OS INTOCÁVEIS, aka The Untouchables (1987)

Assisti a uns filmes bem legais esta semana para comentar aqui no blog, mas não tive tempo ainda para escrever. E não, ainda não vi outro Castellari, mas fiquem tranquilos que em breve eu posto mais do italiano. Hoje revi este filmaço do Brian De Palma e decidi arriscar algumas palavras. De Palma é um dos meus diretores americanos preferidos ainda em atividade e é sempre interessante dissertar sobre seus filmes – se é que o sujeito ainda está realmente em atividade, só acredito nisso quando PASSION, seu próximo filme anunciado, estiver em fase de pós produção.

Enquanto isso, ficamos com as maravilhas que já realizou durante a carreira, como é o caso de OS INTOCÁVEIS, sobre o incorruptível agente do Tesouro, Eliot Ness, que trava uma batalha contra o execrável gangster Al Capone durante a Lei Seca americana e blá, blá, blá…

O enredo é bastante conhecido por todo mundo e já foi diversas vezes explorado em filmes e séries, mas não significa que tenha deixado de ser interessante. Além do belo roteiro, escrito por David Mamet, a grande proeza de OS INTOCÁVEIS está na eloquente e estilosa direção de De Palma, além da colaboração de alguns monstros da atuação, como Robert De Niro e Sean Connery e os jovens Kevin Costner, Andy Garcia e até Billy Drago. Trilha sonora marcante de Ennio Morricone, impecável direção de arte e fotografia, não poderia sair nada menos que um autêntico clássico daqui!

O Capone de Robert De Niro é algo simplesmente extraordinário. Bons tempos quando o ator podia fazer apenas umas cinco ou seis aparições num filme e ainda assim surpreender a cada cena. O sujeito leu todas as biografias de Capone, viu todos os filmes sobre o cara e conferiu ainda documentários da época para compor o personagem.

O resultado está na tela em cada gesto, cada olhar, cada sorriso, já vi esse filme umas quinze vezes e toda vez fico espantado com o desempenho do De Niro. Ao mesmo tempo que inspira simpatia, fazendo seus “capachos” rirem com suas piadas, o sujeito é totalmente brutal, como na impactante cena da explosão de ódio com um taco de baseboll na mão. Deve ser o Capone definitvo do cinema, não?

O fato é que Capone é um total contraponto do bem absoluto personificado no Eliot Ness de Kevin Costner, que não é ator que guardo muita admiração, mas até que se sai bem como o herói bonzinho. Já o velho Sean Connery é outro nível e mereceu o seu Oscar de coadjuvante pelo seu trabalho impecável em OS INTOCÁVEIS.

O sujeito faz o papel de Jim Malone, um correto guarda de rua prestes a se aposentar e por isso, a princípio, não aceita fazer parte do grupo. Mas depois se encarrega de fazer o “trabalho sujo” e ações mais violentas contra Capone. “Ele puxa uma faca, você saca o revólver. Ele manda um dos seus para o hospital, você manda um deles para o necrotério. Essa é a Lei de Chicago”. Uma aula de interpretação.

Malone ajuda Ness a escolher a dedo um cadete, que ainda não foi comprado por Capone, e entra em cena um jovem Andy Garcia. O quarto Intocável é o desajeitado, mas decidido, fiscal de rendas, vivido por Charles Martin Smith, que não hesita quando Malone lhe oferece uma escopeta para entrar em ação.

 

E o que não poderia faltar em OS INTOCÁVEIS são boas sequências de tiroteios em que o quarteto se envolve, estraçalhando os inimigos com chumbo grosso, como na parte que se passa na fronteira com o Canadá, quando interceptam um carregamento de bebidas. A dose de violência também não vai deixar na mão os amantes de uma sangreira, como o assassinato no elevador. Noutra cena, logo no início, De Palma explode uma garotinha segurando uma bomba numa maleta… se fosse filmado hoje, nesta “maravilha” de mundo politicamente correto que vivemos, o filme teria vários problemas… Temos até Brian De Palma brincando de Dario Argento, com o ponto de vista subjetivo na cena do meliante que tenta entrar na casa de Malone. Um puta trabalho de câmera!

Mas o ponto máximo de OS INTOCÁVEIS foi a cena da escadaria da Union Station, um misto de suspense e ação de cortar a respiração. Ness tenta capturar uma testemunha chave para o julgamento de Capone. O cerco armado. Uma mulher que acaba de chegar de viagem aparece com um carrinho de bebê e, com muita dificuldade, resolve subir a escadaria enquanto o local vai se enchendo de figuras ameaçadoras. Basta esses simples elementos em jogo para que De Palma bote para arregaçar num tiroteio desenfreado, cuidadosamente esculpido e editado, para servir tanto de atrativo para o público, demonstrando as façanhas dos Intocávais, quanto homenagem à uma das cenas mais famosas do cinema mudo, o massacre na escadaria do filme russo O ENCOURAÇADO DE POTENKIM, de Sergei Eisenstein.

Numa época em que eu não fazia idéia de quem era Brian De Palma, lá pelos meus dez anos, no início dos anos 90, tive contato com OS INTOCÁVEIS enquanto passava numa madrugada no Corujão da Globo e como não era sempre que eu podia dormir tão tarde, gravei em VHS. Aquela fita ficou até gasta de tantas vezes que passava no velho vídeo cassete quatro cabeças do meu velho. O filme não é nem o meu favorito do De Palma, mas acabo tendo uma ligação bem maior por conta da nostalgia, por ser um dos vários exemplares responsáveis por me fazer amar tanto o cinema.

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IN THE NAME OF THE KING 2: TWO WORLDS (2011)

Como eu havia prometido, aqui está a continuação do épico de fantasia de Uwe Boll, EM NOME DO REI 2, estrelado pelo Dolph Lundgren. O filme pode ser BAIXADO facilmente e já possui legendas em português. É só fazer uma pesquisa no google que vocês encontram fácil. E estou dizendo isso, incentivando o download, como forma de protesto contra essa babaquice de SOPA e PIPA que tem gerado discussões já faz um tempo, mas que explodiu de vez essa semana, por causa do fechamento do site Megaupload. Pau no c#$% de produtoras e senadores americanos que vem com essas idéias de jerico para acabar com a pirataria.

Mas enfim, os Anonymous já botaram o terror, por enquanto. Então vamos aproveitar e falar de coisa boa… er, nem tão boa assim, na verdade, porque diferente do primeiro filme, EM NOME DO REI 2 é bem fraco, apesar do Dolph como protagonista. Ele interpreta Granger, um policial, instrutor de artes marciais dos dias atuais, que é levado ao passado para cumprir uma profecia daqueles tempos. Seu objetivo é matar uma necromancer que lidera um exército que coloca em risco o trono do Rei, vivido por Lochlyn Munro.

E tanto personagem quanto ator parecem reagir da mesma forma diante do absurdo. Granger aceita com extrema facilidade o fato de ter viajado séculos no passado, bem longe de sua “casa”, sem saber se conseguirá retornar, fazendo piadinhas, aceitando na boa uma missão perigosa, enquanto o próprio Dolph Lundgren não parece se importar muito com o fato de estar nessa produção meia boca, com um orçamento bem abaixo que o do primeiro filme, que possuia um grande elenco de nomes conhecidos, boa produção, efeitos especiais convincentes…

E é exatamente pelo Dolph que EM NOME DO REI 2 vale ao menos uma espiada. O sujeito está engraçadíssimo, parece ter se divertido muito com as filmagens, deixado o filme com uma leveza, ao mesmo tempo, ele consegue ser badass, chutando bundas de cavaleiros de armadura, escudo e espada. Uwe Boll deve ter percebido isso e se aproveita muito do carisma e da força que o ator sueco transmite na tela. Tanto que a trama nem importa tanto. O filme é curto e a todo instante Boll joga o personagem em situações de ação.

E embora não sejam tão reconhecíveis assim, alguns integrantes do elenco mandam bem, na medida do possível, como Munro encarnando o Rei e a gata Natassia Malthe, do péssimo BLOODRAYNE 2, também do Boll. Além disso, temos um dragão em CGI que, como disse meu amigo Osvaldo Neto, parece trazido de um filme da The Asylum!

Não estou querendo empurrar pra ninguém que EM NOME DO REI 2 é uma maravilha do cinema moderno, pois não é mesmo, mas eu achei bem divertido. Se você é desses fãs ferrenhos que não deixa escapar nenhum filme do Dolph Lundgren, ou já é expert em curtir umas tralhas, então acho que vale a pena uma conferida.

MALIBU EXPRESS (1985)

Uma boa maneira de se iniciar no cinema de Andy Sidaris é conferir, antes de qualquer coisa, MALIBU EXPRESS. Não tem erro! É o primeiro trabalho do sujeito que contém a sua assinatura, com todos os elementos característicos que fizeram-no ganhar, er… “notoriedade”, digamos assim. Entre aspas mesmo. É que Sidaris não chegou nem perto de ter alguma notoriedade no mundo do cinema. Apenas os fãs mais ferrenhos de tralhas classe B ainda lembram o seu nome quando vão citar os diretores de filmes B prediletos.

Uma injustiça, por sinal. Basta observar os tais “elementos característicos” para perceber que Sidaris, na verdade, é um dos diretores mais importantes da história. Se esta arte, que chamamos de cinema, não foi criada para mostrar mulheres com peitos de fora atirando com metralhadoras freneticamente, então eu não sei pra que foi… E nisso, Sidaris era um genuino mestre!

Diretor de séries esportivas nos anos 70, Sidaris só foi arriscar em longas apenas duas vezes naquela década, com STACEY (73) e SEVEN (79), filmecos de ação com algumas gostosas de brinde, que serviram de ensaio para o que fez em MALIBU EXPRESS. Este seu terceiro longa impulsionou a carreira de Sidaris, que se especializou num estilo peculiar, o soft-core de ação. Todos os seus trabalhos seguintes são narrados como tramas criminais (com boa dose de humor) recheados de explosões, tiros, e mulheres de topless! Apesar do seu conteúdo e da vulgaridade da violência e do sexo, o cinema de Sidaris, por incrível que pareça, é muito inocente, sincero e possui estilo próprio… Você bate o olho e sabe que está vendo uma produção do Sidaris!

Há algumas semanas, postei aqui, todo orgulhoso, por ter adquirido o box contendo 12 filmes do diretor e prometi que comentaria cada um à medida que fosse assistindo. Comecei, então, pela revisão de MALIBU EXPRESS, um dos meus favoritos do diretor. A trama é uma bagunça deliciosa e apresenta o detetive particular decadente Cody Abilene, típico herói oitentista, bigodudo, fã de Dirty Harry, mora num barco… o único problema é que é péssimo atirador. Ele é contratado pela Condessa Luciana (a musa Sybil Danning) para investigar a morte de seu marido e, para isso, precisa se infiltrar na mansão de Lady Lilian Chamberlain, pois os possíveis suspeitos se encontram todos no local. Só que o sujeito acaba, sem querer, descobrindo um complexo caso de conspiração internacional envolvendo espiões russos.

A grande variedade de suspeitos inclui figuras interessantes que vão surgindo ao longo do filme, aumentando ainda mais a confusão narrativa, mas sem tirar o interesse do espectador, já que a maioria são belos exemplares do sexo feminino que não se acanha em tirar a blusa logo que surge em cena. Mas há também os casos bizarros, como o travesti, o motorista garanhão cheio de músculo, o trio de vilões que fica sempre na cola do nosso herói. Ao longo da trama, Cody recebe ajuda de mais algumas garotas, que também não demoram muito para mostrar os peitões, como a policial Beverly (Lori Sutton) e a corredora de carros Khnockers (Lynda Wiesmeier). Sem contar a constante aparição de uma família de caipiras querendo bater um racha com Cody…

É tanta coisa acontecendo, um turbilhão de situações, peitos, ação, que em determinado momento eu já não fazia idéia o que Cody estava investigando. É claro que se você vai assistir a um exemplar de Andy Sidaris esperando acompanhar cada detalhe do enredo, vai perceber que escolheu o filme errado! O negócio é relaxar e se divertir com toda a zombaria. E Sidaris não decepciona o seu público, principalmente quando se trata de mulheres sem roupa. Não passa 5 minutos sem um peito balançando na tela.

Há uma cena no meio do deserto, num local cheio de carros usados cuja proprietária aparece apenas para tirar a blusa assim que Cody aparece lhe pedindo um carro pra fugir. Não satisfeito, Sidaris ainda cria mais mais situações e personagens apenas para encher a tela com mais peitos, como as duas ninfetas taradas que vivem no barco vizinho ao do protagonista, a telefonista que sempre põe o peito pra fora pra conversar com Cody, ih, são tantas… Mas claro, não podia faltar Sybil Danning, no auge da formosura, beirando os quarenta, não fazendo feio diante das mocinhas, apesar da participação pequena.

Bom, se por um acaso eu ainda não consegui convencê-los de assistir a esta belezinha com meu texto, acho que as imagens que eu coloquei devem dar conta do recado! Boa sessão.

O DEFENSOR, aka The Defender (2004)

O DEFENSOR possui um papel de extrema importância para a carreira de Dolph Lundgren, pois trata-se de sua estréia atrás das câmeras, assumindo a função de diretor. Pode não ser um dos melhores exemplares da filmografia do sueco, mas até que é uma agradável surpresa e demonstra que, ao longo do tempo, trabalhando com vários diretores do calibre de Mark L. Lester, Vic Armstrong, Anthony Hickox, Ted Kotcheff e outros, o sujeito conseguiu aprender o suficiente para não arruinar seu primeiro trabalho de direção.

 Dolph interpreta o líder de uma equipe de seguranças do governo e tem a missão de proteger a Conselheira de Segurança americana em uma misteriosa reunião em um hotel na Romênia. É claro que as coisas dão erradas e rapidamente o local se transforma numa zona de guerra e a equipe de Dolph fica encurralada no Hotel cercado de sodados de elite que querem vê-los mortos a qualquer custo.

Tudo faz parte de uma conspiração internacional para derrubar o presidente dos Estados Unidos, vivido por ninguém menos que o apresentador sensacionalista Jerry Springer, uma espécie de Marcia Goldsmith da televisão americana. Mas os detalhes da premissa não estão entre as maiores preocupações do diretor estreante, o roteiro é um fiapo e serve apenas como desculpa para preencher o filme inteiro com um montão de cenas de tiroteios, pancadaria e explosões. O resultado é um exercício de ação divertido. É bem clichezão e previsível também, mas para quem é fã do Dolph não deixa de ser um bom passatempo vê-lo aprontando as suas como action heroe e, claro, como diretor também.

Lundgren se aprimorou bastante com o passar do tempo. Ainda não vi todos os filme que dirigiu, mas o último, THE KILLING MACHINE aka ICARUS, é um belíssimo exemplar de ação do ciclo atual feito direto para o mercado de vídeo. Mas em O DEFENSOR o sujeito já consegue demonstrar uma certa segurança. Na verdade, seu trabalho aqui é bem melhor que uma porção de pretensos cineastas que tentam fazer ação nos nossos dias, inclusive alguns que tem à disposição milhões de dólares para torrar em produções medíocres, cheia de efeitos especiais de CGI e um elenco de estrelinhas hollywoodianas. Não troco um pequeno filme de ação do velho Dolph por nenhuma dessas mega produções.

Dolph está cheio de projetos ainda para este ano, mas o seu próximo trabalho como diretor se chama SKIN TRADE e parece interessante… Vamos aguardar. 

O ELIMINADOR, aka Hidden Agenda (2001)

Mais um trabalho do Dolph por aqui. Espero que não se importem… E infelizmente, mais um bem fraco. Mas, diferente de AGENTE VERMELHO – assunto do último post, que conseguiu garantir boas risadas apesar dos problemas – O ELIMINADOR é indiscutivelmente ruim e não tem graça alguma. Misteriosamente, o filme possui bastante comentários positivos na rede, algo que me surpreendeu. Ou eu sou burro pra cacete ou tem algo errado com essas pessoas. Mas vamos à trama:

Dolph interpreta um ex-agente especial do governo que criou um programa de proteção à testemunha altamente secreto e seguro. É um sujeito refinado, dono de um restaurante (que serve de fachada) lembrando um pouco ROCKY 6, com o personagem todo amigão indo às mesas bater papo com os clientes. O problema começa quando um assassino profissional, conhecido apenas como “o eliminador”, é o provável responsável por mandar os “protegidos” de Dolph comer capim pela raíz. E o que poderia iniciar a partir daí como um ótimo filme de ação, se transforma numa confusão narrativa de dar pena!

A premissa até que é interessante e poderia render um bom thriller nas mãos de roteiristas menos pretensiosos e um diretor mais competente, que soubesse filmar ação. O ELIMINADOR tenta ser daqueles filmes de conspiração inteligente e hermético, sem ter substância sufiente pra tanto. A trama é simples, mas tratada com uma complexidade narrativa que eu mesmo não fazia idéia do que estava acontecendo em alguns momentos. Fora a quantidade de personagens sem propósito algum para a história que vão surgindo a todo instante, reviravoltas metidas à espertinhas e que vão inchando o filme… e o saco do espectador. Por isso a minha surpresa com o povo elogiando a obra e até mesmo a suposta inteligência do roteiro.

As sequências de ação também não ajudam muito. Apesar de não ser o foco de O ELIMINADOR, as poucas que temos não empolgam, são filmadas sem muita inspiração pelo diretor Marc S. Grenier. A única cena que realmente acontece uma troca de tiros é a do final, dolorosamente chata e clichezona. Dolph protagoniza algumas lutinhas rápidas que são bacanas e é claro que o fator Dolph Lundgren é a única coisa que presta, fazendo uma persona diferente do seu habitual, mas ainda é muito pouco.

No fim das contas, é apenas uma tentativa frustrada do velho Dolph de fazer um thriller sério que, infelizmente, acabou parando nas mãos dos realizadores errados.

AGENTE VERMELHO, aka Agent Red (2000)

Fim das férias! Veremos se vou conseguir manter a mesma frequência de atualizações… até porque ainda tenho alguns Dolph’s para comentar. E por enquanto estava fácil, os três últimos filmes do sueco que comentei aqui recentemente são filmaços de primeira linha, ótimos veículos para o ator demonstrar seu potencial como action heroe. Mas com uma filmografia com mais de quarenta trabalhos, é óbvio aparecer uns exemplares bem fraquinhos… AGENTE VERMELHO, por exemplo.

Mas fiquem calmos, nem tudo está perdido! O filme é de uma imbecilidade que, de tão ruim, pode soar engraçado e divertido para aquele espectador específico e vacinado, que sabe relevar os equívocos da fita e entrar no clima desta bobagem sem noção. O que vocês precisam saber inicialmente é que algo deu muito errado durante as filmagens com o diretor Damian Lee. Quando o filme ficou pronto, o produtor Andrew Stevens disse que nunca tinha visto algo tão horrível na vida! Lee acabou demitido e foi substituido pelos salvadores da pátria, Jim Wynorski e o roteirista Steve Latshaw (entrevista com este último sobre o ocorrido logo abaixo). Com apenas três dias para tentar consertar o estrago, Wynorski refilmou mais de 40 minutos de projeção e mudou até a trama do filme. Para quem já viu o documentário POPATOPOLIS, sabe do que o homem é capaz.

Além disso, Jim é conhecido como o rei do stock footage. Ao invés de pegar uma câmera, juntar uma equipe técnica, figurantes, transportar tupo para locação ou estúdio, etc, ele simplesmente “rouba” cenas de outros filmes e insere onde precisa. Tudo de forma legalizada…

Para AGENTE VERMELHO foram utilizadas cenas de COUNTER MEASURES, de Fred Olen Ray, CONTAGEM REGRESSIVA, de Stephen Hopkins (com Tommy Lee Jones e Jeff Bridges), PROJETO SOLO, com o Mario Van Peebles, STORM CATCHER, do Anthony Hickox (que também tem o Dolph como protagonista), SUBMARINO NUCLEAR, de um tal de David Douglas, e, principalmente, MARÉ VERMELHA, do Tony Scott, com Gene Hackman e Denzel Washington. O resultado disso tudo é, no mínimo, engraçado, e a diversão reside justamente em tentar descobrir as cenas dos filmes que foram utilizadas. Um barato! Às favas com a trama, com o que está acontecendo, com atuações ruins, os diálogos risíveis e a direção péssima… eu quero saber de que filme veio a explosão de um helicóptero!

Há uma cena em que um sujeito pergunta ao personagem de Dolph se ele já ouviu falar do “agente vermelho”, um vírus utilizado pelos bandidos do filme para um ataque terrorista, e Dolph responde: “Parece título de um filme ruim”… Dolph é esperto, sabia muito bem onde estava pisando. Se tem algo que é preciso elogiar em AGENTE VERMELHO é a presença carismática deste ator, que parece estar pouco se lixando para a bomba que se meteu, e se diverte encenando umas lutinhas e tiroteios mal dirigidos, soltando umas frases constrangedoras.

Nem vou gastar muito falando da trama, porque é o que menos importa, mas se alguém ainda estiver interessado, trata-se de um rip-off de A FORÇA EM ALERTA, que se passa num submarino tomado por terroristas, mas com a impressão de ter sido dirigido pelo Ed Wood.

Para finalizar, AGENTE VERMELHO ainda conta com várias figuras fazendo pequenas participações durante o filme, colaboradores de Wynorski que devem ter aparecido pra ajudar o diretor durante os seus três dias de filmagens, como Peter Spellos, Melissa Brasselle, Lenny Juliano e outros… Bem, nem essa turma conseguiu salvar o filme, que é um autêntico lixo cinematográfico. Mas eu me diverti à beça assistindo, ri pra caramba apesar de tudo. Então, se decidir assistir, vá por sua conta e risco e não me culpe pela decepção. Estão avisados!

ENTREVISTA COM O ROTEIRISTA STEVE LATSHAW SOBRE AGENTE VERMELHO
Fonte: Ziggy’s Video Realm

Ziggy: How did you become involved with Agent Red?
Steve Latshaw: In 1998, I was approached by Andrew Stevens to rewrite my script Counter Measures as a Dolph Lundgren film. Some months later, I discovered they had instead hired Damian Lee to do the job (and also direct). I thought nothing more about it. A year and a half later, Andrew came back to me and said the film was in serious trouble.

Ziggy: After the film was initially completed, what happened next?
Steve Latshaw: I suspect there was much hand-wringing, recrimination, and general fear and loathing.

Ziggy: How much of the original filmed material was scrapped?
Steve Latshaw: About 40 minutes.

Ziggy: How much of an improvement would you say the final result was compared to the original product, and in what ways?
Steve Latshaw: 100%. In our version it at least plays as a movie, has action, pacing, and makes sense. (Within its own terribly unique framework.)

Ziggy: Even in its “refined” state, you yourself have mentioned that Agent Red is not really “any good”, and the film has since gained a reputation as one of the most horrible action movies in recent years. Do you have any thoughts about the movie’s reputation?
Steve Latshaw: As my name is not on it, I am the picture of indifference. At the end of the day, these are just movies. I dare say it plays better after a few drinks.

THE SHOOTER, aka Hidden Assassin (1995)

Para a “crítica séria”, Ted Kotcheff pode ter perdido o rumo em algum ponto de sua carreira após apontar como cineasta promissor nos anos 60 e 70, tendo realizado a obra prima PELOS CAMINHOS DO INFERNO. Nos anos 80, deu uma sacudida no cinema de ação com o primeiro RAMBO, que destoa totalmente do que o personagem virou nos filmes seguintes. Ainda pretendo escrever sobre a série, mas RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR é um marco no gênero. Gosto bastante das continuações como filmes de ação apenas. Já o primeiro possui envergadura crítica e é sensacional como exemplar do gênero.

Enfim, o último filme feito pra cinema dirigido pelo Kotcheff é este THE SHOOTER, pequena produção protagonizada pelo Dolph Lundgren… como disse no início do texto, para a “crítica séria”, isso aqui é como o fundo do poço para um diretor do calibre do sujeito. Mas para nós, fãs ardorosos do “inocente” cinema de ação de baixo orçamento, um filme do Dolph dirigido por um mestre é como um bife bem suculento acompanhado de uma montanha de batatinhas fritas: não tem como ser ruim!

Escrito por três roteiristas meia bocas, a trama de THE SHOOTER é simples, mas eficaz como thriller um pouco mais sério do que o Dolph costuma fazer. Após o assassinato de um embaixador cubano em território americano, o agente Michael Dane (Dolph) é enviado à Praga com a missão de capturar o principal suspeito pelo ocorrido. Trata-se de uma assassina profissional chamada Simone Rosset, vivido pela belezinha Maruschka Detmers – também lembrada pelo boquete explícito em DIAVOLO IN CORPO, de Marco Bellochio.

O problema é que há muito tempo Rosset não atua como assassina, levando uma vida pacata, cuidando de seu restaurante ao lado de sua companheira. E Dane passa a duvidar que ela tenha realmente agido. E quanto mais o herói cava fundo nas investigações, mais ele se vê submerso numa teia de conspiração extremamente perigosa. Nada muito elaborado como um MISSÃO: IMPOSSÍVEL, do Brian de Palma, que possui orçamento alto e elenco de primeira classe, mas para um B movie de ação, até que a trama surpreende com suas reviravoltas.

O que não é surpresa são as sequências de ação dirigidas por Kotcheff, filmadas com elegancia e sem exageros, na dose certa para um thriller como este, onde o foco não é exatamente as cenas de ação. Mas não deixa de ter momentos onde Dolph encarna o herói brucutu oitentista com uma camisa branca coberta de sangue, como na sequência final em um palácio em Praga. Aliás, a cidade é um excelente cenário, com uma variedade de locações propícias para o tipo de filme que temos aqui. Na verdade, Paris era a primeira escolha, mas as taxas de impostos para a produção na República Tcheca é bem mais em conta.

No entanto, isso não impede de haver uma sequência ótima de perseguição de carros em alta velocidade pelas ruas apertadas que é de tirar o fôlego. Há outra, à pé desta vez, que inicia numa estação e vai parar sobre um trem em movimento; temos Dolph empoleirado no parapeito de um edifício para acertar um atirador de elite posicionado em outro prédio, numa sequência tensa; um tiroteio explosivo quando Dolph resgata a mocinha prestes a ser executada à sangue frio e por aí vai… para um filme mais focado na trama, THE SHOOTER tem ação pra cacete!

Dolph Lundgren, com cabelinho na moda, está ótimo e possui muita química com Maruschka, que por sua vez também tem uma curiosa ligação com sua sócia, levantando a questão da preferência sexual da personagem, algo que torna o desenvolvimento da relação entra ela e Dolph muito mais interessante. Completando o elenco, temos Gavan O’Herlihy e John Ashton.

Graças a competente direção do veterano Ted Kotcheff e uma trama instigante, THE SHOOTER tem seu lugar garantido entre os melhores veículos de ação de Dolph Lundgren nos anos 90. Foi curiosamente lançado aqui no Brasil com o título de DESAFIO FINAL, provavelmente representando o que foi para o velho de guerra, Ted Kotcheff, realizar este seu último trabalho feito pra cinema…

THE INGLORIOUS BASTARDS, aka Quel Maledeto Treno Blindato (1978)

Para quem queria mais Castellari no blog, chegou a hora de THE INGLORIOUS BASTARDS! Não faz muitos anos que assisti pela primeira vez. Na verdade, foi logo quando Tarantino começou a possível “refilmagem” deste exemplar italiano e para não ficar pra trás acabei conferindo de uma vez. Na época, até comentei em poucas palavras por aqui. BASTARDOS INGLÓRIOS, do Tarantino, acabou não sendo refilmagem de nada, resultou em algo totalmente diferente (como era de se esperar), uma homenagem aos filmes de guerra, da mesma forma que BASTARDS já era, naquela época, um belo retorno aos filmes americanos do gênero, embora muito bem acompanhado ao estilo engajado de Enzo G. Castellari de filmar ação. Revi esses dias para poder comentar novamente essa maravilha e dar continuidade à peregrinação pelo cinema do diretor.

A trama é ambientada na França ocupada pelos nazistas em plena Segunda Guerra Mundial. Um grupo de soldados aliados, todos eles presos por crimes em serviço, precisam ser transportados para prestarem contas à corte marcial, mas durante o trajeto, o comboio é atacado e cinco condenados conseguem escapar. O filme é sobre a jornada desses desertores, os tais bastardos sem glória, tentando chegar à Suíça, atravessando um território cheio de nazistas, até se meterem sem querer numa missão altamente secreta cujo objetivo é sabotar um trem fortemente protegido. Uma aventura e tanto, especialmente nas mãos de um diretor cujo nome é sinônimo de ação.

E é exatamente a isso que BASTARDS se resume: rápidas sequências de ação, uma atrás da outra, sem muita enrolação, até chegar ao final explosivo no qual Castellari demonstra mais uma vez porque está entre os grandes mestres do gênero. Há uma abundância de tiroteios, explosões, situações de tensão, belo trabalho de dublês, centenas de corpos alvejados em grande estilo e em câmera lenta, lembrando outro certo diretor que fazia miséria com slow motion em cenas de ação: Sam Peckinpah. Mas a influência do diretor americano já é notória e eu já comentei aqui diversas vezes. E se o orçamento não permite explodir um trem de verdade, que explodam uma maquete e um trem em miniatura… o efeito é tosco, mas dá aquele charme estimulante que só o cinema classe B old school conseguia proporcionar.

Além disso, apesar de ir direto ao ponto no quesito ação, Castellari é inteligente o bastante para arranjar tempo para desenvolver cada um de seus persoangens, uma característica importante e comumente ignorado em filmes de guerra com vários personagens. E se no elenco não temos um Lee Marvin ou Charles Bronson, como em OS DOZE CONDENADOS – uma das principais influências de BASTARDS – ao menos conta com atores do calibre de Bo Svenson, Fred Williamson, Michael Pergolani, Raimund Harmstorf, Ian Bannen, etc, e pequenas participações de Joshua Sinclair e Donald O’Brien, que rouba a cena como um oficial nazista. Não é um elenco de se jogar fora e todos parecem se divertir enquanto brincam de fazer cinema.

 

Meu personagem favorito é o de Fred Williamson, apesar de adorar o Bo Svenson. Eu sempre me pego rindo da cena da cachoeira, onde várias alemãs tomam banho beeeem à vontade. Como os heróis estão disfarçados de nazistas, eles resolvem “chegar junto” e pulam na água pra “brincar” com as alemãs sapecas. O problema é que Williamson tem a pele um “pouco” mais escura que seus companheiros e logo elas percebem que se tratam de americanos e, assustadas, começam a atirar com metralhadoras totalmente nuas! Momento impagável deste maravilhoso clássico! Sem dúvida, um dos meus favoritos do Castellari.

Eu só não entendo até agora porque essa belezinha não foi lançada em DVD por aqui. Deveria sair com uma edição caprichada! Eu seria o primeiro da fila pra comprar. No Brasil, foi lançado na época do VHS, com o título de ASSALTO AO TREM BLINDADO.

FUGA MORTAL, aka Army of One; Joshua Tree (1993)

Perdi as contas de quantas vezes assisti a este pequeno action film que o Dolph Lundgren estrelou no início dos anos 90, mas já fazia uns bons dez anos que não conferia. FUGA MORTAL é mais lembrado pela clássica sequência da trocação de tiros frenética que Dolph protagoniza num armazém lotado de Ferraris. Revendo hoje, me bateu um saudosismo daquela época em que o cinema de ação era mais truculento, cada frame exalava testosterona e os diretores não economizavam em barbaridades e violência. Além disso, até um filme menor, como este aqui, tinha uma direção que, se não era das melhores, ao menos não havia certas frescuras do cinema atual… bons tempos.

A trama de FUGA MORTAL começa com Santee – o nosso action heroe Dolph Lundgren – dirigindo um caminhão pelas estradas americanas junto com seu parceiro, Eddie, transportando sabe-se lá o que, pra manter o suspense. Durante o percurso, um policial rodoviário decide pará-los. Enquanto Santee espera ao volante, Eddie sai da cabine para atender o oficial. Um misterioso carro se aproxima e um confuso tiroteio se inicia, o protagonista resolve sair e dá de cara com seu parceiro baleado. Mais tiros, Santee é alvejado, assim como o policial… e o espectador fica boiando sem saber direito o que está acontecendo.

Mas tudo faz parte do “elaborado” roteiro escrito Steven Pressfield, que tem no currículo alguns filmaços como NICO – ACIMA DA LEI e FREEJACK – OS IMORTAIS. É lógico que Santee sobrevive ao tiro, se não, como teríamos o filme sem o Dolph? Apesar de que, em MOMENTO CRÍTICO, o Steven Seagal morre nos primeiros dez minutos e o filme continuou sem ele… Até hoje fico chocado quando lembro. Mas não é o caso de FUGA MORTAL. O sujeito é preso e se recupera na enfermaria da prisão mais próxima. Com o ferimento da bala sarado, Santee é transportado para um presídio e, durante a viagem, mais mistérios, os policiais encarregados a acompanhá-lo tentam matá-lo. Santee foge e passa o resto do filme na tal “fuga mortal” do título nacional.

Durante a escapada e as tentativas de se esconder e sobreviver, Santee toma como refém uma policial gostosa e prepara uma vingança contra aqueles que querem vê-lo morto, além de tentar limpar seu nome. Esses objetivos num filme dos anos 90, estrelado pelo Dolph, só significa uma coisa: AÇÃO! E das boas! Não faltam perseguições de carro em alta velocidade, tiroteios, explosões, pancadaria, ingredientes essenciais. No final, por exemplo, temos a famosa e sem noção perseguição em que Dolph arruma uma Ferrari vermelha enquanto seus adversários tentam lhe pegar com uma Lamborghini preta! Que porra é essa? Claro, quando se tem doze anos e vê um troço desse tipo, se torna algo extremamente cool na nossa cabeça, pra contar na escola para os amigos. Mas assintindo agora é, no mínimo, bizarro!

Ainda bem que temos o tiroteio no armazém cheio de ferraris, que é o ponto alto de FUGA MORTAL. Obviamente, todas as ferraris são réplicas muito bem feitas do carro italiano, inclusive a que o Dolph utiliza nas cenas de perseguição… a produção não teria como bancar o estrago de um monte de Ferraris e o diretor NÃO é o Michael Bay. Mas a sequência é linda! Dolph invade o local cheio de capangas, distribuindo tiro pra tudo quanté lado! Curioso é que, originalmente, o roteiro previa apenas cinco bandidos para o confronto, mas o diretor Vic Armstrong achou pouco, queria mais ação e acrescentou um bom número a mais de capangas descartáveis, apenas esperando a vez de levar tiro! Por que não existem mais diretores como Vic Armstrong?!?!

Aliás, o sujeito é famosíssimo em Hollywood, mas seu único trabalho de direção em longas é FUGA MORTAL, um filme de baixo orçamento com o Dolph. Como isso é possível? Trata-se de um dos grandes  dublês do cinema americano, Armstrong é uma autêntica celebridade em seu ramo e até livro a seu respeito já foi publicado. Foi Indiana Jones nas cenas perigosas, dublê de 007 quando Sean Connery ainda interpretava o papel, a lista de filmes do cara é impressionante, tendo trabalhado com diretores do calibre de Cimino, Spielberg, Polanski, Verhoeven, McTiernan, Scorsese, e por aí vai… Pena seu único trabalho na direção tenha sido apenas este aqui. 

Voltando à cena, outro detalhe importante é que estamos no início dos anos 90, quase todo mundo queria filmar ação como John Woo e essa sequência especificamente é uma bela homenagem ao “heroic bloodshed” que o diretor chinês fazia em sua época mais inspirada. FUGA MORTAL não chega aos pés de um HARD BOILED, mas Armstrong mandou muito bem na coreografia da ação dessa cena e Dolph Lundgren encarna direitinho o herói do gênero, com uma pistola em cada mão que parece ter munição infinita. Sem dúvida, uma dos melhores momentos de ação protagonizado pelo sueco. Exagerado e violento!

E para completar a série de elementos que todo bom filme de ação deveria ter, a policial gostosa, interpretada por Kristian Alfonso, mostra os peitos. Tiroteios, perseguições, explosões, diretor dublê e peitos, o que mais precisamos em um filme como este? Boas atuações? O protagonista é o Dolph, então já garante um desempenho de qualidade por parte do protagonista. Tirando o nome meio gay que deram ao personagem, Santee, é um dos mais mais sombrios e cafajestes que o Dolph já fez. É o tipo de figura que você não gostaria de topar num beco escuro à noite… seja lá o que isso significa. E estamos falando do herói do filme! George Seagal parece se divertir muito fazendo o vilão, o policial corrupto que desgraçou a vida de Santee (ui!). E mais: Ken Foree, Michael Paul Chan, Matt Battaglia e Geoffrey Lewis, como o xerife confuso.

FUGA MORTAL é desses casos obrigatórios para quem curte o trabalho do Dolph. entra fácil num Top dez do ator. Para quem tem mais de quarenta filmes ao longo da carreira, isso quer dizer muito! Inclusive, acho até que quem não é fã do sueco, mas procura um passatempo simples, sem compromisso, em produções menores do gênero, corre o risco de se divertir à beça com este, afinal, o filme cumpre bem o seu papel de exemplar de ação dos anos 90, é bem movimentado, tem uns peitinhos e vários rostos reconhecíveis. Precisa mais que isso?

FAVORITOS DEMENTIA 13 DE 2011

20. PLANET OF THE VAMPIRE WOMEN (Darin Wood, 2011)
19. THE WARD (John Carpenter, 2010)

18. STAKE LAND (Jim Mickle, 2010)

17. INSIDIOUS (James Wan, 2010)
16. A PELE QUE HABITO (Pedro Almodovar, 2011)

15. TRUE GRIT (Joel & Ethan Coen, 2010)

14. COLD FISH (Shion Sono, 2010)

13. KYNODONTAS (Giorgos Lanthimos, 2009)

12. ATTACK THE BLOCK (Joe Cornish, 2011)

11. HOBO WITH A SHOTGUN (Jason Eisner, 2011)

10. THE TREE OF LIFE (Terrence Malick, 2011)

09. THE MAN FROM NOWHERE (Jeong-Beom Lee, 2010)

08. SUPER (James Gunn, 2010)

07. HANNA (Joe Wright, 2011)

06. OUTRAGE (Takeshi Kitano, 2010)

05. 13 ASSASSINS (Takashi Miike, 2010)

04. MELANCHOLIA (Lars Von Trier, 2011)

03. ESSENTIAL KILLING (Jerzy Skolimowski)

02. I SAW THE DEVIL (Jee-Woon Kim, 2010)

01. DRIVE (Nicolas Winding Refn, 2011)

Outros filmes que também merecem destaque, dentre os que consegui assistir este ano: UNSTOPPABLE (Tony Scott); TROLL HUNTER (André Øvredal); RUBBER (Quentin Dupieux); SINNERS & SAINTS (William Kauffman); DETECTIVE DEE (Tsui Hark); SUPER 8 (J.J. Abrams); THE WOMAN (Lucky McKee); BALADA DO AMOR E DO ÓDIO (Alex de la Iglesia); MISSÃO IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA (Brad Bird) e TUCKER & DALE VS. EVIL (Eli Craig).

6 FILMES PARA AGUARDAR EM 2012

UNIVERSAL SOLDIER: A NEW DIMENSION:
Com U.S. REGENERATION, a reunião dos astros do primeiro filme, Van Damme e Dolph Lundgren, mais a criatividade do diretor John Hyams rendeu um dos exemplares DTV de ação dos mais divertidos. Essa turma toda está de volta neste aqui e ainda trouxeram Scott Adkins na parada. Se for no mesmo nível do anterior, já está bom demais… mas tenho minhas suspeitas de que será ainda melhor!

BULLET TO THE HEAD:
O mestre Walter Hill de volta à ativa, dirigindo um dos action heroes favoritos do blog, Sylvester Stallone, num filme de ação policial que tem tudo pra ser uma das coisas mais absurdamente sensacionais de 2012. A espectativa é alta e espero não me decepcionar. E tinham que divulgar justamente uma imagem do Stallone em uma luta de machados pra aumentar ainda mais a minha ansiedade?!?!

OS MERCENÁRIOS 2: 
Depois do elenco completado e do teaser apresentado recentemente, já nem me importo pelo Simon West na direção. Stallone, Dolph, Van Damme, Adkins, Schwarzenegger, Willis… CHUCK! Parece um sonho se tornando realidade. Como defensor de OS MERCENÁRIOS, espero que consigam manter o nível espetacular do primeiro filme. Ok, eu sei que a maioria dos amigos ficou decepcionada com o anterior. Espero que façam as pazes com este aqui, pelo menos…

COGAN’S TRADE: 
A imagem do Brad Pitt segurando uma “garrucha” com jaquetão de couro e barbicha de malandro me fez pensar, “Epa! Pode ser algo interessante!”. Dei uma fuçada e achei o diretor: Andrew Dominik. Beleza! O cara do violentíssimo CHOPPER e do poético western ASSASSINATO DE JESSE JAMES. Elenco: além do galã da foto, temos James Gandolfini, Ray Liotta, Richard Jenkins, Sam Shepard… Opa, estamos melhorando! E para arrematar, é inspirado num livro de George V. Higgins, o mesmo autor de Os Amigos de Eddie Coyle. Já basta para ser um dos mais aguardados de 2012, não?

ONLY GOD FORGIVES: 
O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn e o ator Ryan Gosling se reuniram novamente e já estão preparando algo para não ficarmos órfãos tão cedo, depois da ótima parceria que resultou em DRIVE. A sinopse que está disposta no imdb é um achado: Um tenente da polícia de Bangkok e um gangster resolvem suas diferentas em uma luta de boxe tailandês! Que porra é essa?! E o roteiro é do próprio Refn… Enfim, vindo desses caras, tudo pode acontecer. Só espero que seja tão estiloso quanto DRIVE.

DJANGO UNCHAINED: 
É o Tarantino, né? Então não tem como ficar indiferente… O sujeito agora resolveu brincar de western, vamos ver o que sai. É outro que pode-se esperar qualquer coisa, não tem como prever. Mas o legal é que até agora o Tarantino não me decepcionou, por isso entra facilmente na lista dos mais aguardados. E o elenco também não é de se jogar fora: Joseph Gordon-Levitt, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz, Kurt Russell, Jamie Foxx, Don Johnson, James Russo…

OBS: Segundo o imdb, LAST STAND, retorno do Arnoldão como protagonista de filme de ação, dirigido pelo coreano Jee-woon Kim, deve estrar só em 2013. Humpf!

RED SCORPION (1988)

Não vamos perder tempo! Começando as atividades em 2012 com este filmaço estrelado pelo Dolph Lundgren. No mês passado eu assisti a, pelo menos, uns seis ou sete filmes do sueco e acabei não comentando nada por aqui. Como Dolph é um dos action heores favoritos do blog, preparem os corações, pois teremos muito “Drago” pelas próximas semanas!

A história de RED SCORPION é algo um tanto extraordinário. Típico escapismo de ação oitentista, de ótima qualidade por sinal, que serve também de base para um interessante estudo de personagem, com transformações bem construídas e uma forte intensidade emocional. Nada muito profundo, obviamente, mas fora do comum em relação a outros exemplares do gênero.

Vejamos: Dolph Lundgren interpreta um assassino soviético altamente treinado, uma verdadeira máquina de matar, enviado à África para eliminar um líder rebelde em um país comunista dominado por Cuba, mas acaba falhando em sua missão e é jurado de morte pelo seu próprio país. Foge pelo deserto onde passa por uma experiência transcendental filosófica com um nativo africano que lhe mostra a essência da vida. Ele retorna para os rebeldes agora com o objetivo de unir-se a eles, arranja uma metralhadora e detorna o maior número de carcaça soviética num final explosivo!!!

Não é de chorar?

Há o lado político de RED SCORPION, que é uma das propagandas mais bobas que eu já vi. Um russo que muda de lado e extermina comunista?! Pffff, tinha que ser coisa do produtor Jack Abramoff, famigerado lobista de Washinghton que foi preso há alguns anos condenado por corrupção e fraudes… dizem que hoje trabalha numa pizzaria. Mas houve um tempo em que suas visões políticas eram colocadas nos filmes que produzia, como este aqui.

Mas o que vale mesmo é a atuação de Dolph Lundgren e as transformações, não políticas, mas universais, que seu personagem sofre no decorrer do filme. No elenco ainda temos Brion James, também fazendo sotaque russo, e M. Emmet Walsh vivendo um jornalista americano preconceituoso que detesta o Dolph, mas deve ser porque é velho, barrigudo e acabado, enquanto Dolph é aquela montanha de músculos e no calor africano, usa pouquíssimas roupas, para alegria da mulherada (ou de alguns rapazes que jogam no outro time. Nada contra).

Outro destaque vai para as sequências de ação, dirigidas pelo grande Joseph Zito, o mesmo cara que fez a obra prima INVASÃO USA, com o CHUCK! Então já dá pra confiar, o cara é da pesada e filma ação com uma truculência absurda e RED SCORPION deve ter mais testosterona que a urina do Mike Tyson! É explosão que não acaba mais, armamento pesado cuspindo fogo freneticamente, há uma perseguição no meio do deserto que lembra INDIANA JONES, com Dolph pulando de um caminhão pra uma motocicleta e, depois, de volta para o caminhão, tudo em movimento e trocando balas com seus perseguidores. O final é um espetáculo pirotécnico que só o bom cinema de ação dos anos 80/90 sabia promover.

E vale ressaltar que a direção de Zito não é apenas notável nas cenas de ação. O sujeito realmente soube tirar proveito das belezas naturais dos cenários africanos, principalmente nas sequências em que Dolph encara o deserto ao lado do nativo e participa do ritual do escorpião, ganhando uma tatuagem e o título de “red scorpion”. O visual impressiona e no fim das contas estamos diante de um místico action movie casca grossa.

RED SCORPION ganhou uma continuação durante os anos 90, sem o Dolph, que não vi ainda.