RATOS E ZUMBIS: DOBRADINHA MATTEI/FRAGASSO

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Anunciaram essa semana que vão lançar em breve um blu-ray com dois filmes da dupla Bruno Mattei e Claudio Fragasso, RATS – NOTTE DI TERRORE (84) e VIRUS – L’INFERNO DEI MORTI VIVENTI, aka HELL OF THE LIVING DEAD (80). Claro que a qualidade de imagem em alta definição não vai fazer muita diferença para quem já considerava esse tipo de produção puro lixo cinematográfico. Não vai transformá-los em obras-primas do horror oitentista. Mas para quem, como eu, sabe admirar essas tralhas italianas (ou seja, tem um puta mau gosto), será uma delícia poder rever essas belezinhas numa resolução mais adequada. Se é que vão mesmo fazer um bom trabalho de restauração. Esperamos que sim.

Dica para quem não conhece o trabalho dos realizadores e que serve também para uma porrada de outros nomes. Primeiro, Bruno Mattei e Claudio Fragasso (que não foi creditado em nenhum dos dois filmes) são considerados alguns dos piores diretores de todos os tempos pela crítica “séria” e cinéfilos coxinhas. Tendo isso em mente, já conhecendo o terreno no qual estamos pisando, ninguém vai sentar para assistir a um filme desses caras achando que vai ver encontrar algo do nível de um Mario Bava ou Dario Argento, certo? Esqueça qualquer tipo de virtuose cinematográfica. Segundo: arranje algumas bebidas, uns petiscos, chame uns dois amigos que tenham bom humor e que gostem pelo menos um pouco de filmes de terror sem grandes pretensões e pronto, não tem como não errar.

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Foi exatamente assim que me deparei com RATS há alguns anos. A diversão é garantida e foi impossível não ficar tirando sarro das situações absurdas, as atuações ridículas de todo o elenco e do trabalho técnico da produção que parecia não ter dinheiro nem pra bancar um lanchinho para a equipe nos intervalos das filmagens. A trama se passa num futuro pós-apocalíptico, quando um grupo de figuras simpáticas, que parecem saídos dos filmes MAD MAX, chega numa cidade devastada e abandonada onde resolve passar a noite. Mas algo terrível acontece: eles são atacados por perigosos e terríveis ratos!

E entre alguns momentos bizarros e outros que só servem para encher linguiça e dar sono, dá-lhe baldes de ratinhos de borracha pra cima dos atores! Ok, eu entendo que o Bruno Mattei não queria que sua obra virasse motivo de chacota, mas é bem melhor que tenha se tornado essa comédia involuntária divertidíssima que realmente é do que uma simples porcaria sem degustação que não serve para nada. E a revelação final é um dos momentos mais SUBLIMES de toda a história do cinema eurocult!

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VIRUS é outra peça de rara beleza da  sétima arte. Eu vi mais recentemente e não foi exatamente nas condições que eu alertei ali em cima. Claro, havia um inebriante para acompanhar, mas assisti sozinho. Não sei se posso me chamar de experiente nesse universo, o que importa é que mesmo assim eu curti pra cacete essa tosqueira do Mattei. Eu falo que é do Mattei porque ele é mesmo o diretor, o Fragasso dirigiu algumas poucas cenas e chegou a ser creditado como assistente de direção.

Na trama, um experimento numa fábrica, em um país subdesenvolvido qualquer, dá errado e espalha um gás pelo resto do mundo! Um gás que transforma os mortos em zumbis, diga-se de passagem. Uma equipe da SWAT (!?), cujos uniformes são idênticos aos dos personagens de DAWN OF THE DEAD, do George A. Romero, é enviado até a tal fábrica para recolher alguns documentos e vestígios que possam ser úteis para esclarecer que raios aconteceu ali. No caminho, resgatam uma antropóloga (Margit Evelyn Newton) e seu cinegrafista, e enfrentam os perigos de uma região infestadas por zumbis.

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VIRUS é uma das maiores provas “vivas” da picaretagem desses italianos. Como grande parte da história se passa numa selva, Mattei/Fragasso e companhia utilizaram cenas de documentários para contribuir na ambientação, para não precisar viajar e levar equipe de filmagens e registrar a fauna, flora e tribos indígenas de outros continentes, afinal, o orçamento não era dos melhores. Uma prática comum, na verdade, em filmes como CANNIBAL HOLOCAUST, por exemplo, percebe-se várias cenas recicladas de stock footage retiradas de um National Geographic qualquer e tal, mas aqui a coisa é bizonha!

A título de curiosidade, utilizaram cenas de um documentário chamado NUOVA GUINEA, L’ISOLA DEI CANNIBALI (74) e também o doc clássico francês DES MORTS (79), mas é muito provável que tenha mais coisas por aí…

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Em determinado momento vemos elefantes africanos na tela, em outros instantes, tribos indígenas e animais silvestres da fauna da Nova Guiné, e por aí vai… Em que mundo se passa o filme? Os caras perderam totalmente a noção. E a maneira exagerada que essas imagens são colocadas e abusadas no meio da narrativa é impressionante, são cenas inteiras que “dialogam” de maneira esquisita com a película do filme, seja pelo o aspecto dessas imagens, que é totalmente diferente em termos de granulação, iluminação, cores, seja porque simplesmente a coisa não cola… E é por isso que eu amo esse cinema!

Só por esses detalhes já valeria a pena dar uma olhada em VIRUS. O roteiro de Fragasso garante, ainda, outros vários momentos da mais pura elegância narrativa. Mesmo nas partes chatas, há sempre algo que te surpreende, uma frase que te deixa feliz. Uma das minhas cenas favoritas é quando a personagem da Newton precisa entrar numa tribo antes dos demais, pois conhece os costumes do local e não quer correr riscos de algum tipo de confronto. Ela diz  “Eu vou na frente… E sozinha“, pra logo em seguida começar a arrancar a roupa na maior seriedade do mundo, sob o olhar dos outros personagens, apenas para o filme ganhar um pouco de nudez gratuita.

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Ah, esses italianos… Destaque também para a trilha sonora do Goblin, que se não é das mais inspiradas do grupo, pelo menos funciona para o tipo de filme que temos aqui. E a violência, claro, também chama a atenção, com muito sangue e efeitos de maquiagens caseiros, mas até que bem feitos. Não faltam cabeças alvejadas e esmagadas, mordidas que arrancam pedaços, personagens morrendo da maneira mais estúpida possível, enfim, tem de tudo e mais um pouco para toda a família. São todos ingredientes e ideias que Mattei e Fragasso conseguiram aproveitar de outros filmes de zumbis da época – chamam isso de inspiração – e que fazem de VIRUS um dos mais divertidos zombie movies do país da bota.

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3 pensamentos sobre “RATOS E ZUMBIS: DOBRADINHA MATTEI/FRAGASSO

  1. Pingback: INVENTÁRIO EUROCULT #1 | O homem dos olhos de raio-x

  2. Morri de rir quando assisti essa pérola há alguns anos atras ehhehhehheh Fora a trilha sonora do Goblin, que por sinal foi inteiramente chupinhada de Dawn of the Dead, na parte dos documentários, algumas dessas cenas foram roubadas também do filme La Vellée do Barbet Schroeder.

  3. alias ! a trilha sonora da quando a patetica equipe da SWAT italiana aparece em Virus era usada no extinto boletim informativo regional da REDE GLOBO na Decada de 80 ” GLOBO CIDADE ” . assisti o filme na amostra SPAGHETTI -ZUMBIES EM 2012 foi hilario não ha como levar esta bomba a serio .Bom Post,abraço de Anselmo Luiz.

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