THE CHALLENGE (1982)

É impressionante como um filme deste nível é subestimado. Só pela lista de nomes que aparece nos créditos, já merecia algum respeito. Claro que “nomes” não é sinônimo de qualidade, mas no caso de THE CHALLENGE é um destaque a mais de um puta filmaço!

Então vejamos, temos um diretor que aquela altura já possuia uma carreira de dar inveja a qualquer cineasta aspirante, John Frankenheimer; o ator preferido de Akira Kurosawa, Toshiro Mifune; um jovem roteirista e relevante diretor do cinema independente americano, John Sayles; Scott Glenn provavelmente interpretando o papel de sua vida e é a estréia de Steven Seagal no cinema, ainda atrás das câmeras, trabalhando como coordenador de artes marciais.

Na trama, um boxeador (Glenn) é contratado para transportar uma espada sagrada até o Japão e entregá-la ao mestre Yoshida (Mifune) em sua escola de samurais. Mas a coisa toda dá errada assim que o sujeito pisa no país do sol nascente se metendo numa enrascada. Sem dinheiro para retornar ao seu país, acaba ficando na escola, se aprofundando nas artes marciais e absorvendo a cultura até chegar num ponto onde resolve entrar na guerra pela tal espada que Yoshida trava com seu próprio irmão, Hideo, um poderoso homem de negócios que deseja a arma de qualquer maneira, nem que tenha de travar um duelo mortal com o irmão.

O lance do choque cultural é bem típico, nenhuma novidade, até porque não precisa de muita coisa, está tudo do jeito que tem de ser. E existem várias sequências de treinamento nas quais o protagonista desenvolve um estilo de luta e aprende certos valores que antes ignorava e etc. É uma espécie de encontro entre INFERNO VERMELHO (choque cultural) com KARATE KID (treinamento e todo blá blá blá). No início, temos um Scott Glenn jogado num sofá, bebendo cerveja, sem dinheiro, sem trabalho e depois de uma longa trajetória o sujeito se transforma em um nobre guerreiro. Talvez nem tão nobre assim. Enquanto Yoshida enfrenta os capangas armados de seu irmão com arco e flecha, estrelinhas e a tal espada sagrada, Glenn utiliza uma sutil metralhadora. O cara é samurai, mas não é bobo!

O roteiro é assim, tem um lado mais sério, mas não tem vergonha de ser apelativo quando se trata de ação. Da mesma forma as lutas coordenadas pelo Seagal são brutais e realistas, mas Frankenheimer não liga de mostrar uma cabeça sendo partida ao meio como uma melancia madura e muito sangue para agradar os fãs mais viscerais. Belo filme! Cheio de detalhes, excelente direção e contrastes que tornam THE CHALLENGE um filme tão humano e ao mesmo tempo divertido.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s