HOBO WITH A SHOTGUN (2011)

Antes que eu me esqueça e acabe não escrevendo NADA sobre o filme, assisti a HOBO WITH A SHOTGUN já faz um tempinho e gostei bastante! Como já se sabe, tudo começou com aquela história de trailers falsos no projeto GRINDHOUSE, de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, e um desses trailers acabou despertando a atenção de muita gente e acabou virando longa metragem.

E não estou falando de MACHETE, mas sim daquele cuja história, bem simples, mostrava um mendigo, uma escopeta, tiros e sangue à vontade, perfeitamente encaixado no espírito da brincadeira. E o canadense Jason Eisner, que realizou este fake trailer, conquistou também o direito de adaptá-lo para uma versão de duração maior e não desperdiçou a oportunidade. HOBO WITH A SHOTGUN oferece em todos os sentidos aquilo que a sua fonte de origem prometia. Diferente de MACHETE, que apesar de não ser ruim, decepcionou profundamente. Até hoje eu não acredito que Rodriguez e sua trupe desperdiçou um material tão genial, com um puta time de atores que tinha em mãos…

Em HOBO não temos um elenco estelar, apenas Rutger Hauer carregando o filme com sua presença sempre marcante. Com ele não há decepção! Nunca vi um filme sequer com o velho Rutger em que ele estivesse ali só pra pegar o cheque para pagar as contas. Nas mais altas produções, como BLADE RUNNER, a filmecos de baixo orçamento dirigido pelo Pyun, Rutger Hauer consegue manter a dignidade e demonstrar talento como poucos.

A história de HOBO continua de uma simplicidade exemplar, mesmo depois de adaptado (aprende Rodriguez!), com Hauer encarnando o mendigo que chega a uma cidade onde a corrupção e violência nas ruas imperam de uma maneira pertubadora, absurdamente exagerada e estilizada, e depois do desenrolar de vários acontecimentos nosso protagonista se vê obrigado a tomar certas atitudes, pega todo o seu dinheirinho e investe numa escopeta para fazer justiça por conta própria estourando a carcaça dos meliantes com calibre 12, como forma de contribuir para que o crime seja varrido das ruas.

O espectador é então trasportado para uma espécie de cinema transgressor e politicamente incorreto que se não atinge perfeitamente seu objetivo nesse sentido, ao menos chega bem perto de um resultado muito eficiente que lembra os exploitations setentistas mesclados aos filmes da Troma, em uma constante de situações de pura violência gráfica, explícita e visceral e um humor que incomoda os moralistas de plantão.

Algumas sequências realmente vieram pra ficar na memória este ano, demonstrando a criatividade e inteligência de seus realizadores, especialmente Jason Eisner que possui um baita potencial e mão firme pra conduzir toda essa sandice! A cena em que um dos personagens tem uma certa “visão” antes de morrer é sensacional, assim como a sequência dos dois cyborgs em ação no hospital (eram ciborgues ou pessoas vestidas de armadura? Já faz um tempo mesmo que vi e realmente não me lembro… mas tanto faz!). E claro, as moças de topless se divertindo e rindo a valer enquanto espancam um sujeito pendurado de cabeça pra baixo… já vale o filme inteiro!

E dentro deste espetáculo grotesco e de humor negro, encontramos um Rutger Hauer extremamente expressivo, cujo carisma atinge o público do início ao fim. Não tem como não gostar…

Desde que iniciou essa onda revival do cinema exploitation, são poucos os exemplares que realmente conseguem sair do lugar comum. Os próprios filmes do projeto GRINDHOUSE acabaram falhando nesse sentido (embora eu adore tanto PLANETA TERROR quanto DEATH PROOF). Calhou de alguns filminhos de pouco orçamento, despretensiosos, como BLACK DINAMYTE e este aqui a missão de representar esse cinema de outrora. HOBO WITH A SHOTGUN já é um dos mais divertidos de 2011.

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PERVERT! (2005)

Foi mais por negligência minha mesmo, mas finalmente eu parei para assistir a essa sandice anárquica e sem vergonha dirigida por Jonathan Yudis, o cara responsável por Ren & Stimpy, um dos meus desenhos favoritos de todos os tempos!

PERVERT! Conta a história de um rapaz que vai passar uns tempos no rancho de seu pai (Darrell Sandeen, que é a cara do Charlton Heston) durante as férias na faculdade, para tentar uma reaproximação com o velho que há muito tempo não via. A propriedade fica no meio de um deserto do oeste americano, isolado de tudo, e assim que chega ao local, percebe que seu pai está bem até demais, casado com uma gatinha robusta bem mais nova, interpretada pela pornstar Mary Carey.

A moça, sentindo cheiro de carne nova no pedaço, fica toda ouriçada. Ainda mais que o mancebo é desses com carinha de mané inocente, meio nerd, característica que toda atriz pornô adora! Não demora muito, os dois estão se atracando em cada canto da casa e ao ar livre na propriedade, sem que o velho tenha noção de que isso esteja acontecendo debaixo do seu nariz.

Até aí, o filme segue a linha da comédia sexy, com excelentes doses de nudez. Mas quando o velho finalmente descobre que seu filho está traçando sua mulher, o filme acrescenta outros elementos, um mais bizarro que o outro, para deixar a coisa ainda provocativa, iconoclasta, perturbadora, politicamente incorreta e pervertida, claro, como assassinatos misteriosos, uma escultura de carne humana, magia negra e maldições, muito gore e um pênis assassino! Yeah! PERVERT! é o tipo de filme que com 5 minutos você sabe se vai gostar ou não do que vai ver nos próximos 80 ou 90 minutos. A combinação disso tudo é perfeita pra mim, então eu adorei definitivamente!

Para aumentar ainda mais o deslumbre, o filme é uma carta de amor ao cinema de Russ Meyer, um dos diretores mais radicais do cinema americano, um pioneiro ao explorar volumosas mamárias das atrizes em seus filmes, além de dar ao universo feminino um valor libertário magnífico. As mulheres são sempre personagens fortes e decididas e os homens, geralmente machistas bestas ou inocentes presas dessas feras sexuais! Jonathan Yudis captou com perfeição o espírito de Meyer, que teria aplaudido de pé o resultado (morreu um ano antes do lançamento deste aqui)!

Há de se destacar o desempenho de Mary Carey. É provável que não conseguisse sobreviver no mundo do cinema como uma “atriz comum”, mas percebe-se claramente que ela se diverte com sua personagem, está bem à vontade, muito à vontade mesmo, nua durante quase todas suas cenas, fazendo um bem danado ao filme. Em determinado momento, ela precisa sair de cena, e é substituídas por outras moças de seios volumosos e naturais (atrizes do cinema adulto também), mas a saudade de Carey é a que permanece…

Mas isso não chega a ser um problema, PERVERT! é frenético, bem dirigido, divertido, muitas mulheres rechonchudas peladas desfilando na tela (nada dessas magrelas que parecem meninos de 15 anos e que parece ser o padrão de beleza atual), litros de sangue e violência explícita, temos a participação do próprio diretor como um mecânico nazista, redneck e homossexual que é impagável… enfim, um verdadeiro desfile de situações porra-louca que se você estiver no clima é impossível não gostar, principalmente se você for fã do mestre Russ Meyer.

HATCHET II (2010)

Não achei HATCHET II tão divertido quanto o primeiro, mas tem vários bons momentos e vale uma conferida pra quem gostou dessa homenagem ao slasher oitentista feita pelo diretor Adam Green. Tenho gostado do trabalho desse cara. Não é nada impressionante, mas até agora não vi um filme ruim. Além desses dois filmes da série HATCHET (o primeiro chegou ao Brasil com o título TERROR NO PÂNTANO), eu vi FROZEN, cujas impressões eu coloquei aqui.

HATCHET II inicia no exato momento em que o filme anterior acaba, só muda a atriz principal, agora com Danielle Harris (atriz mirim nos anos 80, participou da série HALLOWEEN) interpretando a única sobrevivente do massacre no pântano cometido pelo Victor Crowley, uma espécie de entidade brutamontes e deformada que volta do mundo dos mortos para se vingar dos causadores de sua morte. Se quiserem saber mais sobre o personagem assistam ao primeiro!

Temos um problema neste aqui com o ritmo. Depois de um começo promissor, a coisa demora pra voltar a entrar no trilho, é preciso esperar um bocado pra começar a boa e velha matança de personagens descartáveis. E no quesito “mortes violentas e criativas”, o primeiro também vence fácil. Claro que ver um sujeito ter sua cabeça decepada com as próprias tripas lhe apertando o pescoço é sempre legal… mas de uma forma geral, as mortes acontecem rápidas demais, com poucas exceções, embora sempre com muito gore e exagero. E o filme é bem curtinho, não chega a 90 minutos e a enrolação logo depois do início faz com que o final, as mortes e até a construção de uma atmosfera de suspense sejam feitas às pressas. Não chega a incomodar, mas poderia ser melhor.

O primeiro também tinha a vantagem de mostrar várias mulheres nuas. Aqui, temos duas ceninhas, no máximo.

O bom é que Tony Todd não faz apenas uma apariçãozinha rápida como no filme anterior. Aqui ele é um dos principais personagens e está ótimo, como sempre! Dá pra se divertir com seus discursos e canastrice enquanto esperamos o banho de sangue. No elenco, temos também a presença de Tom Holland, que nos anos 80 dirigiu dois clássicos do horror naquele período, A HORA DO ESPANTO e BRINQUEDO ASSASSINO, e o grandalhão R.A. Mihailoff, que já encarnou o Leatherface em O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3, do Jeff Burr.

Como já disse, se colocado em comparação com o primeiro, o nível cai um pouco, mas motivos para conferir HATCHET II é o que não falta, nem que seja como um passatempo sem compromisso num domingão à tarde sem nada pra fazer. Apenas uma observação, como na minha resenha de HATCHET vários amigos demonstraram a sua indignação perante à obra, a esses eu recomendo distância deste aqui!

E HATCHET III vem aí!