GIGOLÔ AMERICANO (American Gigolo, 1980), de Paul Schrader

Seguindo à risca meu novo vício, o cinema de Paul Schrader, este seu terceiro trabalho, sem nenhum favor, é o melhor filme que realizou dentre os conferidos recentemente. Não sabia que ia gostar tanto, é uma pequena obra prima! Penso que tudo isso se deve um pouco pelo fato de Schrader começar aqui a se soltar na direção. Experimenta algumas soluções mais cinematográficas, sentindo os planos, os movimentos de câmera, é um trabalho visual bem engajado e consciente. E, portanto, se desprende um bocado do realismo latente de seus filmes anteriores.

Mas é principalmente na presença de Richard Gere onde se concentra o maior fascínio de GIGOLÔ AMERICANO. O desempenho deste ator, que hoje ainda demonstra competência em qualquer papel que faz, mas sem a mesma desenvoltura deste aqui, é digno de antologia (o personagem quase foi parar nas mãos de John Travolta). Gere vive um acompanhante de senhoras ricas (leia-se gigolô) que acaba envolvido romanticamente com a esposa de um senador, ao mesmo tempo em que se torna o principal suspeito de um assassinato. Sim, parece trama de novela, mas a junção Schrader + Gere retira disso tudo um retrato estilístico narrativo bem interessante.

Lendo algumas críticas gringas sobre o filme, uma grande parte não gosta muito de GIGOLÔ AMERICANO, várias reclamações quanto ao final, uma possível perda de rumo do diretor, algo que realmente não existe. O final é lindo, uma bela homenagem a Robert Bresson – diretor que Schrader venera – e seu PICKPOCKET.

O Filme inteiro é composto de sequências que marcam, diálogos impecáveis e um elenco forte (embora não tenha rostos muito reconhecíveis do grande público). Será que há alguma obra melhor que esta na filmografia do Schrader? Vou continuar procurando.

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20 pensamentos sobre “GIGOLÔ AMERICANO (American Gigolo, 1980), de Paul Schrader

  1. “Dominion” não é nada demais, bem fraco pra dizer a verdade, mas “Forever Mine” só vale por duas coisas. E as duas pertence a Gretchen Mol.

  2. Difícil pensar nele sem a radiola mental tocar 'Call Me' do Blondie.

    Eu sabia que você iria gostar demais desse filme, Ronald. BODY HEAT é muito bom, mas AMERICAN GIGOLO merecia ser tão reconhecido quanto em termos de 'neo noir'.

    Assisti CONFORT OF STRANGERS e LIGHT SLEEPER fazem mais de 8 anos. Por incrível que possa parecer, lembro de muita coisa, tamnha é a força desses filmes. Outros que preciso rever.

  3. O Travolta pega filmes ruins por pura preguiça (essa úlima comédia com o Robin Willians) ou idiotice (A Reconquista). Mas é legal ver ele se divertindo em “Hairspray” ou “From Paris With Love”, o melhor e mais divertido filme burro de ação da temporada.

    >The Comfort of Strangers é que é foda.

    Eu vou de “Temporada de Caça”. James Coburn e Nick Nolte estão em estado de graça.

  4. Ah, outra coisa legal, Perrone. Tem um texto crítico sobre o Budd Boetticher, escrito pelo Schrader, que dá mais importância aos filmes de toureiro dele que aos westerns e isso me levou a procurar os mesmos. É uma outra boa pedida pra entender algumas manias do Schrader.

  5. Ah, filme que se alguém souber como achar, me avisa, é “Old Boyfriends”, roteirizado pelo Paul e o Leonard.

  6. “O Dono da Noite”, “Mishima”, “A Ressurreição de Adam”, “Temporada de Caça”. Ainda tem grandes filmes pela frente. Vou rever “Uma Estranha Passagem em Veneza” na minha viagem pelo cinema do Schrader, mas não lembro de ter achado tudo isso. Muito bom, mas não lembro de ter achado tudo de bom. Estou revendo também os filmes roteirizados por ele, exceção de “Taxi Driver”, por enquanto. Vai ser um prazer rever “A Outra Face da Violência” e “A Última Tentação de Cristo”. Sempre é!

    E reveja “O Dono da Noite”, Daniel. Acho que está no meu top 5 do Schrader.

  7. Gere, q nem Travolta, é um ator muito melhor e com uma carreira muito mais interessante do que pensam alguns. Finalmente encontrei pessoas que admitem isso por aqui.

    Já te recomendei pra ver o último dele, né Ronald? Do Fuqua. Ele tá excelente.

    E o Davi me deixou com vontade de rever Dono da Noite.

  8. “Justiça Cega”, do Mike Figgis, é outra das grandes atuações de Gere.

    Repito que “Gigolô Americano” tem alguns dos melhores usos de travelling da história do cinema. Trabalho genuinamente inspirador e continua uma série de filmes que o Schrader propõe como um olhar sobre o homem contemporâneo.

    Começa com “Taxi Driver”, com o homem aos vinte anos, segue com “Gigolô Americano”, com este aos trinta, “O Dono da Noite”, os quarenta, e “O Acompanhante” chega ao cinquenta.

  9. Você ainda vai se surpreender e muito.

    Richard Gere sempre foi um grande ator e escolheu com cuidado seus papéis. Pena que, com a baixa média de bons roteiros e bons diretores, ele nem sempre estrela filmes de qualidade.

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