SHOCKING DARK (1989)

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Textinho que escrevi para o Action News, sobre o sci-fi mequetrefe SHOCKING DARK, de Bruno Mattei, mestre do eurotrash, que copia na cara dura os clássicos de James Cameron, O EXTERMINADOR DO FUTURO e ALIENS.

Conheça mais este petardo lendo o meu texto aqui.

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DVD REVIEW: PARAÍSO (2016); A2 FILMES

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A A2 Filmes acerta mais uma vez com o lançamento, no mês passado, de PARAÍSO, de Andrei Konchalovsky. Para quem não conhece, o sujeito possui uma carreira sólida, especialmente na Europa, mas teve breve passagem em Hollywood nos anos 80. Dentre alguns trabalhos, destaco dois que me marcaram mais. Primeiro, um dos melhores filmes produzidos pela Cannon Films, o maravilhoso EXPRESSO PARA O INFERNO, com Jon Voight e Eric Roberts. O segundo é o filme que reuniu os astros de ação Sylvester Stallone e Kurt Russell, TANGO E CASH. Só por esses filmes na conta, o cara já tem meu respeito.

Mas nem todo diretor europeu consegue se firmar em Hollywood, e Konchalovsky voltou para Rússia nos anos 90, onde continuou realizando filmes, mas sem receber tanto destaque. Até que veio PARAÍSO, no ano passado, e também a consagração inesperada, com o prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza.

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PARAÍSO é uma ambiciosa tentativa de ilustrar as atrocidades do Holocausto. São três histórias de personagens distintos que se cruzam no período da Segunda Guerra. Temos o policial burguês Jules (Christian Duquesne), que atende as ordens da Gestapo numa Paris ocupada; um jovem oficial da SS, Helmut (Christian Clauss), que fiscaliza campos de concentração para descobrir falcatruas e corrupção de oficiais nazistas; e à caráter de ligação entre estas duas partes, temos a nobre russa Olga (Julia Vysotskaya), que é pega enquanto abrigava dois meninos judeus e, mais tarde, enviada para o campo de concentração, onde é reconhecida por Helmut, com quem teve um caso passageiro numas férias na Itália.

Konchalowski dosa bem o tom de tragédia e horror da guerra com uma direção segura e bem elaborada esteticamente, com enquadramentos bem compostos no quadro 4:3, formato pelo qual o filme é capturado. E com um dos melhores usos de preto e branco que vi nos últimos anos no cinema recente. Além de saber manter a distância entre a lente e personagens, criando momentos em que a câmera espreita de longe, nunca deixando o filme cair num dramalhão forçado.

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Se por esses detalhes o filme ganha força – e percebe-se porque deram o prêmio para o diretor – por outro, essa força é frequentemente quebrada com o recurso brechtiniano de colocar os três personagens principais verbalizando seus pensamentos interiores enquanto são entrevistados separadamente em uma sala.

Aos poucos, percebe-se o contexto em que essas entrevistas se dão, um conceito até interessante, mas que Konchalovsky esgota até o ponto de tornar a coisa toda numa distração que quebra um bocado o ritmo, impede de criar um vínculo mais forte com os personagens. Mas não chega a ser um problema grave, até porque os momentos convencionais seguram bem o filme com uma história forte, bem contada e com grandes atuações. Como experiência estética, então, é uma obra-prima.

PARAÍSO é um belo filme, lançado no Brasil, como já disse e reforço, pela A2 Filmes, através do selo Mares. Você encontra disponível em DVD nas locadoras e nas melhores lojas do ramo.

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LANÇAMENTO DE OUTUBRO DA CPC UMES FILMES: O CONTO DO CZAR SALTAN

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Imortalizado na ópera de Rimsky-Korsakov, o célebre poema de Aleksandr Pushkin baseado num conto popular russo recebe a adaptação cinematográfica de um mestre dos efeitos especiais, cujas animações se integram à realidade com rara inteligência e beleza. Em O CONTO DO CZAR SALTAN, a czarina traída por suas irmãs invejosas aporta numa ilha mágica depois de ter sido lançada ao mar com seu filho, o príncipe Gvidon, dentro de um barril selado. Com a ajuda de um cisne encantado que realiza os seus desejos, o príncipe inicia uma fantástica aventura que o levará ao encontro do pai e ao desmascaramento das farsantes.

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Aleksander Lukish Ptushko nasceu em Lugansk, Ucrânia. Iniciou sua carreira no cinema construindo bonecos para curtas metragens de animação, e tornou-se diretor de longas do gênero fantasia que combinam atores com animação stop-motion no mesmo quadro, efeitos especiais e mitologia russa. Seu sucesso atravessou fronteiras. Ganhou prêmio especial no Festival de Cannes (1946) e o Leão de Prata no Festival de Veneza (1960). SADKO foi lançado nos EUA em 1962 dublado para o inglês, com o título AS AVENTURAS DE SINDBAD e a assinatura de Francis Ford Coppola como “adaptador do script”. Entre os filmes que dirigiu estão incluídos O NOVO GULLIVER (1935), A CHAVE DE OURO (1939), FLOR DE PEDRA (1946), SADKO (1952), SAMPO (1959), VELAS ESCARLATES (1961), O CONTO DO CZAR SALTAN (1966), RUSLAN E LUDMILA (1972).

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O CONTO DO CZAR SALTAN é o lançamento de outubro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu!

 

IT (2017); continuando…

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Então, só para deixar claro, eu dizia que o Pennywise de Skarsgård me causa mais impressão, é mais perturbador que o do Curry, bem mais eficaz como agente causador de horror. Mas numa reflexão estrutural, IT segue mais uma linha da “aventura de horror” típica dos anos 80, com personagens infantis, como alguns que já citei no post anterior. Claro, é um filme que tem bons momentos atmosféricos, de tensão e uns sustos bem colocados, elaborados, e nada sutis, para gerar alguns gritos – a sequencia do projetor é excepcional -, no entanto, me parece que há mais a ideia de medo na sensação de que todas as crianças do filme estão lidando com abusos em algum nível do que quando encaram o Palhaço Pennywise, que acaba sendo uma representação do medo coletivo dessas personagens; A mãe superprotetora de Eddie, o racismo pra cima de Mike, que é negro, o bullying agressivo e violento que todos sofrem do maldoso Henry (muito melhor desenvolvido aqui) e principalmente o abuso literal de Berverly nas mãos de seu pai.

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Cada uma das crianças possui sua própria personalidade muito bem definida. Têm também suas próprias perseguições personalizadas por Pennywise. Por exemplo, Mike tem visões de seus pais morrendo queimados num incêndio, enquanto a pia do banheiro de Berverly soltar jatos de sangue parece especificamente relacionado à compra de sua primeira caixa de absorventes. Muschietti demonstra muito carinho pelo grupo, e isso faz com que nos preocupemos com o destino de cada um, algo raro hoje em dia. E é divertido vê-los contracenando, o elenco possui uma química muito forte, os diálogos são inteligentes e convincente, atados com algumas tiradas engraçadíssimas, especialmente dos personagens vividos por Finn Wolfhard e Jack Dylan Grazer.

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Muito tem se comparado IT com a série STRANGER THINGS. Não vejo muita relação, a não ser o fato da história se passar nos anos 80 e por roubar um dos atores da série (Wolfhard). Claro, Muschietti aproveita muito da iconografia de aventura dos anos 80 na tela: o cenário da cidade pequena com seu passado sombrio; crianças de bicicletas; cartazes de filmes clássicos do período, como GREMLINS e BEETLEJUICE; um cinema que está passando A HORA DO PESADELO 5: O MAIOR HORROR DE FREDDY e BATMAN… Está tudo aqui, mas diferente de STRANGER THINGS esses elementos nunca se sobrepõem em causa de uma nostalgia barata. Mas é certamente um filme apaixonado por suas inspirações e pelo período fantástico que foi a década de 80…

Para o cenário atual, IT pode até estar causando gargalhadas da moçada dentro dos multiplexes, mas acho um filme com um conceito bem estabelecido por Muschietti, bem construído dentro de seus propósitos, e os fãs de horror quem possum certa bagagem e tem consciência do que faz um bom filme de horror, vão perceber isso, vão ter em IT uma experiência fascinante e com sabor especial.