O VINGADOR SILÊNCIOSO (Il Grande Silenzio, 1968)

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Ainda não sou um profundo conhecedor da filmografia de Sergio Corbucci e já li por aí que o sujeito fez uns filmes bem fraquinhos ao longo da carreira. Mas quando a coisa é boa (como DJANGO, de 1966, e este aqui), ele acerta em cheio e é por isso que é fácil classificá-lo como um dos maiores realizadores de Spaghetti Western. O VINGADOR SILÊNCIOSO é provavelmente um dos melhores e o mais pessimista exemplar do gênero. E é por esse pessimismo, principalmente no controverso desfecho, que não é de se estranhar que o filme nunca tenha sido lançado nos Estados Unidos.

O VINGADOR SILÊNCIOSO é estrelado pelo ator francês Jean-Louis Trintignant e o grande Klaus Kinski. Só isso já o torna imperdível. No lugar do francês, a primeira escolha era Franco Nero, que já havia trabalhado com o diretor, mas estava com a agenda lotada. Trintignant só aceitou fazer o filme porque era muito amigo do produtor e sob a condição de que não precisasse decorar nenhuma fala. Criaram então um personagem mudo, cujas cordas vocais foram cortadas quando criança. E Trintignant está perfeito vivendo Silêncio, este herói trágico em busca de vingança e lutando contra caçadores de recompensas inescrupulosos. Já Kinski interpreta justamente um caçador de recompensa sem escrúpulos.

O filme se passa nas locações frias e cobertas de neve do estado do Utah, onde um grupo de bandidos se esconde nas florestas aos arredores da cidade de Snow Hill esperando a anistia prometida pelo novo governador para poder retornar à cidade e levar uma vida normal. Obrigado a roubar para poder se alimentar durante o exílio involuntário, cada cabeça do grupo vale uma boa grana e vários caçadores de recompensa invadem a região como lobos em busca de caça. Loco (Kinski) é um deles, o mais perigoso e ganancioso. Ao matar um desses fugitivos, Pauline, a mulher do defunto, recruta Silêncio para matar Loco.

A grande sacada de Corbucci foi dar alma a cada um de seus personagens principais. Não só aos dois protagonistas, mas também ao Xerife, interpretado por Frank Wolff e Pauline, a bela Vonetta McGee (que não é lá grande coisa como atriz, mas que compensa com outros atributos). Todos eles são movidos por algum instinto muito bem definido, como a vingança e a cobiça. Mas quando essas motivações dão lugar a um jorro de emoções, fica difícil resistir. Há uma cena belíssima quando Silencio e Pauline fazem amor sob a sedutora melodia de Ennio Morricone, ato que os torna tão humanos quanto poderiam ser e talvez por isso Silencio se torne tão vulnerável a partir deste ponto, muito diferente daquele pistoleiro onipotente do início.

E o final é extremamente chocante e brutal. Quebra qualquer paradigma dos heróis míticos e invencíveis criados pelo western hollywoodiano. A forma como Corbucci retrata os vilões (especialmente Kinski com aqueles olhos azuis expressivos de gelar a espinha) e os refugiados da floresta reforça ainda mais o sentido dilacerante da conclusão, e Silêncio, ao se apaixonar por Pauline e tornar-se mais humano, acaba enfraquecido, e já não pertence mais aquele universo instintivo. E como todos sabem, na natureza são os mais fortes que sobrevivem.

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11 pensamentos sobre “O VINGADOR SILÊNCIOSO (Il Grande Silenzio, 1968)

  1. Tens razão o Corbucci fez algumas coisas muito fracas, mas quando se esmerou consegui realizar excelentes películas. Este filme é um desses casos, sei que para muitos é a personagem Django a que lhe ficará associado o nome, mas este “Il grande silenzio” é na minha opinião de um nível superior. A ideia de levar o western para a neve não é inédita mas tem aqui o seu melhor registo, a isto acrescente-se o bom argumento e grandes interpretações de Trintignant (sem falar sequer!) e de Kinsky. Para mim top 10 do género!

  2. Esse é um dos poucos westerns com o Klaus q eu realmente ouço falar bem. Um dia desses eu baixo.

  3. Meu Corbucci preferido é COMPANHEIROS, mas O GRANDE SILENCIO é obra-prima também. Detalhe que a idéia do pistoleiro mudo surgiu do Marcello Mastroianni, que era muito amigo do Corbucci. Eu tenho o DVD japones que vem com os 2 audios (ingles e italiano) e ainda traz uma super entrevista com a esposa do Corbucci, que conta várias historias interessantes do set de filmagem.

  4. Esse é sem duvida um dos melhores faroestes de todos os tempos. E dentre os que eu vi, o meu preferido dos spaguetti, depois dos de Leone, claro. Do Corbucci, além desse, adoro Companheiros e Os Violentos Vão Para o Inferno, além do divertidissimo O Ultimo Samurai do Oeste. E estou com Minesota Clay e O Especialista para ver. O cara era bom mesmo.

  5. O meu filme preferido de todos os tempos, sem dúvida. Ainda tenho o VHS nacional. Verdadeira raridade, widescreen e áudio em italiano. A voz do Kinski nesta versão é simplesmente diabólica. Na versão em inglês, a voz dele é de um bandido mais comum.

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