SORCERESS (1995)

Série Scream Queens/Femme Fatales #2: Julie Strain

Outro dia eu me preparei pra ver um filme que pudesse servir para homenagear a musa maior, Julie Strain, aqui nessa série. Já que SORCERESS, do Jim Wynorski, tem a moça estampada no cartaz, logo pensei “Fechado! É esse mesmo!”. Com dez minutos de projeção, deu para perceber que a Julie não seria a protagonista. Mas, isso não me abateu. Praticamente todas as cenas em que aparece sua presença encanta de maneira descomunal, especialmente pela ausência de pano sobre o corpo. E que corpo…  ai, ai…

Mas resolvi mantê-la como a homenageada da vez. Julie Strain nunca é demais! Uma das musas que mais me fascinou e que desde a época da adolescência já habitava os pensamentos dos trabalhadores braçais nas madrugadas de sábado para domingo ligados na Band nos anos 90.

Bem, como ela sai de cena muito rápido na trama de SORCERESS, é claro que outras beldades surgem para povoar a história, que é bem bobinha, centrada num grupo de bruxas que querem roubar os maridos uma das outras, a bruxa Fulana encarna no corpo de Ciclana e por ai vai. É sempre bom agradecer ao sujeito que inventou o botão de “passar pra frente”, seja lá quem for, e usá-lo com moderação, parando nas cenas mais interessantes.

Como por exemplo quando Julie aparece, óbvio! Há uma sequência de sonho na qual rola um ménage à trois feminino que é de um teor erótico que chega a ser subversivo! Como se Joe D’Amato tivesse encarnado no Wynorski, que criou uma sequência realmente excitante… o problema dessa minha frase é que o D’Amato ainda estava vivo na época, mas enfim, é softcore da melhor qualidade!

No entanto, nem só de peitos de fora que SORCERESS é feito. É um filme que possui um pé no horror, com elementos sobrenaturais e há alguns momentos de suspense bem tensos para quem resolveu prestar atenção e embarcar na história. Especialmente no clímax final, com a ação paralela, um pouco de violência e… peitos de fora.

O elenco é outro destaque que ajuda a manter a atenção, mesmo quando as atrizes estão vestidas. Como Linda Blair, que vive uma das Bruxas. Mas não se preocupem, ela não tira a roupa em momento algum.

Já a deliciosa Rochelle Swanson, que merece uma futura homenagem aqui na série, faz um bom trabalho embelezando a tela, mostrando seus atributos…

Toni Naples, que fez vários outros filmes com o Wynorski nesse período, também marca presença.

E Kristi Ducati, uma playmate que teve uma curta carreira de “atriz”, é quem encara a tradicional cena do banho, obrigatória em quase todos os filmes do Wynorski.

E não podemos deixar de mencionar William “Blacula” Marshall, Larry Poindexter (o herói do filme) , Michael Parks, Lenny Juliano (outro fiel colaborador do diretor) e a ponta de Fred Olen Ray como reporter de tv.

SORCERESS teve uma continuação dirigida por Richard Styles, um colaborador dos projetos de Wynorski nos anos 90. Julie Strain novamente aparece em grande destaque nas artes promocionais, resta saber se a participação dela é maior do que neste primeiro. O que é certo é que num futuro teremos mais dela por aqui.

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TRÊS FILMES DE HORROR

Reclama-se muito de como há remakes hoje. Dos últimos três filmes de horror atuais que vi, e que comentarei brevemente aqui, dois são remakes e apenas um original. Reclama-se de como há remakes, mas só por curiosidade MANIAC (2012),  de Franck Khalfoun, refilmagem do filme de William Lustig, do início dos 80, não é de se jogar fora, é um bom exercício, e EVIL DEAD (2013), que dispensa apresentação,do uruguaio Fede Alvarez, é simplesmente BRUTAL!!! Enquanto THE LORDS OF SALEM (2012), roteiro original escrito e dirigido pelo Rob Zombie, é uma bela duma porcaria… Que venham mais remakes então, oras!

Mas tenho consciência de que isso não reflete realmente o que acontece. E é óbvio que prefiro um mercado produzindo horror original a remakes, os quais considero desnecessários na grande maioria das vezes, mas não sou desses xiitas que berram aos quatro ventos o ódio pelas refilmagens. Assisto tranquilamente e torço para que sejam bons.

É o caso de MANIAC, que não chega aos pés do clássico de Lustig, mas consegue alguns bons resultados como exercício de suspense. Khalfoun optou por uma câmera subjetiva que acompanha o protagonista, um serial killer perturbado, vivido por Elijah Wood, praticamente o filme inteiro. Cria alguns momentos fascinantes de tensão. Especialmente nas sequências onde o sangue jorra, a violência entra em cena, gera um incômodo pelo realismo. Assistir uma pessoa sendo assassinada pelos olhos do assassino, literalmente, é algo que causa certo arrepio. Mas, é essa mesma câmera subjetiva, esse caráter experimental, que enche o raio do saco em determinada altura pelo excesso e acaba esgotando a ideia.

Objetivo, curto, bonito visualmente, violento à beça, mas no fim, a sensação é a de um filme bem mais ou menos…  No entanto, é aquela coisa, melhor um filme que se arrisca e se estrepa numa tentativa de ser diferente do que a mesmice de sempre.

E se o grande público não conhece, ou não se lembra, do MANIAC original, o novo EVIL DEAD tinha uma difícil tarefa pela frente: tentar ser algo que prestasse remexendo num dos materiais mais cultuados no universo do horror oitentista. E, bem, não só consegue prestar, como vai muito além! É um puta filmaço!!! Adaptação inteligente, com algumas modificações em relação ao original que poderiam se transformar num desastre, mas que deram certo, deram ainda mais personalidade à obra, sem perder o respeito pelo filme do Raimi. O nível de violência, para uma produção mainstream, é absurdamente extremo, um banho de sangue dos mais atordoantes que eu me lembro de ter visto numa sala de cinema. Sem contar a atmosfera pesada, demoníaca, incômoda, que me deixou grudado na poltrona do início ao fim, as atuações sensacionais, personagens interessantes e maduros (e nada de adolescentes bestas), sangue old school, violência gráfica, mais sangue, membros decepados, mais violência subversiva!

Não é que seja algo revolucionário esse EVIL DEAD, longe disso, mas é uma revitalização simpática à mitologia criada pelo Sam Raimi. Rola umas ideias por aí que estão querendo juntar a série antiga com essa nova e trazer de volta o famigerado Ash (Bruce Campbell até aparace no final dos créditos soltando um “groovy”), um dos persoangens mais emblemáticos do horror moderno. Mexam-se, já tem a minha benção! Hehe! Este aqui, sem dúvida nenhuma, é o melhor filme de horror do ano até agora!

Enquanto isso, o pobre Rob Zombie tenta… Até gosto dos seus dois primeiros filmes, A CASA DOS 1000 CORPOS (2003) e REJEITADOS DO DIABO (2005) (os HALLOWEENS são porcarias), mas ainda assim não são nada de mais. Seu novo trabalho, THE LORDS OF SALEN é um desastre completo. E o pior é que há alguns detalhes importantes que são interessantes e que só mesmo uma anta para estragar. O plot básico, por exemplo, o tema de bruxaria e toda a ligação que faz com a protagonista (Sheri Moon), uma DJ gostosa de dreads, personagem incrível! Pô! Dá para enxergar um potencial nesse projeto! Mas aí o Zombie resolve pegar tudo e transformar numa chatice sem tamanho, num sonífero, num besteirol pretensioso, que paga de auteur cool do horror… blergh!

MARTIAL LAW (1990)

Então para acabar com a preocupação de todos, resolvi aproveitar um intervalo nesse domingo para escrever sobre qualquer tralha. Isso mesmo, tralha… Confesso que exagerei no último post. Esbravejei ódio sobre “filmes que de tão ruim chegam a ser bom”, e acabei percebendo que, na verdade, ainda amo esse tipo de coisa. Sim, criei outro blog para um determinado tipo de cinema, mas para esclarecer de uma vez, as coisas no Dementia 13 não vão mudar… talvez o template mude de novo… vamos ver…

Por isso, escolhi um dos piores filmes que vi nos últimos tempos (e não é do tipo que chega a ser bom). MARTIAL LAW é um filmeco de ação policial que mistura artes marciais e tem como protagonistas o sósia do Mickey Rourke, Chad McQueen (filho do grande Steve), e a musa da pancadaria, Cynthia Rothrock. E mais, David Carradine fazendo o grande vilão, um chefe do sindicato do crime que gosta de cair na porrada contra seus desafetos. McQueen e Rothrock são um casal de namorados e também policiais e estão na cola de Carradine. O problema é quando o irmão mais novo do herói começa trabalhar para o mafioso.

Mesmo com um plot básico e besta como esse em mãos, os realizadores tiveram a capacidade de fazer um filme tosco, sem foco, travado… Que desperdício! É tão ruim que nem encontrei imagens para ilustrar o post. então vai um trailer… dublado em alemão, que, acreditem, é melhor que o filme inteiro:

Mas ainda assim é muito bom poder ver o velho David Carradine como um típico vilão clássico dos filmes de ação dos anos 80 e 90. Não basta ter apenas o coração duro, cheio de maldade e chefiar uma rede de crimes, o sujeito ainda conhece técnicas proibidas de artes marciais, que matam com o poder das mãos. É o toque da morte! O personagem usa essas qualidades mortais em algumas ocasiões, no grandalhão Professor Toru Tanaka, por exemplo. MARTIAL LAW tem várias sequências de pancadaria e até são bem feitas. Mas parece que falta algo, falta um elemento de diversão, uma graça (não diria humor, mas realmente se leva muito à sério), uma trama mais bem definida, até uma perseguição de carro talvez contribuísse para o andamento…

MARTIAL LAW teve ainda duas continuações. E apesar desta primeira parte ser um tanto medíocre, algumas coisas são corrigidas nas sequências. Mas ainda assim, este filme me traz algumas reflexões… Por que há duas continuações dessa porcaria? Será que o público da época ao se deparar com esta obra prima clamou por outros filmes? Vai saber… mas é por isso que eu adoro os filmes B de ação dos anos 90. E se eu parar de escrever sobre esse tipo de coisa em língua portuguesa, quem é que vai escrever? É por isso que eu vou me manter firme e forte por aqui. Obrigado a todos que comentaram no último post, e também os que não comentaram, são vocês que fazem isso aqui acontecer.