TORNADO (1983), de Antonio Margheriti

Na década de 80, o cinema popular italiano entrava em decadência na mesma intensidade que a picaretagem dos produtores, roteiristas e diretores carcamanos aumentava. Antonio Margheriti, prolífico diretor italiano, foi um dos que mais se aproveitou de reciclar boas idéias, retiradas de produções anteriores de sucesso, para transformá-las em filmes de baixo orçamento filmados onde Judas perdeu as botas, seja lá onde for. Isto, claro, muitos anos depois de ser respeitado como um dos grandes nomes do horror gótico italiano (embora tenha passado por praticamente todos os gêneros do cinema popular de seu país).

Eu avalio TORNADO como uma verdadeira façanha na carreira do diretor, mesmo considerando que eu não sou nenhum especialista na filmografia do Margheriti. Primeiramente porque imita, sem ao menos ter vergonha na cara, temas e idéias de vários outros filmes de guerra já consagrados. Depois, por causa do tempo curto de filmagem e as baixas condições orçamentárias, o diretor teve a brilhante idéia de reaproveitar, literalmente, algumas cenas de outros filmes do gênero que ele mesmo realizou na época. E por último, por transformar toda essa picaretagem absurda num bom filme com 90 minutos de pura diversão.


O enredo se passa nos últimos dias da guerra do Vietnã . Um capitão americano sem coração (Tony Marsina) envia seus soldados do grupo de elite “Boinas Verdes” em missões de alto risco além das linhas inimigas. O sargento Maggio (Giancarlo Prete, aka Timothy Brent) não concorda muito com essas incumbências suicidas e sem sentido. Logo no inicio, durante uma destas missões, um soldado se fere e Maggio retorna para buscá-lo. O capitão ordena aos helicópteros que partam imediatamente, sem esperar o sargento que carrega bravamente seu amigo ferido.


Deixado para trás, Maggio utiliza-se de todas as suas técnicas especiais de combate e sobrevivência na selva para conseguir retornar ao posto americano, e consegue, levando o soldado – e a si próprio – com vida. Isso tudo em apenas 20 minutos de filme, dando uma verdadeira noção do que esperar de TORNADO.

Depois de uma tragédia, finalmente Maggio decide bater de frente com o capitão (e bater de frente significa murro na cara do seu superior). Maggio é preso e escoltado para a corte marcial, mas consegue escapar e agora se encontra em pleno território inimigo tentando chegar à zona neutra, mas não sem antes enfrentar os vietcongs e os próprios soldados americanos! Não é de lascar uma trama como essa?

O script é cortesia de Tito Capri e Gianfranco Couyoumdjian (cujos currículos são repletos de pérolas do cinema popular), apesar da falta de originalidade, conseguem desenrolar um roteiro que bebe da fonte (leia-se: copia na cara dura) de vários filmes de ação e guerra que foram grandes sucessos e influenciaram dezenas de tralhas como esta aqui. O FRANCO ATIRADOR, APOCALYPSE NOW e RAMBO são os principais títulos que vêm em mente enquanto se assiste a TORNADO.

E o mais legal é que, embora seja assumidamente barato e apresente os defeitos que este tipo de produção possui, o filme consegue passar a sua mensagem anti-bélica com muita clareza e autenticidade, ao invés de simplesmente explorar a violência da guerra sem qualquer tipo de reflexão. E isso fica evidente na presença do repórter vivido por Luciano Pigozzi, que tenta a qualquer custo investigar e denunciar os abusos cometidos pelo capitão.

TORNADO fecha uma espécie de trilogia da guerra do Vietnã que Margheriti realizou no inicio dos anos 80, composta também por THE LAST HUNTER e TIGER JOE, todos rodados nas Filipinas, local que serviu de cenário para centenas de produções italianas naquela época. O trabalho de direção de Margheriti aqui é bem típico ao específico cinema que estava fazendo, rodado às pressas tentando ao máximo usar a criatividade (algo que nem sempre consegue), aproveitando atores, locações, objetos cenográficos e até mesmo seqüências inteiras utilizadas em outros filmes. Várias cenas de ação que aparecem em TORNADO foram, inicialmente, filmadas para THE LAST HUNTER, mas com uma boa edição e muita cara de pau, isso se torna apenas mais um detalhe curioso e um charme a mais para os fãs de tosqueiras como esta aqui.
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16 respostas para TORNADO (1983), de Antonio Margheriti

  1. CONCORDO,SÓ INFORMAÇÕES ,FILME QUE BOM NADA !!!

  2. AONDE ENCONTRO NA INTERNET O FILME AMIGO ????

  3. AONDE VEJO O FILME,PROCUREI EM TUDO !!

  4. Anônimo disse:

    E lá fora esse filme saiu em blu-ray, é mole?
    Rinaldo

  5. João Carlos disse:

    Filme com produção B, mas dá saudade, melhor que alguns hoje em dia que só usam efeitos feito por computadores.

  6. Paculle disse:

    Meus amigos, este filme é terrível, assisti a mais de dez anos mas estou com muita saudade

  7. Aonde vejo o filme,só encontro capas e informações ???

  8. Como faço pra assistir o filme ???

  9. Cesar Almeida disse:

    “The last hunter” é o meu filme preferido sobre a guerra do Vietnã. Genial.

  10. buchinsky disse:

    Eu ainda tenho o VHS de “Tiger Joe” …

  11. BLOB disse:

    Acho que a intenção dos caras da distribuidora (que eu não me lembro agora qual foi…) era capitalizar em cima do Apocalypse Now! Hehehe. Eles eram muito cara de pau!

  12. Nossa… e qual seria o Apocalypse 1? Enfim, estou com The Last Hunter aqui pra ver também.

  13. BLOB disse:

    Agora me lembrei! Assisti The Last Hunter no VHS… Foi lançado por aqui como Apocalypse 2!!!

  14. Sempre tem uns doidos revirando tralhas velhas por aí…hehe

  15. Lembro que esse filme fez um certo sucesso nas locadoras nos anos 80, na cola do Rambo. Nunca pensei que iria ouvir falar nele de novo rsss!

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