PAINEL DO CINEMA DE AÇÃO EM 2012

Em relação a 2011, este ano tivemos um retrocesso na quantidade de filmes de ação realmente estimulantes e interessantes. Naquela altura, consegui listar doze bons representantes do gênero, desta vez, apenas cinco… apesar de todos serem de muito respeito, a constatação de um número tão baixo é deprimente para os fãs de ação. De todo modo, segue a lista dos exemplares que em 2012 mereceram os devidos elogios (em ordem alfabética):

007 – SKYFALL, Sam Mendes
DREDD 3D, Pete Travis
OS MERCENÁRIOS 2, Simon West
THE RAID, Gareth Evans
UNIVERSAL SOLDIER 4: DAY OF RECKONING, John Hyams

Outro seis exemplares que, se não possuem o mesmo nível desses aí em cima, ao menos não são de se jogar fora (em ordem alfabética):

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA, de Marc Webb
GET THE GRINGO, Adrian Grunberg
LOOPER, Rian Johnson
PROTEGENDO O INIMIGO, Daniel Espinosa
RECOIL, Terry Miles
OS VINGADORES, Josh Wedhon

Agora, fiquei abismado pela numerosa quantidade de decepções que o gênero proporcionou esse ano. Uma caralhada de filmes péssimos, vagabundos, que eu esperava, no mínimo, noventa minutos de diversão. E alguns estrelados por Van Damme, Lundgren, Adkins, Danny Trejo… 2012 realmente não foi bom para o cinema de ação direct to video. Segue uma amostra:

6 BULLETS, Ernie Barbarash. Com Van Damme.
DRAGON EYES, John Hyams. Com Van Damme e Peter Weller.
EL GRINGO, Eduardo Rodriguez. Com Scott Adkins.
FORÇA TÁTICA, Adamo P. Cultraro. Com Steve Austine e Michael Jai White
ONE IN THE CHAMBER, William Kaufman. Com o Dolph.
BOURNE LEGACY, Tony Gilroy
BAD ASS, Craig Moss. com Danny Trejo.
BUSCA IMPLACÁVEL 2, Olivier Megaton (relutei em colocar este aqui nesta categoria, pois apesar do roteiro besta, tem ação suficiente pra prender a atenção. O problema é que o tal do Megaton [com esse nome de Transformers] consegue filmar ação pior que o Michael Bay. Assim não dá ).

E alguns outros que não me lembro agora…

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TOP 5 – BADASSES de 2012

Dando início às listas de melhores do ano com o selo DEMENTIA 13, aqui vai um top 5 dos personagens mais durões, truculentos, cascas-grossas que tivemos em 2012:

05. John (Scott Adkins) – UNIVERSAL SOLDIER 4: DAY OF RECKONING 
 Sujeito que encara Andrei Arlovski, Dolph Lundgren e Jean Claude Van Damme no mesmo filme, tem que estar na lista.

04. Drayke Salgado (Danny Trejo) – RECOIL 
Onde o Trejo falhou sendo “mocinho” de BADASS, acertou em cheio sendo o vilão carrancudo de RECOIL, que não despreza um bom mano a mano para massacrar suas vítimas. 

03. Forrest Bondurant (Tom Hardy) – LAWLESS 
Mãos humanas são incapazes de destruir esse cara.

02. Mad Dog (Yayan Ruhian) – THE RAID 
Eu prefiro enfrentar dez Iko Uwais de uma só vez do que Mad Dog sozinho! O sujeito é cão chupando manga! O vilão mais assustador do cinema de ação dos últimos anos.

01. BOOKER (CHUCK NORRIS) – OS MERCENÁRIOS 2
O mito cristalizado ao som de Ennio Morricone.

OS BÁRBAROS (The Barbarians, 1987)

Daquela listinha de filmes de fantasia, Sword and Sorcerer, que eu postei outro dia, um dos exemplares que causou mais alvoroço foi OS BARBAROS. Alguns amigos acharam engraçado por eu ter lembrado desse filme que passou milhares de vezes no Cinema em Casa do SBT. E como estamos falando de um trabalho do italiano Ruggero Deodato, nada melhor que ressaltar como era bom ter doze anos e poder conferir às tardes da TV brasileira nos anos 90 um filme com bastante sangue, membros decepados e peitos de fora. Algo impossível para um moleque atualmente, que tem de se contentar com os filmes de animais falantes que empesteiam diariamente a programação… Neste fim de ano, meus votos de um grande pau no c@#$% do politicamente correto.

De todo modo, OS BÁRBAROS é uma porcaria. Fui rever essa semana para escrever para o blog e, putz, acreditem, é a coisa mais ridícula do mundo. Ainda bem que já sou vacinado contra tralhas desse tipo e encontro tantos elementos engraçados que fica impossível não sair satisfeito quando o filme termina. Tem que “saber ver”… ou ter um puta mal gosto, que deve ser o meu caso. Ainda bem que nem mesmo os próprios realizadores levaram o filme a sério. Devem ter percebido a estupidez que estavam fazendo…

Se não estou enganado, é o longa mais caro da carreira do Sr. Deodato, uma produção da nostálgica Cannon group. Custou cerca de quatro milhões de dólares (a obra prima do homem, CANNIBAL HOLOCAUSTO, pra ter uma noção, custou estimados cem mil mangos). Além disso, pelo que consta nos autos, Ruggero entrou na bagaça um mês depois que a pré-produção havia começado, substituindo o iuguslavo Slobodan Sijan. Mas não acredito que o orçamento caro e a maneira como entrou no projeto poderiam causar interferências no resultado do trabalho de um galo velho como o Ruggero Deodato.

Na minha opinião, quem realmente atrapalha são esses dois fortinhos aí em cima, os protagonistas, conhecidos como “barbarians brothers”, Peter Paul e David Paul, gêmeos idênticos e que não passam de montanhas de músculos que mal conseguem decorar o texto do roteiro. As atuações são inteiramente resumidas naquilo que, visualmente, suas capacidades físicas podem demonstrar. Como conseguem levantar uma pesadíssima pedra que impede uma passagem; como conseguem arrebentar uma corda, durante o próprio enforcamento, utilizando apenas os músculos do pescoço; como abrem passagem por uma parede para escapar de algum perigo, etc, etc… Vez ou outra, tentam compensar a limitação dramática com constrangedoras encenações humorísticas. E é simplesmente ridículo quando começam a fazer sons de animais, como lobo ou jegue… sem qualquer motivo!!! Fico pensando como deve ter surgido a ideia…

Peter ou David, ou ambos: “E se ao invés de falar essa frase profunda e filosófica que está no roteiro, eu fizesse o som de um jumento?!?!

Ruggero Deodato: “Cáspita! Desisto!  Por que não conseguiram me trazer o austríaco?

Menahen Golan: “Sr. Deodato, ninguém faz um som de jegue tão bom quanto esses gêmeos. Não são uma graça?

Whoops! Filme errado!

E aí são caretas, beijinhos e piscadelas pra tela… É tão imbecil que eu não conseguia parar de rir.

A trama trascorre em tempos antigos, “a time of Demons, Darkness and Sorcery“, como diz o narrador. Uma caravana de artistas circences nômades é atacada pelo exército do terrível Kadar, vivido pelo genial Richard Lynch, que deseja tomar posse de um rubi mágico que pertence ao grupo, além de querer papar a líder, Canary, que é um loira bonitona. Kadar não é bobo… Logo, Canary e todo seu grupo é levado cativo, inclusive dois garotos irmãos gêmeos, que crescem, ficam fortes, fogem, recuperam o tal rubi, libertam Cannay e conseguem vingança destruindo Kadar. É isso.

Existem várias sacadas legais em OS BÁRBAROS que tornam o filme mais divertido, como por exemplo o fato dos irmãos serem criados longe um do outro, fazendo trabalhos forçados e apanhando covardemente. Um leva chicotada de um grandalhão que usa um capacete dourado. O outro, a mesma coisa, só muda o grandalhão e a cor do capacete para prata. Já adultos, Kadar – que se fosse nosso contemporâneo seria publicitário – ordena uma luta de espadas entre os dois. O plano maquiavélico do sujeito é fazer com que os irmãos se enfrentem com ódio extremo no coração relacionando o significado visual dos capacetes representado para os dois protagonistas.

Depois, o filme fica mais bobo ainda, mas nunca chato! Mantém sempre o grau de entretenimento na mesma proporção do nível de ridículo do desempenho dos “barbarian brothers”. Ao menos é possível notar como a produção gastou muito bem o orçamento nos figurinos dos personagens, nos cenários fantasiosos, nas maquiagens, no monstro gigante mecânico e, claro, no elenco, que além do Richard Lynch temos o galã Michael Barryman marcando presença. Ambos haviam trabalhado com Deodato no filmaço CUT AND RUN. George Eastman, aka Luigi Montefiori, faz uma rápida participação disputando uma queda de braço com um dos barbarian brothers antes de iniciar uma briga frenética numa taverna. Até isso não faltou em OS BÁRBAROS

Abaixo, um aperitivo que demonstra o grande talento dos “barbarian brothers“. Um dos grandes mistérios do cinema é tentar descobrir os motivos pelos quais não foram indicados ao Oscar por essa impressionante atuação. Confiram:

WALTER HILL EM TALES FROM THE CRYPT

Uma das coisas mais legais dessas séries que eu via na infância e mexiam com o fantástico, como AMAZING STORIES e TWILIGHT ZONE, era poder conferir a seleção dos diretores e roteiristas interessantes daquele período que ficavam responsáveis pelos episódios. Walter Hill, por exemplo, era um dos produtores de TALES FROM THE CRYPT e chegou a dirigir três episódios nas três primeiras temporadas da série. Como venho escrevendo sobre alguns filmes dele atualmente, como forma de preparação para o lançamento de BULLET TO THE HEAD no ano que vem, não custa nada comentar essas pequenas produções que levam a sua assinatura.

THE MAN WHO WAS THE DEATH foi o primeiríssimo episódio de toda a série, lançado em 10 de Junho de 1989. Conta com o subestimado William Sadler encabeçando o elenco, vivendo um carrasco dos tempos modernos. Para ser mais exato, é o sujeito que liga a cadeira elétrica na execução dos condenados. E ele preza bastante pelo serviço que presta. O problema é quando surge uma lei abolindo a pena de morte e o personagem decide, simplesmente, continuar a fazer o seu trabalho, como uma espécie de vigilante, arranjando maneiras de eletrocutar meliantes. Nada sensacional, mas uma delícia de se ver. Hill sabe muito bem onde colocar a câmera, sem fazer firulas, constrói tudo no equilíbrio entre o humor e o clima de suspense. Mas o destaque mesmo é a grande atuação de Sadler, que narra o episódio e vez ou outra resolve olhar diretamente para a câmera, para o público, enquanto constrói a narrativa. Bom episódio pra começar uma das séries mais bacanas que eu assistia na TV na pré adolescência.

Já o CUTTING CARDS, terceiro episódio da segunda temporada, é sensacional! Eu já não me lembro tanto, mas deve ser um dos mais legais da série inteira! Hilário, macabro, tenso… A trama é a seguinte: dois jogadores viciados e rivais, encarnados com genialidade por Lance Henriksen (que trabalhou com Hill em JOHNNY HANDSOME) e Kevin Tighe (que esteve em 48 HORAS – PARTE 2), decidem, em apenas uma noite, resolver as suas diferenças fazendo apostas extremas e perigosas. A atenção do episódio se divide entre ver esses dois magníficos atores contracenando e a habilidade de Hill em manter a dose de humor negro e a tensão das situações. Uma roleta russa malfadada e um jogo de poker macabro, onde a cada rodada, o perdedor tem um dedo decepado pelo seu adversário. Depois, outro dedo, e outro… a mão, braço e por aí vai… Só não digo que é das melhroes coisas que o Hill já filmou porque o sujeito tem coisa boa até dizer chega em sua carreira, mas é mais uma boa prova da maestria deste grande diretor.

Apesar disso, DEADLINE, da terceira temporada, não é tão bom quanto esses dois acima, infelizmente. Aqui temos Richard Jordan como um jornalista desempregado, por causa dos problemas com álcool, tentando de tudo conseguir seu emprego de volta. Para isso precisa de uma boa história que será colocada no caderno policial e vai conseguir, nem que tenha, de fato, criar a notícia, se é que me entendem… A história é boa e Jordan está excelente como sujeito desesperado tentando não surtar. Mas o que pega é que falta uma certa leveza… aquele equilíbrio entre um humor ácido com os elementos do horror e suspense não aparece tão bem em relação ao que Hill havia conseguido anteriormemente. Esperava mais. No entanto, vale a pena a conferida para os fãs que desejam ver tudo do homem.

Aliás, os três episódios podem ser conferidos no youtube.