INVENTÁRIO EUROCULT #10

O amigo Pedro Pereira é uma das maiores autoridades que conheço quando o assunto é Spaghetti Western. Basta conferir seu blog, Por um Punhado de Euros, em parceria com Emanuel Neto, para isso ficar evidente. Mas também é um bom apreciador de outros gêneros europeus, filmes de porrada e bagaceiras de toda espécie. Sua admiração por esse tipo de produção pode ser acompanhada no Filmes de Merda, com textos curtos e diretos. Pois é com prazer que desta vez recebemos a lista do Pedro para integrar o Inventário Eurocult, que aceitou o desafio de maneira interessante, com comentários e títulos que farão a cabeça dos fãs do estilo. Confiram:

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A produção cinematográfica europeia das duas décadas anteriores à minha “chegada ao planeta terra”, foram ferozes. Nesses anos as pessoas iam mesmo aos cinemas e devoravam tudo o que aparecia, razão pela qual seria possível que tanto sub-género conseguisse proliferar e gente com qualidade questionável conseguisse chegar à cadeira da realização.

Desses sub-géneros o meu favorito é obviamente o western-spaghetti que colecciono avidamente já há muitos anos e tento dissecar no “Por um punhado de euros”, mas salivo também por um bom poliziotteschi, giallo, macarroni-combat e afins.

Não podia pois excluir-me deste inventário eurocult lançado pelo amigo Ronald Perrone. Tentei obedecer ao limite de dez filmes impondo-me apenas uma condição, esquecer por ora os amados euro-westerns. Contemplai então as minhas propostas:

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

No que toca ao cinema de terror europeu, os italianos levaram sempre a melhor, mas esta produção luso-espanhola deu um bigode na concorrência. Cavaleiros templários zumbificados, quem vai querer perder isso?! E por curiosidade, saibam que até o grande Phil Anselmo (vocalista dos Pantera, Down, Superjoint Ritual, etc) é fã deste aqui!

SUMMERTIME KILLER (Un Verano para Matar, Espanha/França/Itália, 1972);
Dir. Antonio Isasi-Isasmendi, com Karl Malden, Christopher Mitchum e Olivia Hussey

Parcialmente filmado em Portugal, este é garantidamente um dos meus filmes de acção favoritos. Admito que as histórias de vingança são um lugar demasiado comum no cinema de género europeu, mas este “Um verão para matar” destaca-se pelo bom ritmo, e claro, pela grande perseguição de homens a cavalo em plena serra de Sintra!

O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (Cosa avete fatto a Solange?, Itália/Alemanha 1972); Dir. Massimo Dallamano, com Fabio Testi e Cristina Galbó

Depois de fazer carreira enquanto cinematografo, Massimo Dallamano saltou para a direcção, logrando realizar alguns filmes de belo efeito. Adoro o seu western-spaghetti “Bandidos” mas o seu momento mais alto é este “Que Fizeram a Solange?”. Um dos melhores giallos com que me deparei até à data.

IL GRANDE RACKET (Itália, 1976);
Dir. Enzo G. Castellari, com Fabio Testi, Vincent Gardenia e Orso Maria Guerrini

Se fora fácil replicar o western na Europa, mais fácil seria ainda desenvolver um cinema de acção contemporâneo. Em meados de setenta surgem policiais italianos aos magotes. E tal como no western-spaghetti mais de 50% da produção seria lixo cinematográfico, mas os bons souberam fazer a transição. Caso do maestro Enzo G. Castellari que engendrou este betardo. Imperdível!

ROMA A MANO ARMATA (Itália, 1976);
Dir. Umberto Lenzi, com Maurizio Merli, Arthur Kennedy e Giampiero Albertini

Maurizio Merli não viveu tempo suficiente para atingir o estatuto de estrela que mereceria, mas nos anos em que esteve activo protagonizou alguns dos mais frenéticos policiais italianos. É difícil apontar qual desses o melhor mas este filme aqui parece-me especial por conseguir arranjar um vilão tão caricato que quase consegue esvanecer a importância do valente comissário.

IL BOSS (Itália, 1973);
Dir. Fernando Di Leo, com Henry Silva, Gianni Garko e Richard Conte

Fernando Di Leo realizou na década de setenta alguns dos melhores policiais do cinema europeu. Podia destacar meia-dúzia deles mas escolho este aqui por ser um dos mais violentos. O elenco é encabeçado por Henry Silva que encarna um bandido do piorio e conta ainda com um Gianni Garko num papel de polícia corrupto, muito distante dos papéis de herói galã que o notabilizaram.

CONFISSÕES DE UM COMISSARIO DE POLÍCIA AO PROCURADOR DA REPÚBLICA (Confessione di un commissario di polizia al procuratore della repubblica, Itália, 1971); Dir.: Damiano Damiani, com Franco Nero, Martin Balsam e Marilù Tolo

Poucos terão tido a capacidade de tão bem retractar os longos tentáculos da máfia italiana como o mestre Damiano Damiani. O filme ainda que demasiado pausado para o meu gosto é um indiscutível para os fãs de cinema policial.

COMANDOS (Commandos, Itália/Alemanha, 1968);
Dir. Armando Crispino, com Lee Van Cleef, Jack Kelly e Giampiero Albertini

O macarroni-combat não teve uma vida muito longa nos cinemas europeus, e não fora o lançamento de “Sacanas sem lei”* dificilmente se falaria tanto dele actualmente. Creio que é um género que peca pela falta de credibilidade na recriação do ambiente de terror que uma guerra exige. Mas há excepções e este “Comandos” é um bom exemplo disso. Uma trama pouco usual, encabeçada por um elenco de se lhe tirar o chapéu.

IL DITO NELLA PIAGA (Itália, 1969);
Dir. Tonino Ricci, com George Hilton, Klaus Kinski e Ray Saunders

Há coisas que não tem preço, ver o alemão Klaus Kinski trajado de soldado americano a demolir tanques nazis é uma delas! Sou sincero, não acredito que este filme seja algum dia elevado ao estatuto de filme de culto mas é para mim um daqueles guilty pleasures que todos acabamos um dia por ter de admitir.

ZOMBIE – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (Zombie a.k.a. Zombi 2, Itália, 1979); Dir. Lucio Fulci, com Tisa Farrow, Richard Johnson e Al Cliver

Este é mais um daqueles caminhos paralelos abertos pelas produtoras italianas, que desesperadamente tentavam encaixar alguns tustos explorando conceitos de filmes estrangeiros bem recebidos pelo grande público. Aqui foi a saga dos mortos-vivos de George Romero a ser roubado mas “Aliens”, “Predador”, “Tubarão”, “Mad Max”, “Warriors” e afins teriam sorte igual.

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*No Brasil, SACANAS SEM LEI é o BASTARDOS INGLÓRIOS, do Tarantino.

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McTIERNAN IS FREE!

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O diretor John McTiernan deixou hoje a prisão federal de Yankton após 328 dias encarcerado. Para quem não sabia, o diretor de DURO DE MATAR (88) havia sido condenado a um ano por perjúrio e por mentir ao FBI numa investigação envolvendo escutas telefônicas e o ex-detetive Anthony Pellicano. A treta foi na época das filmagens de ROLLERBALL (02), quando McTiernan foi dar uma uma de esperto e contratou Pellicano para grampear o seu produtor. Os processos vêm rolando há muitos anos e praticamente destruiu a carreira e a saúde do diretor. Mas foi só em Abril de 2013 que, finalmente, o sujeito entrou em cana.

Now he is free. Acho difícil que McTiernan volte a dirigir, embora já tenham anunciado coisas do tipo “sai da cadeia direto para set de filmagens“. Caso isso aconteça, fico otimista de que tenhamos pela frente obras de qualidade pra sair do marasmo que é o cinema de ação americano atual. Nas últimas semanas surgiu a notícia de que ele faria um action movie chamado RED SQUAD. Este poster-teaser abaixo está rolando e  até o imdb colocou na página do diretor como “pré-produção”. Quem sabe não acontece? Ficamos na torcida.

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INVENTÁRIO EUROCULT #9

Hoje temos a lista do Tony Sarkis, do ótimo blog A Sétima Cultura, que nos enviou uma relação dos seus títulos favoritos pra lá de curiosa. Alguns filmes, evidentemente, já são figurinhas carimbadas, mas vários são obscuridades de diretores pouco falados e que valem muito a pena serem descobertos e conhecidos. Uma bela aquisição para o Inventário Eurocult:

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SOMETHING IS CRAWLING IN THE DARK (Qualcosa striscia nel buio, Itália, 1971)
Dir. Mario Colluci, com Stelvio Rossi, Mia Genberg e Farley Granger

UN BIANCO VESTITO PER MARIALÉ (Itália, 1972);
Dir. Romano Scavollini, com Ida Galli, Ivan Rassimov e Luigi Pistilli

NELLA STRETTA MORSA DELL RAGNO (Itália/França/Alemanha, 1971);
Dir. Antonio Margheriti, com Anthony Franciosa, Michèle Mercier e Klaus Kinski

UMA FACA NA ESCURIDÃO (Lo strano vizio della Signora Wardh, Itália/Espanha, 1971); Dir. Sergio Martino, com George Hilton, Edwige Fenech e Conchita Airoldi

THE PERFUME OF THE LADY IN BLACK (Il profumo della signora in nero, Itália, 1974); Dir. Francesco Barilli, com Mimsy Farmer, Maurizio Bonuglia e Aldo Valletti

NUAS E VIOLENTADAS PELO ASSASSINO (Nude per l’assassino, Itália, 1975);
Dir. Andrea Bianchi, com Edwige Fenech, Nino Castelnuovo e Femi Benussi

PRELÚDIO PARA MATAR (Profondo Rosso, Itália, 1975);
Dir. Dario Argento, com David Hemmings e Daria Nicolodi

SUSPIRIA (Itália, 1977);
Dir.: Dario Argento, com Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci

NERO VENEZIANO (Itália, 1978);
Dir. Ugo Liberatore, com Renato Cestiè, Rena Niehaus e Yorgo Voyagis

BUIO OMEGA (Beyond the Darkness, Itália, 1979);
Dir. Joe D’Amato, com Kieran Canter, Cinzia Monreale e Franca Stoppi

TERROR NAS TREVAS (…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà, aka The Beyond, Itália, 1981); Dir. Lucio Fulci, com Katherine MacColl, David Warback, Antoine Saint-John, Veronica Lazar e Al Cliver

DELLAMORTE DELLAMORE (Cemetery Man, Itália/França/Alemanha, 1994);
Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

MORTE AO VIVO
(Tesis, Espanha, 1996);
Dir. Alejandro Amenabar, com Ana Torrent, Fele Martínez e Eduardo Noriega

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