Notas de um carnaval cinematográfico – Parte 2: OMEGA DOOM (1996), de Albert Pyun

O segundo filme do carnaval cinematográfico Dementia 13 é outro trabalho de Albert Pyun, uma ficção científica inusitada e interessante, estrelada pelo grande Rutger Hauer. Mas não se preocupem! Este é o último filme do Pyun que eu vou postar por enquanto…

Depois de ficar famoso mundialmente interpretando um andróide em BLADE RUNNER, decidiram que Hauer era perfeito no papel de figuras futuristas ou robôs solitários em sci-fi’s de orçamentos modestos, por isso sua carreira é marcada por, eventualmente, participar deste tipo de produção. SPLIT SECOND, LINHA VERMELHA, HEMOGLOBINA e este OMEGA DOOM são alguns bons exemplares. Hauer é um cyborg (uma das obsessões de Pyun) que chega a uma cidade devastada e praticamente deserta e se depara numa disputa entre duas facções robóticas disputando um tesouro escondido em algum ponto dos escombros. O tal tesouro consiste em armamento pesado deixado pelos humanos antes da guerra – que reduziu a população mundial a uma porcentagem mínima – e servirá na batalha final das máquinas contra os homens. O filme inicia com a primeira batalha. Na visão de Pyun, a guerra é uma montanha de corpos sob um crepúsculo avermelhado, um visual sensacional e minimalista que só poderia ter saido da cabeça do diretor. Hauer é imparcial, não sabemos seu objetivo com clareza, mas aos poucos suas atitudes começam a remeter a YOJIMBO, de Akira Kurosawa, ou POR UM PUNHADO DE DÓLARES, de Sergio Leone. Especialmente este último (Leone é o diretor favorito do Pyun). OMEGA DOOM é pura metalinguagem. Pyun é um diretor que sempre procura experimentar em seus filmes, e aqui ele estrutura toda narrativa com elementos clássicos que fazem referências ao western. Enquadramentos, duelos, trilha sonora, impressionante. Flerte com outro gênero dessa maneira só tinha visto nos filmes de John Carpenter. Longe de mim comparar os dois diretores, mas é um resultado e tanto que temos aqui neste sentido. No entanto, de uma forma geral, OMEGA DOOM é bastante lento, conta toda sua trama num mesmo ambiente, as cenas de ação não são muito inspiradas como em NEMESIS ou MEAN GUNS, embora tenha seu charme, é um típico filme de Albert Pyun, com toda estranheza que seus fãs adoram. A versão que eu tenho desse filme é a que saiu no DVD nacional junto com FÚRIA CEGA, outro filmaço com o Hauer, uma releitura moderna e ocidental do mítico Zatoichi. Há tempos que não vejo essa belezinha, mas vou fazer isso qualquer hora dessas. Já OMEGA DOOM, não faço a menor idéia se foi lançado por aqui numa edição avulsa, mas esta versão vale a pena só de estar no formato certo…
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2 respostas para Notas de um carnaval cinematográfico – Parte 2: OMEGA DOOM (1996), de Albert Pyun

  1. herax disse:

    legal saber que é uma homenagem aos westerns, fiquei curioso! e Fúria Cega é adorável|

  2. Osvaldo disse:

    Faz mesmo toda a diferença assistir o filme na janela correta.

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