS E TIROS, outra variação do subgênero – é evitar adoçar o caldo de mea culpa. Pelo contrário, o estranhamento entre a dupla rende momentos cômicos de rachar o bico, como na sequência em que os personagens se encontram pela primeira vez, numa boate. Jimmy Dix se arde em ciúmes ao ver Joe na cola de sua garota, e o confronta: “Se minha namorada está precisando de ajuda, eu deveria ter sido informado”. Joe o responde com polida desfaçatez: “A água é clara, o céu é azul e as mulheres têm segredos. E daí?”. Mais adiante, há outro diálogo surreal, quando Joe adverte o parceiro sobre os riscos da investigação: “Isso não é brinquedo, garoto. Armas de verdade, balas de verdade, é perigoso.” “Perigo é meu nome”, responde Jimmy. Além de hilária, a conversa é extremamente eficaz por existir somente no universo peculiar do filme, e quando isso acontece, mal sabemos que já fomos inteiramente fisgados por ele.

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Embora seja eficiente na tarefa de oferecer pão e circo, o filme também se mostra interessado em desnudar o caráter ambíguo dos personagens, e em momento algum os perde de vista, mesmo nas sequencias de alívio cômico. A cena em que Wayans imita os trejeitos andróginos de Prince enquanto dirige, por exemplo, caminha na linha tênue entre a graça e o ridículo, e só não a ultrapassa porque enxerga-se na pantomima não apenas uma tentativa de sociabilidade, como uma forma de abstrair a tensão do perigo iminente. A sua maneira cínica, Joe poderia tê-lo rechaçado, e só não o faz porque compartilha dessa mesma necessidade. No final das contas, é seu sorriso amarelo que sela a camaradagem tácita entre os dois. Mais adiante, Jimmy descobre que Joe era um fã seu, e que desistiu de acompanhar os jogos da Liga de Futebol após sua aposentadoria precoce; Joe percebe que Jimmy só ostenta a fachada de arrogante em autodefesa, e dessa equação resulta a regra de ouro dos buddy movies, isto é, a ideia de que todo antagonismo só sobrevive na superfície, uma vez que quanto maior for a convivência entre indivíduos distantes entre si, tanto menor se revelarão as diferenças.

Se num primeiro momento o triste fim de Billy Cole se anunciava como o paradigma que a dupla estava fadada a seguir, eles acabam por descobrir a si próprios como merecedores de um epílogo mais honroso. Em meio a um salceiro de explosões e hematomas, ambos se revezam na tarefa de salvar a pele um do outro com tanta frequência que o fato de estarem com a cabeça a prêmio até ganha um contorno fraternal. Vê-los sofrer nas mãos dos bandidos pode ser tão divertido quanto angustiante, e há uma sequencia em especial que exemplifica essa dualidade: capturado no covil do chefão, Joe pede um cigarro a um dos capangas, e é atendido. Na hora de pegar o isqueiro, recebe um soco certeiro no rosto. Sangue esguichando, Joe torna a pedir o “fogo”, e após ser novamente esmurrado, é ele quem dá o troco, e o faz tão bem que coloca o sujeito pra dormir. Um engomadinho então aparece em cena, e quando vai se apresentar ao detetive, este o interrompe: “Que diferença faz a porra do seu nome? eu já sei que você é o vilão”. A piada metalinguística é divertida, mas Joe está equivocado. O verdadeiro Bad Guy surge logo depois, mergulhando o corpanzil na piscina da sala. Trata-se de Sheldon Marcone, um magnata do futebol americano. Surpreso, Joe o reconhece: “Oh, Shelly Marcone em pessoa”. A ameaça incutida na resposta do vilão só não é maior que sua espirituosidade: “Cuidado, filho. Só amigos me chamam de Shelly”… E o pobre Joe é submetido a novas surras. Antes que o pior aconteça, Jimmy consegue chegar a tempo.

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A dupla descobre que a stripper fora apenas mais uma vitima do esquema de corrupção no esporte. Os criminosos são rigorosamente punidos, ainda que tudo se encaminhasse para o contrário. A filha de Joe toma consciência de que é o espelho do pai a quem pensava odiar, e o ajuda no momento mais crítico. A mulher infiel tem sua chance de se redimir. Assim, o caos serve de reparo às fendas da família Hallenback, que agora recebe Jimmy Dix como novo integrante. Previsível, certo? Não necessariamente. É a forma como esses elementos são depurados, e não uma pretensa quebra de linguagem sob um truque inovador, que elevam O ÚLTIMO BOY SCOUT a um patamar acima de sua categoria.

É verdade que Bruce Willis já se encontrava numa certa zona de conforto action hero, o que não significa que o desempenhasse no piloto automático. Sua atuação possui o frescor de um novato. Ele e Damon Wayans parecem se divertir horrores. Por ironia, Willis lograria êxito comercial com um filme semelhante em DURO DE MATAR: A VINGANÇA, ao pegar um personagem já querido pelo público e adicionando Samuel L. Jackson a mistura, ambos recém-saídos do Big Bang chamado PULP FICTION, ele transformou o terceiro exemplar da franquia em um autentico filme de camaradas, o que não tinha como errar. Foi o canto de cisne da série, que depois seguiria ladeira abaixo com duas sequências sofríveis. Wayans também tentou repetir a fórmula em A PROVA DE BALAS, dessa vez acompanhado pelo mala do Adam Sandler. O filme é um festival de exageros e até diverte em alguns momentos, mas o maior atrativo é ver James Caan compor uma figura malévola digna de um episódio de Scooby doo.

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O diretor Tony Scott já prenunciava o estilo hiperativo com o qual se notabilizaria na década seguinte, em petardos como CHAMAS DA VINGANÇA e DOMINO. É curioso analisar sua carreira à luz do irmão Ridley, pois mesmo tendo este ultimo gozado da benevolência dos críticos, é na filmografia de Tony que reconhecemos um DNA autoral. Ridley padece de uma certa esquizofrenia temática que o faz atirar em todas as direções. Se por um lado realizou obras mais notáveis que o irmão caçula (ALIEN, BLADE RUNNER, PERIGO NA NOITE…), por outro deixou um numero maior de obras ruins. Sim, porque a favor de Tony pesa o fato de jamais ter torturado o espectador com uma iguaria do porte de um ATÉ O LIMITE DA HONRA, ou uma fábula canhestra como A LENDA, só pra citar dois exemplos. E foi justamente num momento de consolidação estética, quando até parte da intelligentsia começava a reavaliá-lo, que o cineasta pôs fim a própria vida, em agosto de 2012. As circunstâncias que o levaram ao ato continuam nebulosas. Ao contrário dos personagens com potencial trágico de O ÚLTIMO BOY SCOUT, é provável que os fantasmas o tenham finalmente alcançado. O que fica, porém, é o registro de uma filmografia robusta, recheada com momentos de pura cinefilia inflamável, e cuja ausência deixou uma lacuna irreparável no cinema de ação mainstream.

INVENTÁRIO EUROCULT #13

Rafael Medeiros é um sujeito gente boa, aficcionado por Tokusatsu e mantém o blog Cine Tosco. É ele quem enviou a lista com os seus filmes europeus de gênero favoritos para o Inventário Eurocult dessa semana. Uma lista bem curiosa, aliás, com um ou outro título habitual, mas recheado de surpresas que nunca imaginei que veria nessas listas. Viva a diversidade:

6ugL0nkAk9AcraN6ZActTfsuq7G taxidermia_xlgO GABINETE DO DR. CALIGARI (Das Cabinet des Dr. Caligari, Alemanha, 1920);
Dir. Robert Wiene, com Werner Krauss e Conrad Veidt

HAMLET (Reino Unido, 1948);
Dir. Laurence Olivier, com Laurence Olivier, John Laurie e Anthony Quayle

O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE (L’Armata Brancaleone, Itália/França/Espanha, 1966); Dir. Mario Monicelli, com Vittorio Gassaman, Gian Maria Volonté e Barbara Steele

A DUPLA EXPLOSIVA (…altrimenti ci arrabbiamo!, Itália/Espanha, 1974);
Dir. Marcello Fondato, com Terecen Hill, Bud Spencer e Donald Pleasence

O ANTICRISTO (L’anticristo, Itália, 1974);
Dir. Alberto De Martino, com Carla Gravina, Mel Ferrer, Arthur Kennedy e Alida Valli

CANIBAL HOLOCAUSTO (Cannibal Holocaust, Itália, 1980);
Dir.: Ruggero Deodato, com Robert Kerman, Francesca Ciardi e Perry Pirkanen

HELLRAISER: RENASCIDO DO INFERNO (Hellraiser, Reino Unido, 1987);
Dir. Clive Barker, com Andrew Robinson, Claire Higgins, Ashley Laurence e Doug Bradley

A VIDA É BELA (La vita è bella, Itália, 1997)
Dir. Roberto Benigni, com Roberto Benigni e Nicoletta Braschi

[Rec] (Espanha, 2007)
Dir. Jaume Balagueró e Paco Plaz, com Manuela Velasco e Ferran Terranza

TAXIDERMIA (Hungria/Áustria/França, 2006);
Dir. György Pálfi, com Csaba Czene, Gergely Trócsányi e Marc Bischoff

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ESPECIAL McT #8: O 13º GUERREIRO (The 13th Warrior, 1999)

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Após o lançamento de DURO DE MATAR: A VINGANÇA, John McTiernan entrou numa furada chamada O 13º GUERREIRO. Filmado em 1997, o filme só chegou aos cinemas em 1999, demonstrando que desde a sua produção alguma coisa estava errada, e foi um fracasso de crítica e público. O pior é que tinha tudo para ser uma fascinante aventura épica, uma releitura de OS SETE SAMURAIS no universo Viking, sob o olhar de um árabe, interpretado pelo Antonio Banderas, com batalhas grandiosas e os efeitos especiais charmosos da época. E ainda evocaria alguns elementos do cinema de McTiernan, que explorava aqui novas possibilidades, um épico histórico, talvez para não ficar tão estigmatizado como diretor de ação, após ter redefinido o gênero com DURO DE MATAR (88), brincado com as suas estruturas em O ÚLTIMO GRANDE HERÓIS (93), e levado o conceito de ação às últimas consequências em DURO DE MATAR: A VINGANÇA (95). McTiernan, naquele período, possuía um certo prestígio em Hollywood. Era dos poucos auteurs, no sentido mais cahiers possível, a conseguir trabalhar no studio system sem sofrer grandes interferências, mantendo sua visão de cinema e de mundo intacta.

Até que um dia resolveu encarar O 13º GUERREIRO

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O filme é baseado num livro de 1974 de Michael Crichton, que além de romancista era produtor, roteirista e diretor de filmes. Fez até alguns exemplares de ficção científica obrigatórios, como WESTWORLD (73), precursor de O EXTERMINADOR DO FUTURO (84), com o Yul Brynner fazendo papel de andróide com “defeito” que resolve exterminar indivíduos inocentes. Filmaço! Enfim… o fato é que Crichton é um dos produtores de 13º GUERREIRO, e entregou a sua criação literária nas mãos do McTiernan. Nunca li o tal livro, não posso fazer nenhum tipo de análise detalhada, mas o que se sabe é que McT e os roteiristas fizeram todo o tipo de modificações que bem entenderam. Crichton não gostou do resultado e, após umas sessões de testes negativas, o próprio Crichton resolveu retornar aos sets para filmar e refilmar algumas sequências. E deu no que deu…

Com a qualidade da obra já comprometida, restava apostar na figura do Banderas estampando os materiais promocionais do filme para atrair publico. O espanhol estava em alta em meados dos anos 90, pagando de herói galã após encarnar o Mariachi matador em A BALADA DO PISTOLEIRO e personificar o lendário Zorro, na superprodução A MÁSCARA DO ZORRO. Aqui ele vive Ahmed, um poeta árabe que se apaixona pela esposa de seu rei e, por conta disso, é enviado numa missão cujo propósito é simplesmente afastá-lo da amada. Podia ter sido pior, o rei poderia ter ordenado sua cabeça ou que cortassem os seus bagos… Mas não, o sujeito pôde pegar seu conselheiro, o veterano Omar Sharif, e rumou para o norte onde acaba se reunindo com um grupo de guerreiros escandinavos. Em determinado momento, um pedido de socorro de um vilarejo Viking é enviado e faz com que treze guerreiros sejam escolhidos para enfrentar a ameaça. Ahmed é destinado a ser o 13º e inicia uma jornada de transformações pessoais.

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Os filmes de McTiernan costumam ser mais do que simples exemplares de gênero. Para cada grande sequência de ação de um PREDADOR, há um estudo de personagem, há um detalhe que é trabalhado para suscitar a reflexão. Portanto, é natural esperar que a aventura de Ahmed pudesse render algumas lucubrações, e realmente há uma tentativa de colocar o personagem em momentos de inquietações e conflitos espirituais e psicológicos que uma jornada dessas poderia render. Mas é frustrante perceber que o filme acaba desistindo desse caminho e não vai a fundo no estudo do personagem. É tudo muito superficial e genérico.

Há certos momentos, detalhes e algumas boas sacadas, no entanto, que me chamaram a atenção nesta revisão. Percebe-se a mão de McTiernan em alguns casos, como a sequência que mostra Ahmed aprendendo o idioma de seus novos companheiros, que me lembrou a forma que o diretor utilizou para resolver a questão da língua falada em A CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO. A invasão dos guerreiros Vikings à caverna onde a tribo inimiga se esconde é outro ponto alto, com boa dose de tensão e um trabalho atmosférico bem cuidado. Mas momentos com esses quesitos são raros, já que a maioria das cenas de ação no decorrer do filme decepciona, apesar da violência gráfica e extrema. A “grande” batalha final, por exemplo, mostrada numa câmera lenta tosca, sem emoção alguma, fecha com chave de ouro o desperdício de tempo que é uma sessão de O 13º GUERREIRO.

Não dá pra colocar a culpa toda no McTiernan, já que não veremos a sua versão pra saber se era realmente pior ou se era uma obra-prima destruída pelo Crichton, que ficou encucado com as mudanças realizadas em sua criação. Mas se um dia McT conseguir lançar a sua director’s cut eu seria o primeiro da fila para conferir.

NASCIDO EM 4 DE JULHO (Born on the Fourth of July, 1989)

Hoje estreia uma nova coluna aqui no Dementia¹³ que ficará sob a responsabilidade de Gustavo Santorini. Não conhecem o sujeito? Pois a partir de agora guardem bem esse nome! Santorini demonstrará por aqui sua admiração por filmes esquecidos e subestimados, na maioria das vezes ação casca-grossa, em textos que demonstram seu amor pelo cinema. Nesta primeira edição, no entanto, ele escolheu reavaliar um de seus filmes favoritos para começar. Com vocês, Cartas de Amor de um Badass:

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CARTAS DE AMOR DE UM BADASS #01
por GUSTAVO SANTORINI 

O que eu espero de um filme é que ele expresse a alegria ou o sofrimento de fazer cinema. O que fica no meio disso absolutamente não me interessa.
François Truffaut

A citação acima bem poderia servir de epitáfio a carreira do americano William Oliver Stone, que, assim como Truffaut, é reconhecido por ser um cineasta passional de carteirinha, e diferentemente deste, hoje passa longe da aclamação de público e crítica. A disparidade de confetes não se deve ao fato de a morte conferir um verniz de respeitabilidade insuspeita aos que partem, como poderia ser o caso de Truffaut, falecido em 1984. Oliver Stone ainda está vivo, felizmente, mas sua carreira nem tanto. A mediocridade dos últimos filmes assinados por ele é incontestável. Ou será que há alguém nessa galáxia com o mínimo de senso crítico capaz de defender uma sacarose como AS TORRES GÊMEAS, veneno para diabéticos? Ou uma bobagem monumental chamada ALEXANDRE, épico afetado que provavelmente fez Cecil B. DeMille se remexer na tumba? Acho que não. Seu último grande filme é NIXON, uma ópera maquiavelista de 1995, e de lá pra cá já se passaram dezenove anos. Somado ao momento pouco inspirado, há uma famigerada simpatia por ditadores como Fidel Castro, retratado em Comandante, seu achincalhado documentário de 2003. Embora os cinéfilos mais jovens talvez não saibam, e os mais velhos façam questão de esquecer, Oliver Stone já foi um gigante.

Veterano da Guerra do Vietnã, tendo se alistado voluntariamente e condecorado com a “Estrela de Bronze de Honra ao Mérito”, Stone saiu do conflito desiludido com os tentáculos da política externa americana e resolveu canalizar toda sua angústia no cinema, onde se iniciou como roteirista, após se graduar na Universidade de Nova York – Martin Scorsese foi um de seus professores – e escrevendo scripts de futuros clássicos: O EXPRESSO DA MEIA NOITE (1978), pelo qual ganharia seu primeiro Oscar, de roteiro adaptado; SCARFACE (1983) e CONAN: O BÁRBARO (1982). Não demorou muito para o jovem e premiado roteirista se tornar o queridinho dos estúdios, embora nada disso tivesse aplacado sua fúria. Ele queria mais. Ele ainda estava faminto. Escrever roteiros para terceiros filmarem foi apenas o primeiro passo para Oliver Stone se estabelecer como um dos cineastas mais controvertidos da história do cinema americano, talvez o mais controvertido.

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Enquanto uns o acusam de impostor, por supostamente explorar de forma maniqueísta eventos traumáticos da historia americana – a morte do presidente John Kennedy, por exemplo, tema de JFK: A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR – tecendo um amontoado de teorias conspiratórias com fins meramente midiáticos, outros o vêem como uma poderosa voz dissonante, exatamente por trazer a tona tais discussões e levantar uma pá de dúvida sobre as “versões oficiais” perenizadas pelas autoridades. A questão se mostra pertinente. Seria ele uma fraude? Um fanfarrão? Ou mais um caso de iconoclasta incompreendido? De minha parte, ao me debruçar sobre a matéria prima de seus filmes, não vejo outra figura senão a de um “Cineasta da Selva”, pois foi ao se embrenhar tanto na floresta bruta (SALVADOR: MARTÍRIO DE UM POVO, PLATOON, ENTRE O CÉU E A TERRA) quanto na de concreto (TALK RADIO, WALL STREET: PODER E COBIÇA, ASSASSINOS POR NATUREZA) que sua câmera radiografou com virulência incrível o colapso moral do sonho americano, e ao revirar do avesso seu deslumbrante tapete de status quo, expôs a sujeira que convenientemente se acumulava por debaixo. Portanto, o combustível de seu cinema é a cólera e a indignação, e o maior exemplo disso encontramos em NASCIDO EM 4 DE JULHO, obra-prima imperfeita lançada em 1989.

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Baseado na autobiografia de Ron Kovic, combatente do Vietnã que adaptou o roteiro com Stone, o filme narra sua trajetória de soldado idealista que, após ficar paraplégico no conflito, retorna aos EUA e logo se depara com a dura realidade que os veteranos enfrentam e decide lutar pelos seus direitos, transformando-se por tabela num grande opositor da Guerra do Vietnã. Este filme não é, em seu conjunto, um primor de virtuosismo técnico. O roteiro, apesar de oferecer grandes momentos, salta bruscamente no tempo, em uma elipse mal ajambrada no terceiro ato, quando Ron Kovic decide se lançar no front de protestos a Nixon e sua combalida política republicana. Temos a impressão que muita coisa ficou de fora na sala de montagem, e a edição faz milagre na tentativa de criar uma unidade narrativa (não a toa foi laureada com o Oscar). A maquiagem de Tom Cruise, o protagonista, não convence, deixando claramente se tratar de uma peruca grosseira. No entanto, descontada todas as imperfeições, raras vezes nos deparamos com uma obra impregnada de tamanha paixão, algo que transcende o próprio ofício de se fazer cinema e, por ironia, acaba por subverter a máxima de Truffaut. Sem qualquer pudor, o cinema é o meio pelo qual Oliver Stone se utiliza para exorcizar suas obsessões, e o que fica no meio disso é totalmente irrelevante.

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Famoso por arrancar desempenhos memoráveis de atores medianos – vide Tom Berenger em PLATOON –, é aqui que Stone se supera na direção de atores. Tom Cruise não apenas tem sua maior atuação (desculpem fãs de MAGNÓLIA, mas aqui a parada é muito mais… visceral), como seu desempenho dita o ritmo de todo o filme. Hipnotizados, assistimos sua persona de galã ser soterrada por um trabalho memorável de expressão corporal, e a metamorfose por que passa o personagem é conduzida de maneira sutil e não menos envolvente. Ele começa como um jovem atleta de rosto lépido e ideais ufanistas, o típico americano oriundo de família conservadora, cujo pai é um ex-combatente da Guerra da Coreia. Com a intenção de seguir os passos do coroa, ele se alista na Guerra do Vietnã. Após se machucar gravemente em conflito, sua via crucis tem inicio no Hospital de Veteranos, quando é tratado como lixo pelos enfermeiros. Ao regressar para Massapequa, sua cidade natal, ele descobre que o lugar vive tempos de prosperidade econômica, e seus moradores estão pouco se lixando para uma guerra que explode a milhares de quilômetros dali. O sol fulgurante que incide sobre a cidadezinha parece ignorar o fato de que há cada vez mais jovens retornando para seu país em sepulcros, e é por isso que o retorno de Ron Kovic causa um desconforto entre os moradores. Quando olha nos olhos das pessoas, Kovic enxerga o reflexo de um homem arruinado, vítima de um fracasso militar que golpeara um país orgulhoso por jamais perder uma guerra, e de quem a própria família se envergonhava e os amigos viravam o rosto. Seu corpo alquebrado é a triste alegoria de um país em ruínas. Assim, seus antigos valores vão se desintegrando aos poucos, e não tarda para que o personagem entre numa espiral deprimente de impotência, autopiedade e rancor. É dolorosa a cena em que, ao reencontrar a ex-namorada de infância e esperançoso por um revival, ele percebe que o semblante da jovem murcha ao fitar sua cadeira de rodas. Em sua nova condição, Kovic se dá conta de que para certas coisas não há segunda chance.

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A inadequação o leva a um exílio voluntário no México, e é em meio às figuras espectrais de prostitutas e veteranos desvalidos que o personagem despenca no nível mais profundo de seu limbo particular. Depois de uma patética discussão com o amargurado personagem de Willian Dafoe em pleno deserto, algo muito próximo de uma epifania o atinge: se não der o fora dali o quanto antes, jamais sairá de lá são. Essa aquisição de autoconhecimento o motiva a fazer um acerto de contas consigo, e ele então decide regressar aos Estados Unidos. Afundado pela dor, Kovic visita os pais de um colega morto em combate e confessa ter sido o responsável pelos disparos. O fato ocorreu num momento de extrema confusão nas trincheiras, sua vista anuviada pelo sol ofuscante, mas não o bastante para redimi-lo de uma vida assombrada pela culpa, e só de lembrar dessa cena é impossível não ficar com a garganta embargada. Em mãos menos hábeis, o filme descambaria para um tom lacrimoso, mas felizmente não é o que presenciamos. Oliver Stone tem respeito pelo protagonista e o trata com honestidade comovente, abordando sua fratura emocional como uma espécie de tumor que precisa ser removido, a fim de que dê lugar à cura. Absolvido pelo perdão, Kovic se vê finalmente disposto a abandonar o casulo de autocomiseração no qual se isolara e decide tomar as rédeas de sua vida. De um arremedo de ser humano, ele se transforma num símbolo de luta contra as mazelas do país. Assim como ele próprio, Kovic acredita que a América precisa nascer novamente, e tal crença é forjada em meio a nuvens de gás lacrimogêneo lançadas de maneira covarde pela polícia. Ao final da jornada, ele sai da experiência mais puro, integro e em paz com seus demônios. E nós, espectadores, partilhamos de sua leveza de espírito. Quanto ao país, talvez não possamos dizer o mesmo.

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A brilhante fotografia do filme é outro ponto de destaque. Dependendo do estado emocional dos personagens, as cores variam entre vermelha, azul e branca, as mesmas da bandeira norte-americana. A canção tema é regida pelo maestro John Willians, famoso pelos temas grandiloquentes e que aqui atinge o sublime com uma partitura de rara sutileza, deixando-se guiar pela força das imagens. Também desfilam pela trilha sonora um punhado de canções que são um verdadeiro deleite para fãs do pop rock das décadas de 60 e 70, além de cumprir a função de contextualizar a trama nas mudanças temporais.

Assistir NASCIDO EM 4 DE JULHO é testemunhar um artista em pleno domínio de seu ofício, o que não nos livra de uma certa dose de melancolia. Ao olharmos para os grandes filmes de Oliver Stone e comparando com sua safra recente, ficamos a nos perguntar: até onde vai o declínio de um artista? Em tempos de obscurantismo cultural, onde a arte é patrulhada pelo politicamente correto, faz-se oportuna uma reavaliação de seu papel como um dos grandes cronistas de nossa era. Torçamos para que seu vigoroso cinema não tenha esmorecido de vez. Precisamos acreditar que tudo não passe de um blefe, e que este hiato criativo se revele o ensaio de um retorno triunfal. Assim como Ron Kovic, ainda é capaz de o fogo resistir sob as cinzas.

No apagar das luzes, caso nada disso se confirme, ao menos teremos seus velhos filmes a nos tomar pela mão.

INVENTÁRIO EUROCULT #12

O Inventário Eurocult foi agraciado novamente com uma lista mais que especial, desta vez do ilustre Eduardo Aguilar. Dizer apenas que o sujeito é um grande conhecedor de cinema de gênero europeu é pouco diante de um currículo que inclui ter trabalhado no cinema da Boca do Lixo, nos gloriosos anos 80, e convivido com gente do calibre de Alfredo Sternheim, Ody Fraga, Antônio Meliande, Jean Garret e principalmente o saudoso Carlão Reichenbach, de quem foi assistente de direção. Entre vários trabalhos, um dos mais curiosos foi de continuista no obscuro e desconhecido THE GUEST, uma co-produção ítalo-brasileira com Carlos Pasini Hansen na direção, Antonio Meliande como dir. de fotografia, e no elenco John Phillip Law e Stella Stevens. O filme narra a vinda do diabo em pessoa (John) ao Brasil para encontrar uma espécie de bíblia do Diabo que levaria o mundo ao caos! Uma raridade que pouca gente viu e só sei da existência porque o próprio Edu me contou. Nem no imdb está listado… Aos caçadores de filmes raros, taí uma missão. Atualmente, Edu é professor de cinema e diretor de curtas metragens, alguns deles inspirados em obras do universo Eurocult:

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Fiquei muito feliz ao ser convidado pelo Ronald Perrone para participar dessa proposta, sinto muita falta dos tempos em que descobri a saudosa lista de discussão “Canibal Holocausto” que debatia esse tipo de filme, reconheço que apesar de adorar o gênero horror tinha muito preconceito contra os filmes de horror e também os policiais feitos por europeus, a exceção ficava por conta dos faroestes spaghettis, e felizmente acabei me libertando disso! Essa lista é uma mescla dessa libertação que me permitiu admirar nomes como Lucio Fulci e Amando do Ossório e ao mesmo tempo “descobrir” que diretores que sempre admirei como Buñuel e Chabrol flertaram com o cinema de gênero e fizeram filmes incríveis!

O SILÊNCIO (Tystnaden, Suécia, 1963);
Dir. Ingmar Bergman, com Ingrid Thulin, Gunnel Lindblom e Birger Malmsten

UMA BALA PARA O GENERAL (Quién Sabe?, Itália, 1966);
Dir. Damiano Damiani, com Gian Maria Volonté, Klaus Kinski e Lou Castel

OS VIOLENTOS VÃO PARA O INFERNO (Il Mercenario, Itália/Espanha, 1968);
Dir. Sergio Corbucci, com Franco Nero, Jack Palance e Tony Musante

A BESTA DEVE MORRER (Que la bête meure, França/Itália, 1969);
Dir. Claude Chabrol, com Michel Duchaussoy, Caroline Cellier e Jean Yanne

KES (Reino Unido, 1969);
Dir. Ken Loach, com David Bradley e Freddie Fletcher

AND SOON THE DARKNESS (Reino Unido, 1970);
Dir. Robert Fuest, com Pamela Franklin, Michele Dotrice e Sandor Elès

PS: Inicialmente, a escolha do Edu foi O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr. Phibes, 1971), também do Fuest, mas para nossa surpresa, é uma co-produção americana. Como o filme possui todo o clima do horror britânico, deixo aqui esta observação. É um filme que merece ser visto.

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

O HOMEM DE PALHA (The Wicker Man, Reino Unido, 1973)
Dir. Robin Hardy, com Edward Woodward, Christopher Lee, Ingrid Pitt e Britt Ekland

CÃES RAIVOSOS, aka RABID DOGS (Cani Arrabbiati, Itália, 1974);
Dir. Mario Bava, com Riccardo Cucciolla, Don Backy, George Eastman e Lea Lander

O INQUILINO (Le Locataire, França, 1976);
Dir. Roman Polanski, com Roman Polanski, Isabelle Adjani, Melvyn Douglas e Jo Van Fleet

CADÁVERES ILUSTRES (Cadaveri Eccelenti, Itália/França, 1976);
Dir. Francesco Rosi, com Lino Ventura, Fernando Rey e Max Von Sydow

POSSESSÃO (Possession, França/Alemanha, 1981);
Dir. Andrzej Zulawski, com Isabelle Adjani e Sam Neill

O ESTRIPADOR DE NOVA YORK (Lo squartatore di New York, Itália, 1982);
Dir. Lucio Fulci, com Jack Hedley e Almanta Suska

O ELEMENTO DO CRIME (Forbrydelsens Element, Dinamarca, 1984);
Dir. Lars Von Trier, com Michael Elphick, Esmond Knight e Me Me Lai

DELLAMORTE DELLAMORE (Cemetery Man, Itália/França/Alemanha, 1994);
Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

Anexo:
A MORTE NESTE JARDIM
(La mort en ce jardin, França/México*, 1956);
Dir. Luis Buñuel, com Simone Signoret e Michel Piccoli

PS: O Edu colocou este na lista por prevalecer o olhar europeu do mestre Luis Buñuel, dos atores principais, por ser falado em francês… Mas por ser uma co-produção mexicana, não poderia entrar no inventário. Vamos manter como um anexo, pois como o projeto serve como uma lista de compras, tenho certeza que se o Eduardo indicou este filme é porque deve ser um ingrediente que não pode faltar.

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ESPECIAL McT #7: DURO DE MATAR: A VINGANÇA (Die Hard: With a Vengeance,1995)

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Prosseguindo com o Ciclo John McTiernan, para falar de DURO DE MATAR – A VINGANÇA convidei um dos maiores admiradores do filme que conheço e que inicia aqui uma espécie de colaboração oficial no blog. De vez em quando, o sujeito vai pintar por aqui com alguns textos especialíssimos. E acho que já começou muito bem!

por DANIEL VARGAS

Quando Bruce Willis retornou ao seu icônico papel de John McClane pela terceira vez, algumas coisas já haviam mudado bastante na vida do astro desde o primeiro filme. Para começar, o próprio fator “astro”. Bruce Willis não só já havia se tornado um, como provavelmente era o maior do mundo naquela época (Com Stallone e Schwarzenegger já meio que desgastados). O próprio diretor do DURO DE MATAR original, John McTiernan que retomava a série, já era considerado um dos mais respeitados diretores de ação de Hollywood. E se já no segundo filme as pessoas meio que engoliram com certa dificuldade a frase do McClane: ““Como é que a mesma merda pode acontecer com o mesmo cara duas vezes?”, aqui no terceiro a estigma que o homem comum já havia se transformado em mais um “super action hero” era inevitável. E mesmo Willis interpretando o personagem com os mesmos aflitos, a mesma humanidade de sempre, (errando, hesitando, se alterando, como uma pessoa perfeitamente normal) o público já enxergava McClane como um Rambo urbano.

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Então com o fator “homem comum em situação extrema” fora do baralho para o Willis, como contornar isso? Colocando o Samuel L. Jackson para fazer o pobre coitado da vez, é claro! Os dois recém saídos do surpreendente sucesso de PULP FICTION, mas sem nunca se encontrarem em cena uma vez sequer, dessa vez aqui eles se grudam do começo ao fim mostrando excelente química e criando um improvável buddy-cop movie, onde um dos personagens nem policial é, e solucionando o principal ingrediente que fez o primeiro filme ser tão especial.

Como odeio escrever sinopses quando estou escrevendo sobre um filme, deixa eu ir direto ao ponto: O campo de batalha da vez aqui não é um local fixo como no prédio Nakatomi Plaza em Los Angeles ou o aeroporto de Washington, e sim a inteira cidade já caótica de Nova York, a “homeland” do nosso herói. Lançado em 1995, pré-11 de Setembro, (lembro com exatidão como cenas do filme foram usadas anos depois a exaustão para demonstrar a terrível semelhança entre Hollywood e a vida real que acontecia no fatídico dia. Engraçado que no próprio filme tem uma menção, como alívio cômico, ao atentado terrorista no World Trade Center anterior ao 11 de Setembro em 1993) McClane aceita a participar de um joguinho que um terrorista que acionou diversas bombas em locais diferentes pela cidade, propondo em troca poupar vidas de civis. Logo em sua primeira “missão”, o azarado policial é mandado andar em pleno Harlem vestindo apenas uma placa escrito:

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Da hora a vida, né?

“Simon diz: Sr. Wayne, seu chá está pronto”

O tal terrorista conhecido apenas como “Simon” obviamente nutre um rancor específico por McClane, querendo o colocar em situações constrangedoras, perigosas e até mortais. Mas por quê? Então você que não viu o filme, por favor pare de ler o texto porque vou tirar isso a limpo agora: o Tal de Simon terá a identidade completa revelada como Simon Gruber. Sim, o irmão do “terrorista” Hans Gruber (Alan Rickman), morto por McCLane no primeiro filme e que agora busca vingança. Vendo por esse ponto de vista chega até ser comovente a história de amor de uma família de terroristas tão unida. Mas assim como no primeiro filmes, as coisas não são bem o que parecem. Mas essa revelação, que considero bem mais importante do que a relação de Simon com Hans, não vou deixar escapar. Fique apenas sub-entendido que justamente o que fez falta para o segundo filme em termos de um vilão fodão (acho o uso tanto de William Sadler quanto de Franco Nero, desperdiçados. O que é um pecado) o terceiro supre com uma composição sinistra genial de Jeremy Irons, que não deixa nada a desejar ao personagem de Alan Rickman. Muito pelo contrário, ele até mesmo possui o mesmo talento para “dissimular”. Aliás, não lembro de outro filme de ação puro depois desse, além da dobradinha Travolta/Cage em A OUTRA FACE que tivesse um vilão tão icônico e carismático. Estou me referindo apenas a filmes cujo o gênero “ação” se sobressai aos demais no filme em si, ou seja, não me refiro a personagens de dentro de temáticas mais divididas como “aventura” ou “policial”, deixando claro. O último que me chamou atenção nesse sentido foi Van Damme em OS MERCENÁRIOS 2 e ainda sim talvez muito mais por saudosismo do que pelo personagem em si. Não é a toa que Sean Connery, cujo papel foi o primeiro a ser oferecido, recusou por achar se tratar de um personagem maligno demais para ele (E realmente seria uma surpresa ver ele nesse perfil, apesar de achar que ele mataria a pau tanto quanto Irons)

diehard3_2990Willis: “Você é racista! Você não gosta de mim porque eu sou branco!”
Jackson: “Eu não gosto de você porque você matou meu camarada Vince em PULP FICTION!”

Mas voltando a história, depois de escapar de um possível linchamento de uma gangue local do Harlam com ajuda de Zeus Carver (O já citado Sam Jackson), um vendedor local boa-praça mas com um pouco de complexo de Malcolm X demais da conta (um personagem cuja a verborragia parece ter saído de um filme do Spike Lee, mas que o deixa ainda mais divertido) que acabou se metendo nessa furada por puro acidente. McClane, agora obrigado a trabalhar com o pobre civil contra sua vontade por Simon que mantem contato com eles por ligações misteriosas (onde ele parece estar sempre a par de tudo que acontece com a dupla em detalhes, dando-lhe um aspecto ainda mais misterioso e divino), os mandando de ponta a ponta pela cidade, tentando desvendar pequenas charadas afim de impedir que ele acione as bombas espalhadas pela a Grande Maça. O que se segue é uma direção frenética (literalmente) de McTiernan com nossa dupla tentando chegar nos locais designados por Simon a tempo, seja por corridas alucinadas de carro pelo tráfico infernal da cidade ou mesmo de bicicleta ou a pé. (de maneira que eles até conseguem chegar mais rápido ao locais desejados devido ao trânsito caótico) Mas não pensem que Zeus está ali apenas para ser alívio cômico como o cidadão comum. É um personagem inteligente e corajoso que salva a pele de McClane diversas vezes no filme.

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Originalmente escrito por Jonathan Hensleigh, especializado em roteiros de filmes de ação/aventura de grande orçamento, a história inicialmente era para ser outro terceiro filme de outro clássico do gênero, MÁQUINA MORTÍFERA e o personagem de Zeus seria uma mulher (?!), o que faria mais sentido se nessa versão da série o Murtaugh (Danny Glover) estivesse enfim aposentado e Riggs (Mel Gibson) trabalhando sozinho (será?). E de fato o filme é nada mais que um clássico “corrida contra o tempo”. Quase um “chase-movie” cujo a motivação do personagem é mera desculpa para perseguições, conflitos e explosões. Muitas explosões. Mas tudo isso é muitíssimo bem encaixado para a saga de McClane e orquestrado por quem entende do riscado, com personagens cativantes, que você realmente se importa e torce. E se estressa junto pela tensão. Sem nunca deixar de admirar a maneira como o vilão arquiteta seu plano de maneira genial e colocando a cidade sob seu domínio utilizando apenas sua voz. (Irons só vai aparecer de fato depois de quase uma hora de filme rolando)

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Dá para se dizer que DURO DE MATAR – A VINGANÇA é o tipo de blockbuster milionário que o cinema produziria em massa se o mundo fosse perfeito. Aquele blockbuster que vale cada centavo gasto. Uma sequência que nada deve ao original. Sem nunca se comprometer para atingir um público maior nos cinemas (além de uma cena de tiroteio violenta e brutal no elevador, McTiernan incluiu uma cena de sexo gratuita apenas porque já sabia que o filme receberia censura 16 anos) e ao mesmo tempo saber incluir perfeitamente o humor no filme. E aqui não há lugar para Greedo atirar primeiro. McClane é Eastwood aqui, atirando primeiro enquanto deixa a cautela para os vilões acharem que estão por cima da situação. Um grande filme que talvez tenha sido prejudicado apenas pelo estigma do “terceiro filme é sempre o pior” das diversas trilogias que tivemos até então. Talvez isso explique o motivo do porque a cotação do filme é tão baixa no Rotten Tomatoes e, pasmem, a do horrendo quarto filme ser superior. Ou talvez pelos seus 10 minutos finais onde tudo parece ser solucionado em um passe de mágica onde eles conseguem fazer o que não conseguiram em 1:50 de filme. E ainda trazem o personagem do Zeus junto, arriscando sua vida depois que ele já estava são e salvo. Pra quê?! Eu juro que acharia lindo se o Simon Gruber saísse vitorioso, e nem precisaria matar o herói pra isso! (e assim até retornando a humanidade do McClane do primeiro filme, que fecharia perfeitamente o ciclo) Mas acho que isso já é pedir demais para um blockbuster desse tamanho.

Agradecimentos ao Ronald pelo convite!

DURO DE MATAR 2 (Die Hard 2,1990)

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O fato de DURO DE MATAR 2 não ter sido dirigido pelo John McTiernan não é motivo para deixarmos de fora desta peregrinação pela carreira do diretor. Serve de anexo ao ciclo, cujo próximo da lista seria exatamente a terceira parte da “trilogia” (vamos fingir só um pouquinho que aqueles dois últimos filmes não existiram). Uma curiosidade é que McT até tinha planos para comandar a produção, mas acabou se envolvendo com  A CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO e os produtores decidiram não esperar. Foram em busca de sangue novo e escalaram o finlandês Renny Harlin que, até então, demonstrava grande talento para a coisa.

É verdade que Harlin nunca tenha atingido o potencial que lhe era esperado e hoje possui um currículo bem irregular, com várias porcarias e alguns exemplares bem divertidos, como RISCO TOTAL, com o Stallone. Mas é em DURO DE MATAR 2 que o sujeito realiza o seu melhor trabalho. Tá certo que o filme não chegue aos pés do primeiro em termos de grandeza cinematográfica, aliás, nenhum outro filme de ação americano jamais chegou, mas é uma continuação eficiente, repleto de cenas de ação espetaculares e bem filmadas, efeitos especiais de primeira qualidade e um elenco de encher os olhos.

O mais difícil seria colocar o herói novamente numa situação extrema que rendesse uma nova aventura. Em determinado momento de DURO DE MATAR 2, John McClane, outra vez interpretado por Bruce Willis, pergunta para si mesmo: “Como a mesma merda pode acontecer com o mesmo cara duas vezes?“. Considerando que a fórmula da aventura anterior fora um sucesso e se tornou um marco do cinema de ação, não se importaram em te colocar nessa situação de novo, meu caro McClane… A trama desta vez se passa num aeroporto, de novo às vésperas do natal, onde terroristas trabalham um plano mirabolante para libertarem um preso político, o General Ramon Esperanza (Franco Nero), que está sendo extraditado. Como a mulher de McClane está num dos vôos rumo ao aeroporto, o sujeito se mete de novo em todo tipo de enrascada para salvar o dia.

Além do astro italiano de DJANGO (66) em cena, a galeria de vilões é formada por John Amos e William Sadler. Ambos excelentes, mas este último está especialmente insano, surgindo no filme completamente nu, praticando exercícios de artes marciais, se concentrando para entrar em ação. No elenco ainda temos Dennis Franz, Fred Dalton Thompson, Tom Bower e até uma participação de John Leguizano e Robert Patrick. Mas o grande destaque e um dos principais motivos para encarar essa nova aventura é Bruce Willis, que repete o papel com muito carisma e consagra-se de vez como um ícone do cinema de ação.

Embora tenha uma premissa interessante, o roteiro de DURO DE MATAR 2 é desnivelado, com alguns excessos, detalhes que entravam a narrativa numa tentativa besta de complicar o simples ou tornar o filme mais longo do que deveria. A quantidade de takes para explicar todo o lance da munição de festim ou o retorno do repórter do primeiro filme, que surge aqui de maneira forçada, desnecessária e quebra o ritmo em alguns momentos, são alguns exemplos de como tudo poderia ser mais enxuto.

Nada que chegue a incomodar, no entanto, até porque se torna irrelevante quando a ação toma conta da tela em sequências absurdas, tensas e bastante violentas. Entre tiroteios bem orquestrados e a alta contagem de corpos, McClane é quase atropelado por um avião; é lançado ao céu no assento ejetável da cabine segundos antes do jato explodir, criando um dos enquadramentos mais icônicos da série; e no grand finale precisa trocar porradas com os bandidos na asa de um avião em movimento! É simplesmente de tirar o fôlego!

DURO DE MATAR 2 ainda apresenta uma daquelas cenas que não têm mais espaço para o cinema de ação bunda-mole atual: refiro-me aos terroristas derrubando um avião aleatório matando centenas de passageiros inocentes sem qualquer remorso. Só este detalhe já o colocaria acima da média do que é feito no gênero atualmente. Mas o legal é que o filme vai muito além. Claro, nas mãos de um McTiernan poderia render mais uma obra-prima do gênero, mas o resultado aqui é um action movie que cumpre aquilo que se propõe.

STARCRASH SOUNDTRACK


Um adendo ao post anterior. De vez em quando esqueço de mencionar as trilhas sonoras dos filmes que comento aqui no blog, principalmente quando não deveria esquecer, como é o caso do STARCRASH. O grande John Barry, autor de diversas trilhas famosas – entre elas a James Bond theme, da série 007 – foi o responsável pelo trabalho nesta ficção científica de Luigi Cozzi. Ainda que em alguns momentos a impressão é de que Barry reaproveitou versões descartadas de músicas dos filmes do espião britânico, não deixa de ser um excelente acompanhamento para as imagens do filme.

STARCRASH (1978)

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É comum considerar STARCRASH, de Luigi Cozzi, um mero rip-off italiano de STAR WARS. A verdade é que não deixa de ser mesmo. O filme abre com uma longa e lenta tomada de uma nave sobrevoando o espaço bem ao estilo de George Lucas e durante a aventura vários outros detalhes o apontam como uma “cópia descarada”, com direito ao maniqueísmo básico, um andróide como alívio cômico, batalhas de naves espaciais e até sabres de luz. Mas se observarmos com mais cuidado a concepção da obra, as influências do cinema de Cozzi, é possível encontrar um filme desvencilhado, de universo próprio, diferente de outras produções que almejavam tirar uma casquinha do sucesso do filme de Lucas.

A prova disso é que a ideia que originou STARCRASH foi concebida antes da existência de um STAR WARS. Era o projeto dos sonhos de Cozzi e que, numa primeira tentativa de levar adiante, ninguém se interessou em bancar. A sorte é que pouco tempo depois, o filme de Lucas estreou e, como todos sabemos, foi um grande sucesso. Os mesmos produtores que haviam rejeitado o projeto de Cozzi anteriormente, agora percebiam que poderiam tirar proveito daquele filão que surgia.

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Com algumas mudanças e adaptações, STARCRASH foi ganhando uma roupagem estilo STAR WARS, mas no fim das contas, Cozzi, que foi creditado sob o pseudônimo de Lewis Coates, conseguiu, na medida do possível, deixar intacta a essência do seu cinema, cuja paixão pelo sci-fi americano dos anos 50 e por Ray Harryhausen predominam no cerne do filme. Além, é claro, da influência evidente de produções do passado, como JASÃO E OS ARGONAUTAS e BARBARELLA, para citar alguns.

É notória essa devoção de Cozzi pela ficção científica e o seu debut como diretor foi um exemplar de baixíssimo orçamento, chamado IL TUNNEL SOTTO IL MONDO. Nada  que se compare com a produção de STARCRASH que, se não chega aos pés do orçamento de STAR WARS, ao menos era suficiente para um “equivalente” italiano. Mas é possível perceber a utilização de alguns elementos do gênero durante toda a carreira do homem, independente do tipo de filme que estivesse envolvido. Seja num giallo, convencendo Dario Argento a usar uma ideia fantasiosa inspirada numa revista científica em 4 MOSCAS NO VELUDO CINZA, ou, já nos anos 80, as criaturas mecânicas bizarras que aparecem em HERCULES, com Lou Ferrigno.

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STARCRASH, portanto, é o parque de diversões de Cozzi, onde ele pôde mergulhar de cabeça no universo que tanto admirava tendo recurso pra isso, trabalhando suas obsessões como contador de histórias e criador de mundos. Em termos de script é o seu “caos organizado” habitual, já que o diretor nunca foi um grande entusiasta do chamado roteiro “bem estruturado”. O filme parece ser todo pensado de maneira visual, em cenas específicas, sequências épicas, efeitos especiais, ideias interessante, mas que juntando tudo acaba virando uma porra-louca sem muita lógica narrativa. Até entendo porquê os produtores, num primeiro instante, rejeitaram o Projeto.

A trama é centrada nas aventuras de um casal contrabandista espacial, Stella Star (a musa Caroline Munro) e seu parceiro no crime Akton (Marjoe Gortner). Ambos são recrutados pelo imperador do universo, vivido por Christopher Plummer, para ajudá-lo a combater o terrível Conde Zarth Arn, encarnado pelo genial Joe Spinnel. Acompanhados de Thor (Robert Tessier pintado de verde) e Elle, um andróide badass, sensível e todo engraçadão, essa turma realiza jornadas pelos confins do espaço para tentar localizar o planeta onde o facínora construiu uma arma poderosíssima. E se, por um acaso, toparem com o filho do imperador durante a missão, devem trazê-lo de volta também. Como ninguém sabe onde está a tal arma, o grupo vai parando de planeta em planeta, dos mais variados tipos, cores e criaturas diferentes para averiguar. E assim STARCRASH apresenta um catálogo dos mundos criados por Cozzi.

Em determinado momento, Akton revela-se bem mais que um simples sidekick, demonstrando poderes sobrenaturais, se tornando um personagem chave. É ele quem surge com o sabre de luz para salvar o dia. Finalmente eles encontram o planeta correto, que por acaso é o mesmo onde descobrem o príncipe, interpretado pelo astro de S.O.S. MALIBU, David Hasselhoff, enfrentam robôs em stop motion, conhecem a verdade sobre a tal arma e, por fim, retornam a tempo para participar da gloriosa batalha final contra o exército de Zarth Arn.

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O visual do filme, extravagante e bem elaborado, é um dos grandes trunfos de STARCRASH e demonstra como a criatividade dos realizadores neste departamento é ilimitada. O que é bom, porque em termos de ação, as lutas, tiroteios com raios lasers, as batalhas espaciais, tudo é filmado de maneira bastante simplória. O que realmente diverte são as ideias e os contextos em que essas cenas ocorrem. A sequência que se passa num planeta dominado por guerreiras amazonas é um bom exemplo, com a mulherada bonita e que culmina com uma estátua gigantesca em stop-motion perseguindo os heróis. Canhestro e fascinante ao mesmo tempo. E como o ritmo é frenético, mantém sempre uma ação contínua na tela, segurando a atenção do público.

Outro grande destaque que não poderia deixar de mencionar é a presença de Caroline Munro como protagonista. Simplesmente não dá pra desgrudar os olhos da beldade… Deslumbrante em cada enquadramento e abusando de modelitos mínimos e apertados, Caroline foi a primeira escolha de Cozzi para viver a personagem de Stella Star, que pode ser definida como uma versão mais “experimentada” de Barbarella (Jane Fonda), mas tão incompetente quanto. No entanto, a beleza e a vontade de se aventurar no desconhecido acaba fazendo com que nos derretamos por ela.

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Curioso que Caroline voltaria a trabalhar com o ator Joe Spinnel após contracenarem por aqui, no excelente MANIAC (80), de William Lustig, e THE LAST HORROR FILM (82), de David Winters. Spinnel é um ator magnífico e subestimado que merecia ser mais lembrado. Parece se divertir bastante fazendo o grande imperador do mal. O restante do elenco, já citado, também contribui, com atenção especial para o ainda jovem, mas já canastrão, mister SOS Malibu, e o desempenho de Plummer, o único que parece estar levando a produção a sério. Hehehe!

Mas até o Cozzi, mesmo tendo consciência que estava criando um produto matinée, uma aventura sci-fi inofensiva e divertida, sem grandes pretensões inventivas, também não deixa de levar STARCRASH a sério. Afinal, é o filme definidor de sua arte, de seu cinema, é o trabalho pelo qual será sempre lembrando pelos admiradores e que o coloca como uma das mentes mais criativas do cinema popular italiano.

Mais imagens de STARCRASH aqui. E um pouco mais de Caroline Munro aqui.

SELEÇÃO JOE D’AMATO

…OU CINCO FILMES DO DIRETOR PARA INICIANTES

Não é tarefa das mais fáceis dar o primeiro passo e saber por onde começar a desbravar o extenso currículo de um diretor que possui a filmografia de um Joe D’Amato, com seus, de acordo com o imdb, 199 filmes – provavelmente há mais. Uma escolha errada pode ser frustrante. Então preparei uma seleção de filmes para adentrar no cinema deste incansável mestre do cinema italiano. Não são títulos absolutos, ou seja, haverão vários outros filmes que servem ao propósito. Começar por esses, no entanto, já seria de grande ajuda para entender a essência do cinema do homem.

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LA MORTE HA SORRISO ALL’ASSASSINO (73): D’Amato tentando brincar de horror gótico, não se contenta em apenas explorar uma vertente do gênero e acaba fazendo uma mistureba muito louca com vários elementos que tangem o sobrenatural e o real, tudo jogado em cena sem qualquer coesão ou preocupação temporal. Mas temos Klaus Kinski interpretando um médico, o que é sempre bom. Não é dos melhores filmes do homem, mas coloquei nessa lista por ser o que podemos chamar de “primeiro D’Amato movie“, onde ele começa a demonstrar um estilo próprio. Algumas cenas são bem chatas, na verdade, mas outras compensam com uma boa dose de gore, atmosfera densa e as cenas com o Kinski.

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EMANUELLE IN AMERICA (77): A bela Laura Gemser na pele da sua personagem mais famosa, a Emanuelle nera, que não tem nenhuma relação com aquela Emanuelle da Sylvia Kristel. Esta aqui é uma repórter que investiga o submundo do sexo para descobrir relevantes assuntos que eu já não faço a menor ideia do que seja… Mas como não faltam cenas de sexo explícito, lesbianismo, zoofilia, não preciso me preocupar em lembrar detalhes da trama. Uma curiosidade é a cena de snuff movie que aparece no final. Na época especulou-se que fosse real e que D’Amato havia conseguido tais imagens com a máfia russa! Ah, tem como não amar esse cinema?

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IMMAGINI DI UN CONVENTO (79): O Nunsploitation, filmes de horror/erótico com freiras sapecas e insaciáveis, era muito comum naquela época e D’Amato deixou sua contribuição no subgênero com mais de um exemplar. Este aqui é o melhor, mais acessível, bem dirigido e fotografado, e contém algumas cenas barra-pesadas de lesbianismo e sexo explícito, como o estupro na floresta. A sequência final na qual o padre, interpetrado pelo Donald O’Brien, tenta benzer os corredores do convento com as freiras possuídas esfregando as periquitas é uma das mais memoráveis que D’Amato já realizou!

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BUIO OMEGA (79): Considerado por muitos o filme mais perturbador de D’Amato, a trama gira em torno de um triângulo amoroso bizarro entre um taxidermista, sua mulher defunta e a criada praticante de magia negra. No decorrer da história temos assassinatos, corpos desmembrados, canibalismo, necrofilia e uma aula de direção de D’Amato, na cena em que o protagonista abre o corpo de sua amada e a prepara para ser empalhada. Um misto de pura maestria visual com o que há de mais extremo, subversivo, abjeto e doentio… A sequência toda é tão bem feita, que na época gerou boatos de que a produção tivesse arranjado um corpo real para as filmagens. É ver para crer.

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ANTROPOPHAGUS (80): Tisa Farrow e alguns amigos vão parar numa ilha Grega aparentemente abandonada e descobrem, da pior maneira possível, que toda a população foi brutalmente assassinada e devorada pelo grotesco Nikos, o famoso canibal interpretado pelo grande George Eastman. Apesar da narrativa lenta em alguns momentos, é um dos filmes mais atmosféricos e brutais de D’Amato. A cena em que Nikos devora um feto é digna de antologia do horror europeu, assim como o desfecho, cujo gore faz a alegria dos espectadores sedentos por sangue.

+1

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EMANUELLE & FRANÇOISE LE SORELLINE (75): Não acho que seja um exemplar essencial nessa iniciação, mas como atualmente é o meu filme favorito do D’Amato, vale a pena listar como um anexo. Quando Françoise comete suicídio após ser abandonada por um crápula – novamente George Eastman – sua irmã, Emanuelle, decide por em prática um plano mirabolante e maquiavélico para se vingar. Primeiro ela o seduz, depois deixa-o sedado e, por fim, tortura o sujeito acorrentado num quarto secreto que ela construiu em sua casa. O filme tem bastante nudez, mas não o suficiente para excitar, nem tanto gore para chocar, mas a direção de D’Amato é das melhores que já vi, a trilha sonora é excelente, os atores estão muito bem e o final, apesar de óbvio, fecha com chave de ouro essa pequena jóia do cinema italiano.

INVENTÁRIO EUROCULT #11

A lista para o Inventário Eurocult de hoje foi uma belíssima contribuição do Matheus Ferraz. Crítico de cinema do site Boca do Inferno e o simples fato de criar um blog para se dedicar ao gênero Nazisploitation demonstram que o sujeito tem bala na agulha e um gosto muito refinado. Além disso, Matheus é romancista e em 2013 lançou seu primeiro livro, Teorema de Mabel, altamente recomendado. Assim como suas escolhas nessa lista, apresentando algumas raridades e recheada com comentários mais que especiais:

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O CAÇADOR DE BRUXAS (Witchfinder General, Reino Unido, 1968);
Dir. Michael Reeves, com Vincent Price, Ian Ogilvy e Rupert Davies

Vincent Price é o Mal encarnado nesse filme britânico de Michael Reeves, uma das melhores obras cinematográficas a lidar com a Inquisição. Price interpreta Matthew Hopkins, o caçador de bruxas do título, que executa a “tarefa de Deus” com requintes de crueldade. A imagem final é simplesmente devastadora.

EUGENIE
 (Espanha/Alemanha, 1970);
Dir. Jess Franco, com Marie Liljedahl, Maria Rohm, Jack Taylor e Christopher Lee

Meio adaptação, meio homenagem à Filosofia na Alcova do Marquês de Sade, este filme dirigido por Jess Franco (em momento Phillip Kaufman) é para paladares refinadíssimos.

A CONDESSA DRÁCULA (Countess Dracula, Reino Unido, 1971);
Dir. Peter Sasdy, Ingrid Pitt, Nigel Green e Sandor Èles

Ingrid Pitt é celebre como Carmilla, mas para mim ela nunca esteve tão linda e diabólica quanto em A Condessa Drácula, onde interpreta a infame Elizabeth Bathory. Esse filme da Hammer explora o vampirismo de forma original, sem apelar para elementos sobrenaturais, mas fazendo uso de bastante erotismo.

IL DECAMERONE NERO (Itália/França, 1972);
Dir. Piero Varelli, com Beryl Cunningham, Djbril Diop e Line Senghor

Produção decamerótica com diversas histórias envolvendo luxúria e situações picantes no coração da África. Com um elenco totalmente negro (exceto por um único ator), esta é uma das melhores produções que saíram na esteira do Decameron de Pasolini e um raro exemplo de filme passado no continente africano que mantém o clima jovial e divertido, sem abordar assuntos de praxe como miséria e pobreza.

AS CONDENADAS, aka GESTAPO’S LAST ORGY (L’ultima orgia del III Reich, Itália, 1977); Dir. Cesare Canevari, com Adriano Micantoni, Daniela Poggi e Maristella Greco.  

É estranho como um filme ambientado num campo de concentração pode ser ao mesmo tempo tão grotesco e poético. A trilha sonora é arrebatadora e os atores estão ótimos, especialmente Adriano Micattoni e Daniela Poggi, que vivem um bizarro caso de amor em meio a torturas, coprofilia e canibalismo.

O MALDITO (Mosquito der Schänder, Suíça, 1977);
Dir. Marijan David Vajda, com Werner Pochath, Ellen Umlauf e Birgit Zamulo

Obscuro filme suiço em que Werner Pochath interpreta um solitário surdo-mudo que se dedica a invadir necrotérios e mutilar cadáveres. Apesar dos efeitos pobres, O Maldito se beneficia da fantástica interpretação do seu personagem principal e de diversos momentos oníricos raros nesse tipo de filme.

RITRATTO DI BORGHESIA IN NERO (Itália, 1978);
Dir. Tonino Cervi, com Ornella Muti, Senta Berger, Capucine

Jovem vai a Veneza para estudar piano e acaba se tornando o terceiro elemento no romance incestuoso entre seu melhor amigo e a mãe dele. Isso é só o começo das intrigas sexuais da alta burguesia veneziana, que ainda conta com a jovem lasciva interpretada por Ornella Muti. Filme injustamente desconhecido, com um roteiro bem escrito que envereda por caminhos pouco convencionais.

DA CORLEONE A BROOKLYN (Itália, 1979);
Dir. Umberto Lenzi, com Maurizio Merli, Mario Merola e Van Johnson

Se você acha que Bruce Willis suou a camisa ao guiar um homem marcado para morrer por 16 Quadras, imagine o sufoco que Maurizio Merli tem que passar guiar uma testemunha perigosíssima da Sicília até Nova Iorque! Cheio de perigos e reviravoltas, Da Corleone a Brooklyn encontra seu ápice no choque cultural do crime organizado italiano e o crime não tão organizado dos EUA.

O PÁSSARO SANGRENTO
 (Deliria, Italia, 1987);
Dir. Michele Soavi. com David Brandon, Barbara Cupisti e Giovanni Lombardo Radice

Mostrando os ataques de um serial killer a uma companhia de teatro, O Pássaro Sangrento é um slasher arthouse, e pelo menos para mim a obra-prima de Michelle Soavi. A caracterização do assassino é soberba, e os assassinatos deixam qualquer Sexta-Feira 13 no chinelo.

O MONSTRO (Il Mostro, Itália/França, 1994);
Dir. Roberto Begnini, com Roberto Begnini, Michel Blanc e Nicoletta Braschi

Roberto Benigni interpreta um inocente salafrário que, sem saber, está sendo caçado pela polícia, suspeito de ser o assassino cruel que aterroriza a cidade. Comédia de erros perfeita e inescrupulosa, que ganha pontos pela presença da deusa Nicoletta Braschi, esposa de Benigni na vida real.

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10 MELHORES FILMES QUE LEVARAM O OSCAR

Não é sempre que o Oscar falha nas escolhas. A prova são essas dez maravilhas aqui, os meus favoritos que receberam o prêmio na categoria Melhor Filme. Em ordem cronológica:

how_green_was_my_valley_3COMO ERA VERDE O MEU VALE
(How Green Was My Valley, 1941), de John Ford

Annex - Bogart Humphrey (Casablanca)_16CASABLANCA
(1943), de Michael Curtiz

on_the_waterfront_1_brandoSINDICATO DE LADRÕES
(On the Waterfront, 1954), de Elia Kazan

14136LAWRENCE DA ARÁBIA
(Lawrence of Arabia, 1962), de David Lean

midnight-cowboyPERDIDOS NA NOITE
(Midnight Cowboy, 1969), de John Schlesinger

FrenchConnection_24543529897_6OPERAÇÃO FRANÇA
(The French Connection, 1971), de William Friedkin

The-Godfather-Part-IIO PODEROSO CHEFÃO: PARTE II
(The Godfather: Part II, 1974), de Francis F. Coppola

rocky_004ROCKY
(1976), de John G. Avildsen

BDDefinitiondeerhunter-t1080O FRANCO ATIRADOR
(The Deer Hunter, 1978), de Michael Cimino

13OS IMPERDOÁVEIS
(Unforgiven, 1992), de Clint Eastwood

10 FILMES INDICADOS QUE NÃO LEVARAM O OSCAR

Ao me limitar em apenas 10 filmes, foi preciso deixar vários títulos obrigatóritos de fora. Por enquanto, estes são os meus  favoritos 10 filmes indicados à categoria de Melhor Filme, mas que acabaram não levando a estatueta. Coloquei mais uma vez em ordem cronológica e não repeti diretores (se não o Coppola e Scorsese ocupariam mais da metade da relação):

Red_Shoes_StillSAPATINHOS VERMELHOS
(The Red Shoes, 1948), de Michael Powell e Emeric Pressburger

sbpic4CREPÚSCULO DOS DEUSES
(Sunset Blvd., 1950), de Billy Wilder

1394092_10200655054363546_1430171067_nDEPOIS DO VENDAVAL
(The Quiet Man, 1952), de John Ford

a-clockwork-orangeLARANJA MECÂNICA
(A Clockwork Orange, 1971), de Stanley Kubrick

PictureShowStrip2A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA
(The Last Picture Show, 1971), de Peter Bogdanovich

Screen-shot-2010-04-05-at-10O EXORCISTA
(The Exorcist, 1973), de William Friedkin

screenshot-lrg-40CHINATOWN
(1974), de Roman Polanski

BDDefinition2011Conversation-13A CONVERSAÇÃO
(The Conversation, 1974), de Francis Ford Coppola

taxi_driver_4TAXI DRIVER
(1976), de Martin Scorsese

1362532321_4O INFORMANTE
(The Insider, 1999), de Michael Mann

10 ATUAÇÕES FEMININAS QUE LEVARAM O OSCAR

Os meus prediletos desempenhos femininos que abocanharam o Oscar de melhor atriz, em ordem cronológica.

A Streetcar Named Desire 7Vivien Leigh em UMA RUA CHAMADA PECADO
(Streetcar Named Desire, 1951), de Elia Kazan

tumblr_m8b0y5HuaU1qhikcyo1_1280Sophia Loren em DUAS MULHERES
(La ciociara, 1960), de Vittorio De Sica

Elizabeth Taylor WoolfElizabeth Taylor em QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?
(Who’s Afraid of Virginia Woolf?, 1966), de Mike Nichols

6606328_origGlenda Jackson em MULHERES APAIXONADAS
(Women in Love, 1969), de Ken Russel

Jane-Fonda-KluteJane Fonda em KLUTE: O PASSADO CONDENA
(Klute, 1971), de Alan J. Pakula

cabaret-1972-14-gLiza Minnelli em CABARET
(1972), de Bob Fosse

15273 - Alice doesnt Live Here AnymoreEllen Burstyn em ALICE NÃO MORA MAIS AQUI
(Alice Doesn’t Live Here Anymore, 1974), de Martin Scorsese

annie-hallDiane Keaton em NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA
(Annie Hall, 1977), de Woody Allen

1Kathy Bates em LOUCA OBSESSÃO
(Misery, 1990), Rob Reiner

fargo-marge-2Frances McDormand em FARGO
(1996), de Joel & Ethan Coen