JOHNNY HAMLET (1968)

… aka Deus Criou o Homem e o Homem Criou o Colt
… aka Quella sporca storia nel west

A notícia do Simon West na direção de OS MERCENÁRIOS 2 me atormentou durante um tempo, mas para demonstrar que já estou recuperado, vamos falar um pouco de Castellari, especialmente se for um de seus melhores filmes, como é caso do Spaghetti Western JOHNNY HAMLET.

O nome do famoso personagem de Shakespeare já foi adaptado para as telas do cinema em diversas contextualizações, mas imaginem vê-lo com toda a carga de conflitos que o sujeitinho carrega, mas na pele de um jovem rápido no gatilho do velho oeste! É exatamente o que temos aqui, um autêntico encontro de Shakespeare com o Spaghetti Western, sob o olhar inspirado de Enzo G. Castellari!

A idéia original de JOHNNY HAMLET surgiu de outro mestre do gênero, Sergio Corbucci, que teve de abandonar o projeto pelo seu envolvimento com outras produções.

Johnny Hamilton (Andrea Giordana) é um jovem soldado confederado que retorna, após dois anos, da guerra civil americana. Ele descobre que durante sua ausência seu pai foi morto misteriosamente e sua mãe está casada com seu tio, Claudius (Horst Frank), que agora é dono de todas as terras de seu falecido irmão… A culpa pelo assassinato de seu pai caiu em cima de um bandido chamado Santana, que, aparentemente, já foi morto por Claudius. Achando tudo isso meio estranho, Johnny, com a ajuda de Dazio (Gilbert Roland), um amigo de seu pai, tenta descobrir o que realmente aconteceu.

Quem conhece a peça Hamlet, vai perceber que a maioria dos personagens permanece fiel aos escritos de Shakespeare, como Claudius, a mãe, Polonius, que aqui surge como o xerife, Rozencrantz e Guildenstern… Emily, uma jovem que serve de par romântico a Johnny é claramente inspirada em Ophelia. A trama, de uma forma geral, possui reviravoltas e situações bem mais condizentes a um spaghetti, para manter um ritmo mais movimentado, mas são todas alterações bem vindas que surtem um bom efeito ao resultado do filme e podem agradar até o apreciador mais exigente, tanto de spaghetti quanto de Hamlet

Na verdade, não duvido que JOHNNY HAMLET agrade a qualquer pessoa que realmente goste de cinema, que valoriza a forma, um visual criativo, porque é impossível escrever qualquer coisa sobre esta obra sem destacar o trabalho notável da direção de Enzo G. Castellari, que dá ao filme uma riqueza estética impressionante, equivalente aos grandes mestres do gênero. Somos fisgados a partir da primeira cena, onde vemos uma sequência de sonho, cheia de elementos de horror e um belíssimo uso das cores, logo depois o nosso protagonista acorda em uma praia com uma trupe circense, um universo surreal que serve de introdução para o famoso monólogo “ser ou não ser”… E o nível de qualidade estética se mantém firme até o último segundo desta bela obra prima do gênero!

Como muitos Spaghetti Westerns, JOHNNY HAMLET foi retitulado em outros países como mais um filme da série DJANGO, como expliquei a picaretagem desses distribuidores italianos no último post do ciclo Castellari aqui do blog, vocês já devem entender porque. No Brasil, foi lançado em DVD pela distribuidora Ocean, como JOHNNY HAMLET mesmo. A capa é feia e pode parecer apenas mais um exemplar comum do gênero, no entanto, trata-se de um filme obrigatório em todos os sentidos!

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2 pensamentos sobre “JOHNNY HAMLET (1968)

  1. Pois é. Um dos melhores trabalhos do Enzo. Bem diferente do habitual no género, ainda que existam mais alguns spaghettis feitos sobre a obra de Shakespeare (Dove si spara di più, etc.)

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