O LOBISOMEM (The Wolfman, 2010), de Joe Johnston

Ontem fui aproveitar que THE WOLFMAN estreou nos cinemas daqui sem atraso, junto com a patroa, um primo que é diretor de curtas capixabas de documentários e ficção e mais alguns amigos. Apenas minha namorada e eu gostamos, para nossa surpresa. Meu primo disse que esperava ver algo novo, do nível de um DRACULA (do Coppola) em termos de novidade e releitura visual, mas com o famoso licantropo como protagonista. Se alguém estiver com essa espectativa, vai se decepcionar. Já eu, meio com o pé atrás, estava esperando um filme de terror nos moldes clássicos, apenas mais um filme de lobisomem sem qualquer tipo de invenção. E para meu prazer é exatamente isso que o filme propõe. Já nos planos iniciais nota-se o tom retrô e em certos momentos me senti assistindo a um clássico da Universal ou uma produção da Hammer. Não podia ser mais parfeito…

De Henry Hull, passando por Lon Chaney Jr., Paul Naschy e até mesmo Jack Nicholson, quem empresta o rosto ao estimado personagem peludo nesta versão é Benício Del Toro. Ele vive Lawrence Talbot, um ator de teatro inglês, educado nos Estados Unidos, que precisa retornar a casa de seu pai, uma mansão nos arredores de um vilarejo na Inglaterra, após seu irmão ser brutalmente assassinado. Suspeita-se de uma fera, um maníaco, ou até mesmo uma maldição. Del Toro está muito bem no personagem que, além dos irreprimíveis problemas “licantrópicos” já esperados, precisa encarar de frente um passado perturbador. O que distingue a trama das outras versões de lobisomem é a ênfase ao drama familiar no relacionamento de Talbot com seu pai e que serviu de mola propulsora para o afastamento do protagonista, ainda muito jovem, de sua família, além de ser o motivo de suas transformações em noites de lua cheia.

No elenco, podemos contar com boas atuações de Anthony Hopkins, no papel de Talbot pai, e o agente Smith, Hugo Weaving, como um detetive da Scotland Yard designado a solucionar o estranho caso. A representante feminina da vez é Emily Blunt, que não faz nada além do esperado. Ao menos temos Geraldine Chaplin, com um aspecto espantoso, vivendo uma cigana misteriosa.

A direção de Joe Johnston é muito autêntica, principalmente auxiliada pela fotografia fúnebre carregada de atmosfera de Shelly Johnson. Já havia comprovado seu talento para ação/aventura desde ROCKETEER e realmente foi a escolha certa para comandar a adaptação de Capitão América. O sujeito tem muita noção de como aproveitar efeitos visuais em prol à narrativa, embora THE WOLFMAN tenha muito mais CGI do que eu esperava, e encena sequências de ação com muito brilhantismo, sem poupar o espectador de violência explícita e muito sangue! Mas o grande destaque fica por conta do rei da maquiagem, Rick Baker, que desenvolveu uma complexa fantasia da moda antiga, superando, no quesito visual, seu trabalho em UM LOBISOMEN AMERICANO EM LONDRES. A aparência da criatura nesta versão remete diretamente aos clássicos da Universal, com um monstro em formato mais humano do que os lobisomens de filmes mais recentes. Gostei muito do resultado. Um filme imperdível!

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13 respostas para O LOBISOMEM (The Wolfman, 2010), de Joe Johnston

  1. Leandro Caraça disse:

    Fábio, foi só uma brincaderia com o Osvaldo. “Drácula” é um excelente filme, os outros dois são brincadeiras de mau gosto. Não acho que seja um dos melhores filmes da década de 90, embora seja um dos mais referenciais e conhecidos.

  2. Bah, comparar o Drácula do Coppola com o Moulin e o Van Helsing é forçar a barra demais.
    Ainda é um dos meus preferidos dos 90…

  3. Não estou muito entusiasmado em ver, mas vou conferir esperando que não seja fraco como o filme do Coppola. Hehe.

  4. Leandro Caraça disse:

    Não, igualzinho ao “Moulin Rouge” e o “Van Helsing”. 😉

  5. osvaldo neto disse:

    > Só que em vez de visionário, acaba parecendo porta-bandeira de escola de samba.

    Igualzinho a Cameron com AVATAR! 🙂

  6. Leandro Caraça disse:

    Sim, o filme do Coppola é muito bom e os efeitos são maravilhosos. O filho dele deveria virar diretor em tempo integral. Mas eu acho o elenco bem fraco, já vi Harkers, Minas, Renfields e Van Helsings bem melhores, e o visual dá uma forçada às vezes, que é coisa típica do Coppola, como se ele acenasse e dizesse “olha, como sou genial”. Só que em vez de visionário, acaba parecendo porta-bandeira de escola de samba.

  7. Também estou entre os que não gostaram. Muito barulho por nada.

    Abraço!

  8. Não é preciso reinventar a roda para ser bom. O Coppola não inovou em nada, pelo contrário: ele recuperou. Os efeitos do filme foram feitos de forma artesanal, como eram no começo do século XX. Foi uma opção dele, usar maquiagem e efeitos manuais. Funcionou maravilhosamente bem.

    Espero apenas me divertir no filme do Johnston. Já o Drácula do Coppola tem outra proposta artística, tanto que várias cenas do filme ficaram gravadas até hoje na cachola. É OP…

  9. Como filme, de uma forma geral, eu também prefiro o do Coppola, um dos meus filmes de Vampiros favoritos… mas prefiro o Blood for Dracula! 🙂

    Me referi apenas ao visual quando falei que prefiro Lobisomem. Enfim, O lance é que são dois filmes diferentes…

    Coppola pode ter acertado ou errado, ele tentou fazer algo diferente, enquanto o Johnston fez mais do mesmo e resultou num ótimo terror classicista.

    Gosto dos dois, cada um a sua maneira.

    Só que O Lobisomem é muito recente ainda… o do Coppola sobreviveu ao meu gosto ao longo dos anos. Este aqui tem um longo caminho a percorrer. Pode ser que ao fim do ano eu já nem ligue tanto pra ele.

    🙂

  10. O filme do Coppola é melhor, mas seu “visual forçado” não funciona sempre. O elenco é ruim, mas o Gary Oldman compôs um ótimo Drácula. De fato, ele representa a tal da NOVIDADE que seu primo falou. Mas ainda prefiro o Jack Palance. 😉

    Por causa dos problemas, em “O Lobisomem” dá pra perceber os retoques em algumas cenas, enquanto que em outros momentos dá a impressão de que cenas foram escritas mas não foram filmadas ou então deixadas de lado na montagem.

  11. É, mas é que o do Coppola o visual é mais forçado, eu adoro e é uma releitura interessante, na minha opinião.

    Já O Lobisomem o visual é mais orgânico… e muito mais eficaz, prefiro este aqui.

  12. Leandro Caraça disse:

    Fico me perguntando hoje que tipo de novidade o filme do Coppola trouxe. Quando tinha 16 anos, o filme me pareceu realmente inovador. Agora me parece um filme que resgata um longo passado cinematográfico do conde, mas sem reinventar a roda.

    O filme do Johnston é visualmente menos arrebatador ? Eu não acho.

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