HELLRAISER: INFERNO (2005)

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Da mesma forma que o filme anterior se perdeu da essência dos primeiros episódios, HELLRAISER: INFERNO também não chegar a ter o clima original do universo HELLRAISER, mas em compensação consegue ser um belo adendo à série. Uma das coisas mais estimulantes no cinema, na minha opinião, é um bom filme policial investigativo e, independente da franquia a qual pertence, este quinto episódio nada mais é que um thriller policial de atmosfera dark e enredo intrigante que me fisgou já de cara.

A trama se concentra num detetive corrupto, drogado, infiel, ou seja, um exemplo de homem da lei a não ser seguido, interpretado por Craig Sheffer (que é a cara do David Boreanaz, ator que fez seriados como BUFFY e ANGEL… por um momento até pensei que fossem a mesma pessoa). Ao investigar uns assassinatos bizarros que vem sendo cometidos, ele se depara com o misterioso cubo que já estamos carecas de saber pra que serve. Mas o policial não sabe. Após futucá-lo, o sujeito é engolido pelas trevas, só percebemos o labirinto infernal que o protagonista se meteu gradativamente, no decorrer da investigação, até ser tarde demais… Quem curte apenas historinhas e roteiros convencionais vai odiar isso aqui. Diferente do filme anterior, INFERNO não resolve nada, não explica nada, deixa um monte de coisa em aberto, mas vai incitando a imaginação do espectador, cada vez mais intrigado com a narrativa.

Mas falando assim, até parece um puta filmaço injustiçado. Não é. INFERNO apenas me surpreendeu com suas qualidades, mas também é torto, a mão pesada do diretor Scott Derrickson em alguns momentos não ajuda muito e até fazer parte de uma franquia como esta o prejudica – as obrigatórias aparições do Pinhead soam forçadas, a não ser a do discurso final, um show de atuação de Doug Bradley.

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HELLRAISER: BLOODLINE (1996)

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Este quarto episódio veio pra baixar o nível da série, que até então estava perfeito! O filme já começa estranho logo nos créditos, quando vemos o nome Alan Smithee creditado como diretor. Pra quem não sabe, quando um diretor renega o próprio filme, por diversos motivos, é utilizado “Alan Smithee” para não deixar o campo da direção vazio. Na verdade, quem comandou HELLRAISER: BLOODLINE foi um sujeito chamado Kevin Yagher, eu não faço idéia de quem seja, mas substituiu Guillermo Del Toro e Stuart Gordon, que rejeitaram o cargo.

Assim que as filmagens acabaram, os manda chuvas pegaram os rolos de película e editaram da maneira que quiseram pelas costas de Yagher, mudando inclusive a história que estava no roteiro inicial, escrito pelo Peter Atkins que havia escrito dois dos filmes anteriores. Quando perceberam que precisavam colocar mais cenas com o Pinhead, novamente Doug Bradley, Yagher não quis mais saber de filmar. Foi chamado então, Joe Chappelle, que havia dirigido no ano anterior o HALLOWEEN 6, que é uma tremenda merda! Não tinha mesmo como dar certo…

Ao mesmo tempo em que foge completamente do clima dos anteriores, BLOODLINE tenta explicar todos os detalhes do universo HELLRAISER, desde a criação do cubo por um invertor francês de brinquedos há dois séculos, passando pelos dias de hoje até chegar no futuro, dentro de uma estação no espaço sideral! É muita coisa espremida em tão pouco filme… chega a ser prejudicial ao próprio universo criado por Clive Barker! Na minha opinião, tudo que é explicado demais perde o brilho, o mistério, o estímulo à imaginação, que é uma das coisas mais legais dos três filmes anteriores!

Os efeitos especiais são ótimos pra época, Doug Bradley sempre tem presença com sua face cheia de pregos, há pelo menos uma cena muito interessante, quando dois vigias de um edifício, gêmeos, são fundidos em um só, num belíssimo trabalho de maquiagem! Não falta sangue durante o filme, claro… mas no fim das contas, é uma bagunça desnecessária que não precisava nem existir.

UPDATE: Felipe Guerra me chama a atenção por não conhecer Kevin Yagher. Trata-se de um dos mais importantes técnicos de efeitos especiais dos anos 80 e 90… realmente não conhecia o nome, mas o trabalho do cara é fantástico, basta ver a ficha dele no imdb.

GLI OCCHI FREDDI DELLA PAURA (1971)

 

Já que me cobraram para continuar com textos do ciclo Castellari, vamos voltar às atividades com o homem! Apenas justificando a parada, já disse algumas vezes que sou tremendamente desorganizado com essas peregrinações de diretores. Então, podem me cobrar, caso eu abandone o italiano de novo. Outro motivo deve ter sido porque eu não achei GLI OCCHI FREDDI DELLA PAURA grandes coisas, o que me desanimou um bocado pra escrever algo e acabei esquecendo.

Sempre li que era um giallo, mas no fim das contas é um filme de “invasão de casa com reféns”, estilo HORAS DE DESESPERO, clássico com o Bogart, ou então a refilmagem do Cimino, com o Mickey Rourke. Claro que pensar que era uma coisa e na verdade ser outra não foi o motivo de não ter me agradado tanto. O filme começa brincando com os elementos do giallo, com uma mulher indefesa sendo molestada por um sujeito apontando-lhe uma faca… mas fica só na brincadeira mesmo. Trata-se de uma apresentação teatral. A cena é interessante, Castellari demonstra jeito pra esse tipo de atmosfera, a trilha do Morricone também contribui. É uma bela homenagem ao gênero, de qualquer modo…

Mas o restante do filme é a trama de um advogado e uma prostituta submetidos como reféns por um casal homossexual de bandidos. O problema é que Castellari não consegue extrair muita coisa interessante dessa situação. Pra ser honesto, eu achei o filme chato pra cacete em determinados momentos, diferente de um THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK, do Ruggero Deodato, que consegue manter a tensão do início ao fim tendo a mesma situação que este aqui. Mas vá lá, o elenco até que manda bem (Frank Wolff, Gianni Garko, Fernando Rey, etc) e nem tudo no filme é de se jogar fora. Mas no geral, fiquei um pouco decepcionado.

HELLRAISER III: HELL ON EARTH (1992)

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Sei que nem todo mundo vai compartilhar da mesma opinião, mas achei este terceiro episódio da série HELLRAISER uma autêntica obra prima do horror moderno! Um dos melhores filmes do gênero dos anos 90! Sim, gostei mais que HELLBOUND: HELLRAISER II, realizado quatro anos antes e que eu já havia achado um filmaço! Anthony Hickox é o cara! Não deve ter diretor tão subestimado quanto ele atualmente… e é uma pena, depois de tantas obras maravilhosas, ele já deveria ter sido alçado à condição de mestre!

Concordo que HELLRAISER III demora um pouco pra engrenar, mas logo no início temos uma sequência sensacional, no hospital, depois que a repórter dispensa sua equipe e começa um suspense estranho no corredor escuro do local até a entrada de uma equipe médica levando um sujeito cheio de correntes fincadas em sua carne… algo simples, mas conduzido com uma atmosfera transgressora que culmina com o pobre coitado tendo a cabeça explodida. Quem não gosta de cabeças explodindo nos filmes?! Eu adoro!!! Depois disso, a história realmente entra num marasmo e mesmo com uma trama interessante, algumas ceninhas violentas de morte e climão sempre carregado de mistério, a impressão é que vai ser apenas uma boa continuação que não acrescenta muito à série.

Mas aos poucos Hickox vai aumentando a intensidade da coisa e quando me dei conta, já estava imerso e hipnotizado em uma longa sequência de puro terror, sendo conduzido a um passeio de imagens sombrias e angustiantes ao extremo, tendo como guia o famigerado Pinhead, novamente vivido por Doug Bradley, desta vez com uma participação maior e um desempenho belíssimo do ator… talvez a melhor atuação do sujeito com os pregos fincados na cara. O que é a cena antológica na igreja?! Aquilo é de arrepiar… puta merda!

Os novos cenobitas que surgem em cena são coisas de gênio! O lance é que agora eles andam no meio da rua causando o terror, fazendo juz ao subtítulo do filme, um verdadeiro inferno na terra! O cenobita com uma câmera grudada no rosto apontando para o espectador é de uma audácia impressionante! Como disse no início, sei que nem todo mundo teve por HELRAISER III o mesmo impacto, mas o filme me acertou em cheio com uma força descomunal. Mais uma vez lamento por não ter assistido quando era mais novo… isso aqui teria feito um estrago danado na minha cabeça. Mas a experiência ainda é de arrepiar, especialmente com a aula de direção de Hickox, diretor que eu vou dar mais atenção por aqui no blog em breve.

De quebra, HELLRAISER III tem Terry Farrell, a mais bela protagonista da série!

HELLBOUND: HELLRAISER II (1988)

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Ops, esqueci de dizer no último post que o feriadão era prolongado pra mim porque aqui em Vitória, ontem, quinta, foi aniversário da cidade, por isso enforcaria apenas a sexta. Enfim, o negócio é que hoje ainda é sexta e eu já cumpri a meta de HELLRAISER’s que eu tentaria ver, ou seja, consegui assistir até ao quarto filme da série. Já que sobraram alguns dias de descanso, vou ver se mato mais alguns…

E depois digo o que achei do terceiro e quarto, vou manter suspense, embora já tenha exposto algo no twitter. Vamos ficar por enquanto com HELLRAISER II, que é, para minha surpresa, uma sequência à altura do maravilhoso filme que deu origem ao universo criado pelo Cliver Barker. Desta vez, a direção ficou sob a responsabilidade de Tony Randel que conseguiu manter a mesma atmosfera aterrorizante do primeiro filme. Como eu gostaria de ter conferido quando ainda era moleque… teria aproveitado mais a experiência de puro horror que é a descida ao inferno da protagonista na segunda metade do filme, uma jornada surreal e de situações desconexas, que em certos momentos me lembrou os pesadelos filmados por Lucio Fulci em THE BEYOND e PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS, mas com um visual clean e inspirado no genial M.C. Escher! É um dos infernos mais criativos que me lembro de ter visto.

O único problema é que o icônico Doug Bradley, que encarna o Cenobita Pinhead, e sua trupe de góticos masoquistas aparece tão pouco em cena. Não chega a ser um problema, até porque o roteiro porra-louca com climão de conto de fadas sombrio não me deixou desgrudar os olhos da TV, especialmente quando o filme se transporta de vez para o inferno, e ainda consegue a façanha de ser extremamente mais sangrento que o primeiro! Claro que baldes de sangue não garantem qualidade de filme algum. Este aqui é bom também por vários outros méritos, mas não supera o anterior. E nem esperava isso mesmo, é apenas a sequência perfeita que complementa, expande com precisão e eleva ainda mais o universo HELLRAISER.

HELLRAISER (1987)

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Feriadão está aí, resolvi dar mais uma olhada em um dos meus clássicos do terror oitentista preferidos. Sou obcecado pelo primeiro HELLRAISER! Já perdi as contas de quantas vezes assisti e sempre vejo a cada dois anos. Mas só agora resolvi botar algumas impressões por aqui. O problema, por favor, não riam de mim, é que eu nunca vi as suas continuações… nenhuma delas! Como minha pretensão neste feriado meio prolongado, provavelmente enforcarei a sexta, é assistir pelo menos até o quarto episódio da série (que possui oito filmes no total), vou tentar, brevemente, compartilhar o meu apego por este aqui, antes de seguir em frente com os próximos.

Lembro da primeira vez que assisti, foi na mesma época que também conferi A HORA DO PESADELO, no fim dos anos oitenta. Não era de assistir a muito filme de terror quando criança, gostavam mais de uns Stallone’s e Van Damme’s. Mas se Freddie Krueger era um personagem “do mal” que me divertia sem causar muito medo, os Cenobitas me aterrorizavam pra cacete, me faziam gelar cada vértebra da espinha! Obviamente, já não me assusto mais com esse tipo de coisa, mas putz, até hoje acho o estilo de horror de HELLRAISER algo de extrema eficiência! As imagens grotescas e as sequências pertubadoras de puro terror atmosférico do imaginário de Cliver Baker me causam um fascínio que poucos filmes do gênero conseguem causar.

Para quem não conhece, o filme é baseado no livro The Hellbound Heart, do próprio Barker, que eu não li, e apresenta o famigerado cubo cheio de mecanismos que abre um portal para outras dimensões trazendo os Cenobitas em cena. Liderados pelo célebre e inconfundível Pinhead, encarnado por Doug Bradley, os Cenobitas são criaturas que apenas desejam levar suas vítimas aos limites do prazer e da dor, não necessariamente nessa ordem… dizem que as duas coisas estão ligadas, mas eu não gostaria de descobrir até onde isso é verdade nas mãos dos Cenobitas. O visual desses caras é genial em todos os sentidos! O Pinhead, especialmente, se tornou um dos grandes ícones do cinema de horror oitentista ao lado de Jason, Freddie e outros. Na minha opinião, ele é de longe o mais amedrontador!

Enfim, eu disse que seria breve, e também é meio difícil explicar o impacto que HELLRAISER teve na minha cabeça. Mas vale destacar ainda o roteiro muito bem escrito, os personagens, todo o universo bizarro criado pelo Barker, o magistral trabalho de efeitos especiais e maquiagem, mesmo com o orçamento não sendo dos mais gordos… não faltam também sequências com baldes de sangue sendo derramado. Clive Barker se garante como um autêntico mestre do horror, pena que dirigiu apenas três filmes, mas este aqui é uma prova brilhante desse fato! O segundo filme da série tem outro diretor… tenho boas espectativas. Vamos ver o que dá!

RUN (1991)

 

Alguém se lembra deste aqui? Anda meio esquecido atualmente, mas RUN é um pequeno thriller de ação do início dos anos 90, divertido à beça, que traz Patrick Dempsey como um estudante de direito que faz qualquer coisa pra ganhar uma graninha extra para ajudar a pagar seus estudos. Por isso, aceita logo de cara o serviço de levar um Porsche até outra cidade para entregá-lo ao seu dono. No meio do caminho, o carro apresenta alguns defeitos e é preciso parar na cidade mais próxima para consertá-lo. Tendo algumas horas pra matar, Dempsey descobre um cassino clandestino onde resolve fazer um dinheiro a mais no poker. O problema é que um de seus adversários toma uma antipatia pelo nosso protagonista e resolve arranjar briga e, acidentalmente, escorrega, bate a cabeça e morre. Acontece que o sujeito é filho do chefão da máfia local, que coloca uma recompensa pela cabeça do mancebo. Agora Dempsey está numa grande enrascada, se escondendo de todas as formas possíveis numa cidade estranha, tendo a máfia e alguns policiais corruptos à sua cola! Eita plot danado de bom!

Patrick Dempsey era um desses “astros de sessão da tarde” naquela época, e RUN talvez seja seu trabalho mais diferentão, voltado pra outro público, mas também é um de seus melhores desempenhos! Nunca o considerei um ator virtuoso, mas longe de ser ruim, e aqui até exagera demais em alguns momentos, mas consegue ser convincente na sua situação desesperadora, além de mostrar as mudanças que seu persongem sofre. Do jovem ousado e arrogante ao sujeito cativante que torcemos até o fim! Nada muito profundo ou reflexivo, obviamente, mas quem procura apenas um bom passatempo e ação sem frescuras vai conseguir encontrar algo interessante por aqui. O roteiro cria as situações movimentadas e frenéticas que o filme precisa pra dar certo e o diretor Geoff Burrowes comanda tudo com mão firme, de maneira funcional, dando ao espectador exatamente aquilo que busca.

A cena do estacionamento que culmina com o carro da dupla policial corrupta despencando de uma certa altura é muito bem construida, do mesmo modo que o climax final. Não sei se chega a ser uma pena o Burrowes nunca mais ter dirigido coisa alguma, até porque sua direção não é nada acima do padrão daquela época, embora seja acima da média para o padrão atual, mas enfim, se houvesse garantia de outros filmes no nível de RUN, então com certeza foi uma pena o cara nunca mais ter dirigido!

BAD DAY AT BLACK ROCK (1955)

bad-day-at-black-rock-2Acho que já não deve ser mistério pra ninguém que o gênero ação é o meu predileto, então nada mais justo que conferir de vez em quando as raizes de tudo, não? O problema é que são tantos títulos do cinema físico e de ação clássico que fica difícil escolher por onde começar… que tal então BAD DAY AT BLACK ROCK (adoro o título original), um dos grandes precursores do cinema badass, dirigido pelo casca-grossa John Sturges (FUGINDO DO INFERNO, SETE HOMENS E UM DESTINO) e com um puta elenco formado por vários monstros consagrados do cinema americano?!

Começando pelo protagonista, Spencer Tracy, fazendo um tipo misterioso que chega de trem em uma minúscula cidade no meio do nada. O visual do filme é de encher os olhos desde os primeiros segundos, com um largo CinemaScope sendo preenchido com planos abertos, riqueza de detalhes, formas, cores e segue assim até o fim. A trama se passa nos anos 50 mesmo, mas o local parece que não acompanhou o decorrer do tempo e ficou preso no século anterior, com sua aparência de velho oeste. Há quatro anos o trem não para na estação local, então esta simples chegada do personagem ao local equivale à Copa do Mundo para aqueles habitantes.

Do mesmo modo que o objetivo de Tracy é totalmente desconhecido para os moradores, ao espectador a coisa não muda de figura. A princípio, Tracy parece um detetive da cidade grande, investigando pessoas e locais, todo engomadinho, com chapéu, maleta e… apenas um braço! Aos poucos, percebemos que algo naquele lugar realmente não cheira muito bem, e Robert Ryan logo surge em cena como o cínico dono da cidade e seus capangas, Lee Marvin e Ernest Borgnine, tentam transformar a vida de Tracy num inferno, intimidando o visitante, fazendo perguntas de um jeito não muito agradável sobre as intenções dele no local… obviamente, não gostam da presença dele ali.

E eu já vou soltar logo o maior spoiler de BAD DAY! Não, não estou falando do segredo que aquela pequena cidade esconde. Quero dizer algo que realmente me surpreendeu: o personagem de Spencer Tracy luta karatê! Há uma cena que é o paroxismo do cinema badass, no qual Tracy está tomando qualquer coisa no bar e Borgnine chega para atazanar a sua vida sem ter a mínima idéia que está diante de um especialista em artes marciais maneta… mas quem poderia saber? Tracy lhe aplica vários golpes com uma facilidade de fazer Steven Seagal se morder de inveja!

Apesar disso, o ritmo é bem lento para os padrões do cinema de ação moderno. E não estou criticando o trabalho do Sturges, pelo contrário, acho que o que falta na maioria dos filmes atuais, não só de ação, é justamente um ritmo mais lento, uma narrativa mais elaborada e cadenciada, com diálogos e situações “estáticas” tão tensas e emocionantes quanto explosões e tiroteios frenéticos! Uma das melhores coisas em BAD DAY, por exemplo, é a maneira como Sturges lentamente conduz o mistério da trama e o revela gradativamente. Isso sem contar que a descoberta aborda um assunto que nunca sai de moda.

Não é a toa que o diretor Don Siegel disse que o roteiro de BAD DAY AT BLACK ROCK foi o melhor que ele já leu! O filme consegue ser divertido, cheio de mistério e ação, mas com substância inesperada por trás de tudo. E se você ainda curte karatê com pessoas de apenas um braço, então este filme é pefeito pra você.