TIM LUCAS – 10 FILMES DE HORROR QUE NÃO SÃO FILMES DE HORROR

Tem quatro aí que não vi, mas vale o registro:

5266topJacc1. J’ACCUSE! (1938), de Abel Gance

maxresdefault2. PINOCCHIO (1940)

sunset_blvd-73. CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Boulevard, 1950), de Billy Wilder

miraclefatima-e14991765359114. THE MIRACLE OF OUR LADY OF FATIMA (1952), de John Brahm

032-the-night-of-the-hunter-theredlist5. MENSAGEIRO DO DIABO (The Night of the Hunter, 1955), de Charles Laughton

susanslade26. SUSAN SLADE (1961), de Delmer Daves

large-last-year-at-marienbad-blu-ray1x7. O ANO PASSADO EM MARIEMBAD
(L’Année dernière à Marienbad, 1962), de Alain Resnais

persona28. PERSONA (1966), de Ingmar Bergman

rzfd4izu-720x3409. GIMME SHELTER (1970), de Albert Maysles, Charlotte Zwerin
e David Maysles

blog o quarto verde810. O QUARTO VERDE (La Chambre verte, 1978), de François Truffaut

Tim Lucas é um dos principais críticos de reconhecimento internacional especializado em cinema fantástico. Essa lista foi retirada do livro The Book of Lists – Horror.

OS IRMÃOS CARA DE PAU (The Blue Brothers, 1980)

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Revi OS IRMÃOS CARA DE PAU recentemente e foi como redescobrir um clássico transcendental. Havia milhares de cenas e detalhes que eu tinha simplesmente apagado da mente. Eu já tinha visto o filme dezenas de vezes nos anos 90, mas realmente desde então não tive mais contato algum. Às vezes esqueço de como o tempo tem andado tão rápido e vinte anos atrás foi logo ali…

Mas o grande prazer do cinema, essa arte que eu tanto amo, é a possibilidade de rever um IRMÃOS CARA DE PAU e sentir como se fosse a primeira vez. O filme me fez chorar de rir, vibrar com as cenas de perseguição e relaxar ouvindo as excelentes canções que o filme dispõe. É disparado o melhor musical realizado nos últimos, sei lá, 40 anos… (e sim, é um musical porque os números musicais ajudam a avançar a história). É o filme mais divertido surgido do programa Saturday Night Live (a dupla central interpretada por Dan Arkroyd e John Belushi foi criada como esquete do programa), e um dos melhores filmes perseguição de carros de todos os tempos! É também é um dos melhores filmes que o grande John Landis já dirigiu… Perde somente, talvez, para UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES e INTO THE NIGHT.

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O enredo é simples. Jake Blues (Belushi) sai da prisão e junto com seu irmão, Elwood (Dan Aykroyd), começam a reunir a velha banda de volta para uma causa nobre, conseguir dinheiro suficiente para salvar o antigo orfanato em que passaram suas infâncias. A trama é mais ou menos um fio condutor para um monte de números musicais R&B cheios de energia. Além de tocarem um par de músicas maravilhosas, The Blues Brothers também compartilham o momento com James Brown, Ray Charles, Aretha Franklin, John Lee Hooker e Cab Calloway.

Se OS IRMÃOS CARA DE PAU não passasse de números musicais, já teria sido ótimo, mas Landis demonstra talento na direção, na composição dos quadros, nos momentos mais singelos, como quando Jake chega no apartamento apertado de Elwood pela primeira vez e, em poucos planos, Landis dá uma aula de cinema, edição e composição.

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Também oferece algumas das mais impressionantes acrobacias de carros em alta velocidade já testemunhadas. O Bluesmobile (um velho Dodge, carro da polícia, usado pela dupla) é um dos carros mais icônicos do cinema. Mais de três décadas depois, não houve um carro que pudesse superar essa lata velha.

No coração do filme temos duas ótimas performances de Belushi e Arkroyd. Nunca tiveram uma química tão boa na tela, com um timing cômico impecável. Sejam discutindo seus planos em longos takes dentro do Bluesmobile, seja em cima de um palco cantando e dançando. Seus números musicais são simplesmente incríveis. O elenco ainda tem Charles Napier, Carrie Fisher, John Candy e até uma pontinha do Spielberg (que era muito amigo de Landis, até acontecer o que aconteceu aqui).

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Aykroyd e o diretor John Landis voltariam a se reunir mais vezes, inclusive 18 anos depois de OS IRMÃOS CARA DE PAU para uma continuação, inferior, mas ainda divertida e bem mais exagerada, em OS IRMÃOS CARA DE PAU 2000. Dessa vez, sem John Belushi, que morreu em 1982, aos 33 anos, de overdose. No lugar dele, temos o grande John Goodman.

A MORTE NOS SONHOS (Dreamscape, 1984)

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Não sei porque nunca havia conferido DREAMSCAPE antes. Devo ter tido azar na infância, nunca peguei passando na TV, não lembro de ter visto nas locadoras. E embora soubesse da sua existência quando já não era mais moleque, acabava empurrando pra frente. Pensei até que DREAMSCAPE fosse mais um rip-off de Indiana Jones por algum motivo e isso me desanimava. Não que eu não goste de rip-off de Indiana Jones, mas nunca tava no clima pra encarar este aqui. Na verdade, o verdadeiro motivo que me fazia pensar tal coisa era o cartaz maldito deste filme, que toda vez que via me parecia uma cópia descarada de OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA. Não estou zoando, podem comparar e tirar suas próprias conclusões:

Enfim, DREAMSCAPE foi um dos filmes mais legais que assisti nos últimos dias. E não! Não tem NADA A VER com qualquer aventura de Indiana Jones. Na verdade é uma ficção científica divertidíssima, bem movimentada e aterrorizante que lembra mais um outro filme, atual, de um certo Christopher Nolan… DREAMSCAPE explora algumas noções fascinantes envolvendo a natureza dos sonhos e o desejo de poder controlá-los. Em seguida, dá um passo adiante com a hipótese de ser capaz de entrar nos sonhos de outras pessoas e salvá-los de algum tormento, pesadelo ou até mesmo matar o indivíduo que sonha.

Dennis Quaid interpreta Alex Gardner, um jovem com poderes mentais extraordinários, que é recrutado por Max Von Sydow para se juntar a um projeto experimental secreto que permite que uma pessoa se torne um participante ativo dos sonhos de outrem. Alex é um bocado cético quanto a sua finalidade, mas começa a acreditar na potencialidade do projeto depois de entrar no universo dos sonhos de algumas cobaias. Por exemplo, os pesadelos de um menino onde ele ajuda a combater um sinistro monstro, metade homem, metade cobra, que tormenta as noites do pobre garoto.

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Christopher Plummer, que vive um engravatado do governo, planeja usar tal tecnologia para enviar um assassino (o sempre excelente David Patrick Kelly) para dentro dos sonhos do presidente dos Estados Unidos (Edward Albert). No calor do último ato, Alex entra no sonho do presidente para salvá-lo de Kelly, que domina o universo dos sonhos como ninguém, podendo lutar como Bruce Lee, se transformar no homem-cobra e fazer suas unhas se tornarem grandes e afiadas como facas (como Freddie Krueger, outro personagem de unhas letais que ataca nos sonhos de suas vítimas… Coincidência? Ambos filmes, este aqui e A HORA DO PESADELO, foram lançados no mesmo ano).

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Algumas sequências são impressionantes e não vão sair da memória tão cedo. Especialmente as que acontecem nos sonhos: há uma incrível que se passa no alto de um arranha-céu; o garotinho cortando a cabeça do “homem-cobra”; o sonho “molhado” da secretária do projeto, interpretada pela Senhora Spielberg, Kate Capshaw; e o grande final, com Alex dentro do sonho do presidente, encarando uma horda de zumbis num mundo pós-apocalíptico. Continuar lendo