THE HAUNTED SEA (1997)

Este aqui é para os fortes! Filmezinho de qualidade duvidosa que nem mesmo seu diretor quis apadrinhá-lo. O crédito foi dado a um tal de Daniel Patrick, que se trata de um pseudônimo do verdadeiro dono da criança, Dan Golden. Agora, os motivos que levaram o sujeito a renegar o próprio trabalho é algo um tanto obscuro e Golden não revela absolutamente nada. O amigo Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja, já teve contato com o homem e, na entrevista que fizeram, o sujeito disse em um trecho “… one thing probably worth mentioning is my recent reunion with the lovely Krista Allen, who I’d directed years earlier on a thing called HAUNTED SEA (I used a pseudonym for reason’s having nothing to do with Krista, who was quite good in the film).” E Osvaldo, na sua vã insistência, não conseguiu retirar mais nada.

Mas tudo bem, se não podemos saber de fato o que aconteceu nos bastidores, ao menos podemos conferir o resultado na tela e… bem, dá pra ter uma noção das causas do Golden odiar HAUNTED SEA. O troço é muito ruim!

Por outro lado, temos em cena um elenco interessante para os afccionados por cinema de baixo orçamento, como James Brolin, Don Stroud, Joanna Pacula, Duane Whitaker e, claro, a gostosíssima Krista Allen que o Dan Golden citou alí em cima, protagonizando alguns momentos bem à vontade (ver imagem abaixo… como se eu precisasse avisar). Além disso, impera durante alguns momentos o fator comédia involuntária causada por um monstro misterioso que atormenta a tripulação do navio onde a história se passa, cuja fantasia tosca e fajuta me fez soltar boas gargalhadas!

O restante é uma frustrante tentativa de ser um ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO ambientado num navio, cheio de cenas em corredores escuros e claustrofóbicos, que não passam, na verdade, de longas sequências que se arrastam e quase nada acontece de fato. De vez em quando temos umas ceninhas de ação e gore com o monstro dando o ar da graça, além de alguns toplesses da Krista, que faz a alegria da moçada. Nem preciso dizer que pelo menos isso salvou a sessão de um completo desastre, né?

Anúncios

THE HUMAN CENTIPEDE II (2011)

Estava discutindo com alguns amigos sobre a existência de THE HUMAN CENTIPEDE II, filme de extremo mau gosto, repugnante, absurdamente nojento. Enfim, encontrei poucas pessoas que realmente gostaram deste show de violência escatológica sem sentido que quase me fez colocar o almoço pra fora. Mas eu gostei! Como isso é possível? É simples: é exatamente o filme que eu esperava! Nojento, repugnante e de extremo mau gosto! Não é nenhuma obra prima ou algo parecido, mas é o típico filme que você recebe pelo que paga. Eu “paguei” pra ver uma centopéia humana e tive uma centopéia humana, com direito a todas as consequências que isso acarreta, por mais demente que seja!

Filmado em preto e branco, a trama é sobre Martin (Laurence R. Harvey), um sujeitinho esquisito que não solta uma palavra sequer durante todo o filme. O negócio é que ele possui uma obsessão bizarra pelo filme anterior, A CENTOPÉIA HUMANA, e simplesmente decide fazer a sua própria centopéia. Aluga um armazém e começa a coletar as vítimas que farão parte de seu experimento. A idéia é bem besta, na verdade, e vários detalhes desse processo são  questionáveis, mas e daí? Deixem o sujeito praticar seu hobby em paz.

Se no filme anterior, o diretor Tom Six conseguiu a proeza de ser bastante clean, elegante e mesmo assim mexeu com os nervos do espectador – além de criar um dos grandes vilões do cinema de horror da nossa geração, o médico maluco Dr. Heiter, vivido por Dieter Laser – em THE HUMAN CENTIPEDE II, o sujeito resolveu chutar o balde! Todo o sangue, visceras e excremento que ficaram de fora do primeiro filme é jogado na platéia sem concessão alguma!

Então não é muito difícil entender porque o filme ganhou tantos detratores. Além de visualmente pesado, a história é frágil e não justifica toda a violência que, realmente, só existe com a intenção de chocar gratuitamente. No entanto, ninguém pode culpar o filme por não entregar o que prometeu! Até concordo que seja um tanto doentio apreciar algo com esse nível de imbecilidade, que goza de uma fila de pessoas com suas bocas costuradas no ânus do indivíduo da frente. Só que ao mesmo tempo, é difícil pra mim não respeitar a ousadia de um diretor que tenta levar seu cinema além dos limites do que é aceitável, e que não dá a mínima para o “mimimi” do público. Um filme que causa tanto transtorno tem seus méritos, sem dúvida alguma!

E que venha logo o terceiro exemplar da série!

THE INNKEEPERS (2011)

Da nova geração de diretores de horror, Ti West surge como um dos mais interessantes com THE INNKEEPERS, filme simples de casa mal assombrada, nada muito original, mas com certa ousadia, o sujeito consegue trabalhar o tema com muito estilo, atmosfera, um elaborado clima de horror que me impressionou bastante, e com personagens tão bem construídos e desenvolvidos que dá até vontade de assisti-los em seus cotidianos e conversando entre si do que vê-los em situações aterradoras. Embora tenha ficado com o c#!$ na mão em algumas sequências assustadoras!

Sim, eu sinto medo vendo bons filmes de horror! E não tenho receio de falar, eu faço questão de sentir medo vendo um bom filme de horror. Se é esse o objetivo da fita, qual é o sentido de assistir sem “borrar as calças”? Tá certo que não é nenhum medo que vá me tirar o meu sono à noite, parece mais uma angústia passageira, mas determinados filmes conseguem trazer fortes sentimentos à tona. E THE INNKEEPERS conseguiu.

A força se concentrar na boa história e ótimos personagens, não quer dizer que as sequências de horror ficam em segundo plano! A maneira como se cria o suspense atmosférico cena a cena até a ruptura, quando o bicho pega prá valer, é de gelar a espinha! Até os sustos, explorados de maneira tão gratuita pelo cinema de terror atual, conseguem fazer sentido e aumentam o batimento cardíaco do espectador neste aqui.

A trama se passa no último fim de semana de um antigo e grande hotel que fechará suas portas por causa do baixo rendimento. Sabe-se da existência de uma alma perturbada que faz parte de uma antiga lenda que cerca o local e temos esse casal protagonista, os últimos funcionários do hotel, curiosos sobre assuntos paranormais, determinados a registrar alguma movimentação do além… é bem interessante esse lance dos personagens irem atrás de situações assustadoras para se divertirem do que fazer uma busca mais séria, mas sem descambar para o humor. Existe apenas um senso de diversão na determinação, especialmente por parte da mocinha (a excelente Sara Paxton), usando esses últimos momentos do hotel para encontrar evidências paranormais.

As sequências das descidas ao porão do hotel, por exemplo, são realmente assustadoras e dão uma sensação forte de claustrofobia. Fazem das cenas hiper-realistas de ATIVIDADE PARANORMAL um programa infantil. É a prova de que uma boa construção dramática de horror é muito mais eficaz e fascinante que essas tentativas de levar uma verdade falsa para a tela… por mais que eu não ache ruim essa série supracitada.

Enfim, não sei se THE INNKEEPERS chegou a passar nos cinemas ou foi lançado de alguma maneira por aqui, mas é um programa imperdível para quem curte exemplares que bebem da fonte sagrada do legítimo horror atmosférico.

POST SAFADO, UMA HOMENAGEM A TINTO BRASS

Recebi uma notificação por email do Google ADSENSE, departamento que coloca anúncios em blogs e sites, informando que eu estava utilizando do serviço de uma maneira que não está em conformidade com as políticas moralistas do programa deles. E deram este exemplo aqui, dizendo que não posso colocar anúncio em páginas com conteúdo pornográfico… hã?! Pornográfico?! Enfim, pediram para que eu retirasse o post e quaisquer outros que tenham o mesmo conteúdo… ou seja, uma boa porcentagem do blog.

Como essa merda nunca me rendeu um centavo e se trata de um bando de moralistas, retiro essas porcarias de anúncios e aproveitando que implicaram justamente com o post do Tinto Brass, faço uma homenagem a esse querido diretor italiano com imagens que demonstram a difícil tarefa de fazer cinema:

A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS (House on Haunted Hill, 1959)

Dizem que quando Hitchcock observou os ganhos de bilheteria de um modesto filme B de terror chamado A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS, de William Castle, decidiu que também precisava dirigir algo do gênero, com um orçamento discreto, só pra ver o que acontecia. Poucos anos depois, surgiu PSICOSE, celebrada produção que dispensa apresentações. Não tão lembrado assim, infelizmente, é o filme do Castle, um belíssimo exemplar de casa mal assombrada estrelado pelo grande ícone do horror, Vincent Price.

A trama é bem simples, possui o suficiente para criar situações atmosféricas de medo – pra época, claro – e divertir o público. Cinco pessoas com problemas financeiros são convidados a irem até uma velha mansão cuja fama de ser assombrada por espíritos é conhecida por todos. O misterioso anfitrião, Frederick Loren, vivido por Price, lhes oferece dez mil dólares para quem conseguir passar a noite na casa. Simples assim. Não demora muito para que coisas estranhas comecem a acontecer… E aí? Será que eles duram a noite toda?

No livro O Cemitério Perdido dos Filmes B, o meu amigo Cesar Almeida, em sua crítica sobre FORÇA DIABÓLICA (The Tingler, 1959, dirigido pelo mesmo indivíduo deste aqui), narra com precisão as famosas peripécias marketeiras do diretor e produtor William Castle para atrair público, como por exemplo, entregar apólices de seguro de vida caso o espectador morresse de medo durante a sessão do filme MACABRE (1958). No caso de A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS, um esqueleto fosforecente sobrevoava a platéia em algumas cenas mais aterrorizantes.

Mas o mais importante de tudo é que além de ótimo marketeiro, Castle também sabia fazer cinema. Possuia uma noção muito aprimorada na construção de uma atmosfera de horror, na condução engenhosa do suspense e até mesmo nos truques gratuitos com a única intenção de assustar o público – da época – e que hoje não passam de ingênuas tentativas de provocar alguma reação aterradora, mas demonstram imensa criatividade e habilidade técnica. A fotografia em preto e branco também é excelente e vale a pena assistí-lo dessa maneira, e não na versão colorizada que o DVD nacional também traz.

E não poderia finalizar sem mencionar o show à parte de Vincent Price, cujas aparições em cena, sempre expressivo e imponente, lhe garantem o devido destaque.

Em 1999, saiu uma refilmagem de A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS. Com um elenco formado por Geoffrey Rush, Jeffrey Combs, Chris Kattan, Peter Gallagher e a musa Framke Janssen, recebeu o título por aqui de A CASA DA COLINA. Nunca assisti… alguém sabe me dizer se presta?