McTIERNAN STYLE (3)

… ou seria McClane style?

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Ho-Ho-Ho

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ENTER THE NINJA (1981)

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Fui convidado pelo companheiro Karl Brezdin, do blog Fist of B-List, para participar do NINJAVEMBER 2013, um especial que reúne em seu blog textos sobre filmes de ninja espalhados pela blogosfera. Como ele disse que não havia problema o texto ser em português, resolvi contribuir com ENTER THE NINJA. Não faço ideia se outro blog vá escrever sobre o filme, mas isso pouco importa. O fato é que se existe um subgênero chamado, digamos, “ninja movie“, esta fita aqui pode ser considerada uma das mais importantes.

Filmes de ninja sempre existiram, mas AMERICAN NINJA, de Sam Firstenberg, talvez tenha sido o principal responsável por popularizar a figura do guerreiro encapuzado no cinema ocidental. Mas se voltarmos um pouco no tempo para conferir a origem da febre nos Estados Unidos, provavelmente chegaremos em ENTER THE NINJA. Produzido pela Cannon Group, da dupla Golan-Globus, e dirigido pelo próprio Menahem Golan, o filme estabelece a ideia do ocidental que se torna um mestre da arte ninjitsu. No caso deste aqui, temos ninguém menos que o italiano Franco Nero, com bigode e tudo mais, dentro de um pijama branco.

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Após completar seu treinamento no Japão e se tornar um mestre ninja, Nero vai para as Filipinas ajudar um amigo de longa data (Alex Courtney, que é a cara do James Caan na época do PODEROSO CHEFÃO), que possui um rancho no local e passa por alguns problemas com um grande empresário que quer comprar suas terras. A mulher do sujeito, Susan George, ama o local e não pretende vender de maneira alguma. E a coisa vai complicando, porque a oferta do inescrupuloso businessman é “irrecusável”, do tipo “ou vende, ou algo ruim pode acontecer“.

E o recém formado “ninja branco” resolve ajudar da melhor forma possível: distribuindo pancadas em capangas que tentam persuadir seu amigo. Finalmente, o vilão, que é interpretado por Chistopher George, decide utilizar dos mesmos recursos de seu adversário e contrata um ninja diretamente do Japão para bater de frente com Franco Nero. E por pura coincidência e originalidade do roteiro, o cara escolhe justamente um desafeto do protagonista da época dos estudos ninja, vivido por Shô Kosugi.

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Ok, já dá pra ter uma noção do que teremos aqui. Sim, o filme é bobo e até um bocado constrangedor em alguns momentos, mas acaba divertindo justamente por isso. Por exemplo, tá certo que todos nós admiramos Franco Nero como o casca-grossa do Spaghetti Western e do cinema Polizieschi, o sujeito que interpretou Keoma e o Django original. No entanto, convenhamos, como mestre ninja não convence nem a minha avó. Mas a graça de ENTER THE NINJA está exatamente na ideia absurda de ter alguém do calibre de Franco Nero como um ninja, por mais ridícula que seja. É daquelas alegrias que só o cinema dos anos 80 poderia proporcionar.

Como Nero não percebe nada de artes marciais, em TODAS as cenas de luta nota-se claramente o uso de dublê, independente do personagem estar vestido de ninja ou não. Mas a grande sacada é que entre um golpe e outro em plano aberto com o dublê, corta para um close do Franco Nero fazendo cara de quem realmente estava enfrentando uns vinte sujeitos de uma vez. É simplesmente genial. Há uma outra cena que entrega de bandeja a total falta de habilidade do ator. Nero pega um nunchaku e começa a manuseá-lo em um momento de treino, tentando fazer aqueles movimentos estilo Bruce Lee, e o resultado é extremamente tosco! Hahaha! Belo mestre ninja esse aí…

 De qualquer forma, esta questão foi alterada na continuação, REVENGE OF THE NINJA, que traz de volta o Shô Kosugi como herói. No papel de vilão até que manda bem por aqui, só que o filme é tão bobinho que em momento algum sentimos que ele é uma ameaça para o Nero. O confronto final entre os dois, por exemplo, é bem curto e o herói não tem grandes dificuldades para derrotá-lo.

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Quem se destaca é Christopher George que faz um dos vilões mais estereotipados dos anos 80. Seu personagem ficou famoso nesta era do youtube por conta da cena em que é morto pelo herói, com um video cujo título é Best Death Scene Ever. Como podemos perceber, Nero manda uma estrelinha ninja em cheio no peito do sujeito, que desmunheca, solta um gritinho estranho e faz umas caras impagáveis… Uma performance corporal artística muito expressiva, eu diria. De fazer inveja a Marlon Brando ou Lawrence Olivier. Susan George também tem muita presença, especialmente porque se nota que está sem sutiã durante o filme inteiro e os peitos ficam balançando debaixo da blusa.

A ação de ENTER THE NINJA é basicamente composta por pancadaria, só que conduzida sem muita inspiração. Até que há o suficiente pra manter o espectador entretido, mas são rápidas e não chegam a empolgar muito. São má dirigidas, má coreografadas, má decupadas. Mas valem pela presença do Franco Nero inserido nos close-ups. Alguns momentos que tentam aproveitar mais da essência do ninjitsu, especialmente as armas e as habilidades especiais que só os ninjas possuem, acabam se tornando mais interessantes. Mas, no fim das contas, são outros detalhes, ridículos ou não, que importam e que fazem ENTER THE NINJA o clássico que é.

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TOP 10 MARTIN SCORSESE

Celebrando o aniversário do homem, aqui vão os meus dez filmes favoritos hoje dirigidos pelo Scorsese, em ordem de preferência:

10s10. GANGUES DE NOVA YORK (Gangs of New York, 2002)

vlcsnap-2010-11-23-22h42m51s4609. VIVENDO NO LIMITE (Bringing Out the Dead, 1999)

08s08. A COR DO DINHEIRO (The Color of Money, 1986)

07s07. TOURO INDOMÁVEL (Raging Bull, 1980)

06s06. OS BONS COMPANHEIROS (Goodfellas, 1990)

05s05. CASSINO (Casino, 1995)

04s04. CAMINHOS PERIGOSOS (Mean Streets, 1973)

03s03. O REI DA COMÉDIA (The King of Comedy, 1982)

after hours02. DEPOIS DE HORAS (After Hours, 1986)

01p01. TAXI DRIVER (1976)

ESPECIAL McT #2: O PREDADOR (Predator, 1987)

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O legal de fazer uma peregrinação pelo cinema de John McTiernan é que sua filmografia não possui má fase. Tá certo que 13º GUERREIRO não é lá grandes coisas – preciso rever, só lembro que não gostei – mas a carreira do homem é coerente no seu excelente nível de qualidade. E logo após a estreia com NOMADS, o sujeito já ataca com O PREDADOR, daqueles filmes que representa tudo que há de melhor no cinema de ação truculento dos anos 80. E ainda acrescenta um elemento sci-fi para deixa a coisa ainda mais interessante.

McTiernan tem a capacidade de fazer filmes que se tornam mais sublimes a cada novo contato. Pelo menos os principais têm essa proeza de nunca perderem a força: DURO DE MATAR (88), O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (93), DURO DE MATAR III (96) e, claro, este aqui, que revi pela milésima há poucos dias e, não teve jeito, permanece a belezura de sempre.  

Na trama, o major Dutch, vivido pelo Arnold Schwarzenegger, comandante de um grupo de veteranos do Vietnam especializado em missões especiais, é convocado para resgatar militares que, possivelmente, foram sequestrados por guerrilheiros nas selvas de algum país latino-americano após a queda do helicóptero que os transportavam. Em pouco tempo de busca, os militares são encontrados… mortos. Com os corpos totalmente esfolados, pendurados nas árvores de cabeça para baixo. A partir daí, a busca passa a ser dos assassinos dos companheiros pela floresta adentro, já que ninguém pode sair impune de tamanha barbárie.

No entanto, Dutch e seus homens, aos poucos, começam a perceber, da pior maneira possível, que seu inimigo não é um guerrilheiro, não é nem sequer humano, mas algo desconhecido, com habilidades notáveis e um poder de fogo assustador. A coisa vai esquentando e a tensão subindo à medida em que cada personagem é abatido de forma brutal, até chegar num inevitável confronto, o embate derradeiro e arrasador do homem vs criatura.

Podem não acreditar, mas a gênese de O PREDADOR surgiu como uma brincadeira entre os roteiristas, os irmãos Jim e John Thomas, do tipo “e se rolasse o encontro entre Rambo e E.T. – O EXTRATERRESTRE?“.  Claro que a coisa precisou se desenvolver bastante até se transformar nesta espécie de WILD BUNCH com anabolizantes. Especialmente em relação ao visitante do espaço. E não deve ter sido fácil controlar os egos de todos os brutamontes que conseguiram reunir por aqui. 

Uma das proezas dos roteiristas foi exatamente conseguir criar um conjunto preciso de características para cada personagem, o que deve ter ajudado a manter os egos controlados. Mesmo que alguns sejam um bocado estereotipados, todos têm uma personalidade singular e, enquanto não sobra apenas o Arnoldão no final, TODOS têm praticamente a mesma importância na aventura e possuem seus momentos de protagonismo. 

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Além do Arnie, o elenco parrudo é formado por Bill Duke, Carl Weathers, Sonny Landham, e Jesse Ventura, que tenta roubar a cena. Embora seja um dos primeiros a vestir o terno de madeira, seu personagem, arrogante ao extremo, foi agraciado com algumas das falas mais legais de PREDADOR. “I ain’t got time to bleed” é uma das minhas favoritas. Landham também faz uma figura legal, com toda a mística indígena, trazendo elementos de faroeste para o filme. Curioso que no seu contrato o ator deveria estar sempre acompanhado de um guarda-costas. Mas não era para protegê-lo, mas sim proteger os outros do Landham, que tinha fama de brigão. Do lado menos robusto temos Shane Black, o roteirista criador de MÁQUINA MORTÍFERA, fazendo o papel do cara de óculos menos musculoso do grupo, e Richard Chaves, que não possui tanta presença física, mas consegue se destacar entre os fortões.

No entanto, dentre os brutamontes reunidos aqui, incluindo o próprio Predador, quem se sobressai mesmo é o bom e velho Schwarzenegger. Dutch é um de seus melhores personagens, o primeiro que uniu toda a áurea do action hero com um jeitão totalmente cool. Seja com o charuto no canto da boca e a polo vermelha no início do filme ou com o corpo coberto de lama, segurando uma tocha e gritando à plenos pulmões para atrair o Pedrador para suas armadilhas estilo Rambo. Poucos atores conseguiram chegar no seu nível de presença física, de caracterização do herói cinematográfico, de maneira tão contundente a partir dos anos 80.

Um dos elementos essenciais de PREDADOR em relação aos atores se estabelece logo no início, quando Dutch reencontra um velho companheiro de guerra, Dillon (Carl Weathers). Conan/John Matrix encontra Appolo Creed/Action Jackson! Ambos se vêem, trocam piadas, um chama o outro de filho da puta e dão as mãos para se cumprimentarem. Nesse ato de tocar as mãos, inicia uma pequena disputa de queda de braço e a câmera foca nos músculos avantajados de ambos, especialmente do ex-miss universo que possuía um baita muque.

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O físico, a força bruta, dos atores funciona como componente dramático-visual. Esses caras, pelo menos a maioria, desempenham seus papeis não apenas através do gesto corporal, das expressões faciais, da fala e suas entonações, mas também na maneira como o bíceps aparece na tela, como os músculos do pescoço se comportam no enquadramento, como as veias sobressaltam na pele somando valor estético, o que torna PREDADOR um dos filmes mais físicos que existe.

E ver como esse bando de machões musculosos começa a demonstrar fragilidade e medo diante da ameaça desconhecida é uma das ideias mais incríveis do filme. Há uma cena em que Landham diz, com toda frieza do mundo, que está com medo. E Chaves retruca “Bullshit. You ain’t afraid of no man.“. “There’s something out there waiting for us, and it ain’t no man. We’re all gonna die.“, arremata Landham. Ainda assim, na hora do “vâmo vê”, o sujeito larga a metralhadora, e pega uma faca para esperar uma morte honrosa enfrentando o adversário de frente.

Quando o Predador finalmente aparece em cena, percebe-se que os personagens realmente tinham motivos para temer. A ideia da camuflagem é ótima, bem feita com os efeitos especiais da época, mas é em seu estado natural, e sem a máscara, que a coisa impressiona. E pensar que tudo poderia ser diferente, no mau sentido… Sim, aquela história de que Jean-Claude Van Damme havia sido escalado para ser o Predador é verdadeira. O belga chegou a participar de algumas filmagens, mas sua participação foi interrompida e, aparentemente, suas cenas não chegaram a ser utilizadas. O problema foi quando a fantasia de alienígena, na concepção original (foto abaixo) chegou à locação para as filmagens. A produção percebeu que o visual era absurdamente inapropriado. Parecia um besouro gigante, um monstro de ficção científica dos anos 50. No papel funcionava, mas na prática não.

Acreditem. Dentro daquela roupa está JCVD.

Acreditem. Dentro daquela roupa está JCVD.

Após algumas tentativas, decidiram que atitudes drásticas deveriam ser tomadas. Contrataram o mestre Stan Winston, que em tempo recorde criou o visual do alien que aparece no filme. Trocaram o dublê (Van Damme) que vestiria a fantasia, pegaram um sujeito de dois metros de altura, e voilà, estava pronto um guerreiro das estrelas, com visual badass, dreads, e uma imponência de dar calafrios. Além disso, Van Damme é baixinho, não fazia muito sentido tê-lo como um perigoso alienígena. O que ele faria no confronto com o Arnie? Daria um chute rodado?

O Predador não possui qualquer de background nesse primeiro filme. Sabemos que é um visitante de outro planeta porque logo na abertura uma nave espacial chega à Terra. Em PREDADOR 2 é possível conhecer alguns detalhes a mais. No entanto, o que importa aqui é a ameaça ele representa. É a perfeita personificação do mal, um colecionador de crânios humanos querendo aumentar seu mostruário. E isso basta para embarcar na aventura de Arnie e seus companheiros. El Diablo cazador de hombres, como bem define Elpidia Garrillo, a única mulher no filme.

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E parece que o Predador se diverte bastante com essa sua atividade, brincando de “quem eu vou matar primeiro?“. Claro que ele facilita as coisas para o seu lado com seus aparatos alienígenas de última geração pra cima de indivíduos inferiores como nós, terráqueos. Deve ser para não correr muitos riscos. Mas não desperdiça a chance de uma boa briga de mãos limpas, como no final, quando tira o capacete, as armas e decide encarar o Shwarza no mano a mano.

Dentre todos os envolvidos em O PREDADOR, talvez o mais casca-grossa mesmo seja o McTiernan, cuja carreira de diretor estava dando ainda os primeiros passos, mas encarou o projeto, pegou vários brutamontes, jogou todos no meio do mato e filmou como gente grande. Após essa experiência o sujeito estava pronto pra outra. E não foi a toa que no ano seguinte revolucionou o cinema de ação com DURO DE MATAR.

Toda a trama de O PREDADOR é uma grande aventura, um grande thriller, com tiros e explosões pontuais distribuídas pela narrativa, mas bastante focado no suspense, na ideia do monstro que pode atacar a qualquer instante. Um dos grandes momentos do filme faz exatamente essa mistura de suspense e a ação exacerbada típica dos anos 80:

Após a tensão de um iminente encontro com a criatura, Bill Duke chega ao local onde Ventura fora atingido por um laser e só dá tempo de ver o Predador piscando os olhos para ele. Num ato de desespero instintivo, o sujeito pega a minigun e começa a cuspir fogo na direção que o nariz aponta. Aos poucos, os outros companheiros vão chegando e, mesmo sem fazer a mínima ideia em quem ou o que o Duke está atirando, não pensam duas vezes e começam a atirar também! E quando a munição do pente acaba, eles trocam e continuam atirando! São 64 segundos da mais pura dose de truculência cinematográfica!

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Ação urgente e frenética, com troca de tiros, facadas e pirotecnia, ao estilo COMANDO PARA MATAR, só acontece em um momento, o ataque ao acampamento dos guerrilheiros. Mas é para arregaçar! McTiernan conduz o espetáculo de maneira clássica e artesanal, com muito domínio da gramática da ação, filmando apenas o essencial. O resultado não poderia ser mais expressivo, classudo e fisicamente exagerado. Especialmente quando temos Jesse Ventura com sua minigun! É de encher os olhos dos aficcionados pelo gênero, graças, também, ao trabalho excepcional do coordenador de dublês, Craig R. Baxley, que dirigiu alguns filmes interessantes, como ACTION JACKSON, STONE COLD e I COME IN PEACE.

A verdade é que com o elenco que temos aqui, a construção dos personagens e a trama estilo jungle war, não precisaria nem de um alienígena assassino na jogada para termos um bom filme de ação oitentista. Mas, como temos um ingrediente que torna o filme mais especial do que já seria, ao final rola o confronto épico entre Arnold e a criatura do espaço para arrematar um filme perfeito, simples e sem excessos. O estilo aqui é diferente da ação anterior, mais cadenciada, atmosférica e estratégica, mas não menos física. Quando os dois personagens partem para a trocação, o austríaco leva a maior surra de sua carreira, mas McTiernan cria algumas das imagens mais emblemáticas do cinema de ação e ficção científica dos anos 80.

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Como todo clássico instantâneo daquele período que se preze, PREDADOR, numa original mistura de gêneros, também influenciou algumas produções menos abastadas, que aproveitavam as principais ideias de filmes de sucesso, gerando os famigerados rip-off’s. Da mesma maneira que MAD MAX II, FUGA DE NY e O SEGREDO DO ABISMO, PREDADOR foi responsável por imitações como ROBOWAR, de Bruno Mattei, BANGIS, DNA, com Mark Dacascos, e vários outros.

Também vieram as continuações. PREDADOR 2, dirigido por Stephen Hopkins, acontece na cidade grande, na selva urbana, e temos Danny Glover como policial tentando resolver a situação. Gosto dessa sequência, só não vi tantas vezes quanto o original. E já está meio que na hora de rever… PREDADORES, de 2010, é bem fraco. Agora, os crossovers do universo ALIEN com PREDADOR, confesso que nunca tive interesse algum em conferir. Prefiro continuar revendo de vez em quando esta  maravilha aqui.

AJUSTE FINAL (Miller’s Crossing, 1990)

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É interessante perceber as mudanças das próprias opiniões. Revi recentemente O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ, um dos filmes que me fez gostar dos Irmãos Coen e já não vi muita graça… Por outro lado, reencontrei-me com AJUSTE FINAL. O primeiro contato que tivemos, no meio dos anos noventa passou em branco, sem relevância alguma. Muito Stallone e Schwarzenegger na cabeça, eu acho. Passados quase vinte anos, continuo com Stallone’s e Schwarzenegger’s na cabeça, mas que surpresa agradável! Seja lá o que tenha acontecido foi como assistir a outro filme. E é, sem dúvida alguma, um dos melhores trabalhos dos irmãos Coen.

O ano de 1990 foi bom para os filmes de gangsters, não? Scorsese lançou OS BONS COMPANHEIROS e o Coppola fechou sua famosa trilogia com a obra-prima O PODEROSO CHEFÃO – PARTE III (que me perdoem os fãs, é o melhor filme da série). Neste contexto que surge AJUSTE FINAL, uma obra menor diante destes dois colossos cinematográficos daquele período, mas que não deixa de ter encanto e personalidade. Sua proposta é um pouco diferente também. Enquanto os filmes de Scorsese e Coppola são épicos que trabalham seus personagens e universos de forma densa, detalhista e dramática, o filme dos Coen’s se revela mais como uma elegante diversão e conta com o roteiro perspicaz, diálogos afiados e o humor característico da dupla, além de uma boa dose de violência estilizada.

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A trama me lembra um pouco YOJIMBO, de Akira Kurosawa. Gabriel Byrne é Tom Reagan, o braço direito de Leo (Albert Finney), o grande chefão do crime na cidade. Tom cuida muito bem dos negócios do chefe, com muita lealdade, mas por trás mantém um romance com a noiva (Marcia Gay Harden pagando de femme fatale) do seu patrão. Quando a sacanagem é finalmente descoberta, Tom acaba banido da organização e passa a trabalhar para a facção rival, embora nunca se saiba ao certo de que lado o sujeito está jogando… Mas é aqui que AJUSTE FINAL concentra uma série de confrontos entre os personagens e situações tensas que me deixou vidrado até o último segundo.

Outro detalhe que não vai deixar o espectador tirar os olhos da tela é o elenco. Além dos já citados, temos John Polito, que tem alguns dos melhores momentos do filme como o chefe da organização rival; o excelente J. E. Freeman; o grandalhão Mike Starr; e os habituais colaboradores dos Coen’s, Steve Buscemi e John Turturro. E há uma pontinha ótima do diretor Sam Raimi. É preciso destacar a performance de Albert Finney, pelo menos na sequência mais impressionante de AJUSTE FINAL, o ataque que seu personagem sofre em sua casa e a maneira como reage com uma tommy gun cospe-fogo atirando freneticamente pra cima dos adversários. Mais badass impossível. No entanto, é Gabriel Byrne quem carrega o filme com uma atuação refinada e cheia de sutilezas.

Digno de nota também é o trabalho de fotografia e direção de arte, que colabora muito para a criação do universo de AJUSTE FINAL, que não tem a ambição pretensiosa de seus “concorrentes” do período, mas acabou se revelando numa pequena jóia do gênero que eu havia esquecido lá no início dos anos noventa.

ESPECIAL McT #1: NOMADS (1986)

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Já era um “veterano” em McTiernan quando vi NOMADS pela primeira vez há pouco mais de dois anos. Revi incontáveis vezes PREDADOR (87), O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (93), DURO DE MATAR III (95), além do primeiro DURO DE MATAR (88) que é um dos meus filmes de ação de cabeceira. Tinha assistido também a outros trabalhos do homem, como CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO (90), THOMAS CROWN (99), BASIC (03) e vos garanto que toda essa experiência com os seus filmes posteriores não me preparou em nada para conferir este estranhíssimo horror movie que marcaria a estreia de McTiernan na direção.

O autor de John McTiernan: LeMaître du Cinéma d’action, Claude Monnier, lembra de uma história interessante com Howard Hawks, na época do lançamento de seu primeiro filme, de 1926, THE ROAD TO GLORY. Tendo acabado de conferir aquele dramalhão pesado e trágico, o produtor Sol Wurtzel chegou para o Hawks e disse “Pronto, você demonstrou que é capaz de realizar um filme. Mas, pelo amor de Deus, faça agora algo mais divertido!”. E, realmente, há uma diferença absurda entre NOMADS e o restante da carreira do McTiernan. Dá a impressão de que o sujeito queria exorcizar alguns demônios antes de se firmar em Hollywood.

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NOMADS é aquele caso no qual falar pouco já é falar demais. O certo seria apenas recomendá-lo, “assistam a essa bagaça sem ler nada a respeito“. No entanto, já falando demais, a trama de gira em torno de um antropólogo francês, interpretado pelo Pierce Brosnan, famoso por estudos de tribos nômades ao redor do mundo. Quando chega a Los Angeles, junto com a esposa, para dar aulas numa universidade, acaba tendo problemas com uma gangue de punks barra pesada. Ao invés de chamar a polícia, ou algo assim, o sujeito decide reviver suas experiências antropológicas em pleno submundo urbano. Passa, então, a seguir, tirar fotos e observar os hábitos da gangue pelos cantos da cidade. A coisa toma contornos cada vez mais bizarros quando Brosnan descobre que, na verdade, aquele grupo é formado por espíritos, ou demônios, que vagueiam como nômades pela Terra em forma humana para espalhar o mal.

E se tudo isso já não bastasse, a maneira como McTiernan estrutura a trama contribui para manter as coisas de forma ainda mais enigmática e com certa originalidade. O próprio plot que eu descrevi aí em cima acaba acontecendo de uma maneria bem diferente do que se espera. E o filme não faz a mínima questão de entregar tudo explicado de bandeja para o espectador, o que pra mim é essencial, uma pena que isso seja cada vez mais raro no cinema atual. O roteiro é do próprio McTiernan e foi o único que escreveu em toda a carreira.

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Já na direção, o sujeito demonstra uma talento raro na condução de um debut. Faz algumas experimentações estéticas, mas a maior parte do tempo mantém um estilo clássico de um mestre, com pequenos movimentos de câmera conscientes, enquadramentos bem compostos e muita noção de ritmo. As sequências noturnas, em especial, são bem bonitas visualmente, com bastante atmosfera e tensão, como nos momentos em que Brosnan espreita a corja pelas ruas escuras.

Há uma cena incrível que o protagonista se esconde das figuras que o perseguem debaixo de um carro. A câmera fica lá estática mostrando o ator deitado enquanto os pés dos seus algozes aparecem o rondando, mas não dá pra saber se eles o perderam de vista, ou se estão brincando com o sujeito. Só sei que a cena é tensa pra cacete! Outro momento que me marcou foi quando Brosnan joga um desses seres do alto de um prédio e o indivíduo cai sob o mesmo enquadramento do Hans Gruber (Alan Rickman) em DURO DE MATAR… Esse enquadramento em especial parece ser uma obsessão na carreira do McTiernan. Há também em O ÚLTIMO GRANDE HERÓI e DURO DE MATAR III. 

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Mesmo com a qualidade visual, NOMADS foi massacrado pela crítica na época. Mas há mesmo algumas questões que realmente podem espantar a clientela: a narrativa se torna confusa em determinada altura, o experimentalismo da gramática do horror, a falta de explicação, até o sotaque do Brosnan, que é irlandês, mas interpreta um francês, que se muda para L.A. Depende do nível de tolerância de cada um. Essas questões, para mim, não são nada e simplesmente embarquei na trama, no visual onírico, na atmosfera inquietante de sonho, na trilha sonora oitentista, ignorei os pontos discutíveis e, longe de ser uma obra-prima, NOMADS resultou num mix de estranheza e encantamento.

Não é um PREDADOR ou DURO DE MATAR, mas é surpreendentemente sólido como filme de horror, especialmente vindo de um estreante. Aliás, há um ator que disse em sua biografia que ficou tão hipnotizando com o clima do filme que convenceu os produtores a contratarem o diretor para sua próxima empreitada. O ator é o Arnold Schwarzenegger e o filme acabou se tornando o segundo trabalho de McTiernan, que nem preciso dizer qual é…