Samuel Fuller – Parte II

ANJO DO MAL (1953): Um dos primeiros filmes do Fuller que eu vi. É também a primeira vez que ele trabalhou com o ator Richard Widmark, neste thriller político em forma de noir com uma trama que envolve agentes secretos, policiais e no meio do fogo cruzado, um batedor de carteiras que tenta manter-se neutro em ambos os lados. Muito suspense, seqüências bem conduzidas, violentíssimo para a época e a aula de construção de personagens habitual. * * * *

HELL AND HIGH WATER (1954): Segundo filme com o Widmark e o primeiro em cores (numa produção da Fox), mas Fuller não parece muito à vontade trabalhando com um orçamento mais gordo do que está acostumado. De maneira alguma é um filme ruim, mas possui excessos além do necessário para um diretor que parece sempre filmar o essencial. Aqui, Fuller demonstra toda sua noção de arquitetura e espaço ao contar uma estória tensa que se passa, em sua maioria, dentro de um submarino. * * *

HOUSE OF BAMBOO (1955): Um dos mais brilhantes do diretor, principalmente porque ele parte de uma trama policial passada no Japão apenas para preencher todo o scope com refinados planos que faz questão de filmar ao ar livre nas locações, nas ruas movimentadas de Tóquio em plena década de 50 (tornando-se o primeiro filme de Hollywood a filmar no local), ao invés de utilizar estúdio como faziam normalmente, revelando um estilo que ainda viria aparecer algum tempo depois na Nouvelle Vague francesa. * * * * *

CHINA GATE (1957): Como Fuller adorava o oriente, aqui mais um outro belo exemplar. É um filme mais descompromissado que o usual, o que não significa que não tenha a mesma força de outros. Mais uma aula de direção econômica com um entrecho simples e interessante (que se passa durante a guerra da Indochina). Angie Dickson bastante jovem e lindíssima estrela a produção que ainda conta com Gene Barry e o músico Nat King Cole cantando a bela canção tema do filme. * * * *

RUN OF THE ARROW (1957): Ambientado no final da Guerra Civil, Fuller realiza um ótimo estudo de personagem cujo conflito psicológico encontra-se nas questões raciais quando um soldado confederado, interpretado por Rod Steiger, acaba se juntando a uma tribo Sioux e passa a ser seu representante nas negociações com os brancos (o lider dos Sioux é vivido por um quase irreconhecível Charles Bronson). Mais um daqueles filmes da carreira do diretor que, injustamente, não se ouve falar… * * * *

parte I

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4 respostas para Samuel Fuller – Parte II

  1. O Fuller é melhor em seu próprio estilo fulleriano de ser e não quando emula o estilo de outro diretor, principalmente porque eu prefiro muito mais o Fuller que o Hawks (ainda que eu goste muito)… e Hell and High Water não deixa de ser grande.

  2. Eu acho Hell and High Water um grande filme, uma das melhores emulações hawkskianas com que tive contato.

  3. Hugo disse:

    Não tive oportunidade de ver estes filmes antigos de Fuller. Assisti apenas “Agônia e Glória” e o interessante “O Cão Branco”, ou seja, vi apenas o final da carreira dele.Abraço

  4. RL Fernandes disse:

    Fuller era muito punk pra época dele, hehe. Pickup on South Street é a maior prova disso.

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