THE KILLING MACHINE, aka THE KILLING MAN (1995)

Taí um filme boicotado pelas suas próprias ambições. É um caso estranho, alguns amigos gringos, por exemplo, elogiam a sua seriedade, a maneira como a história se constrói e a atuação do Jeff Wincott. Concordo com algumas coisas, mas pessoalmente, um longo tempo perdido com situações pretensiosas – que não envolvem sequências de ação – é algo que me aborrece… e THE KILLING MACHINE é bem irregular nesse sentido.

Um dos pontos que eu concordo plenamente com quem realmente gosta do filme é a atuação do Wincott. Estou apenas inciando no cinema do cara e, levando em conta seu desempenho, comecei com o pé direito. Na trama ele interpreta Garret, um sujeito que é salvo por um órgão misterioso do governo (chefiado pelo Michael Ironside) após ter 70% de seu corpo queimado num tiroteio. Trancado numa instalação secreta, Garret tem seu corpo e face reconstruidos, realiza treinamentos de combate corporal e armas, sobra tempo até para comer um enfermeira loura e peituda!

Como pagamento por tudo que o governo lhe fez, salvando-lhe a vida, reconstruido o corpo, além dos cuidados especiais recebidos pela enfermeira, Garret é obrigado a trabalhar para Ironside como assassino profissional. Logo, é enviado numa missão com uma lista de alvos a serem eliminados, ao mesmo tempo em que começa a questionar filosoficamente sua existência como matador.

O problema é que o diretor David Mitchell e o produtor/roteirista Damian Lee não parecem conseguir acompanhar suas próprias pretensões artísticas. E à medida em que THE KILLING MACHINE se torna uma espécie de filme de ação existencialista, torna-se também um troço extremamente chato e sem ritmo. E não tem coisa mais infeliz que filme de ação sem ação, a não ser que você seja um Walter Hill, Michael Mann, Nicolas Winding Refn, Quentin Tarantino, Johnnie To, etc…

Dito tudo isso aí em cima, e tirando esses detalhes negativos, o filme não é tão ruim assim quanto parece. Quando a trama começa com a vibe filosófica, por exemplo, a coisa fica até interessante. É uma tentativa válida. O problema é quando o roteiro insiste seguir nesse caminho por muito tempo, esquecendo dos elementos básicos dos filmes de ação de baixo orçamento. Inclusive os assassinatos que fazem parte das missões de Garret acabam sendo frustrantes.

A presença de Michael Ironside é um dos pontos fortes. Mas isso é óbvio, o sujeito é um puta ator e tê-lo num exemplar irregular como esse aqui faz com que seja um grande destaque. No climax final, temos bons tiroteios, algumas sequências de pancadaria, nada fora do comum, mas diverte tranquilamente. Se tivéssemos mais disso durante THE KILLING MACHINE, o saldo seria mais positivo.

E vá lá, o esforço de tentar fazer algo diferenciado dentro do cinema classe B de ação é nobre. Acho importante que isso aconteça de vez em quando. Infelizemente não deu muito certo por aqui e os realizadores não perceberam a tempo.

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Uma resposta para THE KILLING MACHINE, aka THE KILLING MAN (1995)

  1. Lourenço disse:

    O roteiro me fez lembrar de “Remo, desarmado e perigoso”.

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