SELVAGENS (2012)

Cá estou em Portugal já faz quase duas semanas e finalmente atualizei o recinto! Cheguei agora há pouco da minha primeira sessão de cinema por aqui e, infelizmente, preciso concordar com o amigo Alucard, que havia suspeitado no último post que o circuito comercial daqui era pior que o do Brasil. Digamos que ambos são a mesma porcaria, mas, por exemplo, SELVAGENS, novo trabalho do veterano Oliver Stone, ainda não estreou em terras tupiniquins, enquanto o novo filme do Woody Allen só chegou por aqui neste fim de semana. Então, tudo na mesma… A sala era boa, com poltronas muito confortáveis e curiosamente TODAS as sessões possuem intervalo no meio da projeção. Não sei se isso é bom ou ruim, mas pelo menos fui ao banheiro sem perder um pedaço do filme…

Sobre SELVAGENS, não é nada sensacional, mas é um Stone em boa forma, o que pra mim é muita coisa. Confesso que desde aquele dejeto chamado WORLD TRADE CENTER eu não vi mais nada do homem. E foi por esquecimento mesmo, até queria ter visto W e o novo WALL STREET, mas foi passando o tempo e nada… Agora o Stone resolveu voltar suas câmeras para o submundo do crime, das drogas, aí não tinha escapatória. Os protagonistas são dois traficantes independentes da Califórnia que dividem a mesma mulher e isso é o que há de melhor em SELVAGENS. Em certo momento, a mocinha diz que são como BUTCH CASSIDY & SUNDANCE KID, mas eu prefiro remetê-los a uma espécie de JULES E JIM do tráfico. Só que ao invés de provocar, o diretor trata a relação à três com uma delicadeza absurda. E quando Stone acerta, nem que seja em pequenos detalhes, é imbatível. O trio se mete numa enrascada das boas quando o cartel mexicano decide “propor uma parceria”. É o mote para o diretor expor sem dó nem piedade uma profusão de violência, tensão, cheio de personagens interessantes, como o vivido por Benício Del Toro, um assassino cruel à serviço do cartel; ou John Travolta, na pele de um federal corrupto. E de quebra, temos ainda Salma Hayek como rainha mexicana das drogas.

Contextualizando na filmografia do Stone, digamos que SELVAGENS se alinha esteticamente a ASSASSINOS POR NATUREZA, REVIRAVOLTA, essas realizações mais viajadas visualmente, com planos em preto e branco, outros com tonalidades fortes, fusões de imagens, etc, mas sem exagerar em demasia. A direção tem a energia usual dos seus melhores filmes, mas o resultado final não tem calibre suficiente pra tanto. Tem lá suas parcelas de problemas, mas do jeito que ficou, não tenho do que ficar reclamando.

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DEMENTIA 13 EM PORTUGAL

Caros, este é o meu último post em território nacional. Amanhã, justamente na infame data de 11 de setembro, parto para terras portuguesas, onde estarei, provavelmente, pelos próximos dois anos realizando meu mestrado na cidade do Porto.

Tudo ainda é um mistério pra mim, só vou poder “sentir a coisa” (no bom sentido) quando estiver lá, mas pretendo continuar as atualizações do blog normalmente, firme e forte, na medida do possível, cobrindo um pouco do circuito cinematográfico de lá (com certeza bem melhor que o daqui), além das tralhas de sempre…

Se eu sobreviver à longa viagem, trago novidades em breve. Até!

PORTO DOS MORTOS DISPONÍVEL NO NETFLIX

Da Lockheart Filmes:

“O longa-metragem brasileiro PORTO DOS MORTOS, produzido por Lockheart Filmes, está disponível ao público na plataforma VOD (“vídeo on demand”) no Brasil, EUA e América Latina, incluindo Caribe. Mistura de horror, “road movie” existencial e faroeste “spaghetti”, o filme pode ser assistido imediatamente no serviço por assinatura Netflix em mais de 40 países. No dia 2 de novembro, o público de Porto Alegre poderá assistir ao longa na tela do cinema. Vencedor de dois prêmios internacionais e selecionado para o Festival de Cinema Latino de Chicago e Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (Cuba), entre outros, PORTO DOS MORTOS (também conhecido como BEYOND THE GRAVE ou MÁS ALLÁ DE LA TUMBA) alcançou status de filme de culto entre festivais de cinema “underground” e críticos de Internet ao redor do mundo. Rodado em HD na cidade de Porto Alegre (RS), a produção tem orçamento estimado em 300 mil reais.”

DEMENTIA 13 assistiu ao filme em 2010, na sua primeira exibição pública, em São Paulo, no CINEFANTASY. Meu texto escrito na época pode ser lido aqui.