CONSCIÊNCIAS MORTAS (1943)

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Que PUTA filme esse CONSCIÊNCIAS MORTAS (43), de Willian A. Wellman, cuja reputação é totalmente justificável. Trata-se de um western com forte, apelo ético, anti-linchamento, provavelmente levantou algumas sobrancelhas na época do lançamento. Hoje não funcionaria nem como panfleto, mas ainda induz à reflexão sobre leis e justiça (principalmente neste país de merda onde vivemos).

Mas deixando de lado as questões sociais, sobra ao filme cinema de puríssima qualidade. São apenas 75 minutos, mas muito bem enxugados e que valorizam as composições visuais de Wellman, além de trazer no elenco grandes nomes em magníficos desempenhos, como Henry Fonda, Dana Andrews e Anthony Quinn, todos em ótimos momentos de suas carreiras.

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EMANUELLE IN AMERICA (1977)

EMANUELLE IN AMERICA - v2 - Silver Ferox Design

Quando se fala em Emanuelle, muita gente vai se lembrar da famosa série erótica na qual a personagem infestava as mentes dos pré-adolescentes que ficavam até altas horas das madrugadas de sábado para assistir o Cine Privé da Band. Bons tempos aqueles, mas não é exatamente desta Emanuelle que hoje vamos falar, mas sim da misteriosa e sensual Black Emanuelle interpretada pela musa Laura Gemser, que encarnou a personagem pela primeira vez no filme EMANUELLE NERA, de Bitto Albertini.

Com o passar dos anos, vários diretores utilizaram a personagem em seus filmes, e sempre com Gemser interpretando seu papel. Laura Gemser tinha uma beleza exótica magnífica e explodia em sensualidade. Bastava tirar a roupa e dizer as falas que os enquadramentos dos planos e uma ótima fotografia ficavam a cargo de um resultado satisfatório. O nosso famigerado Joe D’Amato que o diga, foi um desses diretores que trabalhou com a personagem em diversos filmes, inclusive tomou Laura Gemser como musa nos mais variados tipos de produção.

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Foi aí que surgiu EMANUELLE IN AMERICAum dos melhores exemplos desta parceria entre D’Amato e Gemser. A história gira em torno de uma repórter que investiga o submundo do sexo entre milionários excêntricos e acaba se metendo no meio do perigoso universo dos snuff movies (filmes que mostram assassinatos reais). A trama se passa com certa lentidão, onde temos muitas cenas de nudez e sexo entre as investigações. Vale lembrar que algumas cenas são de sexo explícito (sem a Gemser, óbvio), detalhe que faz parte de uma das principais características de D’Amato, sempre em busca do choque visual, misturando tais cenas com tramas de suspense ou terror, como em PORNO HOLOCAUST e EROTIC NIGHT OF LIVING DEADS, por exemplo.

99cbf77e73f1e4969c57302aec8ba3f0D’Amato chega a filmar uma mulher excitando um cavalo em uma reuniãozinha dos milionários (da mesma forma que fez em sua versão de CALÍGULA). Embora não mostre o ato sexual da mulher x cavalo, é um dos momentos mais impressionantes do filme. Junto, é claro, com as famosas cenas de snuff movie, que são de um realismo extraordinário e causou muita polêmica na época. Foi quando surgiu a lendária história que D’Amato havia conseguido cenas de Snuff com a máfia russa! Na verdade, foram filmadas pelo próprio D’Amato sob a batuta do trabalho do grande mestre dos efeitos especiais Gianetto de Rossi. Mas só de ter criado esses boatos o filme já merece o status de genial!

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A MORTE SORRIU PARA O ASSASSINO (1973)

RILLER 1973] La Morte Ha Sorriso all'Assassino (Joe D'Amato, Ewa Aulin, Klaus Kinski, Angela Bo, Sergio Doria)_avi_snapshot_00_01_36_[2010_05_15_06_43_07]

Mais um belo exemplar do puro e simples cinema do grande diretor, embora subestimado pela maioria, Joe D’Amato, em um filme de início de carreira (pra quem realizou mais de 190 filmes, o sexto ou sétimo filme ainda é início de carreira, não?). D’Amato, até então, havia realizado apenas westerns, algumas comédias e um filme de guerra, se não estou enganado. Não cheguei nem perto de ver nenhum deles ainda, infelizmente, mas um dia chego lá. A MORTE SORRIU PARA O ASSASSINO é o primeiro filme de terror que D’Amato dirigiu e trata, basicamente, de uma mulher que chega a uma mansão com amnésia após sofrer um acidente com a carruagem que a conduzia. Logo, vários assassinatos misteriosos se iniciam na mansão e seus arredores.

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O roteiro do próprio D’Amato (juntamente com Claudio Bernabei e Romano Scandariato) não se contenta em apenas explorar uma vertente do horror e acaba fazendo uma mistureba muito louca com vários elementos que tangem o sobrenatural e o real, onde temos uma mulher que volta a vida, embora seu organismo esteja fisicamente morto. E temos ainda o espírito dessa mesma mulher vagando e assustando as pessoas, tudo jogado em cena sem qualquer coesão ou preocupação temporal.

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Ainda temos Klaus Kinski de corpo presente interpretando um médico que “descobre demais” e acaba tendo vida curta dentro do filme. Mas sua presença é marcante com aquele rosto expressivo. É um dos meus atores favoritos, principalmente porque, além de ser excelente em tudo que faz, não tinha frescura, trabalhava com diretores do nível de um Herzog, mas não deixava de atuar em bagaceiras de Jess Franco.

Com sua experiência na direção de fotografia (e trabalhar como tal aqui também, mas creditado com seu nome de nascença, Aristides Massaccesi) e ter um estilo próprio já desenvolvido, D’Amato conseguiu construir um de seus filmes mais atmosféricos e bem acabado visualmente mesmo que ainda não recorra de todos os elementos que o tornaria famoso, como as temáticas ousadas e o forte apelo sexual (na verdade, o filme é bem ousada pra época, mas D’Amato faria coisas muito mais subversivas em trabalhos seguintes, e não faltam cenas de nudez por aqui).

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Mas o que não se pode reclamar é da violência. O filme possui várias sequências onde o gore reina supremo e, em algumas delas, D’Amato se aproveita esteticamente para dar um tom mais artístico à sua obra, como no frame acima. Ok, a grande maioria vai achar A MORTE SORRIU PARA O ASSASSINO uma bela merda, mas eu adoro. Foda-se.

CURE (1997)

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CURE é desses filmes que te arrebata instantaneamente. Agora quero ver tudo do japonês Kiyoshi Kurosawa (que não possui ligação alguma com o diretor de Ran, Kagemusha, e diversos outros) cuja carreira já possui considerável número de filmes e só agora parei pra conhecer seu trabalho. Este aqui foi o filme que deu a Kurosawa um certo reconhecimento internacional e sua grandeza reside no estilo rebuscado de contar uma história através de longos planos enquadrados com rigor e simetria, uma linguagem cinematográfica não convencional com o cinema de gênero que faz e, exatamente por isso, tão excepcional.

Trata-se de um terror policial psicológico com cara de filme de Antonioni, ou algo do tipo. A trama é até simples e parte de uma série de assassinatos, cometidos por pessoas diferentes, mas com as mesmas características: as vítimas sempre têm dois cortes que vão do pescoço ao peito em forma de X. O policial designado para o caso suspeita de que exista uma única pessoa por trás desses crimes. Aos poucos, a coisa toda toma forma de um profundo estudo da psicologia humana com a carga emocional que o protagonista vive, mas sem perder a essência do horror nem deixar de lado o realismo insólito na composição de suas imagens.

Dos diretores japoneses atuais, Kurosawa já assume um lugar favorável entre os meus favoritos ao lado de Takashi Miike, Takeshi Kitano e outros (preciso conhecer mais o Sion Sono). E isso é porque só vi apenas um filme do sujeito. Caso seus outros trabalhos mantenham o mesmo nível de qualidade deste aqui, ele corre sério risco de se tornar o meu favorito. E se tivesse assistido CURE antes de fazer aquela lista dos anos noventa que está ali em alguns posts abaixo, podem ter certeza que ele estaria lá.

ROY BEAN – O HOMEM DA LEI (The Life and Time of Judge Roy Bean, 1972)

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Paul Newman, um dos meus atores favoritos, morreu. Em sua homenagem, fui procurar no meu acervo alguns filmes dele que eu ainda não tivesse visto e acabei encontrando ROY BEAN – O HOMEM DA LEI, dirigido pelo mestre John Huston. Como era o único que eu não tinha visto, não precisei nem ter o trabalho de escolher. Mas foi muito recompensador, tanto por conta do próprio Paul Newman, numa belíssima interpretação, digna da galeria de personagens que viveu ao longo de sua carreira, quanto pelo prazer da descoberta de mais uma grande obra de John Huston já ingressando na sua fase final da carreira, que é repleta de alguns de seus melhores filmes, como FAT CITY e O HOMEM QUE QUERIA SER REI.

O roteiro de ROY BEAN – O HOMEM DA LEI foi escrito pelo grande John Milius (genial diretor de CONAN – BÁRBARO) e trata da vida do juiz que dá nome ao título, Roy Bean, vivido por Newman, cujos princípios básicos de sua profissão e filosofia de vida se resumem em sentenciar todo criminoso à forca, sem importar-se com a gravidade do crime. A história se passa na pequena cidade de Vinegaroon, onde acompanhamos o seu crescimento ao longo do tempo sob a influência do excêntrico e casca-grossa Juiz e que serve de metáfora para analisar um período de transformação na formação da civilização americana.

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Elogiar o trabalho de Paul Newman seria o mínimo a se fazer. Seu personagem ganha uma forma física, mental e mística que poucos atores poderiam conceber com tanto carisma, humor e profundidade dramática (Talvez um Mitchum ou Lee Marvin também aguentassem o tranco com tanta formosura).

Vale destacar ainda o elenco composto por figuras ilustríssimas como Anthony Perkins, no papel de um reverendo que surge no início do filme narrando sua passagem direto para a câmera, olhando para o público, algo que acontece várias vezes durante o filme com outros personagens. O próprio diretor John Huston surge em cena como um sujeito excêntrico que deixa um urso de presente ao Juiz. Ainda temos Jacqueline Bisset, Roddy McDowall, Ned Beatty, Richard Farnsworth, Stacy Keach como o fora-da-lei Bad Bob, o Albino, e a bela Ava Gardner, uma das mulheres mais lindas da história, fazendo uma participação como Lillie Langtry, a musa do protagonista.

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ROY BEAN – O HOMEM DA LEI não é um western convencional. Desde o início percebe-se um tom despretensioso na narrativa que logo alcança um ar estilizado já no primeiro tiroteio. Não é também um filme de muita ação, mas quando acontece, Huston parece não se importar muito com verossimilhanças, mas sim em dar a sensação de uma lembrança antiga, como uma história que foi contada de geração em geração até se tornar uma lenda que ultrapassa os limites da realidade. A cena em que o Albino toca o terror na cidade, por exemplo, é uma das minhas favoritas nesse sentido, com o tiro que lhe acerta, disparado pelo Juiz, deixa um buraco de desenhos animados, estilo Looney Tunes. É sensacional!

John Huston foi um dos grandes mestres do cinema americano e cada filme, especialmente nessa fase final da carreira, é uma descoberta deliciosa e que demonstra um diretor lúcido e totalmente maduro. E essa primeira (de duas, a segunda seria com o EMISSÁRIO de MACKINTOCH) parceria com Paul Newman é um dos grandes momentos de sua belíssima filmografia.