NAKED OBSESSION (1991), de Dan Golden

Frank (Willian Katt) é um sujeito pacato, vivendo sua vida quadrada enquadrada pela mulher e pelo trabalho: um político prestes a se candidatar à prefeitura da cidade onde mora. Mas em uma bela noite, sua vida se transforma num inferno disfarçado de paraíso após conhecer o misterioso morador de rua Sam Silver (Rick Dean) e ficar obcecado pela stripper Lynne (Maria Ford) que leva o pobre Frank a um perigoso jogo de traição, assassinatos e a uma trama de suspense que até o mestre Alfred Hitchcock se surpreenderia.

Naked Obsession é o primeiro trabalho de Dan Golden atrás das câmeras, embora seja velho de guerra colaborador de grandes nomes do cinema de baixo orçamento americano, como Jim Wynorski. E até que se sai muito bem como um contador de história bem econômico e objetivo, trabalhando os elementos do thriller com precisão e tendo em mãos um material criativo (escrito por ele mesmo e Robert Dodson), cuja produção e suas baixas limitações permitem o charme que só este tipo peculiar de filme possui.

O roteiro é excelente, intrigante para quem se propor mergulhar de cabeça na história, rico em metalinguagem, quase uma versão de Fausto do cinema B (como disse o Osvaldo Neto quando me indicou o filme). Vale ressaltar a participação das figuras ilustres que preenchem o filme como a belíssima Maria Ford, demonstrando que não é necessário ser uma atriz muito expressiva quando não precisa de figurino algum, e claro, Rick Dean, como um bizarro e enigmático “anjo da guarda” que surge para apresentar um lado da vida que Frank ainda não havia experimentado.

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WINCHESTER 73 (1950)

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Quando estava assistindo ao novo 007 outro dia, em alguns momentos eu me lembrava de WINCHESTER 73, que eu havia conferido um tempinho antes. Os dois não têm nada em comum, obviamente. Só que o primeiro me decepcionou um bocado por causa das cenas de ação e o segundo é praticamente uma aula de direção sobre o assunto. Um Western dos mais originais que eu já vi, dirigido pelo grande Anthony Mann e com o sempre competente James Stewart no elenco, vivendo um sujeito marcado pelo desejo de vingança, caçando o assassino de seu pai. O filme ainda tem em seu elenco Shelley Winters, além de Rock Hudson e Tony Curtis no início de suas carreiras.

Na trama, Stewart é um excelente atirador, mas seu oponente também não deixa a desejar, como é mostrado logo no início numa disputa de tiro ao alvo na festa de uma pequena cidade, cujo vencedor leva como premio a belíssima winchester que dá nome ao título. A grande sacada do roteiro é colocar a winchester como protagonista de uma jornada pelo oeste americano. O personagem de Stewart ganha o prêmio que disputou no início, mas logo em seguida sua recompensa é roubada e a arma vai passando nas mãos de bandidos, índios, cowboys, casacas azuis, em vários locais e situações, sempre causando sentimentos de cobiça e espalhando a morte como um verdadeiro personagem de carne e osso. A narrativa escolhe sempre acompanhar o caminho que a arma faz ao invés de seguir os atores de maneira definida. Acaba transformando-os em meros coadjuvantes.

A forma como Anthony Mann se preocupa com um projeto deste tipo demonstra uma segurança exemplar. O único outro filme do diretor que eu havia visto é Um Certo Capitão Lockhart, também com Stewart, e não tão bom quanto este aqui, mas vale a pena. Mann parece ser um desses diretores para se pegar a filmografia inteira e assistir tudo. Em WINCHESTER 73, ele transforma os planos mais simples ou pequenos movimentos de câmera em cinema puro, como no genial duelo final entre Stewart e seu oponente. Um dos grandes momentos do western, sem sombra de dúvida. Se for sempre assim, Mann corre o risco de se tornar um dos meus diretores de cabeceira.

PORNO HOLOCAUST (1981)

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No início da década de oitenta, o italiano Joe D’Amato teve uma fase, digamos, caribenha, realizando alguns filmes sob o sol do arquipélago, financiado pelo próprio governo como forma de atrair turistas. Mas estamos falando do D’Amato, portanto, não esperem filmes turísticos… Como sempre, a “agenda lotada” do diretor fez com que ele filmasse vários filmes ao mesmo tempo, seguindo a risca o lema “quanto mais, melhor” e com PORNO HOLOCAUST não foi diferente. Realizado junto com EROTIC NIGHT OF LIVING DEADS, D’Amato aproveita-se do mesmo elenco, das mesmas locações e quase o mesmo tema para criar uma obra que mistura sexo explícito com horror.

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Mas o roteiro e temas não importam tanto. A trama é risível e provavelmente só existe porque D’Amato ainda não queria se dedicar ao pornô absoluto, como fez nos anos 90. Ele sempre queria contar uma história que pudesse intercalar uma cena de sexo com outra, especialmente se tivesse elementos de horror, sci-fi, etc… Sendo assim, o filme trata de um grupo de cientistas (um deles interpretado pelo grande George Eastman) que acaba numa ilha para estudar os danos causados por uma radiação, e eis que surge um mutante deformado meio zumbi que é a principal causa de uma onda de mortes na tal ilha, e que serve apenas para criar esse elemento de horror entre as cenas de sexo explícito. Mas acaba gerando não mais que gargalhadas.

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É que não dá pra levar a sério um mutante com uma maquiagem como essa aí de cima. Mas até que é divertido acompanhar seus ataques repentinos que permitem boas doses de gore, além de seus ataques tarados contra as mulheres. Mas a diversão não para por aí, ainda temos as tórridas cenas de sexo explícito e que, ironicamente, é onde a direção de D’Amato se sai melhor em PORNO HOLOCAUST, como a que uma das protagonista faz sexo com dois negrões. Ou a cena onde duas mulheres colocam as aranhas pra brigar num tronco à beira da praia, que é extremamente bem filmada aproveitando-se da iluminação natural e da beleza das praias caribenhas. D’Amato é foda.

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