INVENTÁRIO EUROCULT #10

O amigo Pedro Pereira é uma das maiores autoridades que conheço quando o assunto é Spaghetti Western. Basta conferir seu blog, Por um Punhado de Euros, em parceria com Emanuel Neto, para isso ficar evidente. Mas também é um bom apreciador de outros gêneros europeus, filmes de porrada e bagaceiras de toda espécie. Sua admiração por esse tipo de produção pode ser acompanhada no Filmes de Merda, com textos curtos e diretos. Pois é com prazer que desta vez recebemos a lista do Pedro para integrar o Inventário Eurocult, que aceitou o desafio de maneira interessante, com comentários e títulos que farão a cabeça dos fãs do estilo. Confiram:

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A produção cinematográfica europeia das duas décadas anteriores à minha “chegada ao planeta terra”, foram ferozes. Nesses anos as pessoas iam mesmo aos cinemas e devoravam tudo o que aparecia, razão pela qual seria possível que tanto sub-género conseguisse proliferar e gente com qualidade questionável conseguisse chegar à cadeira da realização.

Desses sub-géneros o meu favorito é obviamente o western-spaghetti que colecciono avidamente já há muitos anos e tento dissecar no “Por um punhado de euros”, mas salivo também por um bom poliziotteschi, giallo, macarroni-combat e afins.

Não podia pois excluir-me deste inventário eurocult lançado pelo amigo Ronald Perrone. Tentei obedecer ao limite de dez filmes impondo-me apenas uma condição, esquecer por ora os amados euro-westerns. Contemplai então as minhas propostas:

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

No que toca ao cinema de terror europeu, os italianos levaram sempre a melhor, mas esta produção luso-espanhola deu um bigode na concorrência. Cavaleiros templários zumbificados, quem vai querer perder isso?! E por curiosidade, saibam que até o grande Phil Anselmo (vocalista dos Pantera, Down, Superjoint Ritual, etc) é fã deste aqui!

SUMMERTIME KILLER (Un Verano para Matar, Espanha/França/Itália, 1972);
Dir. Antonio Isasi-Isasmendi, com Karl Malden, Christopher Mitchum e Olivia Hussey

Parcialmente filmado em Portugal, este é garantidamente um dos meus filmes de acção favoritos. Admito que as histórias de vingança são um lugar demasiado comum no cinema de género europeu, mas este “Um verão para matar” destaca-se pelo bom ritmo, e claro, pela grande perseguição de homens a cavalo em plena serra de Sintra!

O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (Cosa avete fatto a Solange?, Itália/Alemanha 1972); Dir. Massimo Dallamano, com Fabio Testi e Cristina Galbó

Depois de fazer carreira enquanto cinematografo, Massimo Dallamano saltou para a direcção, logrando realizar alguns filmes de belo efeito. Adoro o seu western-spaghetti “Bandidos” mas o seu momento mais alto é este “Que Fizeram a Solange?”. Um dos melhores giallos com que me deparei até à data.

IL GRANDE RACKET (Itália, 1976);
Dir. Enzo G. Castellari, com Fabio Testi, Vincent Gardenia e Orso Maria Guerrini

Se fora fácil replicar o western na Europa, mais fácil seria ainda desenvolver um cinema de acção contemporâneo. Em meados de setenta surgem policiais italianos aos magotes. E tal como no western-spaghetti mais de 50% da produção seria lixo cinematográfico, mas os bons souberam fazer a transição. Caso do maestro Enzo G. Castellari que engendrou este betardo. Imperdível!

ROMA A MANO ARMATA (Itália, 1976);
Dir. Umberto Lenzi, com Maurizio Merli, Arthur Kennedy e Giampiero Albertini

Maurizio Merli não viveu tempo suficiente para atingir o estatuto de estrela que mereceria, mas nos anos em que esteve activo protagonizou alguns dos mais frenéticos policiais italianos. É difícil apontar qual desses o melhor mas este filme aqui parece-me especial por conseguir arranjar um vilão tão caricato que quase consegue esvanecer a importância do valente comissário.

IL BOSS (Itália, 1973);
Dir. Fernando Di Leo, com Henry Silva, Gianni Garko e Richard Conte

Fernando Di Leo realizou na década de setenta alguns dos melhores policiais do cinema europeu. Podia destacar meia-dúzia deles mas escolho este aqui por ser um dos mais violentos. O elenco é encabeçado por Henry Silva que encarna um bandido do piorio e conta ainda com um Gianni Garko num papel de polícia corrupto, muito distante dos papéis de herói galã que o notabilizaram.

CONFISSÕES DE UM COMISSARIO DE POLÍCIA AO PROCURADOR DA REPÚBLICA (Confessione di un commissario di polizia al procuratore della repubblica, Itália, 1971); Dir.: Damiano Damiani, com Franco Nero, Martin Balsam e Marilù Tolo

Poucos terão tido a capacidade de tão bem retractar os longos tentáculos da máfia italiana como o mestre Damiano Damiani. O filme ainda que demasiado pausado para o meu gosto é um indiscutível para os fãs de cinema policial.

COMANDOS (Commandos, Itália/Alemanha, 1968);
Dir. Armando Crispino, com Lee Van Cleef, Jack Kelly e Giampiero Albertini

O macarroni-combat não teve uma vida muito longa nos cinemas europeus, e não fora o lançamento de “Sacanas sem lei”* dificilmente se falaria tanto dele actualmente. Creio que é um género que peca pela falta de credibilidade na recriação do ambiente de terror que uma guerra exige. Mas há excepções e este “Comandos” é um bom exemplo disso. Uma trama pouco usual, encabeçada por um elenco de se lhe tirar o chapéu.

IL DITO NELLA PIAGA (Itália, 1969);
Dir. Tonino Ricci, com George Hilton, Klaus Kinski e Ray Saunders

Há coisas que não tem preço, ver o alemão Klaus Kinski trajado de soldado americano a demolir tanques nazis é uma delas! Sou sincero, não acredito que este filme seja algum dia elevado ao estatuto de filme de culto mas é para mim um daqueles guilty pleasures que todos acabamos um dia por ter de admitir.

ZOMBIE – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (Zombie a.k.a. Zombi 2, Itália, 1979); Dir. Lucio Fulci, com Tisa Farrow, Richard Johnson e Al Cliver

Este é mais um daqueles caminhos paralelos abertos pelas produtoras italianas, que desesperadamente tentavam encaixar alguns tustos explorando conceitos de filmes estrangeiros bem recebidos pelo grande público. Aqui foi a saga dos mortos-vivos de George Romero a ser roubado mas “Aliens”, “Predador”, “Tubarão”, “Mad Max”, “Warriors” e afins teriam sorte igual.

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*No Brasil, SACANAS SEM LEI é o BASTARDOS INGLÓRIOS, do Tarantino.

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McTIERNAN IS FREE!

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O diretor John McTiernan deixou hoje a prisão federal de Yankton após 328 dias encarcerado. Para quem não sabia, o diretor de DURO DE MATAR (88) havia sido condenado a um ano por perjúrio e por mentir ao FBI numa investigação envolvendo escutas telefônicas e o ex-detetive Anthony Pellicano. A treta foi na época das filmagens de ROLLERBALL (02), quando McTiernan foi dar uma uma de esperto e contratou Pellicano para grampear o seu produtor. Os processos vêm rolando há muitos anos e praticamente destruiu a carreira e a saúde do diretor. Mas foi só em Abril de 2013 que, finalmente, o sujeito entrou em cana.

Now he is free. Acho difícil que McTiernan volte a dirigir, embora já tenham anunciado coisas do tipo “sai da cadeia direto para set de filmagens“. Caso isso aconteça, fico otimista de que tenhamos pela frente obras de qualidade pra sair do marasmo que é o cinema de ação americano atual. Nas últimas semanas surgiu a notícia de que ele faria um action movie chamado RED SQUAD. Este poster-teaser abaixo está rolando e  até o imdb colocou na página do diretor como “pré-produção”. Quem sabe não acontece? Ficamos na torcida.

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INVENTÁRIO EUROCULT #9

Hoje temos a lista do Tony Sarkis, do ótimo blog A Sétima Cultura, que nos enviou uma relação dos seus títulos favoritos pra lá de curiosa. Alguns filmes, evidentemente, já são figurinhas carimbadas, mas vários são obscuridades de diretores pouco falados e que valem muito a pena serem descobertos e conhecidos. Uma bela aquisição para o Inventário Eurocult:

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SOMETHING IS CRAWLING IN THE DARK (Qualcosa striscia nel buio, Itália, 1971)
Dir. Mario Colluci, com Stelvio Rossi, Mia Genberg e Farley Granger

UN BIANCO VESTITO PER MARIALÉ (Itália, 1972);
Dir. Romano Scavollini, com Ida Galli, Ivan Rassimov e Luigi Pistilli

NELLA STRETTA MORSA DELL RAGNO (Itália/França/Alemanha, 1971);
Dir. Antonio Margheriti, com Anthony Franciosa, Michèle Mercier e Klaus Kinski

UMA FACA NA ESCURIDÃO (Lo strano vizio della Signora Wardh, Itália/Espanha, 1971); Dir. Sergio Martino, com George Hilton, Edwige Fenech e Conchita Airoldi

THE PERFUME OF THE LADY IN BLACK (Il profumo della signora in nero, Itália, 1974); Dir. Francesco Barilli, com Mimsy Farmer, Maurizio Bonuglia e Aldo Valletti

NUAS E VIOLENTADAS PELO ASSASSINO (Nude per l’assassino, Itália, 1975);
Dir. Andrea Bianchi, com Edwige Fenech, Nino Castelnuovo e Femi Benussi

PRELÚDIO PARA MATAR (Profondo Rosso, Itália, 1975);
Dir. Dario Argento, com David Hemmings e Daria Nicolodi

SUSPIRIA (Itália, 1977);
Dir.: Dario Argento, com Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci

NERO VENEZIANO (Itália, 1978);
Dir. Ugo Liberatore, com Renato Cestiè, Rena Niehaus e Yorgo Voyagis

BUIO OMEGA (Beyond the Darkness, Itália, 1979);
Dir. Joe D’Amato, com Kieran Canter, Cinzia Monreale e Franca Stoppi

TERROR NAS TREVAS (…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà, aka The Beyond, Itália, 1981); Dir. Lucio Fulci, com Katherine MacColl, David Warback, Antoine Saint-John, Veronica Lazar e Al Cliver

DELLAMORTE DELLAMORE (Cemetery Man, Itália/França/Alemanha, 1994);
Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

MORTE AO VIVO
(Tesis, Espanha, 1996);
Dir. Alejandro Amenabar, com Ana Torrent, Fele Martínez e Eduardo Noriega

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ESPECIAL McT #6: O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (Last Action Hero, 1993)

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O ÚLTIMO GRANDE HERÓI foi um dos filmes mais importantes da minha pré-adolescência, que me fez compreender, ainda muito cedo, sobre questões que envolvem a magia do cinema, sobre a linha que separa a fantasia da realidade, sobre os heróis de ação que fizeram minha cabeça quando era moleque, como Stallone, Van Damme, Steven Seagal, e claro, Arnold Schwarzenegger. E o mais legal é que esta aula de cinema não soa chata nem pretensiosa, mas diverte a valer com uma narrativa embalada à doses de ação, muito humor, trilha sonora esperta, referências cinematográficas, enfim, é sempre um prazer rever essa joia dos anos 90.

Um dos motivos que me fazia gostar tanto de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI era a condução narrativa através do ponto de vista de um garoto, com seus 13/14 anos, movie geek, apaixonado pelo bom e velho cinema de ação da mesma forma que muitos de nós éramos na mesma época. Que garoto não gostaria de vivenciar a libertação dos reféns em DURO DE MATAR acompanhado de John McClane, ou ter ido à Marte em uma aventura sensacional com Douglas Quaid em O VINGADOR DO FUTURO? É esse tipo de sensação que o filme proporciona, mais ou menos da mesma forma que O EXTERMINADOR DO FUTURO II, que não deixa de ser um bom exemplo também, apesar do tom mais pesado, melancólico, e não o faça como análise, mas como elemento dramático.

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Na trama, o tal garoto recebe um bilhete mágico que misteriosamente o transporta para dentro do filme de ação cujo personagem principal é o famoso Jack Slater (vivido pelo Arnie), um policial durão bem ao estilo STALLONE COBRA. E todo o conceito do filme é trabalhado com o garoto tentando convencer Slater que aquele universo é, na verdade, uma mentira, um filme, gerando situações antológicas, como a sequência da vídeo locadora, onde Stallone é o ator estampado numa peça promocional de O EXTERMINADOR DO FUTURO II. Mas uma das minhas cenas favoritas é como o garotinho imagina a adaptação de Hamlet, de Shakespeare, com o Schwarzenegger no papel título, soltado a célebre “ser ou não ser?” para, logo depois, sair atirando com armas de fogo e lançando granadas para vingar a morte de seu pai, o rei da Dinamarca… Hahaha!

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Arnie, aliás, está ótimo com seu personagem, muito à vontade, a todo momento soltando frases de efeito, brincando com a essência e a mitologia do herói dos filmes de ação. O sujeito consegue imprimir de maneira exata aquilo que o filme propõe: ser uma brincadeira das mais inteligentes sobre o mundo do cinema. O garotinho também contribui com isso, e os vilões são um conjunto de todos os estereótipos desta espécie. Aliás, O ÚLTIMO GRANDE HERÓI vai buscar alusões, elementos e fundamentos dos filmes do gênero para enriquecer o discurso, como os exageros intencionais em sequências de ação, personagens extremamente caricatos, e se alguém aí não entender a piada, fica difícil gostar (e se você não gosta de filmes de ação, então esqueça).

O elenco é um destaque à parte, em especial na galeria dos bandidos, os quais inclui Anthony Quinn, Charles Dance, Tom Noonam e F. Murray Abraham (“Ele matou Mozart!”). Ainda temos Art Carney como o velho lanterninha do cinema com o ticket mágico e Ian McKellen encarnando a Morte que sai do filme O SÉTIMO SELO, de Ingmar Bergman, e começa a vagar pelas ruas de Los angeles. A sequência que se passa na premiere do novo filme de Jack Slater é uma delícia, cheia de participações especiais, como Van Damme, Chevy Chase, James Belushi…

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A direção de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI não poderia ser melhor. Claro que ajuda muito ter um mestre do cinema de ação como John McTiernan, o homenageado atual do blog, comandando a produção. Um sujeito que faz PREDADOR, e revoluciona o gênero com DURO DE MATAR, tem total consciência no que estava realizando aqui. Por isso engana-se quem acha que o filme é apenas um action movie exagerado e sem cérebro dos anos 90. Penso que O ÚLTIMO GRANDE HERÓI talvez seja até perspicaz em demasia para seu público alvo, embora um moleque de 13 anos consiga entender tranquilamente, ou pelo menos sentir a experiência divertidíssima que é, embora a “crítica séria” da época, ao que parece, não entendeu muito bem a piada.

ESPECIAL McT #5: MEDICINE MAN (1992)

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Embora o clima eurocult tenha invadido o blog durante este mês, é preciso lembrar que ainda estou fazendo a peregrinação pelo cinema do John McTiernan, assistindo e comentando todos os seus filmes. Então é preciso voltar um pouco a atenção para o cinema das Américas de novo. E neste caso, estamos falando da América do Sul. Do Brasil, especificamente! Sim, MEDICINE MAN, o quinto filme do homem, é uma aventura que se passa em terras tupiniquins e, apesar de se um filme menor na filmografia do diretor de DURO DE MATAR, possui alguns momentos fascinantes. Algo normal em se tratando de McTiernan.

Sean Connery, provavelmente satisfeito com o trabalho realizado por McTiernan em A CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO, resolveu bancar na produção de MEDICINE MAN, filme que lhe serve mais uma vez de veículo para demonstrar seu talento, mas também permite que McTiernan retorne ao ambiente de PREDADOR, agora sem alienígena assassino, sem mercenários parrudos, sem a mesma tensão, mas com o mesmo vigor cinematográfico, fazendo aqui o seu trabalho mais “hawksiano”.

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Lorraine Bracco é Rae Crane, uma cientista que chega ao Brasil para vistoriar o trabalho do Dr. Robert Campbell (Connery) e acaba encontrando uma espécie de Coronel Kurtz hippie, de rabo de cavalo, no meio de uma tribo indígena no coração da Amazônia. É nesse cenário que o filme assume-se como uma aventura tendo essa forte presença feminina e situações e diálogos dignos das screwball comedies que Howard Hawks fazia com Cary Grant e Katharine Hepburn.

Percebe-se um McTiernan mais light, confortável, embora não esteja filmando tiroteios e explosões, que é onde já provou que se sai melhor. Um McTiernan que consegue imprimir o ritmo ideal e trabalhar alguns elementos clássicos dos filmes de aventura. Sem contar que é um prazer para os olhos acompanhar os movimentos de câmera no meio das árvores da floresta brasileira. Uma cena simples, Connery e Bracco sobem na copa de uma árvore para olhar a vista, se torna facilmente numa autêntica aula de direção.

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Ainda assim, mesmo com todo esse background clássico e inúmeros momentos absolutamente emocionantes, a sensação final é que falta ao filme alguma coisa. Parece haver um certo conflito de intenções com MEDICINE MAN. Se por um lado temos um bom roteiro, escrito por Tom Schulman, em que sentimos a mensagem ambiental, por outro temos o olhar de McTiernan, mais interessado na relação entre os dois protagonistas e que acaba por não ter material suficiente para chegar a altura de seus filmes anteriores. De qualquer maneira, ainda há os belíssimos desempenhos de Connery e Bracco, além da participação curiosa de José Wilker.

MEDICINE MAN era um dos poucos filmes do diretor que ainda não tinha visto quando iniciei a peregrinação. É mais um itinerário de revisões, na verdade. Confesso que as expectativas estavam bem baixas com este aqui e quando me deparei com essa aventura simpática, acabei surpreendido. Pode ser que isso tenha influenciado meu juízo. Mas mantenho, por enquanto, a posição. É um filme que merece ser visto.

INVENTÁRIO EUROCULT #8

Mais uma lista saindo para o Inventário Eurocult. Desta vez é de um leitor, que atende pelo nome de The Driver e que nos enviou uma seleção de filmes especialíssima, com direito a Skolimowski, Roeg e Verhoeven, três grandes nomes que até então não haviam pintado por aqui. The Driver possui uma página homônima no facebook onde compartilha imagens, videos e links sobre cinema de gênero, especialmente ação, gangster movies, western, cinema badass! Mas pela lista dá pra notar que o sujeito aprecia também um bom exemplar europeu. Clique aqui e curta a página do homem e confira a relação abaixo:

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1. O VINGADOR SILENCIOSO (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968);
Dir. Sergio Corbucci, com Jean-Louis Trintignant, Klaus Kinski e Frank Wolff

2. INVERNO DE SANGUE EM VENEZA (Don’t Look Now, Inglaterra/Italia, 1973);
Dir. Nicolas Roeg, com Donald Sutherland e Julie Christie

3. TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad and The Ugly, Itália/Alemanha/Espanha, 1966);
Dir. Sergio Leone, com Lee Van Cleef, Eli Wallach e Clint Eastwood

4. ATO FINAL (Deep end, Reino Unido, 1970);
Dir. Jerzy Skolimowski, com Jane Asher e John Moulder-Brown

5. LOUCA PAIXÃO (Turks Fruit, Holanda, 1973);
Dir. Paul Verhoeven, com Rutger Hauer e Monique van de Ven

6. SUSPIRIA (Itália, 1977);
Dir.: Dario Argento, com Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci

7. O ESTRIPADOR DE NOVA YORK (Lo squartatore di New York, Itália, 1982);
Dir. Lucio Fulci, com Jack Hedley e Almanta Suska

8. KEOMA (Itália, 1976);
Dir. Enzo G. Castellari, com Franco Nero, William Berger e Olga Karlatos

9. O PÁSSARO SANGRENTO (Deliria, Italia, 1987);
Dir. Michele Soavi. com David Brandon, Barbara Cupisti e Giovanni Lombardo Radice

10. MILANO CALIBRO 9  (Itália, 1972);
Dir. Fernando Di Leo, com Mario Adorf, Gastone Moschin e Barbara Bouchet

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IL BOSS (Itália, 1973);
Dir. Fernando Di Leo, com Henry Silva, Gianni Garko e Richard Conte

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INVENTÁRIO EUROCULT #7

A lista para o Inventário Eurocult de hoje é de outro militante do universo blogueiro. Ailton Monteiro, de Fortaleza, mantém o seu espaço, Diário de um Cinéfilo, atualizado quase diariamente desde 2002! Qualquer pessoa minimamente interessada em cinema tem a obrigação de frequentar o recinto e se deliciar com textos despojados e precisos que estão por lá. O gosto refinado do sujeito pode ser conferido na belíssima lista abaixo, que possui nomes como Fritz Lang, Buñuel, Tarkovsky e outras gratas surpresas:

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1. O SACRIFÍCIO (Offret, Suécia/Reino Unido/França, 1986);
Dir. Andrei Tarkovsky, com Erland Josephson e Susan Fleetwood

2. AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (I Tre Volti della Paura a.k.a. Black sabbath, Itália/Inglaterra/França, 1963); Dir. Mario Bava, com Boris Karloff

3. M – O VAMPIRO DE DÜSSELDORF (M, Alemanha, 1931);
Dir. Fritz Lang, com Peter Lorre

4. ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO (Cet obscur objet du désir, França/Espanha, 1977);
Dir. Luis Buñuel, com Fernando Rey, Carole Bouquet e Ángela Molina

5. TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad and The Ugly, Itália/Alemanha/Espanha, 1966);
Dir. Sergio Leone, com Lee Van Cleef, Eli Wallach e Clint Eastwood

6. A BELA INTRIGANTE (La belle noiseuse, França/Suiça, 1991);
Dir. Jacques Rivette, com Michel Piccoli, Emmanuelle Béart e Jane Birkin

7. ESCRAVAS DO DESEJO (Les lèvres rouges, Bélgica/França/Alemanha 1971);
Dir. Harry Kümel, com Delphine Seyrig e John Karlen

8. OS OLHOS SEM ROSTO (Les Yeux Sans Visage, França/Itália, 1960);
Dir. Georges Franju, com Alida Valli, Pierre Brasseur e Edith Scob

9. A PELE QUE HABITO (La piel que habito, Espanha, 2011);
Dir. Pedro Almodóvar, com Antonio Banderas, Marisa Paredes e Elena Anaya

10. A MANSÃO DO INFERNO (Inferno, Itália, 1980);
Dir. Dario Argento, com Leigh McCloskey, Daria Nicolodi e Alida Valli

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INVENTÁRIO EUROCULT #6

A lista de hoje é um bocado especial. Estava eu navegando pelos sites e blogs de cinema, lá por 2004 ou 2005, e eis que me deparo com um endereço que me chamou a atenção. Comecei a ler alguns posts, textos de filmes que eu não conhecia e nomes de diretores que nunca tinha ouvido falar, mas tudo aquilo me fascinou de forma instantânea. Era meu primeiro contato com o eurohorror, com Lucio Fulci, Dario Argento, Joe D’Amato, Jess Franco e etc. O blog era o Mondo Paura e o seu autor, Marcelo Carrard, uma das grandes autoridades sobre o assunto. Na mesma época fui conhecendo outros endereços, como o blog do Carlão, do Herax, o extinto Erotikill e vários outros que não existem mais. Mas foi o Mondo Paura que me proporcionou um primeiro impacto, portanto, é com muita honra que hoje publico a lista de favoritos de Marcelo Carrard, que atualmente edita o blog Nudo e Selvaggio.

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SUCCUBUS (Necronomicon – Geträumte Sünden, Alemanha, 1968);
Dir. Jess Franco, com Janine Reynaud, Jack Taylor e Howard Vernon

NAKED VIOLENCE (I Ragazzi del Massacro, Itália, 1969);
Dir. Fernando Di Leo, com Pier Paolo Capponi e Nieves Navarro

MARK OF THE DEVIL (Hexen bis aufs Blut gequält, Alemanha, 1970);
Dir. Michael Armstrong, com Herbert Lom e Udo Kier

BAY OF BLOOD (Reazione a Catena, Itália, 1971);
Dir. Mario Bava, com Claudine Auger e Luigi Pistilli

ALL THE COLORS OF THE DARK (Tutti i colori del buio, Itália/Espanha, 1972);
Dir. Sergio Martino, com George Hilton e Edwige Fenech

O ESPÍRITO DA COLMEIA (El Espíritu de la Colmena, Espanha, 1973);
Dir. Victor Erice, com Ana Torrent, Fernando Fernán Gómez e Teresa Gimpera

AUTOPSY (Macchie Solari, Itália, 1975);
Dir. Armando Crispino, com Mimsy Farmer e Ray Lovelock

LA BÊTE (França, 1975);
Dir. Walerian Borowczyk, com Sirpa Lane, Lisbeth Hummel e Elisabeth Kaza

DEMÊNCIA SINISTRA (Schizo, Reino Unido, 1976);
Dir. Pete Walker, com Lynne Frederick, John Leyton e Stephanie Beacham

LA RAGAZZA DEL VAGONE LETTO (Itália, 1979);
Dir. Ferdinando Baldi, com Zora Kerova, Silvia Dionisio e Werner Pochath

ZOMBIE – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (Zombie a.k.a. Zombi 2, Itália, 1979); Dir. Lucio Fulci, com Tisa Farrow, Richard Johnson e Al Cliver

ANTROPOPHAGUS (aka The Grim Reaper, Itália, 1980);
Dir. Joe D’Amato, com Tisa Farrow e George Eastman

CANIBAL HOLOCAUSTO (Cannibal Holocaust, Itália, 1980);
Dir.: Ruggero Deodato, com Robert Kerman, Francesca Ciardi e Perry Pirkanen

TENEBRE (aka Trevas, Itália, 1982);
Dir. Dario Argento, com Anthony Franciosa, John Saxon e Giuliano Gemma

A CATEDRAL (La Chiesa, Itália, 1989);
Dir. Michele Soavi, com Tomas Arana, Hugh Quarshie e Asia Argento

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INVENTÁRIO EUROCULT #5

Historiador, pesquisador de cinema de gênero, e o maior fã de Charles Bronson que se tem notícia, Leandro Caraça é um velho conhecido daqueles que já vêm, há tempos, frequentando o universo dos blogs de cinema. Quem não se lembra do saudoso Viver e Morrer no Cinema, o blog onde compartilhava diariamente sua paixão pela sétima arte? Atualmente, é possível encontrar alguns de seus escritos na Revista Interlúdio. Mas é muito pouco. E esta lista especialíssima que ele nos enviou com os seus vinte Eurocults favoritos serve não apenas para abrilhantar o inventário, mas também reforça o clamor de todos para um retorno ao mundo dos blogues!

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E DEUS CRIOU A MULHER (Et Dieu… créa la femme, França/Itália, 1956);
Dir. Roger Vadim, com Brigitte Bardot, Curd Jürgens e Jean-Louis Trintignant

Enquanto os jovens turcos preparavam a revolução, Roger Vadim saiu na frente oferecendo Brigitte Bardot ao mundo.

OS OLHOS SEM ROSTO (Les Yeux Sans Visage, França/Itália, 1960);
Dir. Georges Franju, com Alida Valli, Pierre Brasseur e Edith Scob

A França adere ao cinema de horror moderno, com o exemplar mais lírico do gênero.

O ANO PASSADO EM MARIEMBAD (L’année dernière à Marienbad, França/Itália, 1961); Dir. Alain Resnais, com Delphine Seyrig, Giorgio Albertazzi e Sacha Pitoeff

O delirante labirinto de Resnais e Grillet. Simétrico e perfeito.

MACISTE CONTRO IL VAMPIRO (Itália, 1961);
Dir. Sergio Corbucci e Giacomo Gentilomo, com Gordon Scott e Leonora Ruffo

Um dos melhores exemplares de peplum, muito mais do que apenas um cara marombado passeando de tanga na tela.

MONDO CANE (Itália, 1962);
Dir. Paolo Cavara, Gualtiero Jacopetti e Franco Prosperi

O mundo como ele é, aqui e agora. Porca miséria!!!

ALPHAVILLE (Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution, França/Itália, 1965); Dir. Jean-Luc Godard, com Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamirof e Howard Vernon

Lemmy Caution perdido no mundo tecnológico e sem paixão de Godard.

LA NUIT LA PLUS LONGUE (aka L’enfer dans la peau, França, 1965);
Dir. José Bénazéraf, com Willy Braque, Yves Duffaut e Annie Josse

Um sequestro, uma antológica dança lésbica, Chet Baker, rebeldia. Isso é Bénazéraf.

A HORA DO LOBO (Vargtimmen, Suécia, 1968);
Dir. Ingmar Bergman, com Max Von Sydow e Liv Ullmann

A hora em que os lobos preferem uivar, as crianças preferem nascer e os insanos acordam e não conseguem mais dormir.

SUCCUBUS (Necronomicon – Geträumte Sünden, Alemanha, 1968);
Dir. Jess Franco, com Janine Reynaud, Jack Taylor e Howard Vernon

Os fetiches e obsessões de Franco agora estão livres de amarras. A partir desse ponto, é free jazz total.

OS DEMÔNIOS (The Devils, Inglaterra, 1971);
Dir. Ken Russel, com Vanessa Redgrave e Oliver Reed

Amai-vos uns sobre os outros como eu vos amei.

LE FRISSON DES VAMPIRES (França, 1971);
Dir. Jean Rollin, com Sandra Julien eJuan-Marie Durand

Vampiras frenéticas dentro de um castelo, dentro de um sonho de Jean Rollin.

CONTOS IMORAIS (Contes Immoraux, França, 1974);
Dir. Walerian Borowczyk, com Fabrice Luchini, Lise Danvers e Charlotte Alexandra

Erotismo ou pornografia ? Arte ou putaria. A dica de Borowczyk é relaxar e gozar.

O FANTASMA DA LIBERDADE (Le fantôme de la liberté, Itália/França, 1974);
Dir. Luis Buñuel, com Jean-Claude Brialy, Michel Piccoli, Adolfo Celi e Monica Vitti

A liberdade, a subversão, a arbitrariedade. Molecagens de um velho surrealista.

AS FILHAS DE DRÁCULA (Vampyres, Inglaterra, 1974);
Dir. José Ramón Larraz, com Marianne Morris e Anulka Dziubinska

Venha passar uma noite ao lado de Anulka e Marianne Morris.

GLISSEMENTS PROGRESSIFS DU PLAISIR (França, 1974);
Dir. Alain Robbe-Grillet, com Anicée Alvina, Olga Georges-Picot e Michael Lonsdale

Sucessivas demonstrações de dor e prazer.

LISA E O DIABO (Lisa e il diavolo, Itália/Alemanha/Espanha, 1973);
Dir. Mario Bava, com Telly Savalas, Elke Sommers, Sylvia Koscina e Alida Valli

Mario Bava é o demiurgo. E o pirulito é do Telly Savallas.

LE SEXE QUI PARLE (Pussy Talk, França, 1975);
Dir. Claude Mulot, com Penélope Lamour, Béatrice Harnois e Sylvia Bourdon

A buceta que fala. Cinema XXX francês no seu ápice.

BLUE MOVIE (Itália, 1978); Dir. Alberto Cavallone, com Danielle Dugas e Claude Maran

Cavallone jogando tudo para o alto e mandando público e crítica se foderem.

POSSESSÃO (Possession, França/Alemanha, 1981);
Dir. Andrzej Zulawski, com Isabelle Adjani e Sam Neill

Isabelle Adjani. Duplos. Aberrações gosmentas. Zulawski no divã, falando sobre o seu divórcio.

TERROR NAS TREVAS (…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà, aka The Beyond, Itália, 1981); Dir. Lucio Fulci, com Katherine MacColl, David Warback, Antoine Saint-John, Veronica Lazar e Al Cliver

O fim do mundo de acordo com Fulci. E além…

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INVENTÁRIO EUROCULT #4

Quando recebemos uma lista para ser adicionada ao Invetário Eurocult de um sujeito que escreveu uma tese de doutorado chamada Era Uma Vez no Spaghetti Western: Estilo e Narrativa na Obra de Sergio Leone, é porque a coisa tá ficando séria. Rodrigo Carreiro é do Recife, especialista em SW, editor do Cine Repórter e professor da UFPE. Sua relação de filmes demonstra como o universo eurocult é abrangente, trazendo títulos totalmente válidos de diretores consagrados do calibre de Jules Dassin, Sergio Leone, Claude Chabrol, Victor Erice e Ingmar Bergman. Enjoy!

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RIFIFI (Du Rififi chez les Hommes, França, 1955);
Dir. Jules Dassin, com Jean Servais, Carl Möhner e Robert Manuel

OS OLHOS SEM ROSTO (Les Yeux Sans Visage, França/Itália, 1960);
Dir. Georges Franju, com Alida Valli, Pierre Brasseur e Edith Scob

TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad and The Ugly, Itália/Alemanha/Espanha, 1966);
Dir. Sergio Leone, com Lee Van Cleef, Eli Wallach e Clint Eastwood

KILL, BABY… KILL! (Operazione Paura, Itália, 1966);
Dir. Mario Bava, com Giacomo Rossi-Stuard, Erika Blanc e Fabienne Dali

O SAMURAI (Le Samourai, França/Itália, 1967);
Dir. Jean Pierre Melville, com Alain Delon

O VINGADOR SILENCIOSO (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968);
Dir. Sergio Corbucci, com Jean-Louis Trintignant, Klaus Kinski e Frank Wolff

O AÇOUGUEIRO (Le Boucher, França/Itália, 1970);
Dir. Claude Chabrol, com Stéphane Audran e Jean Yanne

O ESPÍRITO DA COLMEIA (El Espíritu de la Colmena, Espanha, 1973);
Dir. Victor Erice, com Ana Torrent, Fernando Fernán Gómez e Teresa Gimpera

PRELÚDIO PARA MATAR (Profondo Rosso, Itália, 1975);
Dir. Dario Argento, com David Hemmings e Daria Nicolodi

DA VIDA DAS MARIONETES (Aus dem Leben der Marionetten, Suécia/Alemanha, 1980); Dir. Ingmar Bergman, com Robert Atzon e Christine Buchegger

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4 MOSCAS NO VELUDO CINZA (4 mosche di velluto grigio, 1971)

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4 MOSCAS NO VELUDO CINZA é a terceira parte da famosa “trilogia dos animais” que marcou o início da carreira de Dario Argento como diretor. Os outros filmes são O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL e O GATO DE NOVE CAUDAS, todos os três estruturados no subgênero que Argento cristalizou, aquele dos assassinatos misteriosos, dos matadores de luvas pretas, cujas vítimas quase sempre são moças indefesas ou coadjuvantes desavisados e o principal suspeito, geralmente, é o herói que precisa correr contra o tempo para desvendar os mistérios e provar sua inocência. Yeah, estamos falando do giallo, o subgênero mais elegante do cinema popular europeu!

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A trama de 4 MOSCAS é centrada no baterista de uma banda de rock, interpretado por Michael Brandon, que se vê envolvido numa enrascada quando acaba matando acidentalmente um sujeito desconhecido que o seguia. O problema é que uma figura estranha, mascarada, fotografou o crime e começa a fazer chantagens com o pobre músico. Durante sua jornada, cheia de conflitos psicológicos, tentativa de resolver o caso e se segurar para não ir à policia e se entregar, o rapaz conta com a ajuda de vários indivíduos interessantes, como o personagem vivido pelo grande Carlo Pedersoli, mais conhecido como Budd Spencer, que fazia a alegria da moçada na Sessão da Tarde, e um detetive gay interpretado por Jean-Pierre Marielle.

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É curioso como o filme tem um caráter bem mais experimental que os dois gialli anteriores. É como um divisor de águas na carreira do italiano. PÁSSARO é um bom filme de estreia, mas que nunca me empolgou muito, GATO já consegue resultados bem mais expressivos, mas é aqui em 4 MOSCAS que Argento começa a subverter certos padrões visuais para se tornar o gênio que foi. É, DRACULA 3D demonstra sérios sinais de que ele perdeu aquela genialidade…

Ainda bem que temos um 4 MOSCAS pra poder rever. Na minha opinião é o mais interessante dessa trilogia inicial, mesmo sendo considerado um esboço de PROFONDO ROSSO em alguns quesitos, principalmente no que confere aos procedimentos técnicos, na forma como Argento trabalha sua câmera, na criação da atmosfera de suspense. O assassinato no parque, por exemplo, é uma belíssima demonstração de manipulação de cenários, tempo, clima, coisas que Argento aperfeiçoaria mais tarde. Vários outros instantes são de encher os olhos, como a perseguição no metrô, além da sequência que rola a grande revelação do caso, por mais absurda que seja, parece plausível e muito bem resolvida visualmente.

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Em conversa com o Felipe M. Guerra, ele me conta que a tal ideia absurda partiu do Luigi Cozzi, que foi co-roteirista de 4 MOSCAS. Não vou revelar detalhes, mas Argento relutou em aceitar por achar muito fantasioso, mas, nas palavras do próprio Felipe, “Cozzi arrumou um artigo retirado de uma dessas revistas sensacionalistas e sem nenhuma fundamentação científica. (…) Ele mostrou o recorte e o Argento se convenceu“. Ainda bem!

Outro destaque óbvio é a trilha sonora do mestre Ennio Morricone, ingrediente fundamental em algumas cenas chaves, como no impactante desfecho, quando o belo e o brutal entram em perfeita sintonia como poucas vezes se vê por aí. 4 MOSCAS NO VELUDO CINZA é Argento em sua melhor forma, por isso mesmo obrigatório!

INVENTÁRIO EUROCULT #3

Como tem brotado muita lista na horta do Dementia¹³, vamos postar mais uma para enriquecer o Inventário Eurocult. A relação de filmes de hoje vem do sul do Brasil, de um dos sujeitos mais gente fina que eu conheço nesse universo blogueiro. Ainda vou descer nessa região só para conhecer pessoalmente e tomar umas com o Paulo “Blob” Teixeira. Dono de um gosto cinematográfico peculiar, que era explorado num dos melhores blogs de gênero em língua portuguesa, o Blog do Blob, sua lista contribui extremamente para o inventário pelos seus títulos, comentários especialíssimos e por levar em consideração as listas anteriores.

Quien_puede_matar_a_un_nino-476825830-large torso_xlgPrimeiramente devo agradecer ao Ronald Perrone pela honra de participar desse inventário. Embora o Eurocult/Eurotrash seja bem amplo, resolvi colocar uma limitação para mim, após ler as maravilhosas listas anteriores do Osvaldo Neto e do Leopoldo Tauffenbach, conclui que muitos dos filmes citados pelos meus queridos amigos acabariam também respingando na minha lista, mas como citei acima, o terreno é amplo, então decidi não repetir nenhum título que teria sido citado anteriormente, por mais que eu goste, em contrapartida colocarei outros que tem lugar seguro no meu coração, e que suponho também tenha lugar no coração dos amantes do cinema de gênero do Velho Continente.
Assim como os ilustres companheiros, também mandei mais de 10, são 15 ao todo, e ficou uma porrada de fora (cadê o Jesus franco, por exemplo?). Quem sabe fica para uma outra hora, né?

1. TORSO (I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale, Itália, 1973);
Dir. Sergio Martino, com Suzy Kendall e Luc Merenda

O giallo em sua essência mais pura e brutal! A simplicidade é seu maior trunfo. Um assassino mascarado sai matando universitárias, anos antes de Michael Myers e Jason Vorhess transformar isso em modinha. Se você nunca viu um dos filmes “amarelos” italianos, recomendo que comece por esse. Um exercício de violência e tensão.

2. ZOMBIE – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (Zombie a.k.a. Zombi 2, Itália, 1979); Dir. Lucio Fulci, com Tisa Farrow, Richard Johnson e Al Cliver

O meu filme preferido de zumbis! Fulci com sua criatividade e fúria a todo vapor, depois desse sua própria filmografia nunca mais foi a mesma.

3. VAMOS A MATAR, COMPAÑEROS (Itália/Alemanha/Espanha, 1970)
Dir. Sergio Corbucci, com Franco Nero, Tomas Milian e Jack Palance

Esse clássico do spaghetti western é um dos meus filmes favoritos. Ação, humor e política em doses cavalares. O que dizer da dupla Franco Nero e Tomas Milian? E o vilão bizarro de Jack Palance? Tudo emoldurado pela inesquecível trilha do mestre Enio Morricone. Antológico demais.

4. O DIA DA BESTA (El Día de la Bestia, Espanha, 1995)
Dir. Álex de la Iglesia, com Álex Angulo, Armando de Razza e Santiago Segura

Um dos meus filmes preferidos. A história do padre que vai tentar impedir o nascimento do anticristo no natal de 1995 em Madrid, com a ajuda de um headbanger e um apresentador de televisão de programas sensacionalistas sobre ocultismo mostra o diretor de la Iglesia no auge da forma: misturando humor negro, horror, critica social e personagens bizarros ele satiriza tudo e todos: cristãos, satanistas, metaleiros, extrema direita. Sem sobrar pedra sobre pedra. Olé!

5. PHENOMENA (Itália/Inglaterra/Alemanha/Suiça/Dinamarca, 1985)
Dir. Dario Argento, com Jennifer Connelly, Daria Nicolodi e Donald Pleasence

O filme síntese da carreira do Argento e sua penúltima obra-prima (depois ele faria Opera em 1987, para perder o rumo). Elementos sobrenaturais, de giallo, cenas de assassinato, trilha mesclando Iron Maiden, Motörhead, entre outros, junto com o Goblin, Jennifer Connelly estrelando, Donald Pleasence, cenas inesquecíveis como a piscina de vermes. São tantas coisas legais aqui, simplesmente demais!

6. AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (I Tre Volti della Paura a.k.a. Black sabbath, Itália/Inglaterra/França, 1963); Dir. Mario Bava, com Boris Karloff

O Mestre Bava nos presenteia com três belos contos, dando uma síntese no cinema de horror italiano e uma aula de cores e climas. Destaque para a segunda, e melhor história, com o Boris Karloff como um patriarca de uma família de camponeses que vira vampiro. Simplesmente sublime.

7. ¿QUIÉN PUEDE MATAR A UN NIÑO? (Espanha, 1976)
Dir. Narciso Ibañez Serrador, com Lewis Fiander e Prunella Ransome

Não tem para ninguém, do filão de crianças sinistras e assassinas, dos quais podemos citar “A Cidade dos Amaldiçoados” e “A Colheita Maldita” como exemplos, nenhum deles é mais perturbador que essa obra, realizado por um uruguaio radicado na Espanha chamado Narciso Ibañez Serrador. A abertura do filme é antológica: um mini-documentário em preto-ebranco mostrando vários conflitos ao redor do mundo, dando ênfase na mortalidade infantil. O filme ganha cores, mostrando o cadáver de um adulto boiando no litoral espanhol. Os protagonistas são um casal de férias (ela grávida), que vão parar num a ilha aparentemente abandonada, mas descobrem estar tomada de crianças que insistem em matar todos os adultos. A boa direção do elenco infantil fará você gelar com esses moleques de semblantes diabólicos. Tensão em estado bruto. Essencial.

8- NEKROMANTIK (Alemanha, 1988); Dir. Jörg Buttgereit, com Beatrice M.

Este e a sua continuação em 1991, são as obras definitivas sobre necrofilia. A história do casal que leva um cadáver para casa, e inclui ele em seus joguinhos sexuais, foi banido em boa parte do globo, “Nekromantik” é daquelas obras de arte extremas que vai te desperta fascínio e repulsa ao mesmo tempo.

9. ANGST (Áustria, 1983); Dir. Gerald Kargl, com Erwin Leder

É da Áustria que vem um dos mais perturbados/perturbadores retratos sobre um serial-killer. O filme mostra um homem (Erwin Leder) siando da prisão após cumprir pena de dez anos por um assassinato que cometeu. Sem perspectivas, ou como se diz, sem eira nem beira, ele resolve morar numa casa que encontra, o problema são as moradoras da residência que ele terá que matá-las, uma jovem e sua mãe cadeirante. Desde a cena de abertura, que mostra a panorâmica de uma cidade austríaca, com seus telhados, ao som de uma goteira, dá para sacar que estamos diante de uma obra diferente e sem concessões. Um filme barra-pesada.

10. LA ROSE DE FER (França, 1973);
Dir. Jean Rollin, com Françoise Pascal, Hugues Quester e Natalie Perrey

Um casal, um cemitério, meia dúzia de figurantes e pronto! É o que basta para o mestre Rollin criar pura poesia. Essa obra minimalista é a minha preferida do Mestre francês. Aqui segue aquela máxima que os amantes do punk rock sabem faz tempo: a de que, às vezes, menos é mais.

11. AS FILHAS DE DRÁCULA (Vampyres, Inglaterra, 1974)
Dir. José Ramón Larraz, com Marianni Morris e Anulka Dziubinska

O espanhol Larraz rodou na Inglaterra um dos mais absurdos e tesudos filmes sobre vampiras. Duas belas vampiras, que insistem em ficar nuas, ficam rodando por aí fazendo vitimas, precisa de mais alguma coisa? As cenas de ataque das duas se destacam pela não economia no sangue e pelo frenesi da dupla, pontos para a Marianne Morris e a Anulka Dziubinska.

12. LA NOTTE DEI DIAVOLI (Itália/Espanha, 1972)
Dir. Giorgio Ferroni, com Gianni Garko, Agostina Belli e Roberto Maldera

Ferroni, mais conhecido pelo “Dólar Furado”, realizou apenas dois filmes de terror em toda a sua carreira: “Il Mulino delle Donne di Pietra” (1960) e este “La Notte dei Diavoli”. Segunda adaptação do conto “A Familia do Wurdulak” de Aleksei Tolstoy (a primeira versão foi justamente o segmento “I Wurdulak” de “As Três Mascaras do Terror” do Bava). Gianni Garko é o estranho misterioso que para em um hospício e através de flashbacks descobrimos o contato dele com uma família que foi atacada pelo mal do vampirismo. A transposição da história para a era contemporânea não perdeu em nada a atmosfera gótica do conto original. A única coisa a se lamentar é o fato do diretor não ter investido mais em filmes de terror.

13. VIY (União Soviética, 1967); Dir. Konstantin Yershov, Georgy kropachyov e Alexander Ptushko, com Leonid Kuravlyov, Natalya Varley e Aleksey Glazyrin

Considerado o primeiro filme de terror da então União Soviética, foi inspirado no conto “Viy” de Nikolai Gogol, que serviu de base também para Mario Bava criar seu clássico “La maschera del demônio” (1961). Aqui um jovem padre fanfarrão (Leonid Kuravlyov) se vê em maus lençóis quando terá que velar por três noites o cadáver de uma jovem moça, filha de um rico fazendeiro local, na verdade a garota é uma bruxa que convocará todas as forças do inferno para atormentar o pobre religioso. Um filme que ainda tem seu encanto e seu charme.

14. THE NIGHT THAT EVELYN LEFT THE TOMB (La notte che Evelyn uscì dalla tomba, Itália, 1971); Dir. Emilio Miraglia, com Anthony Steffen, Giacomo Rossi-Stuart e Erika Blanc

O italiano Miraglia é famoso por brindar o mundo com dois belos gialli embebedidos em elementos de terror gótico, não a toa gosto de brincar dizendo que são “gialli à moda Scooby-Doo” que são “La Dama Rossa Uccide Sette Volte” de 1972, e esse “La dama rossa uccide sette volte” realizado um ano antes. Aqui temos o galã ítalo-brasileiro Anthony Steffen como um nobre atormentado pala morte da esposa Evelyn, como passatempo ele captura prostitutas ruivas aonde leva para seu castelo e as tortura e mata, numa reviravolta que só poderia acontecer no cinema de gênero carcamano, logo nosso protagonista psicótico vira o herói da historia quando acaba sendo atormentado pelo fantasma da falecida e suspeito de outros crimes. Realmente instigante.

15. MATADOR IMPLACÁVEL (L’Assassino è Costretto ad Uccidere Ancora a.k.a. The killer Must Kill Again, Itália/França 1975); Dir. Luigi Cozzi, com George Hilton e Antoine Saint-John

Meu filme predileto do Cozzi! Aqui ele foge da fórmula tradicional do giallo, entregando os vilões ao público de cara, preferindo um jogo de gato e rato Hitchcockniano. George Hilton é um playboy cafajeste que, para se livrar da esposa e ficar com a herança, contrata um assassino mal encarado (Antoine Saint-John). O assassinato é cometido, mas o s problemas começam quando um casal de hippies rouba o carro do assassino, com o cadáver da mulher no porta-malas, para ir até o litoral. Inicia-se uma caçada ao casal de ladrões, que desconhecem a bagagem que levam. Suspense e ironia de primeira.

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INVENTÁRIO EUROCULT #2

A segunda lista incluída no Inventário é de Leopoldo Tauffenbach. Artista, professor, organizador de mostras, um emplogado pesquisador de cinema extremo e um grande amigo. Quando lhe dá na telha, atualiza o blog Cine Demência. O sujeito mandou uma lista de respeito, com alguns títulos fundamentais em qualquer prospecção do gênero e outros mais obscuros que valem muito a pena conhecer, com direito a comentários para cada exemplar. Com a palavra, Leopoldo:

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Listas são extremamente divertidas justamente por seu suposto maior defeito: a exclusão. Seja criando listas ou contemplando as alheias, sempre me pego ansioso por saber quem seriam os contemplados dentro de um vastíssimo universo como é o do cinema. Suas imposições, na verdade, acabam se tornando estimulantes desafios ao pedir por um recorte, uma olhar mais concentrado. Listas, são justas e injustas, ao mesmo tempo, por sua própria natureza.

O desafio aqui era listar produções europeias. As orientações eram bem amplas, é verdade, por isso resolvi criar imposições adicionais. Em primeiro lugar, resolvi listar somente filmes de gênero ou que flertassem de algum modo esse cinema. Também impus a condição de listar somente um filme por diretor. Clássicos consagrados pela humanidade estariam de fora, porque se o objetivo inicial do editor deste blog era criar um guia para iniciantes, não haveria necessidade de propagandear mais uma vez Godard, Pasolini, Truffault, Visconti, Rosselini etc. Também tentei contemplar ao menos um gênero diferente em cada filme, mas neste caso falhei miseravelmente. Assim, o horror acabou predominando e nenhum faroeste conseguiu entrar na lista. Por último, nem 10 nem 20, mas ultrapassei o limite sugerido em 5 filmes. Reforçando o óbvio, é uma lista excludente como toda lista é, mas levando em consideração que se tratam de filmes minimamente excelentes, em minha modesta e nada absoluta opinião (do contrário não teria me lançado neste desafio) creio que pode servir para abrir portas ao iniciado que ousar se aventurar pelo percurso que aqui sugiro. Neste caso… good luck, and God help us all.

VAMPYROS LESBOS (Alemanha/Espanha, 1971);
Dir.: Jesus Franco, com Soledad Miranda, Ewa Stromberg e Dennis Price

A melhor combinação de horror e cinema erótico, amparada pela presença da deslumbrante Soledad Miranda, e embalada pelo experimentalismo jazzístico (que se manifesta na trilha sonora) do mestre dos mestres, Jesus Franco.

PERIGO: DIABOLIK (Diabolik, Itália/França, 1968);
Dir. Mario Bava, com John Philip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli e Adolfo Celi

Embora Mario Bava seja conhecido justamente pelos visionários filmes de horror, foi capaz de criar uma das mais deliciosas adaptações de quadrinhos de todos os tempos. Um dos raros casos onde é impossível não se apaixonar e torcer pelos vilões do filme.

CANIBAL HOLOCAUSTO (Cannibal Holocaust, Itália, 1980);
Dir.: Ruggero Deodato, com Robert Kerman, Francesca Ciardi e Perry Pirkanen

“A mãe de todos os filmes de canibal”, alardeava a publicidade desta obra fundamental. E até hoje assim se mantém: impávido, como uma das obras cinematográficas mais chocantes realizadas.

LÁBIOS DE SANGUE (Lèvres de sang, França, 1975);
Dir.: Jean Rollin, com Jean-Loup Philippe, Annie Belle e Natalie Perrey

Conheci o poeta Jean Rollin por Carlos Reichenbach. Foi amor à primeira vista. Nunca antes os vampiros atingiram um patamar tão sublime no cinema. Lábios de Sangue é pura poesia filmada; versos em celuloide.

EMANUELLE NA AMÉRICA (Emanuelle in America, Itália, 1977);
Dir.: Joe D’Amato, com Laura Gemser, Gabriele Tinti e Roger Browne.

Joe D’Amato passeou por todos os gêneros, mas é com a personagem Emanuelle que nota-se que o diretor fica mais à vontade. Poucos saberiam criar um exploitation com tanta categoria ao incluir zoofilia, sexo explícito e violência extrema no mesmo pacote. E mesmo assim costurar tudo com a leveza evocada por Laura Gemser. Somente para os bravos.

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

Que me perdoem os zumbis de George Romero, mas foram os mortos sem olhos de Amando de Ossorio os únicos a me darem calafrios.

THRILLER: A CRUEL PICTURE (Thriller – en grym film, Suécia, 1973);
Dir.: Bo Arne Vibenius, com Christina Lindberg, Heinz Hopf e Despina Tomazani

Uma pequena obra-prima do exploitation e que se tornou a referência do rape-revenge. Christina Lindberg mostra que usando apenas um olho pode criar uma das personagens icônicas da história do cinema. E, ainda que muita gente critique, as sequências em slow motion são um espetáculo à parte.

SUSPIRIA (Itália, 1977);
Dir.: Dario Argento, com Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci

Dario Argento não é só um dos maiores mestres do cinema italiano, mas do mundo. E Suspiria é para mim a obra que sintetiza tudo o que há de melhor em seus filmes: cenários magníficos, suspense eficiente e um conto de horror que retoma o melhor clima gótico em uma roupagem contemporânea.

PELO AMOR OU PELA MORTE (Dellamorte Dellamore, Itália/França/Alemanha, 1994); Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

Uma obra-prima e sensível do cinema fantástico.

CONFISSÕES DE UM COMISSARIO DE POLÍCIA AO PROCURADOR DA REPÚBLICA (Confessione di un commissario di polizia al procuratore della repubblica, Itália, 1971); Dir.: Damiano Damiani, com Franco Nero, Martin Balsam e Marilù Tolo

Um filme policial que consegue, graças ao indubitável talento de Damiano Damiani, ser mais violento que seus pares apresentando pouquíssimas cenas de tiroteio e perseguição.

ESCALOFRÍO (Espanha, 1978);
Dir.: Carlos Puerto, com Ángel Aranda, Sandra Alberti, Mariana Karr

Outro exemplar do cinema espanhol, confirmando a total capacidade deste povo em realizar obras absolutamente perturbadoras, desta vez em uma mistura de magia negra e erotismo.

GRADIVA (C’est Gradiva qui Vous Appele, França/Bélgica, 2006)
Dir.: Alain Robbe-Grillet, com James Wilby, Arielle Dombasle e Dany Verissimo-Petit

O veterano Alain Robbe-Grillet entrega nada menos que uma aula de cinema no último longa-metragem de sua vida, ao contar a história de um historiador da arte que se envolve em um estranho mundo de sadomasoquismo.

MALADOLESCENZA (Alemanha/Itália, 1977)
Dir.: Pier Giuseppe Murgia, com Lara Wendel, Eva Ionesco e Martin Loeb

Um dos filmes mais incômodos e perturbadores produzidos na Europa (e no mundo). Embora os críticos chamem muito mais a atenção para as cenas de nudez e sexo simulado entre pré-adolescentes (uma delas filha da famosa fotógrafa Irina Ionesco) é um dos mais brutais retratos já feitos da psique infantil. Sempre me imagino o que Freud acharia desse filme.

SCHRAMM (Alemanha, 1996)
Dir.: Jörg Buttgereit, com Florian Koerner von Gustorf e Monika M.

Jörg Buttgereit é um diretor de poucos filmes, mas que nunca decepcionou. E não é diferente ao contar a história do taxista psicopata Schramm. O diretor consegue entregar uma obra fria e incômoda, definitivamente não indicada para pessoas sensíveis.

NOITES VERMELHAS (Nuits rouges, França/Itália, 1974)
Dir.: Georges Franju, com Gayle Hunnicutt, Jacques Champreux, Josephine Chaplin

Um dos filmes mais deliciosos saídos da França e da mente do mestre do fantástico, Georges Franju. Um conto de mistério e suspense onde um gênio do crime tenta, a todo custo, encontrar um tesouro perdido ao mesmo tempo que despista a polícia.

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RATOS E ZUMBIS: DOBRADINHA MATTEI/FRAGASSO

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Anunciaram essa semana que vão lançar em breve um blu-ray com dois filmes da dupla Bruno Mattei e Claudio Fragasso, RATS – NOTTE DI TERRORE (84) e VIRUS – L’INFERNO DEI MORTI VIVENTI, aka HELL OF THE LIVING DEAD (80). Claro que a qualidade de imagem em alta definição não vai fazer muita diferença para quem já considerava esse tipo de produção puro lixo cinematográfico. Não vai transformá-los em obras-primas do horror oitentista. Mas para quem, como eu, sabe admirar essas tralhas italianas (ou seja, tem um puta mau gosto), será uma delícia poder rever essas belezinhas numa resolução mais adequada. Se é que vão mesmo fazer um bom trabalho de restauração. Esperamos que sim.

Dica para quem não conhece o trabalho dos realizadores e que serve também para uma porrada de outros nomes. Primeiro, Bruno Mattei e Claudio Fragasso (que não foi creditado em nenhum dos dois filmes) são considerados alguns dos piores diretores de todos os tempos pela crítica “séria” e cinéfilos coxinhas. Tendo isso em mente, já conhecendo o terreno no qual estamos pisando, ninguém vai sentar para assistir a um filme desses caras achando que vai ver encontrar algo do nível de um Mario Bava ou Dario Argento, certo? Esqueça qualquer tipo de virtuose cinematográfica. Segundo: arranje algumas bebidas, uns petiscos, chame uns dois amigos que tenham bom humor e que gostem pelo menos um pouco de filmes de terror sem grandes pretensões e pronto, não tem como não errar.

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Foi exatamente assim que me deparei com RATS há alguns anos. A diversão é garantida e foi impossível não ficar tirando sarro das situações absurdas, as atuações ridículas de todo o elenco e do trabalho técnico da produção que parecia não ter dinheiro nem pra bancar um lanchinho para a equipe nos intervalos das filmagens. A trama se passa num futuro pós-apocalíptico, quando um grupo de figuras simpáticas, que parecem saídos dos filmes MAD MAX, chega numa cidade devastada e abandonada onde resolve passar a noite. Mas algo terrível acontece: eles são atacados por perigosos e terríveis ratos!

E entre alguns momentos bizarros e outros que só servem para encher linguiça e dar sono, dá-lhe baldes de ratinhos de borracha pra cima dos atores! Ok, eu entendo que o Bruno Mattei não queria que sua obra virasse motivo de chacota, mas é bem melhor que tenha se tornado essa comédia involuntária divertidíssima que realmente é do que uma simples porcaria sem degustação que não serve para nada. E a revelação final é um dos momentos mais SUBLIMES de toda a história do cinema eurocult!

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VIRUS é outra peça de rara beleza da  sétima arte. Eu vi mais recentemente e não foi exatamente nas condições que eu alertei ali em cima. Claro, havia um inebriante para acompanhar, mas assisti sozinho. Não sei se posso me chamar de experiente nesse universo, o que importa é que mesmo assim eu curti pra cacete essa tosqueira do Mattei. Eu falo que é do Mattei porque ele é mesmo o diretor, o Fragasso dirigiu algumas poucas cenas e chegou a ser creditado como assistente de direção.

Na trama, um experimento numa fábrica, em um país subdesenvolvido qualquer, dá errado e espalha um gás pelo resto do mundo! Um gás que transforma os mortos em zumbis, diga-se de passagem. Uma equipe da SWAT (!?), cujos uniformes são idênticos aos dos personagens de DAWN OF THE DEAD, do George A. Romero, é enviado até a tal fábrica para recolher alguns documentos e vestígios que possam ser úteis para esclarecer que raios aconteceu ali. No caminho, resgatam uma antropóloga (Margit Evelyn Newton) e seu cinegrafista, e enfrentam os perigos de uma região infestadas por zumbis.

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VIRUS é uma das maiores provas “vivas” da picaretagem desses italianos. Como grande parte da história se passa numa selva, Mattei/Fragasso e companhia utilizaram cenas de documentários para contribuir na ambientação, para não precisar viajar e levar equipe de filmagens e registrar a fauna, flora e tribos indígenas de outros continentes, afinal, o orçamento não era dos melhores. Uma prática comum, na verdade, em filmes como CANNIBAL HOLOCAUST, por exemplo, percebe-se várias cenas recicladas de stock footage retiradas de um National Geographic qualquer e tal, mas aqui a coisa é bizonha!

A título de curiosidade, utilizaram cenas de um documentário chamado NUOVA GUINEA, L’ISOLA DEI CANNIBALI (74) e também o doc clássico francês DES MORTS (79), mas é muito provável que tenha mais coisas por aí…

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Em determinado momento vemos elefantes africanos na tela, em outros instantes, tribos indígenas e animais silvestres da fauna da Nova Guiné, e por aí vai… Em que mundo se passa o filme? Os caras perderam totalmente a noção. E a maneira exagerada que essas imagens são colocadas e abusadas no meio da narrativa é impressionante, são cenas inteiras que “dialogam” de maneira esquisita com a película do filme, seja pelo o aspecto dessas imagens, que é totalmente diferente em termos de granulação, iluminação, cores, seja porque simplesmente a coisa não cola… E é por isso que eu amo esse cinema!

Só por esses detalhes já valeria a pena dar uma olhada em VIRUS. O roteiro de Fragasso garante, ainda, outros vários momentos da mais pura elegância narrativa. Mesmo nas partes chatas, há sempre algo que te surpreende, uma frase que te deixa feliz. Uma das minhas cenas favoritas é quando a personagem da Newton precisa entrar numa tribo antes dos demais, pois conhece os costumes do local e não quer correr riscos de algum tipo de confronto. Ela diz  “Eu vou na frente… E sozinha“, pra logo em seguida começar a arrancar a roupa na maior seriedade do mundo, sob o olhar dos outros personagens, apenas para o filme ganhar um pouco de nudez gratuita.

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Ah, esses italianos… Destaque também para a trilha sonora do Goblin, que se não é das mais inspiradas do grupo, pelo menos funciona para o tipo de filme que temos aqui. E a violência, claro, também chama a atenção, com muito sangue e efeitos de maquiagens caseiros, mas até que bem feitos. Não faltam cabeças alvejadas e esmagadas, mordidas que arrancam pedaços, personagens morrendo da maneira mais estúpida possível, enfim, tem de tudo e mais um pouco para toda a família. São todos ingredientes e ideias que Mattei e Fragasso conseguiram aproveitar de outros filmes de zumbis da época – chamam isso de inspiração – e que fazem de VIRUS um dos mais divertidos zombie movies do país da bota.