THE BAD LIEUTENANT: PORT OF CALL – NEW ORLEANS (2009), de Werner Herzog

É, a pirraça que o Ferrara fez quando o Herzog anunciou seu novo filme foi mesmo desnecessária. Mas quem ia adivinhar que o filme do alemão seria tão diferente da versão do diretor de O REI DE NOVA YORK? Ok, talvez muita gente tivesse adivinhado; o próprio Herzog afirmou que nunca havia assistido ao original, então o novo BAD LIEUTENANT não deveria mesmo ser encarado como um remake ou algo parecido. O único ponto em comum entre os dois filmes é o protagonista, um tenente da polícia corrupto, viciado em drogas, em jogos, etc, e as semelhanças acabam aqui.
Sendo a disparidade entre os dois filmes tão evidente, não é justo fazer comparações entre as versões, mas como filmes policiais, ainda prefiro o do Ferrara, uma das experiências mais deprimentes que já tive com um filme, aquela atmosfera e a atuação do Keitel são elementos difíceis de igualar. Ah, e aquele desfecho niilista! Demais!

Mas quero deixar bem claro que Herzog não faz feio; não vamos esquecer que é o HERZOG, pô! O sujeito que dirigiu AGUIRRE, FITZCARRALDO, NOSFERATU e tantos outros clássicos do cinema alemão. Não é de se surpreender que tenha feito um filmaço com este material.

Seu retrato do personagem central é extremo, politicamente incorreto, construido no limite, à beira de um ataque de nervos numa New Orleans suja e devastada pelo furacão Katrina. Deve-se tirar também o chapéu para Nicholas Cage, com uma performance de respeito, compondo um protagonista nos mínimos detalhes. É sua melhor atuação desde… er, quando mesmo? Enfim, o que importa é que o homem está genial e protagoniza um dos momentos mais bad ass do ano, na cena em que ele tenta tirar informações de duas velhinhas!!! Grande Cage…

BAD LIEUTENANT ainda possui alguns coadjuvantes de peso, como Eva Mendes, que demonstra porque os grandes diretores sempre querem tê-la no elenco (e não é somente pela beleza), Val Kilmer, praticamente numa ponta com diálogos, mas o faz com competência, e Brad Douriff, também aparece pouco, mas é bem aproveitado.

Portanto, para quem ainda estava com o pé atrás com este novo trabalho do alemão maluco só por causa da ligação com o filme do Ferrara, pode conferir sem medo, porque além de ser um filmaço policial bem acima da média atual, consegue ter substância suficiente para trabalhar com autoridade a dramaticidade e profundidade de seu protagonista, que é a verdadeira pretensão do enredo. E Herzog tem atitude e moral pra isso! Está em crédito comigo e totalmente perdoado pelos 10 minutos finais de O SOBREVIVENTE…

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15 pensamentos sobre “THE BAD LIEUTENANT: PORT OF CALL – NEW ORLEANS (2009), de Werner Herzog

  1. Quando esse filme foi anunciado, queria vomitar. E na cara do Herzog ainda. E olha q eu não tenho essa frescura com remakes como uns e outros tem. Mas a cada passo dele, fui me interessando mais e mais. E agora to louco pra ver. Ainda mais por não se parecer tanto com o original, apesar de ter semelhanças óbvias e ser sim, de fato, um remake.

    Só acho que os melhores remakes são feitos de produções originais merdonas como Scorsese e Cronenberg fizeram.

  2. Eu não vi “Rescue dawn” nem o filme original, mas eu vou dizer uma coisa: eu ADOREI o final. Adorei com força.
    Agora, eu curto o “Até os anões começam pequeno”, do Herzog. Muito louco!

  3. Considero o filme um remake sim.

    E gosto dos 10 minutos finais de “O Sobrevivente”. É outra das piadas do Herzog.

  4. Iam filmar ainda quando Ferrara despirocou (com uma certa razão, eu faria o mesmo no lugar dele hauha).

    Muito bom ler mais essa opinião positiva e a atenção dada a Dourif, claro.

  5. FELIPE, a atuação do Cage foi uma das melhores que vi este ano! Oscar pra ele!!!

    KEVIN, foi legal mesmo, bate boca entre diretores é muito engraçado! Mas foi desnecessário no sentido de que os filmes não tem nada a ver um com o outro.

    ALEXANDRE, Aqueles 10 minutos finais de O Sobrevivente está mais para um Michael Bay… mas o filme é excelente de qualquer maneira!

  6. Herzog é um dos meus heróis cara… eu gostei do Sobrevivente rsrs, mesmo dos 10 minutos finais. Esse eu quero ver no cinema, nem vou me atrever a baixar antes de ver na tela grande.

  7. Um ótimo filme. Fui ver com a expectativa lá embaixo e me surpreendi. Não gostei muito do final, mas a viajadas do personagem do Cage, a forma como ele ri toda vez que menciona o apelido de um dos suspeitos e a já clássica cena das velhinhas fazem de Vício Frenético uma das grandes surpresas deste ano.

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