O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (Last Action Hero, 1993), de John McTiernan

Revi outro dia O ÚLTIMO GRANDE HERÓI, um dos filmes mais importantes da minha pré-adolescência, que me fez compreender, ainda muito cedo, sobre questões que envolvem a magia do cinema, sobre a linha tênue que separa a fantasia da realidade, sobre os heróis de ação que fizeram minha cabeça ainda muito jovem, como Stallone, Van Damme, Steven Seagal, e claro, Arnold Schwarzenegger! E o mais legal é que esta verdadeira aula não soa chata nem pretensiosa, mas diverte a valer com uma narrativa embalada à doses de ação, muito humor, trilha sonora esperta, referências cinematográficas, enfim, é sempre um prazer rever essa jóia dos anos 90.
Um dos motivos que me fez gostar tanto de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI foi a condução narrativa através do ponto de vista de um garoto, com seus 13/14 anos, movie geek, apaixonado pelo bom e velho cinema de ação da mesma forma que muitos de nós éramos na mesma época. Que garoto não gostaria de vivenciar a libertação dos reféns em DURO DE MATAR acompanhado de John McLane, ou ter ido a marte em uma aventura sensacional com Douglas Quaid em O VINGADOR DO FUTURO? É esse tipo de sensação que o filme proporciona (O EXTERMINADOR DO FUTURO II é um bom exemplo também, mas não o faz como análise, mas como elemento dramático).

Na trama, o garoto recebe um bilhete mágico que misteriosamente o transporta para dentro do filme de ação cujo personagem principal é o famoso Jack Slater (vivido pelo Arnie), um policial durão bem ao estilo STALLONE COBRA. E todo o conceito do filme é trabalhado com o garoto tentando convencer Slater que todo aquele universo é, na verdade, uma mentira, um filme, gerando situações antológicas, como a sequência da vídeo locadora, onde Stallone é o ator estampado numa peça promocional de O EXTERMINADOR DO FUTURO II. Uma das minhas cenas favoritas é como o garotinho imagina a adaptação de Hamlet, de Shakespeare, com o Schwarzenegger no papel título, soltado a célebre “ser ou não ser?” para, logo depois, sair atirando com armas de fogo e lançando granadas para vingar a morte de seu pai, o rei da Dinamarca… Hahaha!

Arnoldão, aliás, está ótimo com seu personagem, muito à vontade, a todo momento soltando frases de efeito, brincando com a essência e a mitologia do herói dos filmes de ação. O sujeito consegue imprimir de maneira exata aquilo que o filme propõe: ser uma brincadeira das mais inteligentes sobre o mundo do cinema. O garotinho também contribui com isso, e os vilões são um conjunto de todos os estereótipos desta espécie, aliás, O ÚLTIMO GRANDE HERÓI vai buscar alusões, elementos e fundamentos dos filmes do gênero para enriquecer o discurso, como os exageros intencionais em sequências de ação, personagens extremamente caricatos, e se alguém aí não entender a piada, fica difícil gostar (e se você não gosta de filmes de ação, então esqueça).

O elenco é um destaque a parte, em especial na galeria de vilões, os quais inclui Anthony Quinn, Charles Dance, Tom Noonam e F. Murray Abraham (“Ele matou Mozart!”). Ainda temos Art Carney e Ian McKellen encarnando a Morte que sai do filme O SÉTIMO SELO, de Ingmar Bergman, e começa a vagar pelas ruas de Los angeles. A direção de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI também é muito boa, ajuda muito ter um John McTiernan comandando a produção. Já havia dirigido Arnoldão em PREDADOR, revolucionou o gênero com DURO DE MATAR e é um mestre com muita consciência naquilo que faz.

O ÚLTIMO GRANDE HERÓI talvez seja até perspicaz em demasia para seu público alvo, embora um putinho de 13 anos consiga entender tranquilamente, ou pelo menos sentir a experiência divertidíssima que é, embora a crítica na época, ao que parece, não entendeu muito bem a piada (já li algumas críticas que são verdadeiras palhaçadas ignorantes). Dedico este post ao leitor “Demofilo Fidani”, que já me pediu duas vezes para escrever sobre o filme.

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23 respostas para O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (Last Action Hero, 1993), de John McTiernan

  1. Anônimo disse:

    A cena em que há uma referência ao Twilight Zone é para fazer qualquer fã de cultura pop estampar um sorriso de orelha à orelha.

    Rafael

  2. Anônimo disse:

    filme q agradou aos pivetes até 17 anos ….. lembro q eu tinha 26 anos e achei uma decepção completa e sim a critica caiu de pau em cima….

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  7. Davi OP disse:

    O Dance é a única coisa realmente memorável de “Alien 3”. Minto. Tem a trilha do Goldenthal, também!

  8. Just Daniel disse:

    Eu tinha 12 quando vi esse filme no cinema. É sem dúvida um dos filmes mais importantes para minha “formação cinéfila” e da carreira do Arnie. É quase o filme síntese, não só do Arnie, mas como de toda a geração de action heroes de sua época. E reparem como os filmes de ação começaram a mudar depois dessa fase. Foi quase q um preságio. Um “Adeus” oficial a essa geração insubstituível.

    Lembro na época como eu ficava com meus amighuinhos na escola imitando a cena do “Hamlet: versão Arnie”. “To be or not to be…not to be!” hahaha! E os vilões são os melhores. Fora o Dance, q nunca mais fez mais nada tão memorável quanto o vilão de um olho só, o Quinn como o chefão mafioso tá hilário (Primeiro vc é meu amigo e agora me dá um giro de 360 graus em mim? É 180!Um giro de 180 graus, seu comedor de espagueti cretino!”) e o Ian McKellen, genialíssimo no papel da morte do Bergman. hahaha!

  9. Davi OP disse:

    “Nunca fui fã de carteirinha como você e a maioria dos “colegas” aqui de filmes de ação e similares.”

    Infidel!!!

    Nice movie. Nice director. (com sotaque do Laurentis, no making of do Conan)

    É o “A História sem Fim” dos filmes de ação. E chegou na hora certa para ser assistido pelas crianças dos anos 80, mas não para as bilheterias. Tem um trailer muito marcante, também. Acho que é Top 3 nos meus favoritos do McTiernan.

  10. artur disse:

    esse é um filmaço, faz um tempão que vi no SBT e na Globo, preciso rever.

  11. Saudações, Perrone!! hehe, valeu pela dedicatória. O mais curioso sabe o que é? Nunca fui fã de carteirinha como você e a maioria dos “colegas” aqui de filmes de ação e similares. Claro que vi muitos, me diverti pra caramba e tal. Porém, esse filme aqui é especial, né? Tipo brincadeira séria, quase filosófica! Hahaha, foi por isso que os americanos não entenderam. Gosto desses filmes americanos que meio que se auto-satirizam. “Trues Lies” segue essa linha, concorda? Outro filme sensacional. Mas O ultimo grande herói é especial: é um tipo de filme único! Jamais se fará outro igual. Ou alguém imagina algo semelhante hoje em dia? Hoje o cinema é careta por incrível que pareça… Um abraço amigo.

  12. Bruno C. disse:

    E o Al Leong morre com uma sorvetada na cabeça, esquecemos de comentar!

  13. As melhores falas que Shakespeare jamais escreveu:

    “Ô Claudius! Você matou o meu pai! Grande erro!”

    -“Poupe-me, príncipe nobre e justo!”
    -“Quem disse que sou justo?” Bam!

    Definitivamente um filme injustiçado. Eu ainda tenho o boneco do Jack Slater!

  14. Osvaldo disse:

    Tem ainda umas duas piadas com a classificação do filme ser PG-13. Uma sobre o uso do 'fuck' (só pode ser dito uma vez) e outra na violência contra um dos capangas, creio eu.

  15. Osvaldo disse:

    A melhor brincadeira já feita com o cinema de ação. Gostei tanto de revê-la esses meses que vou assistir todo ano.

  16. Exatamente! O Van Damme, James Belushi e alguns outros aparecem na premiere do filme, e a participação do Chase se resume a um esbarrão mesmo, hehe

    Esqueci de citar também sobre algumas participações especiais dentro do filme, como Sharon Stone e Robert Patrick fantasiado de T 1000… e até um Humphrey Bogart inserido no meio da policia… esse filme é demais!

  17. Preciso rever esse filme, que vi nos cinemas na época do lançamento também. Mas surpreendentemente eu lembro de todas essas piadas que você citou: a adaptação de Hamlet com Schwarzenegger, o “Ele matou Mozart”, seguido de um “Você matou Moe Zart!”, e principalmente a piada com Stallone como astro do Terminator 2 (e o Arnoldão comentando: “Esse cara é o máximo!”).

    Outra coisa divertida é que há a participação de vários astros no final, acho que o Van Damme é um deles, e tenho certeza que alguém esbarra no Chevy Chase! hahahaha

  18. Pedro Pereira disse:

    Gosto bastante da trilha sonora que escolheram para o filme, cheia de temas originais e colocados estrategicamente durante as diversas cenas do filme. Lembro-me por exemplo da entrada ao som dos Alice in chains ou a cena também inicial em que nos dirigem para a mansão dos bandidos com Megadeth no ouvido. Muito bom!

  19. Bruno C. disse:

    Legal também é quando ele cai no piche e depois de se limpar por uns takes ele logo aparece limpinho da silva, uma brincadeira bem humorada com os erros de continuidade.

  20. Vitor disse:

    filmaço que não me canso de rever. gostava especialmente da versão dublada… alias, arnold dublado era foda.

  21. A crítica não entendeu, por teimou em achar que era um filme do Schwarza “sério”. O filme é quase uma hq em movimento … divertido pra caramba

  22. Hehe, eu também era. E mais novo ainda, tinha uns 11 anos quando vi esse filme.

  23. herax disse:

    “um putinho de 13 anos” foi boa, eu tambem era um putinho quando vi esse filme, hahaha, preciso reve-lo, lembro de ter gostado bastante na época

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