A ILHA DOS HOMENS PEIXES (L’isola degli uomini pesce, 1979), de Sergio Martino

Já faz um tempinho que vi este aqui. E embora o italiano Sergio Martino tenha uma reputação reconhecida pelos seus elegantes gialli, até que era um diretor bem diversificado e transitou por quase todos os gêneros do cinema popular italiano. A ILHA DOS HOMENS PEIXES, realizado ao final da década de 70, é um belo exemplar dessa sua diversificação, uma mistura de ficção científica, terror e seriados de aventura dos anos 30, com um tom de Ilha do Dr. Moreau, e para quem é fã deste tipo de material, a diversão é garantida.
O filme transcorre no fim do século XIX, quando, a caminho de uma prisão localizada numa ilha, um navio que transportava os presos acabou afundando, deixando apenas sete sobreviventes, entre os quais seis são prisioneiros e o outro é o médico da embarcação, Claude de Ross, vivido por Claudio Cassinelli. Numa certa noite, depois de algum tempo à deriva, o bote salva-vidas se choca contra umas rochas e os sobreviventes são naturalmente levados a uma ilha que estava no meio do caminho.

A partir daí, um a um, os presos vão sendo abatidos por estranhas criaturas, sobrevivendo apenas o dr. Ross e mais dois prisioneiros, que prosseguem explorando a ilha e descobrindo seus mistérios, o que inclui uma vasta combinação de elementos estranhos num mesmo filme e que torna tudo mais interessante, como um vulcão prestes a entrar em erupção, experiências diabólicas com seres humanos, vodu e até mesmo o tesouro perdido de Atlântida!

O ator britânico Richard Johnson é quem encarna o vilão Rackham, dono de uma mente maquiavélica. É um grande personagem, sádico, sarcástico… não chega a ser tão marcante, mas funciona. Já Cassinelli é o típico herói dos filmes daquele período, agrada vê-lo como homem de ação. Mas o grande frescor para os olhos é a presença de Barbara Bach, com uma boa atuação e uma beleza impecável, embora possa decepcionar o público masculino que espera algo do nível da Ursula Andress em MOUNTAIN OF THE CANNIBAL GOD, também do diretor Sergio Martino, onde exibe seus doces encantos…

A direção de Martino é simplesmente funcional, sem nenhum tipo de experimentação ou frescura, apenas para contribuir para o sucesso do material, embora alguns momentos sejam arrastados, principalmente na primeira metade, dando um contraste com o final que é bem agitado. De qualquer maneira, o resultado é divertido. E o mais legal é o visual das criaturas, os homens peixes do título, e toda a mitologia criada para justificar a sua existência.

Mas ainda assim, para o “público normal”, provavelmente tudo no filme soará um tanto “trash” (seja lá o que isso significa para este público), mas deve ser bem melhor que a continuação que o próprio Sergio Martino filmou em 1995 e que eu ainda não vi. Alguém aí sabe me dizer se LA REGINA DEGLI UOMINI PESCE presta?

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10 pensamentos sobre “A ILHA DOS HOMENS PEIXES (L’isola degli uomini pesce, 1979), de Sergio Martino

  1. (…)o italiano Sergio Martino tenha uma reputação reconhecida pelos seus elegantes gialli(…)
    E outra reputação pelas fantásticas merdas que ele também fez, como “Crocodilo, a Fera Assassina” e “After the Fall of New York”, entre outras. Quando o cara queria, era o rei da picaretagem!

  2. Depois de ler este texto fiquei com tanta curiosidade que procurei o filme. Manifesto por isso agora o meu agrado depois de ter acabado de assistir à coisa!
    Acho que agora vou ter que procurar mais filmes do Sergio Martino nesta área do cinema fantástico, uma vez que só-lhe conhecia os trabalhos que fez enquanto argumentista e realizador de western-spaghettis (Mannaja, etc.).

  3. O original é ótimo, uma daquelas aventuras de ficção científica classe B dignas desse nome. Já a continuação é uma bosta, que o Martino montou a partir de retalhos das cenas do original e de outros filmes seus, como “After the Fall of NY”.

    Uma curiosidade é que a versão norte-americana de “A Ilha…” tem cenas a mais filmadas a mando do produtor Roger Corman, envolvendo o ataque dos homens-peixe a um navio de piratas.

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