PAIXÃO INTRÉPIDA

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Ou o porquê de ser o favorito de 2013.
A todos um excelente ano novo.

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FAVORITOS DEMENTIA¹³ DE 2013

Não sou um devorador de filmes recentes e procuro ver apenas o que julgo essencial da nova safra. Prefiro passar ano após ano a tentar redescobrir e conhecer alguns clássicos e exemplares obscuros, ou fazer ciclos com diretores que me interessam. De qualquer forma, aqui estão os meus 20 favoritos de 2013 em ordem de preferência (com margem até 2012, com produções que não assisti naquele ano):

1920. A CAÇA, Thomas Vinterberg

1719. ESCAPE PLAN, Mikael Håfström

1518. OUTRAGE BEYOND, Takeshi Kitano

1617. MOTORWAY, Pou-Soi Cheang

skdskd-0216. THE CANYONS, Paul Schrader

1315. JOHN DIES AT THE END, Don Coscarelli

1214. THE LAST STAND, Jim Woon-Kim

1113. SAFE HAVEN, Gareth Evans & Timo Tjahjanto
(Segmento do longa V/H/S 2)

leviathan201212. LEVIATHAN, Lucien Castaing-Taylor & Véréna Paravel

2011. MUD, Jeff Nichols

1010. SIGHTSEERS, Ben Wheatley

909. THE COUNSELOR, Ridley Scott

808. BULLET TO THE HEAD, Walter Hill

707. DJANGO LIVRE, Quentin Tarantino

606. THE ACT OF KILLING, Joshua Oppenheimer

505. ONLY GOD FORGIVES, Nicolas Winding Refn

404. THE MASTER, Paul Thomas Anderson

303. LA FILLE DE NULLE PART, Jean-Claude Brisseau

202. DRUG WAR, Johnnie To

101. PASSION, Brian De Palma

10 FILMES DE HORROR DE 2013

Mais uma listinha, dessa vez com os filmes de horror que me chamaram a atenção em 2013 e etc… Enfim, os mesmos critérios do post anterior. Em ordem alfabética:

BAY THE BAY (2012), Barry Levinson

CONJURING THE CONJURING (2013), James Wan

EVIL DEAD EVIL DEAD (2013), Fede Alvarez

INSIDIOUS INSIDIOUS 2 (2013), James Wan

KISS KISS OF THE DAMNED (2012), Xan Cassavetes

LESSON LESSON OF THE DEVIL (2012), Takashi Miike

MANIAC MANIAC (2012), de Franck Khalfoun

NO ONE NO ONE LIVES (2012), de Ryûei Kitamura

VHS V/H/S 2 (2013), de Simon Barret, Jason Eisener, Gareth Evans, Gregg Hale, Eduardo Sánchez, Timo Tjahjanto, Adam Wingard. O segmento SAFE HAVEN (foto) é simplesmente a melhor coisa relacionada a horror que eu vi nos últimos anos!

WE AREWE ARE WHAT WE ARE (2013), Jim Mickle

12 FILMES DE AÇÃO DE 2013

Do panorama  atual do cinema de ação, eis uma relação de doze filmes que mais me chamaram a atenção em 2013. Alguns mais, outros menos, e nem todos são exatamente ação, mas representaram bem o gênero. A margem vai apenas até 2012, com os filmes que não pude ver ano passado. Em ordem alfabética:

BULLET BULLET TO THE HEAD (2012), de Walter Hill

DRUG DRUG WAR (2012), de Johnnie To

1396062_218382965004623_369671214_nENEMIES CLOSER (2013), de Peter Hyams. Os protagonistas são fracos e a história é boba, mas a ação é bem feita e tem o Van Damme como vilão, que tá tão caricato que o personagem se perde entre a construção de trejeitos e o senso do ridículo. Acaba sendo uma aberração, mas que pra mim é o charme do filme…

ESCAPE  ESCAPE PLAN (2013), de Mikael Håfström

GANGSTERGANGSTER SQUAD (2013), de Ruben Fleischer. Este aqui foi bastante massacrado pela crítica e público. Esperavam o que? Um novo OS INTOCÁVEIS? Achei divertido pacas como um filmeco de ação com clima de matinée

HOME HOMEFRONT (2013), de Gary Fleder. E que venham mais roteiros do Stallone.

HOMEMHOMEM DE FERRO 3 (Iron Man 3, 2013), de Shane Black

JACK JACK REACHER (2012), de Christopher McQuarrie

LAST THE LAST STAND (2013), de Jee-Woon Kim

motorway_73908 MOTORWAY (2012), de Pou-Soi Cheang

NINJA NINJA – SHADOW OF A TEAR (2013), de Isaac Florentine

OLYMPUSOLYMPUS HAS FALLEN (2013), Antoine Fuqua

SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT 5: THE TOY MAKER (1991)

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Ho, ho, ho! Hoje é natal e finalizamos a série SILENT NIGHT DEADLY NIGHT com o quinto exemplar. O diretor e produtor Brian Yuzna, do capítulo anterior, resolveu tomar conta da franquia e produziu já no ano seguinte SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT 5: THE TOY MAKER, dirigido por Martin Kitrosser. Não sei se ele tinha planos de fazer a série prosperar, o fato é que a coisa toda acabou neste aqui.

A ideia do Papai Noel assassino segurando um machado já havia sido deixada de lado desde o terceiro filme. Contanto que o horror se passasse durante o natal, qualquer coisa estava valendo. O que aprontariam os realizadores nesse quinto capítulo? Com um roteiro assinado pelo Yuzna e o tal de Kitrosser, a ideia brilhante que tiveram foi, vejam só, uma releitura do famoso personagem criado por Carlo Collodi, o Pinóquio (ou Pinocchio, em italiano). Temos um velho fabricante de brinquedos decadente chamado Joe Petto (Hahaha!), vivido por ninguém menos que o velho Mickey Rooney, e seu filho, que é meio virado da cabeça, chamado Pino (!!!). Quando percebi esses nomes, matei a charada que estava por vir…

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Mas a trama de THE TOY MAKER segue um moleque que, numa noite perto do natal, recebe um misterioso presente deixado na porta de sua casa. Seu padastro percebe a movimentação e interrompe o coito com a mulher para mandar o guri pra cama. E é até bem grosso com o menino, por isso não ficamos muito sensibilizados quando o sujeito resolve abrir o presente, é “atacado” pelo brinquedo e bate as botas sob o olhar assustado do garoto. A vida segue, o moleque desde então não consegue falar, só faz cara de bunda o resto do filme, e sua mãe (Jane Higginson) tenta manter as coisas em ordem depois da morte do marido.

As coisas começam piorar para mãe e filho quando o tal Pino resolve se meter misteriosamente na vida deles, perseguindo e invadindo a casa, até culminar numa sequência final na qual descobrimos que Pino não é exatamente o que, a princípio, imaginamos. A não ser que você tenha se ligado na referência do Pinocchio…

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Apesar de um tanto ridícula na prática, essa contextualização dos personagens de Collodi neste filmeco de horror é interessante. O problema é que THE TOY MAKER custa a engrenar. A primeira hora de filme é muito chata, sem clima e várias boas ideias são desperdiçadas. Uma delas são os tais brinquedos com os aparatos mortais. As melhores sequência do filme só acontecem praticamente no climax final. Numa delas, a babysitter do garoto resolve fazer bobiças com o namorado e o quarto é invadido por brinquedos programados para matar! E aqui percebe-se o potencial que o filme teria se tivessem elaborado mais momentos com os brinquedos. Na verdade, há, mas é pouco e nem se comparam com a cena do quarto. Aposto que um Charles Band não desperdiçaria a oportunidade. Por outro lado, temos Mickey Rooney marcando presença e pagando mico com seu Geppetto de araque. E olha como são as coisas. Dizem que Rooney escreveu uma carta de repúdio quando o primeiro filme da série foi lançado, dizendo que a produção difamava o espírito natalino… Teve que aceitar participar de uma das continuações pra receber um cheque e pagar as contas no fim do mês. Rooney, não custa lembrar, ainda vive, está com 93 anos.

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THE TOY MAKER vale uma conferida para quem estiver interessado em assistir a série inteira. Como filme de horror independente, já que não tem qualquer ligação com os outros filmes exceto pelo título, é fraco, apesar da última meia hora, com brinquedos assassinos, efeitos especiais criativos e um Pinocchio macabro com complexo de Édipo.

Para finalizar, em questão de preferência, coloco os filmes da série na seguinte ordem:

5. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT III: BETTER WATCH OUT! (89), M. Hellman
4. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT V: THE TOY MAKER (91), Martin Kitrosser
3. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT II (87), Lee Harry
2. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT (84), Charles E. Sellier
1. INITIATION: SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT IV (90), Brian Yuzna

Feliz natal!

INITIATION: SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT 4 (1990)

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Vamos recapitular: o primeiro SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT era sobre um garoto que viu seus pais sendo assassinados por um sujeito fantasiado de Papai Noel. Anos depois enlouquece e começa a tirar a vida das pessoas vestido de bom velhinho. No segundo, é a vez do irmão caçula desse maluco seguir seus passos. O terceiro, de alguma maneira, força uma continuação direta e traz novamente o assassino do segundo para tocar o terror. Agora, chegou a vez de INITIATION – SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT 4, de Brian Yuzna.

A abordagem deste aqui me lembrou o caso do excelente HALLOWEEN III. Para quem não sabe, a ideia de John Carpenter era transformar a sua série em filmes independentes para serem lançados no período de Halloween, cada um com sua trama, seus personagens, deixando o serial killer Michael Myers enterrado no segundo filme. Infelizmente, o público não gostou da proposta e no quarto HALLOWEEN trouxeram o personagem de volta do mundo dos mortos. Ainda que HALLOWEEN 4 seja muito bom, a série só foi decaindo daí pra frente…

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Enfim, em INITIATION a coisa funciona da mesma maneira que o terceiro HALLOWEEN, no sentido de não possuir relação alguma com os filmes anteriores da série a qual pertence. Na verdade, a coisa vai ainda mais além… Não apenas não tem relação como a história não tem absolutamente NADA a ver com o próprio Natal! Sim, o clímax transcorre numa noite de natal, há decorações natalinas em alguns cenários, uma cena de reunião familiar em volta da árvore de natal, mas a impressão que dá é a de que o roteiro foi escrito para ser um terror qualquer, independente de datas comemorativas. Suponho que em algum momento da pré-produção, resolveram que poderiam vender melhor o filme inserindo-o na série SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT, acrescentando os devidos elementos de natal e pronto. Mas, querem saber? Isso pouco importa, porque INITIATION é muito bom!

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Outro filme que INITIATION me lembrou vagamente foi O BEBÊ DE ROSEMARY, do Polanski. Trata-se de uma história de bruxaria, com rituais obscuros, mas com um subtexto de emancipação feminina que poderia se passar em qualquer época do ano. O filme começa com uma mulher que despenca do alto de um edifício em inspontânea combustão, sob o olhar do bizarrento Clint Howard. Depois, somos apresentados à protagonista, a belezinha Neith Hunter, uma aspirante a jornalista que quer mostrar serviço e começa a investigar esse estranho acontecimento para impressionar seu chefe (Reggie Bannister, da série PHANTASM) e tentar se igualar profissionalmente ao seu namorado, também jornalista. No entanto, a cada descoberta a moça se afunda num perigoso universo e acaba descobrindo que, na verdade, corre o risco de se tornar a próxima vítima de uma seita de bruxas, que tem Clint Howard como capanga.

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Nada de muito original, mas nem tão óbvio quanto parece… algumas soluções são interessantes e gostei muito da direção do Yuzna. Confesso que preciso ver muita coisa dele ainda, só vi SOCIETY e este aqui por enquanto (pois é, nunca vi as continuações de RE-ANIMATOR), mas até agora tem se revelado um diretor notável, uma mente criativa do gênero do horror nos anos 80/90. O sujeito sabe como criar um climão bem elaborado, atmosférico, como nas cenas em que a mocinha tem alucinações pertubadoras com insetos – o enquadramento da barata gigante é de arrepiar – ou a tensa sequência em que Clint Howard entra em ação para raptar a protagonista . Além disso, é simplesmente sensacional os planos que Yuzna consegue criar tirando proveito dos efeitos especiais repugnantes criados pelo genial Screaming Mad George.

INITIATION não é uma obra prima, quero deixar bem claro que possui falhas, algumas coisas de roteiro mal explicadas, mas é terror dos bons! Algo que pode prejudicar (na verdade, nem me importo) é o fato de carregar o nome SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT no título (a única referência que se faz à série é quando Howard liga a TV e está passando um dos filmes anteriores). Ignorando esse detalhe, temos um exemplar que merece ser redescoberto pelos fãs do gênero.

SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT III: BETTER WATCH OUT! (1989)

99270257Na época que assisti a NATAL SANGRENTO da primeira vez, logo me interessei em ver a série inteira. Ao conferir quem eram os diretores das sequências me veio a surpresa: nunca imaginei encontrar o nome de Monte Hellman relacionado a um deles. Sim, estou falando de um dos grandes mestres do cinema independente americano, que nos brindou com obras do calibre de TWO-LANE BLACKTOP, GALO DE BRIGA e westerns existencialistas, e que surge aqui na direção desta continuação de um slasher qualquer dos anos 80. A única explicação que eu vejo pra isso é o desespero de um artista tentando ganhar um trocado para pagar as contas no fim do mês…

Até porque o fato de ser o Hellman na realização acabou por não significar muita coisa. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT III não possui qualquer ligação com o cinema do homem, apesar da tentativa. Geralmente, seus filmes são lentos, reflexivos, mas tentar fazer a mesma coisa por aqui só resultou mesmo num terror fraquinho, sem inspiração. Não chega a ser um desastre total, mas é ruim até diante do segundo filme da série, que apesar de infame, diverte facilmente.

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Confesso que esperava mais. Gosto de acreditar que alguém como Hellman poderia entrar no meio de uma série de slasher meia boca e fazer uma pequena obra-prima, botar os demônios pra fora e foder de uma vez a mente do espectador! Digamos que o Ingmar Bergman, por algum motivo, logo após FANNY & ALEXANDER, tivesse decidido fazer um dos episódios de SEXTA-FEIRA 13, ou o Martin Scorsese optasse, no início dos anos 90, tomar o lugar do Albert Pyun em KICKBOXER IV… os fãs desses caras iam ficar malucos! Eu ia achar o máximo! É mais ou menos com esse pensamento que eu encarei SNDL III.

A história começa num hospital, onde um médico faz experiências com uma garota cega, que é uma espécie de vidente, colocando-a para dormir cheia de fios ligados à cabeça, tentando fazê-la ter algum contanto, através de sonhos, com o assassino do segundo filme, que está em coma no quarto ao lado e desta vez é interpretado pelo Bill Moseley… o mesmo assassino que, pelo que consta nos autos, teve a cabeça decepada! A ideia que tiveram para trazê-lo de volta, e com vida, é absurda, mas é até interessante. O cara teve o cérebro reconstruído e agora tem uma cúpula de vidro no alto da cabeça que deixa seu cérebro à mostra, algo típico de um quadrinho ou desenho animado! Tá vendo? Nem tudo é de se jogar fora por aqui…

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Bom, a cega e seu irmão, junto com a namorada, vão para a casa da vovó passar o natal, numa propriedade afastada da cidade. Só que o assassino acordou do coma e voltou a fazer suas vítimas desenfreadamente. Uma conexão psíquica com a cega, sequelas das experiências, faz com que o sujeito vá atrás da moça, deixando um rastro de corpos pelo caminho até a casa isolada que os protagonistas se encontram.

O problema é que quase todas as mortes de SNDN III são off screen, os diálogos são horrorosos e a estrutura do filme beira o amadorismo, assim como a noção de tempo, especialmente no último ato. Até sei apreciar alguns exemplares ruins assim, especialmente quando dirigidos por certos diretores notórios pela falta de talento, como um Uwe Boll ou Albert Pyun. Só não esperava algo do tipo realizado por um verdadeiro mestre. A única cena que realmente presta é Laura Harring, em início de carreira, bem à vontade dentro de uma banheira. Robert Culp, que vive o tenente encarregado no caso, também não decepciona. A protagonista é interpretada pela bela Samantha Scully, que lembra um pouco a Jennifer Connelly. Acho que as pessoas tinham uma tara por essas morenas de sobrancelhas grossas, vide Dario Argento em PHENOMENA…

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No fim das contas, é uma tentativa torta do Monte Hellman no universo slasher, que recomendaria ao menos uma espiada… É possível que num bom dia alguém desfrute mais do que eu dessa chatice. Na época, o filme foi lançado direto no mercado de vídeo. No Brasil recebeu o título de NOITE DO SILÊNCIO.

NATAL SANGRENTO 2 (Silent Night, Deadly Night 2, 1987)

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O desfecho do primeiro filme deixavam as coisas em aberto para uma óbvia continuação onde o “mal” do assassino fantasiado de Papai Noel teria passado para seu irmão mais novo. Dito e feito, a trama de NATAL SANGRENTO 2, de Lee Harry, segue o irmão, agora adulto e vivendo atrás das grades. Por meio de sua narração, conversando com um psiquiatra, saberemos, à base de flashbacks, o que o levou para o xadrez, além de um resumo do primeiro filme. E quando eu digo resumo, entra aqui uma picaretagem das boas! Incluíram sequências inteiras, diálogos inteiros, resumiram NATAL SANGRENTO inteiro nos primeiros 40 minutos deste aqui.

Duas opções pra quem quiser encarar a série. Você pode pular o filme original e ir logo para o segundo tomando um conhecimento CLARO do que foi a primeira parte. Ou assista ao primeiro e veja o segundo com o controle na mão para avançar praticamente 40 minutos de picaretagem. Mas, caso tenha assistido ao filme de 84 há muito tempo e esquecido do que se trata, assistir a este aqui irá refrescar a memória. De qualquer maneira, demonstra quão pilantras são os realizadores.

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O importante é não deixar de assistir a TODOS os momentos em que o protagonista aparece em cena e analisar seu desempenho. Eric Freeman é o nome da figura e apresenta uma das piores atuações que eu já vi na vida. Eu adoro atuações ruins. Geralmente isso é um motivo a mais para minha diversão quando vejo uma tralha dessas. É fácil notar a ausência de vocação do sujeito em artes dramáticas ainda no início, contando sua história, mas a partir do momento que ele narra os acontecimentos que fizeram surtar como seu irmão e iniciar uma onda de assassinatos agindo como um louco, a coisa fica ainda mais evidente, beirando o genial! Depois ele ainda foge da cadeia e se veste de Papai Noel também, para não quebrar a tradição, e seu desempenho consegue piorar mais ainda. Hour concours das atuações ruins, de longe! Só pra dar um gostinho, recomendo esse trecho para sentir a expressividade do sujeito… a força que ele possui em cena, no olhar e na risada. Um gênio, sem dúvida.

Inferior ao primeiro, mas com momentos impagáveis por conta do indivíduo aí acima, NATAL SANGRENTO 2 vale uma conferida. Continuamos com a série amanhã, o terceiro capítulo, dirigido pelo Monte Hellman. Vamos que vamos!

NATAL SANGRENTO (Silent Night, Deadly Night, 1984)

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Uma boa opção em Dezembro é reunir a família ao lado da árvore de natal, comendo peru com molho de mostarda, refrigerante, bombons, e conferir toda a série de filmes natalinos SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT! O primeiro filme é conhecido no brasil como NATAL SANGRENTO. Sua avó vai adorar! Nada melhor que Papai Noel segurando um machado pingando sangue em frente de um monte de criancinhas.

Dirigido por Charles E. Sellier Jr., NATAL SANGRENTO é um típico slasher movie que nunca foi celebrado como um HALLOWEEN ou SEXTA FEIRA 13, mas possui mais cérebro do que muita coisa estúpida do gênero lançada naquele período. O que não quer dizer que os exemplares estúpidos sejam ruins… Existe um monte de coisa boboca que me agrada e ainda me faz refletir bem mais como espectador do que algumas produções metidas a inteligente. É mais ou menos o caso deste aqui, cuja pretensão é apenas a de ser um bom filme de terror. No entanto, por um detalhe ou outro, consegue sobressair-se diante de alguns de seus “concorrentes” da época.

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Basicamente, os realizadores queriam um filme com um assassino vestido de Papai Noel. Só que até chegar ao ponto ao qual um sujeito entra na fantasia e sai cortando cabeças com um machado, o roteiro traça todo um painel ricamente detalhado do psicológico do personagem, abordando a sua infância e os acontecimentos traumáticos que levaram a agir de maneira tão brutal na fase adulta. Isso cheira à pretensioso por demais e daria um belo filme nas mãos de um Bergman, mas não é! Todo desenvolvimento do rapaz é tratado de maneira simples e visual, sem qualquer tipo de discurso psicoanalítico profundamente chato.

Gosto da cena no início da visita ao avô, que é essencial na construção do medo da figura do Papai Noel e culmina com o principal acontecimento que traumatiza o guri: a morte dos pais por um bandido fantasiado de bom velhinho. Outras sequências exploram esse trauma infantil com bom humor, como a que o protagonista, ainda criança, é obrigado a sentar no colo do Papai Noel e fica se debatendo até estourar um murro na cara do velhote, que cai todo ensanguentado perguntando: “What the hell is wrong with that kid?”.

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Já adulto, o machado come solto! As sequências de assassinatos não são lá muito criativas. O filme realmente fica a desejar nesse sentido. Apesar disso, em nenhum momento economizam em sangue e há um par de mortes interessantes, como a do garoto que tem a cabeça decepada pelo machado afiado do Papai Noel assassino enquanto desliza na neve com um trenó. Outra cena bacana é a que a jovem Linnea Quigley, antes de se tornar musa do horror oitentista, é empalada nos chifres de uma cabeça de veado preso à parede. A moça já aparece aqui mostrando seus belos dotes durante toda sua participação em cena… aliás, um dos bons motivos para não deixar de conferir NATAL SANGRENTO é a quantidade de nudez espalhada pelo filme.

Mas já dá pra ter uma noção de que NATAL SANGRENTO não é nenhuma obra-prima do horror e porque não possui o mesmo status de um HALLOWEEN, mas também não merecia ser massacrado pela crítica na época de seu lançamento, muito menos a campanha realizada por várias associações contra a sua exibição no cinema. Acabou fracassando comercialmente. Hoje é considerado cult, teve quatro continuações, o terceiro episódio é dirigido por ninguém menos que Monte Hellman e o quarto pelo Brian Yuzna, e vou comentar todos aqui no blog nos próximos dias.

THRILLER – A CRUEL PICTURE (1974)

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Aproveitando o post anterior, republico este texto do blog antigo, caso alguém ainda não tenha lido. THRILLER – A CRUEL PICTURE é simplesmente maravilhoso e nunca é demais relembrar e celebrar sua existência e a jornada da ingênua garota muda que se transforma numa das vingadoras mais implacáveis da história do cinema.

Se fosse há quinze anos, certamente estaria falando de uma famigerada raridade muito mais discutida do que realmente vista na sua versão integral. Mas depois de sua redescoberta e o lançamento em DVD há tempos no exterior, falar de THRILLER é chover no molhado… Mas é um filme que causa certo fascínio e eu precisava escrever sobre ele por aqui no Dementia¹³. Trata-se de um dos exploitations mais famosos dos anos setenta, bastante lembrando também por ter sido uma das principais inspirações do Tarantino ao escrever a saga da Noiva em KILL BILL, além de ser um dos pontos de partida para qualquer cinéfilo maluco que queira iniciar-se no universo do cinema extremo.

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Produção sueca, assinada pelo diretor, produtor e roteirista Bo Arne Vibenius, que foi assistente de direção de Ingmar Bergman em PERSONA, THRILLER surgiu como uma tentativa de recuperar o dinheiro gasto no primeiro filme de Vibenius, uma aventura de fantasia infantil que ninguém viu e que foi um desastre de bilheteria. Segundo ele, este aqui seria apenas um “commercial-as-hell crap-film”. Então não sei onde foi que ele “errou”, mas ao realizar este rape and revenge movie literalmente cruel, como o título adianta, uma autêntica obra de exploração abusando de doses cavalares de violência gráfica e sexo explícito, o sujeito acabou criando um clássico da subversão cultuado em todo mundo!

Todo o enredo de THRILLER é voltado para esses dois elementos básicos: violência e sexo. Logo no início, uma menina é estuprada por um velho louco e por consequência do trauma, ficou muda. Certo dia, ao perder o ônibus que a levaria de volta pra casa, a moça, agora jovem e interpretada pela musa Christina Lindberg, aceita carona de um sujeito que pela cara percebe-se que não possui as melhores intenções. Ingênua de tudo, ele a leva para jantar e depois para sua casa, onde a garota é drogada com heroína até ficar viciada e ser obrigada a se prostituir para “viver”.

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O primeiro cliente que aparece a pobrezinha o ataca ferozmente! Como castigo, uma pequena lição para não esquecer, o gigolô lhe perfura um olho com um bisturi, numa das imagens mais chocantes do cinema “grind house”. A coisa fica ainda mais repugnante quando ficamos sabendo dos bastidores dessa sequência e que o olho que assistimos ser cortado pela lâmina sem qualquer edição era de um cadáver real de uma garota que havia morrido há pouco tempo. Brrr!

Ao descobrir que seus pais cometeram suicídio por causa das cartas injustas e maldosas que o gigolô enviava à eles com a assinatura dela, a garota inicia um longo processo de vingança que consiste num aprendizado de artes marciais, tiro ao alvo e habilidades ao volante, para depois partir para o ataque brutal contra todos que lhe fizeram algum tipo de mal.

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Vibenius quis demonstrar que vingança é um “prato que se come frio” de forma literal. Além da narrativa construida sem pressa alguma, quase todas as cenas de ação foram estilizadas ao máximo, mostradas num super slow motion incômodo, beeeeeeem leeeeeeeeento, mas ao mesmo tempo surreal, violento e dramático.

Outro detalhe que faz o espectador levantar a sobrancelha são as pontuais cenas de sexo explícito inseridas na edição. Nenhuma delas foram filmadas com a Lindberg que, na trama, protagoniza as cenas em questão. Mas causam um estranhamento danado… Em determinado momento vemos a protagonista treinando karatê, praticando tiro ao alvo e logo em seguida um plano fechado “daquilo” entrando “naquilo”.

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O filme acabou banido da Suécia e por muito tempo pensou-se que fora o primeiro exemplar a cometer essa “proeza” por lá (na verdade, o primeiro filme proibido no país foi THE GARDENER, de Victor Sjostrom, em 1912). THRILLER foi tão multilado na época para poder chegar aos cinemas ao redor do mundo (e mesmo assim com muita dificuldade) que faço confusão com tantas versões existentes. A cópia lançada nos Estados Unidos, recebeu o título sensacional de THEY CALL HER ONE EYE, e existem relatos de que o filme passou no SBT com o título ELES A CHAMAM DE CAOLHA!!!

No entanto, apesar de toda essa áurea subversiva e doentia, de ser assumidamente um produto de exploração, com seu enredo repulsivo, cenas grotescas de violência escancarada e sexo explícito, um dos aspectos que sempre me impressionou muito em THRILLER é como o filme é lindo visualmente! Vibenius tinha muita noção de enquadramentos e surpreende com momentos de grande força estética, sublinhadas por composições que buscam trabalhar o fetiche semiótico, imagens que se transformaram em ícones do universo exploitation. A pequena Christina Linderg com o tapa olho (que muda de cor dependendo da ocasião, genial!), o sobretudo preto, carregando a pesada escopeta nas mãos é um exemplo claro disso

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Vibenius realizou apenas mais um filme após este aqui, BREAKING POINT (75), mais uma mistura controversa entre horror, thriller e sexo explícito. Infelizmente foi seu último trabalho e confesso que nunca vi. Pretendo corrigir este detalhe em breve. Lindberg já era musa do exploitation quando fez THRILLER no início dos anos 70 e sua beleza é incontestável. Além disso, o papel que faz aqui é exatamente o ideal para ela, pois suas características físicas naturais faz com que pareça muito mais jovem do que sua verdadeira idade. Sem contar que a atriz não precisa abrir a boca para soltar uma frase sequer, então só lhe restou utilizar de seus belos atributos físicos e se impor como um anjo da vingança. Saiu-se perfeitamente bem.

ESPECIAL McT #3: DURO DE MATAR (Die Hard, 1988)

1359741734_1Dizem que DURO DE MATAR é o pai do cinema de ação moderno feito em Hollywood. Não vou discordar, mas se for mesmo, não deve estar se sentindo muito orgulhoso com o resultado atual. Em algum momento em meados dos anos 90 algo deu errado no percurso e hoje 90% do que é produzido em termos de filmes de ação nos Estados Unidos pode ser considerado lixo, puro e simples. Mas não tenho intenção agora de ficar ressaltando a mediocridade do cinema de ação Hollywoodiano atual. O que quero aqui é prosseguir minha peregrinação pelo cinema de John McTiernan, especialmente agora que chegamos em sua obra-prima máxima, também conhecida como – e não tenho receio algum de afirmar isso, mesmo que alguém possa discordar – o melhor filme de ação americano de todos os tempos.

Acho que nem precisava me preocupar em descrever a trama, mas vamos lá. John McClane (Bruce Willis) é um policial de Nova York que vai a Los Angeles visitar sua esposa e filhos na véspera de natal. O casamento não anda lá essas coisas, a mulher mora em outra cidade por conta de um emprego numa multinacional, e o sujeito acha que é um bom momento de tentar uma reaproximação. Os planos de McClane vão por água abaixo quando um grupo de terroristas internacionais, liderado pelo maquiavélico Hans Gruber (Alan Rickman), decide invadir o local, manter todo mundo como refém e roubar 600 milhões de dólares em títulos trancados num cofre do prédio. Para a nossa sorte, McClane consegue escapulir das vistas dos bandidos e passa o filme inteiro sendo “o pior pesadelo” de Hans e sua turma.

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O filme segue a mesma linha de O PREDADOR, trabalho anterior de McTiernan, em termos de ação, na qual toda a trama se estrutura como um grande thriller, mais focado nas situações de tensão do que em lutas e tiroteios. Só a ideia de ter um cara sozinho no mesmo ambiente que um monte de criminosos armados e as mais variadas situações que podem surgir a partir daí já é meio caminho andado para segurar o espectador na poltrona. Um dos grandes êxitos de DURO DE MATAR é conseguir segurar um estado de tensão constante e amplificar a sensação caótica que McClane se encontra. Ou seja, o filme possui um ritmo alucinante independente da situação mostrada. Mesmo os momentos de conversa  são tão apreensivos quanto os instantes mais urgentes de ação.

Funciona especialmente pela ideia do protagonista vulnerável, do herói humanizado, talvez o tópico mais importante de DURO DE MATAR. E a escolha de Bruce Willis é fundamental. O filme nasceu como um projeto de continuação para COMANDO PARA MATAR (85), estrelado pelo Arnold Schwarzenegger. Não sei se no primeiro tratamento do roteiro o plano era colocar John Matrix (Arnie) num prédio cheio de terroristas, ou se a história já era baseado no livro de Roderick Thorp. Só sei que a coisa começou a desandar quando o Arnoldão abandonou o barco. Mudanças aqui e acolá, passaram-se alguns anos e finalmente os roteiristas Jeb Stuart e Steven E. de Souza conseguiram chegar em algo que agradasse o produtor Joel Silver e ao McTiernan.

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O livro de Thorp que serviu de inspiração para DURO DE MATAR chama-se Nothing Lasts Forever, que é uma continuação de outra obra do autor chamada The Detective. Esta já havia sido adaptada para o cinema no fim dos anos 60, com Frank Sinatra, que, aliás, mesmo aos 73 ano de idade, foi lhe oferecido o papel de John McClane por conta de uma clausula de um contrato referente ao filme anterior. Seria, no mínimo, estranho o Blue Eyes velhinho enfrentando terroristas. E o Bruce Willis? Ainda demorou a ser encontrado. O personagem foi oferecido aos dois maiores astros do cinema de ação na época, Schwarzenegger e Stallone, e também a Burt Reynolds, Richard Gere, Harrisson Ford, Mel Gibson e outros… Todos rejeitaram.

No fim das contas, calhou de ser aquele sujeitinho mais conhecido pelo seriado A GATA E O RATO, que fazia sucesso na época. É interessante fazer um exercício de imaginação e pensar como seria Burt Reynolds pendurado na mangueira de incêndio com aquele bigodão, ou Harrisson Ford soltando um Yippie-kai-yai motherfucker, mas não dá para negar que a escolha de Bruce Willis foi perfeita, embora ninguém acreditasse que pudesse carregar um filme de ação. A melhor escolha? Nunca se sabe, mas perfeita acho que podemos garantir. Qualquer outro ator no lugar de Willis e teríamos um DURO DE MATAR absurdamente diferente.

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Mas o que o homem tem que outros não têm? Basta olhar pra ele. Bruce é a representação do sujeito comum e o extremo oposto dos musculosos e indestrutíveis action heroes que povoavam os anos 80. E esse é um dos principais motivos que faz DURO DE MATAR ser o grande marco no cinema de ação americano e o policial John McClane um dos personagens mais revolucionários do gênero.

É o herói cinematográfico com atributos de um ser humano normal: Seus músculos não são volumosos, seu corpo e mente vulneráveis e em certas circunstâncias não sabe nem o que fazer. Sujeira, suor e sangue se acumulam e o simples fato de estar com os pés descalços torna-se um elemento narrativo. McClane precisar salvar o prédio tomado por terroristas e ainda tem questões conjugais a resolver. Estávamos acostumados em ver Stallone costurando seus próprios ferimentos no meio do mato, ou Schwarzenegger carregando tranquilamente uma tora pesada no braço, enquanto McClane age como se tivesse saído da vida real e poderia ser qualquer um de nós.

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Claro, basta assistir ao filme para perceber que, na verdade, não. Não poderia. Vamos ser honestos, ninguém teria colhões de pular do terraço de um arranha-céu prestes a explodir apenas com a mangueira de incêndio amarrado na cintura. É um “herói de carne e osso”, mas ainda estamos diante de um filme de ação exagerado da década de 80. De qualquer maneira, há uma identificação por parte do público muito maior com McClane do que o personagem “exército de um homem só” que monopolizava o gênero naquele período.

E não vamos esquecer que se o desenvolvimento de um bom herói eventualmente depende de um grande vilão, vale destacar o desempenho magistral de Alan Rickman, que compõe um Hans Gruber frio e calculista, que age de maneira extremamente racional. A relação que desenvolve com McClane é outro ponto forte de DURO DE MATAR e cria um equilíbrio narrativo interessante. Se assemelha a uma partida de xadrez: De um lado o herói improvisando diversas maneiras de sobreviver e salvar o dia e do outro um adversário cauteloso que pensa com cuidado antes de realizar qualquer movimento com seus peões.

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É curiosa também a relação de McClane com o sargento Al Powell, interpretado por Reginald VelJohnson, que o ajuda na jornada em conversas por rádio. Powell é o contato externo de John McClane e, mesmo sem compartilhar o mesmo ambiente, há uma química forte entre os dois. Uma maneira inusitada que o filme trabalha a ideia de sidekick. O encontro dos dois ao final, que nunca haviam se visto antes, é tocante.

Graças ao excepcional roteiro de Stuart e Souza, outros coadjuvantes ganham uma dimensão bem maior que o de costume. É o caso da esposa do homem, Holly (Bonnie Bedelia); Argyle, o motorista da limousine; Harry Ellis (Hart Bochner), que é um do personagens mais babacas que já pintou nos filmes de ação; além de outros que têm participações menores, mas conseguem de alguma maneira “deixar sua marca”, como o eterno capanga, Al Leong, roubando chocolate e Robert Davi na cena em que sobrevoa o Nakatomi Plaza de helicóptero e solta a minha frase favorita do filme: “Just like fuckin’ Saigon!“. E olha que estamos diante de um filme em que a cada quinze segundos os personagens soltam frases que se tornaram memoráveis.

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Além disso, DURO DE MATAR é repleto de pequenos toques geniais. Desde o início, a descoberta de McClane em esfregar os dedos dos pés no carpete após um longo vôo (obrigando o personagem a andar descalço o restante do filme), o poster de uma garota pelada na parede que serve como guia para o herói se localizar no labirinto de Nakatomi, até o uso de Beethoven na trilha sonora quando os terroristas adentram o cofre, acabam por criar uma experiência das mais ricas e fascinantes do cinema americano dos últimos trinta anos.

John McTiernan, diretor classudo, moderno e detalhista, realmente conseguiu reunir todos os elementos que precisava para fazer um verdadeiro épico do cinema de ação, uma obra-prima do gênero sem antecedentes. Orquestra cada cena, cada fragmento de filme, com uma excelente noção de ritmo e de arquitetura da ação, além de inteligência (o fato do protagonista utilizar mais o cérebro do que balas para se livrar dos apuros é sinal disso). O filme ainda cresce absurdamente sob um olhar estético, cortesia do holandês Jan de Bont na direção de fotografia, abusando de lens flare bem antes de virar modinha com J.J. Abrams.

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E em matéria de ação, alguns momentos já se tornaram clássicos: o tiroteio na cobertura do edifício que culmina no fosso do elevador e nos dutos de ventilação; a S.W.A.T. tentando invadir o local; o confronto entre o herói e Karl, o “braço direito” de Hans, um alemão brutamontes querendo vingar a morte do irmão (a primeira vítima de McClane); a já citada mangueira de incêndio e vários outras cenas pontuais que transformaram DURO DE MATAR num dos mais representativos filmes de ação daquele período.

Logo, dizem que é o pai do cinema de ação moderno… Ok, agora que chegamos aqui, preciso concordar com essa afirmação.  Hollywood mudou a maneira de trabalhar o gênero após a existência de DURO DE MATAR – trazendo junto mais de um milhão de exemplares com o selo DIE HARD plot, como A FORÇA EM ALERTA, com Steven Seagal, PASSAGEIRO 57, com Wesley Snipes, e, claro, DURO DE MATAR 2, dois anos depois. O problema é que ninguém no cinema americano pós-88 chegou perto de fazer algo tão magnífico com um filme de ação como DURO DE MATAR. É uma pena, portanto, que hoje pouquíssimos “filhos” façam esse “pai” se orgulhar.

Vale lembrar, já que estamos em dezembro, que DURO DE MATAR é um filme natalino. Nada melhor que rever ou apresentar para alguém que ainda não tenha visto. Bem melhor do que aquelas produções piegas onde as pessoas descobrem o significado do natal e blá blá blá… O verdadeiro significado do natal é Bruce Willis descalço pisando em caco de vidro pra livrar a carcaça! Ho-Ho-Ho!