A CAÇADA (Fled, 1996)

Para um adolescente viciado em filmes de ação sem muitos critérios, assistir A CAÇADA na época que saiu nas locadoras foi o máximo! Me peguei pensando nesse filme recentemente e fui rever pra ver o que acontecia. Anda meio esquecido atualmente (e por que alguém se lembraria?), então resolvi ressuscitá-lo, até porque se está bem longe de ser um dos melhores filmes do gênero, é bem mais movimentado do que eu lembrava. Noventa minutos de pura diversão bobinha que passam voando. Claro, basta não levar muito a sério.

A CAÇADA é inspirado em ACORRENTADOS (58), de Stanley Kramer, cuja trama é sobre dois prisioneiros, um branco e um negro, acorrentados um ao outro, tentando escapar após um acidente com o ônibus do presídio. Na atualização da história a coisa é um pouco mais elaborada, envolvendo um policial infiltrado, roubos milionários cibernéticos e um disquete com informações suficientes para colocar um chefão da máfia cubana atrás das grades… não que isso torne o filme mais complexo. Ao contrário, o longa original em sua simplicidade é muito mais definido nos temas que aborda. Aqui tudo leva à ação. Se naquela altura os protagonistas eram os grandes Sidney Poitier e Tony Curtis, aqui temos a presença de Laurence Fishburne e Stephen Baldwin. O elenco ainda conta com Bill Patton (fazeno um sotaque redneck muito bizarro), Salma Hayek e Robert John Burk.

Fishburne, um tempinho antes de virar Morpheus, parece à vontade, encarnando o personagem durão que faz pose para atirar nos bandidos e solta um “Time do pay the piper” antes de jogar o vilão para a morte (só para constar, o nome do personagem é Piper, ). Já o Baldwin é aquele caso de ator que de tão canastra eu acabo gostando. O sujeito até que se esforça, mas sua atuação acaba ficando mais cômica do que já é. Principalmente quando tenta pagar de bonitão, como na cena na boate de striptease aí em baixo. Aliás, uma boa cena!

A direção é de Kevin Hooks, que fez outro filme de ação dos anos noventa carente de uma revisão: PASSAGEIRO 57, com o Wesley Snipes. Em A CAÇADA, a ação até que é boa, mas filmada de maneira simples demais. Até temos alguns momentos interessantes e que nunca saíram da minha memória, como a cena em que Fishburne atira contra um carro depois de uma perseguição em alta velocidade pilotando uma Ducati. No entanto, o departamento seria melhor avaliado pela quantidade de tiroteios, perseguições, pancadaria e situações de tensão do que a qualidade da direção dessas cenas. É nesse ponto que um John Woo ou Walter Hill fazem a diferença em relação a outros diretores. Talvez uma caprichada na construção e decupagem dos tiroteios e etc transformassem A CAÇADA em algo mais marcante.

Mas foi legal revê-lo. Talvez o faça de novo daqui uns 50 anos.

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FIREFOX (1982)

Não, não se trata de uma versão cinematográfica do browse de internet, Mozilla Firefox. FIREFOX, do Clint Eastwood, é simplesmente um dos thrillers mais extraordinários que o sujeito já dirigiu, basicamente por causa de uma ideia que beira a genialidade. Clint tem que roubar um avião russo super moderno, cujos comandos de controle devem ser enviado através do pensamento utilizando um capacete especial. Detalhe: o pensamento tem que ser em russo! Isso é fantástico!!! É para esse tipo de coisa que o cinema existe.

De uma forma geral, o filme não chega nem perto de ser uma obra prima ou coisa parecida, embora seja um eficiente thriller de espionagem. Mas a simples ideia do “pensar em russo” é desses detalhes que me causam fascínio extremo.

Clint interpreta um ex-piloto do exército americano que vive recluso no meio do nada, após sofrer alguns traumas durante a guerra do Vietnã, e é novamente recrutado para essa missão super secreta que eu escrevi ali em cima. Outro detalhe, o personagem do Clint sabe russo. E um dos grandes destaques de FIREFOX é poder acompanhar o ator/diretor nesse papel, um piloto que já não é mais tão jovem, resgatado da aposentadoria contra sua vontade para realizar um tipo de serviço que só ele pode fazer. E o Clint está bem à vontade no personagem.

A maior parte do filme é o sujeito se esgueirando pelas ruas de Moscou ou vilarejos na Rússia, usando disfarces diferentes, passaportes falsos, encontrando espiões que lhe ajudam, esse tipo de coisa que o Hitchcock fez muito bem em CORTINA RASGADA. Há momentos que são realmente intrigantes, alguns de prender a respiração, como na cena em que o protagonista precisa matar um agente da KGB num banheiro de metrô. Mas há uma série de trechos em que não acontece muita coisa. FIREFOX acaba sendo muito mais longo do que precisa.

Mas tudo prepara o espectador para o tal roubo do jato, durante o climax final. Quando isso de fato acontece, é um espetáculo, e o problema do ritmo já nem incomoda mais. As cenas do jato com o Clint pilotando com os pensamentos em russo – e uma perseguição que ocorre em pleno ar quando surge um outro super avião querendo derrubá-lo – foram supervisionadas pelo mestre dos efeitos especiais John Dykstra, que já estava na onda das naves espaciais, fazendo o mesmo trabalho em STAR WARS. O resultado aqui é visualmente incrível.

FIREFOX recebeu o título literalmente traduzido no Brasil: RAPOSA DE FOGO. Recomendo para quem curte um thriller de espionagem fora dos padrões.

SOUTHERN COMFORT (1981)

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SOUTHERN COMFORT é sobre um grupo da Guarda Nacional americana que realiza uns treinamentos de localização e navegação pelos pântanos da Louisiana, tentando encontrar um local específico, exercitando a utilização de mapas, etc. A maioria deles está levando o trabalho bem à sério, muito preocupados com as putas que vão comer quando terminar o exercício. Quero dizer, até mesmo as armas que levam em punho estão carregadas com festim. Em quem vão atirar? Estão em solo americano, não existe inimigo nesse treinamento…

Os problemas começam quando se dão conta de que estão completamente perdidos. Onde deveria haver tal objetivo, só tem água e mais água… Decidem então pegar “emprestado” algumas canoas que encontram num acampamento aparentemente abandonado à beira do rio, com alguns animais esfolados no local e tal… Mas deixam um bilhete pra quem quer que fosse. Depois de alguns minutos navegando, o pelotão descobre que está sendo observado à distância por um grupo de cajuns*, os possíveis donos das canoas. Eles gritam para que leiam o bilhete, mas os caipiras não se mexem. Um dos soldados então, decide ser o engraçadinho da turma e começa a atirar na direção dos sujeitos com uma metralhadora cheia de festim. Rá! Muito engraçado mesmo.

* Os Cajuns são os decendentes dos Acadianos, expulsos do Canadá, que se instalaram na Louisiana. [/Wikipédia mode off]

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Só que os cajuns respondem ao fogo, e a munição deles é bem real, para azar dos pobres militares. A primeira bala já acerta a testa do lider do pelotão (Peter Coyote) e, bom, vocês já podem começar a imaginar o que teremos aqui.

Walter Hill é um dos canônes em orquestrar sequências de ação, colocou Charles Bronson pra brigar em gaiolas em seu primeiro filme, realizou uma das obras mais representativas dos anos 70 com THE WARRIORS, fez algumas das perseguições de carros mais impressionantes que eu já vi em THE DRIVER, imitou Sam Peckinpah num western, enfim é um dos grandes mestres do cinema de ação americano e… agora é o diretor de um dos melhores filmes de caipiras psicopatas que existe!

Na época, era clara a intenção de Hill em fazer referência à guerra do Vietnam, mas o filme se manteve atual e até há poucos anos era difícil ver SOUTHERN COMFORT sem pensar no Iraque e outros países do Oriente Médio. Mantém sua análise, só muda o local. Quero dizer, temos aqui um pelotão americano, alguns deles agindo como autênticos imbecis, numa região na qual não entendem porcaria nenhuma de seus habitantes, sua cultura, não falam nem sua língua. Chega sem permissão, se achando os fodões, mas descobre rapidinho que a coisa não é bem assim. O adversário conhece o território, monta armadilhas, sabe onde se esconder e como monitorá-los…

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É o simbolo perfeito para o fracasso inevitável nesse tipo de negócio que o governo americano insiste em fazer de vez em quando ao longo de sua história.  E não importa se estão apenas “pegando emprestado uma canoa”… Com toda essa substância, fica difícil não preferir SOUTHERN COMFORT em relação a outros filmes do gênero “caipiras assassinos“, como DELIVERANCE, de John Boorman, por exemplo, que é mais aclamado (e não tiro os méritos).

Mesmo suprimindo a análise política, sobra ainda um puta thriller de caçada humana (o final, na vila dos cajuns, é de ficar com o coração na boca, a contrução da tensão é absurda), o qual destaca-se desde o roteiro, escrito à seis mãos pelo próprio Walter Hill, Michael Kane e David Giler, a utilização dos cenários naturais dos pântanos da Louisiana, passando pela direção habitualmente magistral de Hill e, principalmente, o elenco com feras do calibre de Powers Boothe, Keith Carradine, Fred Ward, Peter Coyote e especialmente um Brion James tão assustador quanto os piores monstros e psicopatas dos slashers oitentistas.

REVENGE (1990)

Lembrei que assisti a REVENGE. Foi logo depois que o Tony Scott pulou de uma ponte há poucos meses. Quem me acompanha sabe que tenho costume de “homenagear” diretores/atores recém falecidos, vendo ou revendo um de seus trabalhos e postando alguns comentários e tal. Escolhi este aqui, primeiramente, porque é um dos filmes menos comentados do Scott e, segundo, porque meu velho amigo Daniel Vargas vivia me enchendo, dizendo que se tratava de um dos melhores filmes do “Toninho”. E não é que o sujeito tinha razão?

Até o Kevin Costner não decepciona em REVENGE, interpretando um piloto de caça da marinha americana que resolve se aposentar e ir para o México onde tem um amigo rico, chamado Tibey, também conhecido por Tiburón, vivido pelo monstro Anthony Quinn. Parece ser um sujeito legal e já não me recordo direito de onde surgiu a amizade entre os dois, já que Quinn é bem mais velho, mas a todo momento há um pressentimento ruim em relação a Tibey, sempre rodeado por guarda-costas de óculos escuros, e seu temperamento estranho.

Agora, eu preciso mencionar um detalhe fundamental em toda história. Um pequeno detalhe que, se não existisse, REVENGE seria apenas um drama sobre um jovem ex-piloto e sua amizade com um velho gangster que vive no México. Esse fator é aquilo que destrói os corações dos homens e apesar de todos efeitos malígnos que possam existir a seu respeito, não conseguimos viver sem. Estou falando de MULÉ!!! E das boas! O lance é que Tibey possui uma jovem esposa, encarnada pela Madeleine Stowe, que na época de adolescente era dessas atrizes que fazia meu coração parar… Hoje anda sumida. O último dela que vi foi aquela tralha com o Stallone que comentei aqui outro dia. Enfim, Stowe resolve se engraçar justamente com o jovem amigo de seu marido.

Estão me acompanhando? Vocês já devem ter adivinhado o tipo de situação que pode rolar entre esses personagens. O marido é um velho, ela é jovem e gostosíssima e com vontade de dar, e aí aparece um bonitão na pele de Kevin Costner (ui!)… é muito conflito dramático para um filme do Toninho. Mas se mesmo assim vocês ainda não estiverem entendendo o que eu quero dizer, as imagens abaixo falam por mim:

Pois é, eles não se aguentam. Mesmo depois de relutar, os pombinhos fazem de tudo e mais um pouco. E eu ficava falando “Não faça isso, Kevin Costner, eu sei que ela é de matar, mas isso literalmente vai acontecer com você se o marido descobre!“. Mas aí entra naquele paradoxo masculino… o que é melhor, comer a Madeline Stowe e ser espancado até a morte pelos cupinchas do marido ou não comer e passar o resto de seus dias imaginando como teria sido uma foda com a Stowe, por mais arriscado que seja? Mas, como disse antes, se o sexo entre os dois não acontecesse, REVENGE não teria motivos de existir. Obviamente, depois de comer Madleine Stowe, Costner é descoberto, espancado e deixado para morrer no deserto. Mas o que vocês esperavam? Ele comeu a mulher do Anthony Quinn!

A partir daí, poderíamos utilizar aquela anedota mais que batida de que “a vingança é um prato que se come frio”. Mas não vamos usar. Quero fugir dos clichês! No entanto, Tony Scott conduz lentamente sua narrativa, o que não significa que seja chato, ao contrário, é isso que me admira em REVENGE. Toninho sempre tachado pelos detratores de clipeiro e etc, constrói aqui um filme de duas horas, lento pra cacete, mas que mantém um grau de tensão do início ao fim. A segunda metade o filme se transforma num western moderno… isso me faz lembrar que Toninho tinha intenções de refilmar MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA, do Bloody Sam, uma atitude desnecessária, concordo, mas contrariando o mundo inteiro, fiquei curioso para saber o que saíria de suas câmeras, já que nos últimos trabalhos só entregara bons filmes. Agora que tinha acertado a mão, resolveu pular da ponte, uma pena.

Mas, estou divagando. Kevin Costner, todo arrebentado no deserto mexicano, é encontrado por um sujeito que leva-o a uma curandeira. Meses depois, já consegue agir dentro de seus planos, que não é exatamente se vingar, mas tentar encontrar Madeline Stowe, que não deve ter recebido um tratamento diferente do dele. Claro que, no caminho, esbarra com alguns capangas que lhe esmurraram e não custa nada retribuir a gentileza. Meu único problema com REVENGE é perto do final, o reencontro entre Quinn e Costner. A atitude dos dois é honrosa e ambos reconhecem seus erros. E isso é ótimo. Não vou dizer o que acontece. Mas eu esperava um pouco mais de… ação! Achei bunda mole da parte do Toninho nos fazer esperar tanto tempo para um climax tão sem graça (e minha reclamação não tem nada a ver com as atitudes dos personagens).

Aliás, Costner está muito bem. Não acho que seja um grande ator, mas sempre funcionou com esse tipo de personagem e nunca esteve tão bad-ass como aqui. E Anthony Quinn é um gigante da atuação. Consegue ser a simpatia em pessoa e o demônio no mesmo personagem. O filme ainda conta com a presença de John Leguizano e do sumido Miguel Ferrer. E temos Madeleine Stowe fazendo o que sabe fazer de melhor: sendo gostosa.

PS: Dois dos melhores filmes do ano assistidos: KILLER JOE, do Friedkin, e HOLY MOTORS, de Leos Carax. Provavelmente escreva algo sobre o primeiro. Mas ambos são recomendadíssimos!

WRONG TURN (2003 – 2012)

Nunca dei bola para a franquia de terror WRONG TURN, mas outro dia entrei num desses sites especializados em filmes de horror e vi que estava pra sair o quinto exemplar, e pensei comigo, “não é possível que os quatro anteriores sejam tão descartáveis pra ganhar mais um capítulo”. Portanto, separei dois minutos da minha vida para assistir ao trailer de WRONG TURN 5. E não é que gostei muito do que vi? Logo, como estava de bom humor, arranjei todos os filmes, e resolvi dar uma conferida na série inteira. Abaixo, alguns pequenos comentários, que podem ou não conter spoilers

O primeiro WRONG TURN, de 2003, dirigido por Rob Schmidt, não vai receber nenhum prêmio de criatividade, mas realmente me surpreendeu pela qualidade técnica. Na verdade, não era pra ter surpresa alguma, já que nos créditos iniciais surge o nome de Stan Winston como produtor, então era óbvio que no departamento de efeitos especiais e maquiagem, a coisa iria funcionar de maneira impecável. No entanto, o mais legal é que tudo vai muito além de qualidade técnica, o filme tem o espírito do horror rural dos anos setenta, pegando emprestado ideias de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, QUADRILHA DE SÁDICOS e outros filmes da época.

Na trama, um sujeito está a caminho de uma entrevista de trabalho em outra cidade e decide tomar um atalho (oh, oh) no meio do nada. E quando você dirige no meio do nada não é bom tirar os olhos da estrada, correndo sério risco de bater em algo… Whoops! É o que acontece com o nosso amigão aqui. Seu carro vai de encontro com um outro veículo que pertence a um grupo de jovens que saiam para se divertir no campo, mas acabaram presos no local com os pneus misteriosamente furados. Como um bom horror teen, a maioria são jovens estúpidos e irritantes, mas pelo menos temos a delícia Eliza Dushku, de camisa branca apertadinha desfilando o filme inteiro…

Er… muito bem, não demora muito para o sangue começar a rolar quando uma família de freaks caipiras deformados e canibais resolve fazer os indivíduos de almoço, caçando-os floresta adentro como animais. Algumas sequências que surgem a partir daí são sensacionais, como as que se passam dentro da cabana dos deformados ou a cena dos galhos de árvores, quem viu sabe do que estou falando. O visual dos mutantes é interessante, muito bem feito, nada muito exagerado, mas grotesco o suficiente para inquietar, sem contar as suas habilidades em construir armadilhas e o manuseio do arco e flecha e objetos cortantes. Alan McElroy, que trabalhou muito com personagens em quadrinhos, como SPAWN, é o criador desses amistosos caipiras.

Passatempo curto, divertido, parece filme de aventura com elementos de horror e doses cavalares de gore sem frescura, que não se leva mais a sério que o necessário. Já havia me dado por satisfeito e pensei que WRONG TURN 2 seria apenas uma continuação besta, mas…

WRONG TURN 2: DEAD END, lançado cinco anos depois, foi feito diretamente para o mercado de vídeo. Demonstra desde os primeiros minutos que o orçamento diminuiu consideravelmente em relação ao anterior, que apesar da batuta do Stan Wiston, já era um produto independente. Mas também mostra a liberdade criativa que se pode ter quando se pensa numa sequência descompromissada e com o mesmo espírito do original. Sendo assim, o diretor Joe Lynch (CHILLERAMA) e seus roteiristas aproveitam para aumentar ainda mais o nível de gore, com algumas sequências de mortes bem elaboradas, e acrescentar uns peitos de fora, detalhe sempre bem vindo e que faltou no anterior. 

A trama de DEAD END evita o clichê “jovens perdidos na floresta”, os personagens estão, na verdade, participando de um reality show de sobrevivência, estilo “No Limite” e, por acaso, uma família de canibais caipiras deformados vive na região (mas não é mesma do primeiro filme) e resolve ir à caça.  Eles precisam botar comida na mesa, não é? O filme não tem muito a intenção de ser um terror assustador, no entanto é extremamente influenciado pelo O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e o final possui um “jantar familiar” que remete explicitamente ao clássico do Tobe Hooper. E quase me fez colocar pra fora meu próprio jantar.

 

A dose de sangue no climax é realmente abundante em DEAD END, especialmente quando Henry Rollins – um dos destaques do filme, como apresentador do reality, uma mistura de lutador de MMA com o RAMBO – entra em ação, para salvar os pobres jovens que restam. Curiosamente, esses últimos sobreviventes não são exatamente os que esperamos encontrar vivos a essa altura do filme. Os roteiristas resolveram matar exatamente aqueles personagens construídos normalmente para sobreviverem até o final. Aí fica difícil não curtir a brincadeira. Acho que gostei até mais que o primeiro.

O terceiro episódio é o WRONG TURN 3: LEFT FOR DEAD, de 2009, dirigido por Declan O’Brien, que resolveu criar raízes aqui e ficou responsável também pelo quarto e o quinto. E ele começa bem, dentro do possível. Quero dizer, a sequência de abertura é muito boa, com dois rapazes e duas garotas relaxando no mato, após uma descida de rafting, bem à vontade, com direito a um topless de primeira qualidade.

Wow! Mas eis que os nossos estimados caipiras deformados canibais chegam para estragar a festa e temos aqui algumas mortes bem interessantes. Um ponto positivo deste terceiro filme é que a trama mais uma vez consegue variar do modelo tradicional. Dessa vez os personagens são prisioneiros e policiais que se deslocam pelas estradas num ônibus de prisão, sofrem um acidente causado por um carro de reboque no meio do nada e se transformam, como era de se esperar, em caça para os freaks rednecks.

No entanto, a coisa aqui deu um passo para trás em alguns departamentos. Primeiro, o roteiro é bem pior que o de costume, com diálogos medíocres e situações bestas. Geralmente esse tipo de filme possui essas características. Mas aqui vai ao extremo. A história não flui de maneira divertida como nos dois primeiros e após um início de arrebentar, entra num marasmo, com o grupo rodando pela floresta sem que aconteça muita coisa. Torna-se repetitivo, arrastado demais. Mesmo as cenas de morte que eventualmente acontecem não ajudam muito para melhorar o ritmo.

Outro problema são os efeitos especiais em algumas cenas. Como estamos carecas de saber, a tecnologia definitivamente não é muito bem vinda em produções de orçamentos risíveis. É nível da The Asylum ou do canal Syfy. Simplesmente ridículo. LEFT FOR DEAD melhora consideravelmente quando se aproxima do final, e começa a entrar no clima dos filmes anteriores, voltados mais para a aventura com elementos de terror, sem se preocupar muito em querer assustar. De repente se transforma num filme de ação encharcado de sangue e tripas, cheio de ideias que não são nada descartáveis. Mas no fim das contas, é fraco. Tem seus momentos e vale uma conferida para quem curte uma bagaceira. O problema é que o quarto filme vai pelo mesmo caminho…

O título WONG TURN 4: BLOODY BEGINNINGS (2011) já está associado a um provável início sangrento… Mas início de que? Bom, o quarto episódio da série, na verdade, é uma prequel e conta a origem dos canibais caipiras deformados lá do primeiro filme. Para isso temos um prólogo, que é um espetáculo, a melhor sequência da franquia inteira, que transcorre num sanatório nos anos 70 onde os três pequenos freaks vivem enjaulados. O legal é que eles conseguem escapar e tocam o terror no local ao som de Danúbio Azul. Uma coisa linda de se ver. O desfecho é com o diretor da instituição sendo violentamente desmembrado e… sem efeitos exagerados e toscos de CGI!!! Uma das coisas que desapontou no filme anterior foi o uso excessivo dos efeitos de computação gráfica para recriar gore. Aqui não há tanto, tem um pouco, claro, mas não incomoda. 

Então, saltamos no tempo até o ano de 2003 (o mesmo ano em que o filme original foi lançado), temos um grupo de jovens indo se divertir numa cabana no meio da floresta, com a diferença dessa vez é a paisagem é coberta de neve, e durante o percurso, oh oh, wrong turn! Acabam perdidos e vão parar justamente no instituto do prólogo, hoje “abandonado”. BLOODY BEGINNINGS tem uns detalhes agradáveis de se ver, como porexemplo a quantidade de peitos de fora, consideravelmente maior que nos três filmes anteriores. Há cenas até de lesbianismo que fariam Jim Wynorski se sentir orgulhoso.

O problema é lá pelas tantas, o ritmo começa a desandar, assim como no exemplar anterior. Declan O’Brien tirou pouco proveito dos corredores do sanatório e a tensão claustrofóbica que poderia construir… Claro, existem as boas e sangrentas cenas de morte, especialmente a que o grupo de canibais decide fatiar uma de suas vítimas ainda consciente, gritando angustiadamente. Mas é pouco para tanto marasmo e situações desinteressantes. E é curioso, porque dentre esses quatro primeiros filmes, BLOODY BEGINNINGS é o único que tenta realmente ser um exemplar de terror. Mas o resultado final também não é nada tão desprezível… Pra quem encarou os três primeiros seguidos, esse aqui desceu junto numa boa.

E chegamos ao último filme da série! Último por enquanto… daqui a pouco surge mais, enquanto render dinheiro para alguém. Se bem que WRONG TURN 5: BLOODBATH, lançado no mês passado no mercado de vídeo, não decepciona. Tem seus defeitos, mas mantém o nível de divertimento dos dois primeiros exemplares. Um dos motivos deste aqui ser tão legal é a presença de ninguém menos que Doug Bradley, o eterno Pinhead da série HELLRAISER, soltando várias frases boas, interpretando uma espécie de mentor para os caipiras deformados comedores de gente, ensinando-os a sobreviverem na floresta. É uma continuação direta do quarto filme, portanto, ainda é prequel do original.

Depois de dirigir os filmes mais fracos da série, finalmente Declan O’Brien acertou a mão, variando novamente com a história. Temos uma boa cena de abertura, com um casal de jovens fazendo sexo e levando um susto de seus amigos utilizando máscaras de caipiras deformados, porque estão à caminho de uma festa regional que celebra o misterioso desaparecimento da população de um vilarejo ocorrido há alguns séculos e no qual existe a lenda de que os habitantes foram devorados por caipiras canibais da época. Após uma confusão envolvendo Doug Bradley e os jovens, todos vão parar em cana. A trama se passa, então, durante esse festival, na delegacia de uma cidadezinha próxima e seus arredores, com os canibais deformados tentando libertar o Pinhead, aumentando ao máximos a contagem de corpos do filme e uma xerife gostosa tentando manter as coisas sob controle.

O roteiro é completamente desprovido de originalidade, mas não pára um minuto e consegue manter constantemente uma boa carga de tensão. Mantém também o bom nível de criatividade nas cenas de morte, como a do rapaz que tem as pernas quebradas à base da pancada e depois é atropelado. Há também uma cena na qual outro mancebo está enterrado apenas com a cabeça do lado de fora e um dos freaks utiliza um veículo de cortar grama para… vocês sabem. Me lembrou uma cena de CALIGULA, só que com mais sangue e realismo. O gore corre solto por aqui, tudo muito bem feito. E é sempre bom alertar o pobre espectador sobre a quantidade de nudez. Bem, para nós que gostamos de ver umas senhoritas atraentes despidas, BLOODBATH é um prato cheio.

Dito TUDO isso, não recomendo a franquia WRONG TURN pra ninguém. O que fiz foi uma loucura, porque até mesmo os bons episódios (1, 2 e o 5) não fazem grande diferença na vida de um apreciador de filmes de horror. Existem milhares e milhares de filmes bem melhores a serem descobertos por aí… É preciso estar muito no clima pra embarcar na série. Consegui entrar quando percebi que as sessões me fizeram sentir um pouco como na época de adolescente, quando pegava velhas fitas num fim de semana para ver e rever franquias de terror, independente da qualidade. Além disso, é um cinema ingênuo e muito simples, sem grandes pretensões, a não ser de proporcionar uns bons momentos de tensão, sangreira e mulher pelada. Portanto, particularmente, valeu a pena. Agora é esperar que o sexto filme se passe no espaço sideral!