CONFESSIONS OF AN OPIUM EATER (1962), de Albert Zugsmith

Um dos filmes mais impressionantes que eu vi por esses dias foi esta pequena obra prima obscura estrelada pelo Vincent Price em um papel bem diferente daquele pelo qual ficou marcado. É incrível como um filme desse nível esteja no esquecimento, embora seja bem fácil perceber os motivos pelos quais o público da época ficou encucado. Albert Zugsmith é mais conhecido pelo seu trabalho como produtor. Responsável por alguns clássicos como A MARCA DA MALDADE, de Orson Welles, e O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU, de Jack Arnold, como diretor ficou condenado ao limbo pelas tendências subversivas em exploitations que realizou na década de 60. Uma pena, pois só pelo seu trabalho em CONFESSIONS OF AN OPIUM EATER já merecia ter seu talento reconhecido entre os grandes mestres do cinema B como Edgar G. Ulmer, Jacques Tourneur e Roger Corman.

O roteiro é baseado nos escritos de Thomas De Quincey, que transformou suas experiências com o ópio em reflexões filosóficas no livro de contos Confessions of an English Opium Eater. Vincent Price interpreta o alterego de Quincey, um aventureiro que chega a São Francisco no início do século passado e descobre o comercio ilegal de mulheres escravas asiáticas. Sem muitas explicações, o protagonista decide resgatar desesperadamente uma jovem de seu destino cruel. Logo, Price se vê numa aventura sombria dentro de uma casa de horrores cheia de mistérios, com quartos secretos, portas escondidas, elevadores, um verdadeiro labirinto que me lembrou bastante alguns cenários de OS AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO, de John Carpenter. É nessa jornada que o nosso herói dá de cara com a sala do ópio e resolve fazer uso da droga.

Zugsmith concebeu um resultado magnífico na direção de CONFESSIONS OF AN OPIUM EATER. Mesmo com quase cinquenta anos, o filme ainda impressiona com o fantástico visual expressionista e pelo experimentalismo transgressor. O início do filme é uma aula de linguagem puramente cinematográfica, quase dez minutos sem diálogo algum, narrando somente com suas imagens e com os princípios básicos do cinema. O maior impacto, porém, vem da cena do ópio quando o personagem de Price tem seus delírios oníricos e surreais, para logo depois surgir uma inacreditável sequência de ação de uns cinco minutos de duração, filmada inteiramente em camera lenta e sem trilha, apenas efeitos sonoros que enfatizam o clima perturbador.

O mestre do horror, Vincent Price, esté longe da sua habitual figura imponente e fantasmagórica dos filmes de Corman, mas representa de maneira brilhante seu papel de sujeito com espírito valente, mas ciente de suas limitações. E se não temos grandes atores coadjuvantes completando o elenco, ao menos o roteiro encarregou-se de apresentar personagens bem variados e interessantes, como a anã chinesa que ajuda Price no labirinto vertiginoso.

Ousado para o período, o filme deve ter causado uma polêmica danada na época de seu lançamento ao mostrar o famigerado Vincent Price usando drogas, além de explorar um tema tabu, como o tráfico humano. É um belo filme, sem dúvida. Deveria ser redescoberto e reavaliado, mas infelizmente acabou no ostracismo e hoje é pouco lembrado, embora tenha seus admiradores. Eu virei fã. Um dos filmes mais expressivos dos anos 60.

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9 pensamentos sobre “CONFESSIONS OF AN OPIUM EATER (1962), de Albert Zugsmith

  1. Pareço andar meio sumido daqui, mas não se engane hehe. Espero fazer alguma coisa importante na vida ainda, como ver essas tranqueiras todas que você anda postando por último.

  2. Nosssa, cada coisa que existe! Como costumo dizer, ainda bem que voces são mais obcecados e persistentes do que eu no que se refere a garimpar essas coisas, rsrs. Dá pra encontrar fácil arquivo com legendas para download desse filme?

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