12 FILMES DE AÇÃO que merecem destaque este ano

Nem todos são exatamente ação, mas representaram bem o gênero este ano… mesmo aqueles que são do ano passado. Estou levando em consideração apenas os que assisti em 2011. Em ordem alfabética:

13 ASSASSINS (2010, Takashi Miike)

ASSASSINATION GAMES (2011, Ernie Barbarash)

DRIVE (2011, Nicolas Winding Refn)

ESSENTIAL KILLING (2010, Jerzy Skolimowski)

HANNA (2011, Joe Wright)

HOBO WITH A SHOTGUN (2011, Jason Eisener)

I SAW THE DEVIL (2011, Jee-woon Kim)

KILLER ELITE (2011, Gary McKendry)

THE MAN FROM NOWHERE (2010, Jeong-beom Lee)

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA (2011, Brad Bird)

SINNERS & SAINTS (2010, William Kaufman)

SUPER (2010, James Gunn)
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ATERRORIZADA, aka The Ward (2010)

Não sou de acompanhar fervorosamente todas as novidades e tudo que sai nos cinemas, mas até que este ano consegui assistir a bastante coisas legais, diferente dos últimos anos… Um fato que é importante destacar, na minha opinião, foi o retorno do mestre John Carpenter na direção de longas. Acabei não escrevendo nada sobre THE WARD na época que vi, mas para fechar 2011 com chave de ouro no DEMENTIA 13, o filme escolhido foi justamente este aqui.

O subestimado FANTASMAS DE MARTE, trabalho anterior do velho Carpinteiro, é de 2001 e chegou a passar nos cinemas. Uma pena não termos tido o mesmo privilégio de ver THE WARD na tela grande. Até mesmo lá fora, entrou e saiu do circuito discretamente. Convenhamos, não é nenhuma obra prima, apesar de ser dirigido por um sujeito experiente que já nos brindou com uma porrada de obras maravillhosas. Mas é muito melhor que a grande maioria dos filmes de terror que entram no circuito frequentemente, mas resolveram lançar diretamente em vídeo aqui no Brasil, com o título de ATERRORIZADA.

Amber Heard entra na pele de uma jovem que é trancafiada numa instituição mental após a suspeita de ter causado um determinado incêndio. A trama se passa nos corredores dessa instituição, nos anos 60, onde a protagonista conhece outras garotas internadas e se vê numa situação estranha na qual pacientes desaparecem misteriosamente e elementos sobrenaturais poderiam estar manifestando-se. Ou seria apenas coisas da cabeça da moça?

Lembro que discutindo o filme com amigos na internet, alguém soltou que THE WARD seria uma espécie de A ILHA DO MEDO mesclado a GAROTA INTERROMPIDA. Não lembro se disseram isso de maneira negativa ou positiva, mas pensando bem é uma boa definição. Eu, particularmente, gosto bastante do filme, é um horror divertido de acompanhar, mesmo concordando que seja um trabalho menor do diretor, com soluções equivocadas em vários momentos, alguns caminhos que há quinze anos seria difícil de se ver num filme de John Carpenter. Senti falta das trilhas que o próprio diretor criava para as suas produções. Acho que ajudaria a tornar o filme mais “seu”.

Mas não quer dizer que não tenha ingredientes que fazem lembrar que estamos diante de uma obra do homem. Me pego admirando alguns planos, a maneira como trabalha o suspense, os detalhes dos cenários claustrofóbicos, a forma como constrói a tensão e putz! O velho Carpenter está de volta! Que se danem os sustos e a previsibilidade do roteiro, o clima geral é totalmente old school. Não lembro do Carpenter debruçando sobre o universo feminino como aqui, mas o cuidado com a mulherada é o mesmo que lhe é característico e o elenco corresponde à altura, especialmente Heard que carrega com segurança seu papel.

THE WARD lembra um desses filmes B clássicos de mistério psicológico, disfarçado de terror moderno, mas sem abrir mão de um certo anacronismo. É o tipo de filme que não teria como competir com o terror feito pra moçada do circuito comercial. Carpenter não é para o paladar do público jovem de hoje e, pra ser sincero, isso pra mim pouco importa… assistir em casa ou no cinema, fico satisfeito mesmo é pelo velho Carpenter ter voltado à ação, brincando de horror, mesmo sem o vigor de um THE THING ou ELES VIVEM, porque aí também já seria querer demais depois de quase uma década… mas o sujeito ainda tem estatura para pegar um material besta como este aqui e proporcionar 90 minutos de horror com qualidade.

EM NOME DO REI, aka In the Name of the King: A Dungeon Siege Tale (2007)

Resolvi fazer uma revisão de EM NOME DO REI antes de conferir a continuação, lançada recentemente lá fora no mercado de DVD, estrelado por um dos action heroes favoritos do blog, Dolph Lundgren. Mas mantenham a ansiedade por mais alguns dias, em breve faço o post de EM NOME DO REI 2, que aparentemente não possui qualquer ligação com este aqui. Por enquanto, fiquemos com o filme de 2007 que se revelou uma bela surpresa! Na minha cabeça, era uma tralha ruim de doer, mas divertido à beça pelos motivos errados. Na verdade, continua sendo isso mesmo, mas as suas virtudes se destacaram com mais ênfase dessa vez.

Ok, falar em virtudes num filme do Uwe Boll talvez seja um exagero, mas eu gosto de EM NOME DO REI! A história é simples, os diálogos são de rachar o bico de tão ridículos, tem muita ação, um elenco impressionante de rostos famosos fazendo cara de “que roubada que eu me meti!” e, claro, a direção do alemão maluco, pretensiosa até o talo, achando que está filmando um episódio da série O SENHOR DOS ANÉIS! Porra, Boll, coloque-se no seu lugar! Isso aqui é muito MELHOR que o O SENHOR DOS ANÉIS!!!

Baseado em um jogo de video game, pra variar, a trama é uma típica aventura de fantasia comum, sem nenhuma complexidade, com um Rei precisando defender seu reino de uma mago maléfico e seu exército de Krogs, criaturas semelhantes aos Orcs, abalando a vida de um simples fazendeiro, que entra na situação para se tornar herói, mudar o seu destino e se descobrir como alguém muito mais importante do que esperava. Relevando a desnecessária longa duração, o negócio é meio que desligar o cérebro e embarcar neste universo criado pelo Boll e, naturalmente, observar os sub-astros de Hollywood pagando mico…

Boll aprova!

Começando pelo protagonista, vivido pelo Jason Statham, que na verdade até que se sai bem como herói de ação, com aquela mesma expressão facial de todos os seus filmes. Ainda assim, acho o Statham um bom herdeiro das truculentas figuras de ação dos anos 80 e 90. Lhe falta um pouco de carisma, mas gosto do trabalho dele em algumas coisas. Prosseguindo ainda com a lista de atores que o Boll, milagrosamente, conseguiu reunir aqui, temos Ron Perlman, Leelee Sobieski, John Rhys-Davies, Claire Forlani, Matthew Lillard, e as cerejas do bolo: Burt Reynolds, encarnando o Rei, e Ray Liotta, vivendo o mago malvado que deseja o trono.

Estes dois últimos merecem um parágrafo à parte. Quando Reynolds surge em cena, vemos um ator deixar claro o quão empolgado ele está por fazer parte do filme. O sujeito mal se mexe na cadeira e cospe as falar com um desânimo subversivo… é de dar pena! A maior parte do tempo, Reynolds fica sentado ou deitado, mas até que participa um pouco de umas sequências de batalha. Aliás, sua participação é até maior do que eu esperava, especialmente depois da primeira aparição, com o olhar de arrependimento, mas louco pra receber o cheque logo e voltar pra casa. Mas a canastrice rola solta mesmo é com Ray Liotta! O sujeito está engraçadíssimo e bem à vontade! Diferente de Reynolds, percebe-se que Liotta se diverte com seu personagem, soltando aquelas gargalhadas que só ele faz… não tem como não se divertir com ele.

Eu só não consigo entender de onde tiraram que o Uwe Boll é, ou foi, o pior diretor do mundo! Tá certo que fez ALONE IN THE DARK e HOUSE OF THE DEAD, mas pera lá! O cara também fez BLOODRAYNE, TUNNEL RATS, POSTAL e outros, que não são obras primas, mas demonstra um diretor com colhões e que sabe o que faz. Existem vários diretorzinhos de estúdios americanos que não chegam aos pés do Boll. São tão sem personalidade que nem são lembrados na hora de apontar o pior diretor da atualidade.

As sequências de guerra e confronto corpo a corpo de EM NOME DO REI, por exemplo, não fazem feio diante das realizadas pelos grandes estúdios. São bem elaboradas e executadas, embora não tenha muito sangue. Mas é realizado à moda antiga e sem frescuras, quase não se vê CGI sendo desperdiçado… No meio da batalha na floresta, há um longo travelling que mostra a extensão da batalha, com vários figurantes e muita noção de espaço e arquitetura de ação. Perto de algumas coisas que vi no cinema nos últimos anos, isso aqui é uma aula de direção.

Vamos ver agora como o Dolph Lundgren se sai sob a direção do Boll. Se for tão divertido quanto este aqui, já fico muito satisfeito.

HARD TO DIE (1990)

Não precisam levar à sério as palavras do Joe Bob Brigs na arte acima, dizendo que HARD TO DIE seria uma versão feminina de DIE HARD (DURO DE MATAR)! Na verdade, pelo que conheço do JBB, nem ele deve ter levado a sério o que disse… Bem, ontem à noite eu dei uma conferida nesta belezinha. Tá certo que o filme se passa num prédio e é protagonizado por mulheres, mas é só isso mesmo que poderia gerar alguma ligação como a versão feminina do filme do Bruce Willis. O que temos aqui, realmente, é apenas mais um típico lingerie movie do Jim Wynorski, ou seja, um filme sobre mulheres e seus trajes mínimos… pra mim, tá bom demais.

Na trama, cinco mulheres precisam passar o sábado inteiro ajeitando um carregamento de lingeries na loja onde trabalham, que fica localizada neste prédio que serve de cenário para o filme. Em determinado momento, elas ficam molhadas, então precisam trocar de roupas. Nada mais justo que vestir lingeries, não é? Afinal, elas trabalham numa loja de lingeries. Mas antes, uma ducha para tirar o suor, claro, algo muito natural e que qualquer moça na mesma situação faria… e dá-lhe planos em corpos esfregando o sabonete, algo bem clichê nos filmes do Wynorski / Olen Ray, para a alegria do público.

O resto de HARD TO DIE é uma espécie de slasher movie sobrenatural, com as garotas sendo atormentadas por um espírito maligno que, aliás, vem de outro filme do Wynorski, SORORITY HOUSE MASSACRE 2, que eu já comentei por aqui em 2009. Por isso, HARD TO DIE também é conhecido como SORORITY HOUSE MASSACRE 3. Temos até Peter Spellos repetindo seu personagem, Orville, que chama a atenção no filme anterior por não morrer de forma alguma, apesar das facadas, pancadas, tiros, etc… aqui acontece a mesma coisa. Há uma cena que, após ser metralhado, perfurado por vários objetos pontiagudos, estrangulado, o sujeito ainda cai do terraço do prédio e, mesmo assim, levanta e continua caminhando… Acho que é por isso que mudaram o título para HARD TO DIE. Além do espírito do mal e Orville, quem aparace também é a dupla de detetives que tentava resolver o caso do filme anterior.

Tudo filmado com a falta de pretensão de sempre de Jim Wynorski, que aqui aparece também em frente às câmeras numa pequena cena, como diretor de um filme pornô, reclamando dos pés sujos de uma atriz. A cena é rápida, mas o discurso que faz é a essência do cinema que ele, Fred Olen Ray, e alguns outros diretores de produções de baixo orçamento realizam fielmente ao longo dos anos. Mas isso vai passar batido para a grande maioria do público, preocupados apenas em reparar nas moças seminuas atirando freneticamente com armas automáticas.