TWO LOVERS (2008), de James Gray

Espero que ninguém esteja com medinho em relação a este novo trabalho do James Gray por não ter ligação ao universo do crime, ao gênero policial dos filmes anteriores. TWO LOVERS, além de ser tão poderoso quanto seus outros trabalho, serve pra confirmar várias coisas, entre elas o talento do diretor, que hoje é na minha opinião um dos cinco grandes cineastas americanos surgidos nos anos 90. Serve também pra definir os seus temas prediletos já abordados anteriormente.

Ele não perde a oportunidade de discutir questões como a família, fidelidade e o peso da herança cultural. E assim como antes, há um tom melancólico impresso em cada sequência de uma forma rara no cinema estadunidense. Não é a toa que ele é considerado o diretor mais francês entre os americanos, principalmente na forma de compor, montar, pontuar, movimentar a câmera, trabalhar com os atores, etc.

E muito em TWO LOVERS se deve ao excelente trabalho de todos seus atores. Joaquin Phoenix está ótimo encarnando Leonard, um rapaz que mora com os pais, depressivo e desequilibrado por uma desilusão amorosa do passado. Gwyneth Paltrow, que está belíssima, e Vinessa Shaw, completam o triangulo amoroso da trama. Ainda temos Isabella Rossellini sublime como a mãe do rapaz.

Em suma, a partir de um simples fato, que soa até mesmo clichê (homem se relaciona com duas mulheres ao mesmo tempo), Gray desenvolve um belo filme dilacerante, um verdadeiro estudo do romantismo exacerbado e de sentimentos puros em situações da vida cotidiana, observado com uma intensidade dramática surpreendente.

OBS: Nada a ver com o post, segue uma dica preciosa d’um blog de alto nível e novinho em folha: Cine Demência, editado pelo Leopoldo Tauffenbach. Prestigiem.
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15 pensamentos sobre “TWO LOVERS (2008), de James Gray

  1. Eu até entendo que os filmes dele possam parecer chato para alguns, mas pra mim foram todos filmes com os ritmos certos. Que leva o tom da filmografia dele com perfeição.Não adianta, é um diretor que vc precisa entrar no clima dele, se não, não dá certo mesmo. Pra mim, tudo que eu vi dele desde Night on Earth é excelente.Agora o Gray não tem mistério. É um ritmo calmo, mas não considero lento. Acho bem dinâmico em sua proposta até, ele é apenas reflexivo tb e sempre com personagens intensos e benignos, e com atmosferas de suspense que se pouco vê no cinema hoje em dia. Fora um clima de filmes dos anos 70 saboroso. Não sei o q vc e o Rafael estão esperando.

  2. Daniel chato maior, pqp. Tinha até esquecido disso já.Jarmusch é bunda mole, os ultimos dele são um pé no saco, otimos pra dormir.Dei uma olhada no trailer do ultimo q ele fez agora, que vai estreia esse ano.Parece ser bom.Qlq dia desses vejo Dead Man.

  3. Kevin, eu tenho medo de vc e sua fixação pro bobagens como Sindrome de Cain e Dália Negra enquanto ignora filmaços de mestres como Jim Jarmusch e Gray!Já estou ansioso por esse.

  4. Kevin, assista todos os outros antes sem medo. Não comece por este aqui… um conselho que te dou.E Alex e Gustavo, vocês acreditam mesmo que ele abandonou a carreira de ator?

  5. Eu vejo “Amantes” em breve. Eu sempre tive curiosidade em assistir ao menos um filme do James Gray, mas sempre me desanimo. Tenho “Fuga Para Odessa” no acervo e “Caminho sem Volta” e “Os Donos da Noite” são fáceis de serem encontrados por aqui. Dá para notar que, de fato, é um filme bem melancólico e é uma pena que Joaquin Phoenix tenha mesmo desistido da carreira de intérprete.

  6. Confirmou minhas expectativas, um dos grandes filmes da década.Nada melhor que uma obra-prima atrás da outra…

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