INFERNO NO PACÍFICO (Hell in the Pacific, 1968), de John Boorman

Não sei justificar porque enrolei tanto pra assistir a este filme tão obrigatório na minha lista de pendências. Talvez por negligência mesmo, mas a verdade é que o Lee Marvin é o meu ator favorito, então quem já viu INFERNO NO PACÍFICO deve saber que era praticamente uma questão de honra conferir este aqui.

Quem ainda não conhece o filme, vai ter uma boa referencia se já tiver assistido o clássico da sessão da tarde, INIMIGO MEU, estrelado por Dennis Quaid e Louis Gossett Jr, dirigido por Wolfgang Petersen em tempos áureos e inspirados. Agora, quem não conhece nenhum dos dois, pode mudar de área, vá ler um livro, jogar video game, etc, porque cinema não é pra você mesmo!

Mas se ainda quiser continuar a ler o texto, tudo bem, então vamos a história: Já perto do fim da Segunda Guerra Mundial, um piloto norte americano (Marvin) e um oficial japonês (Toshiro Mifune), acabam presos numa pequena ilha deserta. Espero que aqueles que não conheciam ambos os filmes – e mesmo assim insistiram em continuar lendo – tenham pelo menos uma noção de história pra saber que soldados americanos e japoneses eram inimigos mortais neste período, então já dá pra sacar qual é a do filme.

Principalmente porque eu não tenho muito mais a acrescentar sobre a trama sem estragar o prazer de ver pela primeira vez, ainda mais que INFERNO NO PACÍFICO, tirando o básico do plot, não tem nada a ver com INIMIGO MEU. Não esperem aqui naves espaciais, equipamentos futuristas e nem o Toshiro Mifune ficar grávido… seria no mínimo, ridículo. Além do mais, o número de diálogos é risível e os únicos seres humanos que veremos em cena são os dois personagens citados.

Lee Marvin, como sempre, está perfeito, expressivo e com muita presença, vivendo o americano que confia demais na esperteza pra conseguir as coisas, mas não possui os conhecimentos básicos do manual de sobrevivência para casos do tipo, então, a principio, passa fome e sede, enquanto o “colega” japonês sabe pescar e arranja água a vontade. E vale destacar o desempenho de Mifune, como não? O sujeito foi um dos maiores atores orientais, trabalhando em vários clássicos de Akira Kurosawa, o que não é pouco. É impossível dizer quem está melhor por aqui e o poder do filme concentra-se justamente na atuação dos dois indivíduos.

Mas por mais que o filme necessite da expressividade corporal dos atores, John Boorman nunca deixa a sua direção pender para um tom teatral. O roteiro, liberto de diálogos, se resume em situações puramente visuais, e um diretor do calibre de Boorman não iria desperdiçar a oportunidade de dar uma aula de linguagem cinematográfica. A fotografia é belíssima e o uso do som também é uma coisa de louco. No final das contas, temos belo filme de aventura, reflexivo sobre as diferenças de costumes e culturas, que é um tema já esgotado hoje em dia, mas muito bem trabalhado pelo diretor naquela época.
Anúncios

18 pensamentos sobre “INFERNO NO PACÍFICO (Hell in the Pacific, 1968), de John Boorman

  1. Não entendi o final. Aquela explosão matou os dois? De onde ela veio? Alguém bombardeou o lugar ou a bomba já estava lá?

  2. Pessoalmente eu gostei mais do final alternativo, apesar que o imposto pelo estúdio dá um final realmente.

  3. Não acho ‘Sleuth’ obrigatório, mas é um grande filme sim.

    E essas coisas que o Mifune fez com os americanos costumam dar em coisa boa. Que o diga ‘Red Sun’.

  4. Tem o final alternativo no DVD nacional.

    Eu gostei do novo SLEUTH. Mas sem o Laurence Olivier fica uma brecha.

  5. Talvez tenha o final alternativo do Inferno no Pacifíco no youtube. Vou dar uma procurada por lá.

    O remake do Sleuth eu detestei, mas vale mesmo pela curiosidade.

  6. Inimigo Meu é assumidamente uma “versão sci-fi”.

    Sleuth é obrigatório. O remake obviamente não se compara, mas é divertido ver o My Cocaine fazendo o papel do Laurence Olivier…

  7. Sleuth eu nunca vi… e a versão que eu assisti de Inferno no Pacífico foi a do final imposto pelo estúdio… com aquelas explosões retiradas de The Party, com o Peter Sellers. Hahah

  8. Obra-prima é pouco.(2)
    Só o que é um pouco discutivel é o final imposto pelo estúdio, sei que muita gente viu o final alternativo do Boorman mas eu nunca assisti. E além do Inimigo Meu, esse filme costuma me lembrar de outra obra-prima o “Sleuth” que também é só com dois atores em cena um brigando com o outro (o Caine e o Olivier).

  9. Obra-prima. O Remake Sci-Fi tb!

    “tirando o básico do plot, não tem nada a ver com INIMIGO MEU. Não esperem aqui naves espaciais, equipamentos futuristas e nem o Toshiro Mifune ficar grávido… “

    LMAO!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s