O SANGUE DE ROMEU (Romeo is Bleeding, 1993), de Peter Medak

O SANGUE DE ROMEU talvez seja a homenagem mais porra-louca feita aos clássicos filmes policiais dos anos 40 e 50. Após uma rápida introdução mostrando Gary Oldman em algum lugar no deserto do Arizona, onde cuida de um posto a beira da estrada, somos levados há cinco anos atrás, se eu não estou enganado, para tomar conhecimento das circunstancias que levaram o sujeito àquele lugar. O próprio personagem se habilita em narrar a história, como um bom film noir tem que ser…

Oldman interpreta Jack Grimaldi, um policial que de vez em quando realiza alguns servicinhos sujos para a máfia. É um sujeito ambicioso e faz isso pra ter uma “graninha” extra, já que o salário de policial não dá conta de manter o nível que pretende dar para a esposa (Annabella Sciorra) e para a amante (Juliette Lewis, que agora virou roqueira). Tudo parecia dar certo, até que um dia conhece Mona (Lena Olin), membro da máfia russa e com contas para acertar com o mafioso Don Falcone, vivido pelo grande Roy Scheider.

O bicho pega porque Jack deveria fazer uma missão bastante simples, mas dá tudo errado. Mona desaparece, Falcone a quer morta e caso Jack não resolva isso em dois dias, vai ter que vestir o terno de madeira. Só que Mona é o diabo de saia! A mais diabólica das femme fatale’s de qualquer filme clássico não passa de um anjinho perto desta aqui. É a partir dela que a coisa toda começa a ficar bizarra, porra-louca total. A cena absurda do carro em que ela foge de Jack é o ponto crucial, a partir daí estamos em outro universo, mais doentio, barroco, violento…

Gary Oldman está perfeito. É incrível como ele incorpora cada personagem que interpreta de maneira expressivamente singular como é o caso do policial corrupto de O SANGUE DE ROMEU. Consegue transmitir toda a sensação de desespero surreal a partir da catarse como se a visão do narrador estivesse turva e perturbada ao narrar aquela história para nós, espectadores, que assistimos sob o seu ponto de vista. Mas é Lena Olen quem rouba a cena. É impossível descrever as capacidades físicas e psicológicas que a personagem se submete sem estragar a surpresa. É o cerne de todo o filme e que torna O SANGUE DE ROMEU único.

O elenco é bem legal: Além de Oldman, Olin, Sciorra, Lewis e Scheider (que está excelente como chefão mafioso) temos participações de Will Patton, James Cromwell, David Proval, Michael Wincott, Ron Perlman, Dennis Farina, alguns fazendo apenas uma ponta outros com uma participação maior como Wincott que é um desses atores subestimados que nunca teve uma boa chance de mostrar seu talento para o grande publico e aqui demonstra total segurança no que faz.

A direção do húngaro Peter Medak é muito boa, mas é daquelas que deixa seus atores brilharem, uma escolha acertada com um elenco desses e um roteiro em mãos muito bem escrito que faz jus ao estilo noir e ainda torna tudo mais interessante com as bizarrices da personagem de Lena Olin. O SANGUE DE ROMEU andou passando no canal fechado MGM, não sei se ainda vai passar, mas quem tiver a oportunidade não perca!

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33 pensamentos sobre “O SANGUE DE ROMEU (Romeo is Bleeding, 1993), de Peter Medak

  1. Desculpa aí os palavrões… mas, caralho, porra, quando eu penso em femme fatales, Lena Olin em SANGUE DE ROMEO é a primeira que me vem na cabeça. Todas as outras perdem feio. Osvaldo

  2. Sem dúvida, um dos grandes filmes dos anos 90. Sou louco para ver numa versão decente, pq a lançada em VHS aqui tem um fullscreen horrendo e ainda por cima está cortada. Mesmo assim SANGUE DE ROMEO continua um filmaço.Não lembrava que você também curtia o Michael Wincott, Ronald. Assista O ASSASSINATO DE RICHARD NIXON. Sean Penn está genial, só que o Wincott – em sua pequena cena – rouba por completo a atenção da gente. Outro puta filme, pode anotar mais esse aí heheheGHOST DOG é lindo. O filme ocidental mais oriental já feito.

  3. Baixei, mas a legenda q eu peguei ta uma bosta, saiu toda errada no meu dvd. Vou ver se vejo no pc por esses dias.

  4. HAHaHh, o Caio aí só deve ter lido Os Implacáveis, acho que não viu o Krays, aí achou que era o do Peckinpah.

  5. Qualquer filme q tinha estigma de “loucão” já era taxado de cópia do Tarantino entre 92 e 2000.Pura bobagem. E os filmes “loucos” antes de se quer Tarantino nascer? Tb eram “tarantinescos”?E tem muita coisa do Medak q precisa ser descoberta, pelo visto.

  6. Realmente este filme é bem louco e Gary Oldman está perfeito para o papel. Lena Olin também fez outras papéis no mesmo estilo em sua carreira.Abraço

  7. Felipe, esses pequenos detalhes fazem o filme! O roteiro deste aqui é muito bom e é uma pena mesmo que tenha sido prejudicado aqui no Brasil…Herax, claro que vou dar uma olhada! O teu blog causa a mesma sensação com o meu.Hehe, essas confusões fazem parte, Leandro…

  8. Porra, que confusão eu fiz. É o Mandy Patinkin quem faz o Quasímodo. Foi mal, Mickey …Peter Medak também dirigiu AS DUAS FACES DE ZORRO que vale por cinco filmes do Jim Carrey e mais cinco do Adam Sander. Outro elogiado é A CLASSE DOMINANTE de 71.

  9. Ronald, quando eu leio aqui no teu blog sobre filmes que nunca vi e que parecem ser super interessantes, me bate uma mistura de “que legal!” com “putz, mais um pra baixar”, hehe! Mudando de assunto, ressucitei o Viscera, mas infelizmente houve um “pequeno” regresso. Quando puder de uma olhada!

  10. Cara, eu amo esse filme! Na época que saiu, ele foi prejudicado, pelo menos no Brasil, pelas comparações com o que o Tarantino fazia. Mas eu acho que uma coisa não tem nada a ver com outra. Adoro o clima, o personagem do Gary Oldman, a relação dele com a Lena Olin (que aqui está muito bonita), e viagens tipo aquela parte do “Opa, avancei demais a história, esqueçam que viram esta cena”. É outro dos milhares de filmes que preciso rever urgentemente.

  11. Ah, então dessa vez não deu pra te pegar desprevenido. 😀 Mas tb, o Jarmusch tem fama de longa data ao contrário do B. Harris e Medak, q fez vc ir procurar o filme, suponho.“(como uma adaptação do Corcunda de Notre-Dame com o Mickey Rourke !) “?Q eu saiba o The Hunchback do Medak é com Salma Hayek e Richard Harris. Ou seria outro q vc tá dizendo q eu não saiba? Eu conheço bem a carreira do Rourke, por isso a estranheza, deixando claro.O Medak fez uma comêdia nos anos 80 chamada de The Men’s Club com um elencaço de Harvey Keitel, Frank Langella, Roy Scheider, Treat Williams, Stockard Channing até a Jennifer Jason Leigh (Q na época era a atriz mais quente do pedaço) q eu sou doido pra ver. Mas o Medak nunca é o maior mérito de seus filmes, apesar daquela tomada no carro quando a Olin enfia as pernas no pescoço do Oldman ser fantástica. Mas o texto e os atores são a melhor coisa, disparado. Mas eu gosto dele, é diretor marreteiro de qualidade. Simples, sem frescura.O episódio do Masters of Horror, “The Washingtonians” dele tb é bem elogiado.

  12. Legal. Essa foto é igualzinha a um desenho do Guido Crepax. O Medak fez mais coisas para TV (como uma adaptação do Corcunda de Notre-Dame com o Mickey Rourke !) e uns poucos trabalhos para cinema. Tente achar “Os Implacáveis Krays”. É quase tão bom quanto “O Sangue de Romeo”.

  13. Peter Medak costuma fazer umas merdas, mas assim como o Mike Hodges, quando acerta sai de baixo. Ronald, de qual filme é a foto aí de cima do blog ?

  14. Filmaço mesmo! Esse filme passava muito na sessão legendada no SBT aos sábados, não sei se tem sido exibido nos últimos tempos. É um filme em que todos os exageros funcionam direitinho e servem para deixar tudo mais brilhante. Quem vê não consegue esquecer tão cedo!

  15. Se é q vc já não viu, claro, mas é esse aqui: http://www.imdb.com/title/tt0165798/E como vc não conseguiu achar o Q & A para baixar, esse sai um pouco do gênero “policial corrupto”, mas é tão bom quantos os q vc já viu. E tb é um filme tão estranho quanto, pra variar. hehe.

  16. Neo-Obra-Prima do Neo-Noir.E esse filme é tão bizarro, mas tão bizarro, q a Juliette Lewis é uma das coisas mais normais nele.E depois de COP e esse, vou completar a trilogia de sugestões pra ti com mais um. Quer? hehe.

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