SETE HOMENS E UM DESTINO (The Magnificent Seven, 1960)

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Não vi ainda, mas estreou a refilmagem de SETE HOMENS E UM DESTINO, de John Sturges, clássico absoluto do western americano, que afinal era também uma refilmagem de OS SETE SAMURAIS. Então tá tudo bem, não sou desses xiitas que já se opõe em tudo quanto é remake e décima sétima continuação. Se o filme for bom, vale tudo… E até o Akira Kurosawa se inspirou nos faroestes americanos de John Ford, Budd Boetticher, Delmer Daves, Howard Hawks e outros ao realizar o seu clássico samurai. Tudo gira em círculo. Por isso vou repostar este texto do blog antigo.

Assisti pela primeira vez a SETE HOMENS quando ainda era moleque e não achava grandes coisas. Revi há alguns anos e acabou se mostrando bem mais interessante por conta da maneira como o filme desmistifica um pouco a áurea dos heróis justiceiros do faroeste americano com reflexões sobre a solidão e o modo de vida desses indivíduos. Algo que eu não havia pescado na infância, interessado apenas em ver pessoas atirando uma nas outras…

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Outros westerns já haviam trabalhado esse assunto, portanto, nada de muita originalidade por aqui. Mas o fato é que SETE HOMENS E UM DESTINO deixa de ser apenas um bang-bang de aventura para ser, também, um excelente estudo de personagens. E estes são interpretados por um elenco dos mais notáveis, o que contribui muito para que o espectador não desgrude o olho da tela. SETE HOMENS E UM DESTINO ajudou a alavancar as carreiras de Steve McQueen, Charles Bronson, James Coburn e Robert Vaughn. Conta também com atores experientes, do calibre de Yul Brynner e Eli Wallach, o primeiro, já naquela altura, possuía status de celebridade.

Com toda essa turma reunida, são curiosas algumas, digamos, fofocas de bastidores. McQueen, por exemplo, ávido por mais presença, queria se tornar um astro o mais rápido possível e tentava roubar as cenas de Brynner fazendo coisas que chamassem a atenção para si quando contracenava com o careca. Já Brynner estava preocupado em aparecer bem mais alto que McQueen nos enquadramentos (os dois tinham praticamente a mesma altura). O sujeito chegou a fazer um montinho de terra para ficar em cima, mas McQueen chutava “sem querer querendo” toda vez que passava por ele…

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Confrontos de egos à parte, todos estão ótimos e cada um conseguiu transmitir com personalidade as características definidas particularmente para seus personagens. Coburn caladão, sempre na dele, Vaughn medroso traumático, Bronson durão de coração mole, e por aí vai… É bacana também as habilidades específicas de alguns deles, especialmente Bronson, que é um exímio atirador com o rifle, e Coburn, um perito em facas. A divisão na hora de editar as sequências de ação também concede a cada um algumas boas cenas. Nisso John Sturges era muito bom, algo que se comprovou em outros filmes, sobretudo em FUGINDO DO INFERNO (63), clássico que também tinha o trio Bronson, McQueen e Coburn no elenco. Além de uma porrada de outros atores.

Sturges é o que podemos chamar de bom artesão. Não se pode esperar a elegância e maestria de um John Ford ou Don Siegel, mas fazia o que tinha que fazer com muita eficiência. Nesse sentido, as sequências de ação acabam em segundo plano em SETE HOMENS. São filmadas de maneira correta, mas com poucos momentos de maior destaque. Uma das cenas que eu chamaria atenção é quando Robert Vaugh finalmente perde o medo e resolve entrar na ação invadindo uma casa cheia de bandidos.

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Mas perguntem a algum fã do filme se ele sente falta de tiroteios mais elaborados. A construção dos personagens, a maneira como interagem, como são desmitificados, até a trilha sonora de Elmer Bernstein, são elementos suficientes para transformar SETE HOMENS E UM DESTINO no autêntico clássico que é. E a história é fascinante. Com uma duração bem menor que a de OS SETE SAMURAIS, há quem diga que os realizadores pegaram somente as “partes boas” do filme do Kurosawa e transformaram nesta belezinha. Recomendo uma espiada em ambos para as devidas comparações e tirarem suas próprias conclusões. E agora,  uma conferida nessa refilmagem do Antoine Fuqua, que provavelmente não deve chegar aos pés do clássico, mas se conseguir ser divertido, já tá bom demais.

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DIAVOLO IN CORPO (1986)

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Já tinha assistido a DIAVOLO IN CORPO, de Marco Bellocchio, há uns dez anos por recomendação de um amigo e lembro de ter ficado extasiado. Soube nesta semana que vão passar alguns trabalhos do italiano na Mostra de Cinema de São Paulo e resolvi assistir de novo. Não conheço tanto assim o cinema de Bellochio, mas é famosa sua veia política, um notório defensor da esquerda cujos filmes carregam temas socialistas de forma bastante radical, como no seu clássico mais famosinho DE PUNHOS CERRADOS (1965).

Mas aqui a ideologia política de Bellocchio fica em segundo plano numa trama que transcorre no período conhecido como “Anos de Chumbo” na Itália, marcado por uma onda de terrorismo de cunho político, mas que dá lugar, no entanto, a um relato romântico transgressivo nutrido de muita sexualidade. O que, convenhamos, é bem mais interessante do que sistemas econômicos e partidos… Especialmente quando temos cenas explícitas…

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A lindeza Maruschka Detmers e o jovem Federico Pitzalis são os pombinhos perigosamente apaixonados de DIAVOLO IN CORPO. Ele é um estudante de dezoito anos, “filhinho de papai”, entediado. É durante uma aula na escola que, pela janela, o rapaz e seus colegas assistem uma mulher aparentemente com o “Diabo no corpo” ameaçando se jogar de um telhado sob o olhar de vários curiosos na vizinhança e percebe uma dessas espectadoras, Giulia (Detmers), na qual Andrea se apaixona imediatamente e passa a persegui-la. Eventualmente os dois acabam se conhecendo, desenvolvem uma relação que rapidamente se transforma num tórrido romance.

A paixão é vigorosa, mas logo descobrem que não basta só isso para manter um relacionamento saudável, especialmente quando uma das partes é noiva de um terrorista preso, em processo de julgamento, e que existe a possibilidade de ser solto a qualquer momento. Como se isso não bastasse, Andrea aos poucos vai descobrindo que Giulia é uma mulher totalmente instável, com uma certa tendência para violência. Entre risos histéricos e súbitas explosões de destempero, nunca sabemos exatamente o verdadeiro sentimento de Giulia em relação a Andrea. A única certeza é que parece bem improvável que o romance termine bem…

Mas o sexo entre os dois é visceral e intenso na maior parte do tempo. DIAVOLO IN CORPO inclusive ganhou certa fama por conta de uma cena em que Maruschka, que não tem problema algum em ficar sem roupa, resolve cair de boca na manjuba de Pitzalis em frente à câmera, sem qualquer remorso… A cena é bem curta, não tem sequer apelo sexual, mas não deixa de ser um boquete, o que é suficiente pra causar repulsa nos moralistas de plantão. Até mesmo os produtores italianos queriam que a cena fosse cortada, mas ainda bem que prevaleceu a vontade de Bellocchio e da senhorita Maruschka, que a princípio defendeu a ideia, mamou com vontade e se tornou uma das primeiras protagonistas a praticar sexo não simulado num filme mainstream. Mas depois de alguns anos reclamou que isso atrapalhou sua carreira e tal…

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O que não deixa de ser verdade, infelizmente… O rapazinho até que é bom ator, mas a grande força de DIAVOLO IN CORPO só poderia ser mesmo a performance de Maruschka, que rouba o show com sua beleza estonteante, desinibida e uma capacidade muito poderosa de encarnar essa figura tão descontrolada e fascinante. O lance dela com essa paixão que surge subitamente é algo tão absurdo e ambíguo, que ao mesmo tempo que parece ser sua salvação, acaba sendo também sua ruína. E quanto mais tempo seu relacionamento com Andrea continua, mais parece ser empurrada para loucura total.

Belo filme esse do Bellocchio. Preciso ver mais coisas dele. Mas este aqui é forte, desconcertante e valeu a pena rever.

Uma curiosidade sobre a Maruschka é que de musa desse brilhante filme do Bellochio ela chegou a contracenar com o bom e velho Dolph Lundgren nos anos 90 no filme de ação THE SHOOTER, do Ted Kotcheff, que eu acho um filmão… Obviamente para a grande maioria isso é sinal de decadência. Pra mim não… Recomendo ambos, dependendo das suas intenções. Mas já adianto que pelo menos em DIAVOLO IN CORPO ela aparece beeeem mais à vontade e com menos roupa.

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VENCEDORES DO 7° CINEFANTASY

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Para escolher os melhores do 7º Cinefantasy, contamos com o próprio público que votou em cada sessão e o júri técnico composto por:

Longas – Antonio Carlos Sartini, Marcelo Carrard e Ronald Perrone
Curtas – Leandro Caraça, Marcelo Milici e Vébis Jr.

LONGAS METRAGENS

MELHOR LONGA POR JURI POPULAR
FANTASTICHERIE DI UN PASSEGGIATORE SOLITARIO
Direção: Paolo Gaudio | Itália

MELHOR LONGA
CLARISSE OU ALGUMA COISA SOBRE NÓS DOIS
Direção: Petrus Cariry | Brasil

MELHOR  DIREÇÃO (LONGA)
CLARISSE OU ALGUMA COISA SOBRE NÓS DOIS
Direção: Petrus Cariry | Brasil

MELHOR FOTOGRAFIA (LONGA)
CLARISSE OU ALGUMA COISA SOBRE NÓS DOIS
Direção e Fotografia: Petrus Cariry | Brasil

MELHOR ROTEIRO (LONGA)
O DIABO MORA AQUI
Direção: Dante Vescio e Rodrigo Gasparini| Brasil
Roteiro: Rafael Baliu

MELHOR TRILHA SONORA (LONGA)
BATTLEDREAM CHRONICLE
Direção: Alain Bidard | Martinica
Trilha Sonora: Alain Bidard

MELHOR MAQUIAGEM (LONGA)
BUNNY THE KILLER THING
Direção: Joonas Makkonen | Finlândia
Maquiagem: Ari Savonen, Hanna Puolakka, Esteri Orjasniemi, Pirita Norvanto, Mirka Aaltonen

MELHOR VFX (LONGA)
BUNNY THE KILLER THING
Direção: Joonas Makkonen | Finlândia
VFX: Tero Malinen, Janne Andberg

MELHOR CRIATURA (LONGA)
BUNNY THE KILLER THING
Direção: Joonas Makkonen | Finlândia
Bunny, The killer thing – Matti Kiviniemi

MELHOR VÍTIMA (LONGA)
A PERCEPÇÃO DO MEDO
Direção: Armando Fonseca/Kapel Furman | Brasil
Vizinha – Greta Antoine

MELHOR VILÃO (LONGA)
O DIABO MORA AQUI
Direção: Dante Vescio e Rodrigo Gasparini| Brasil
O Barão do mel – Ivo Müller

MENÇÃO HONROSA (LONGA)
ATRAVÉS DA SOMBRA
Direção: Walter Lima Jr. | Brasil

CURTAS METRAGENS

MELHOR CURTA POR JURI POPULAR
QUENOTTES
Direção: Pascal Thiebaux | Luxemburgo

MELHOR CURTA HORROR
EMBARAÇO
Direção: Fernando Rick | Brasil

MELHOR CURTA FICÇÃO CIENTIFICA
reStart
Direção: Olga Osorio |Espanha

MELHOR CURTA FANTASIA
MISS & GRUBS
Direção: Jonas de Faria Brandão e Camila Kamimura | Brasil

MELHOR CURTA ANIMAÇÃO
FANTOCHE
Direção: Jonathan Rochier| França

MELHOR DIREÇÃO (CURTA)
PUZZLE
Direção: Remy Rondeau | França

MELHOR ROTEIRO (CURTA)
BORIS IN THE FOREST
Direção: Robert Hackett |Alemanha
Roteiro: Mike Goldfarb

MELHOR TRILHA SONORA (CURTA)
DISCO INFERNO
Direção: Alice Waddington |Espanha
Trilha Sonora: Aaron Rux

MELHOR MAQUIAGEM (CURTA)
INTO THE MUD
Direção: Pablo Pastor | Espanha
Maquiagem: Víctor Javier Bernardos, Melissa Rodero

MELHOR EFEITOS (CURTA)
ADAM PEIPER
Direção: Mónica Mateo | Espanha
VFX: Hugo Basism e Paul Morron

MELHOR CRIATURA (CURTA)
MISS & GRUBS
Direção: Jonas de Faria Brandão e Camila Kamimura | Brasil
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MELHOR VÍTIMA (CURTA)
DIRECTOR’S CUT
Direção: Pol Diggler | Espanha
Protagonista – Claudia Trujillo

MELHOR VILÃO (CURTA)
LILY
Direção: Sylvain Pelissier | França
Myriam – Catherine Lecoq

PRÊMIO ESTÍMULO AMADOR
ALIENS: LV-426
Direção: Márcio Napoli | Brasil

PRÊMIO ESTÍMULO ESTUDANTE
BLAXPLOITATION: A RAINHA NEGRA
Direção: Edem Ortegal | Brasil

MENÇÃO HONROSA HORROR
THE FLESH OF MY LOVERS
Direção: Joshua Giuliano | EUA

MENÇÃO HONROSA CRIATURA
NHAM-NHAM, A CRIATURA
Direção: Lucas de Barros | Brasil

MENÇÃO HONROSA ESTUDANTE
SUTURA
Direção: Larissa Melo | Brasil

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FREE FIRE – trailer

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PHANTASM RAVAGER – Poster

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CINEFANTASY 2016: LONGA-METRAGEM

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Fui jurado na última edição do Cinefantasy, lá em 2011, para a categoria de curta-metragem. Este ano o festival retorna depois deste hiato de cinco anos e, quis o destino, fui convidado novamente para compor um júri, desta vez de longas. Portanto, vou ter a missão de assistir a todos os títulos selecionados pelo festival, algo que terei o maior prazer em fazer. Serão nove filmes e espero me divertir e descobrir algumas preciosidades recentes do cinema fantástico no Brasil e em outras partes do mundo. No site do festival dá pra ver a programação completa, mas vou listar o que andarei conferindo por lá:

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A PERCEPÇÃO DO MEDO
de Armando Fonseca e Kapel Furman
BRASIL | 81 MIN | 2016 | HORROR

Marcus não tem a vida que imaginou, a pressão da cidade grande expõem seus terrores internos e medos. Sua crise existencial o leva a uma metástase da realidade. Acompanhe a criação de um psicopata.

ATRAVÉS DA SOMBRA
de Walter Lima Jr.
BRASIL | 105 MIN | 2015 | HORROR

Laura é contratada como professora de duas crianças órfãs que vivem na fazenda de café de um tio. Aos poucos, ela sente que as crianças estão sob a influência maligna de espíritos hostis que ali viveram, e se empenha em descobrir o que está por trás de todo esse mistério, sem perceber que ela mesma poderá estar envolvida numa trama diabólica.

BATTLEDREAM CHRONICLES
Alain Bidard
MARTINICA | 108 MIN | 2015 | FICÇÃO CIENTÍFICA

Battledream Chronicle conta a história de uma jovem escrava chamada Syanna que tenta conquistar sua liberdade em um mundo futurístico há escravidão em todo o mundo e as plantações são vídeo games.

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BUNNY THE KILLER THING
Joonas Makkonen
FINLÂNDIA | 88 MIN | 2015 | HORROR

Um grupo de jovens fica preso em uma cabine onde são atacados por uma criatura meio homem, meio coelho.

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CLARISSE – OU ALGUMA COISA SOBRE NÓS DOIS
Petrus Cariry
BRASIL | 84 MIN | 2015 | HORROR

Clarisse (Sabrina Greve) mora em Fortaleza, longe do pai, mas decide ir até sua casa para visitá-lo. Na casa do pai moribundo, ela descobre segredos da sua infância que envolve um irmão que morreu. Em um clima tenso e claustrofóbico, ela mergulha em um turbilhão emocional.

FANTASTICHERIE DI UN PASSEGGIATORE SOLITARIO
Paolo Gaudio
ITÁLIA | 84 MIN | 2014 | FANTASIA

Três personagens em diferentes idades são unidos pelo sonho da liberdade e uma pequena obra-prima da literatura. Uma jornada através de misterios, anseios, sofrimentos e devaneios de um poeta, um estudante e uma criança perdida na floresta.

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Krystle Houiess and Sharif Abdunnur
LÍBANO | 96 MIN | 2015 | HORROR

Baseado em historias reais do Oriente Médio, o filme trata de dois diretores que voltam dos Estados Unidos para gravar um documentário sobre atividades paranormais no Líbano. A medida que os avistamentos se tornam mais fortes, o mistério se torna um pesadelo infernal.

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O DIABO MORA AQUI
Rodrigo Gasparini e Dante Vescio
BRASIL | 76 MIN | 2015 | HORROR

Quatro jovens decidem passar uma noite em um casarão colonial e acabam envolvidos em uma luta entre forças ancestrais. Eles terão que lutar por suas vidas em uma guerra em que não importa quem vença, eles perdem.

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PRISONER X
Gaurav Seth
CANADÁ | 88 MIN | 2015 | FICÇÃO CIENTÍFICA

Com o mundo em guerra e conflito civil, a agente da CIA Carmen Reese chega em uma prisão secreta subterrânea para interrogar o que seria um terrorista viajante do tempo responsável por uma catástrofe desvelada. Serie ele quem ele diz ser?

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ESPECIAL DON SIEGEL #28: O TELEFONE (Telefon, 1977)

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A essa altura do campeonato, Don Siegel já tinha dirigido John Wayne, Steve McQueen, Lee Marvin, Eli Wallach, Richard Widmark, entre outros grandes… Mas o encontro do diretor com um dos maiores astros do cinema badass setentista deveria ter causado uma explosão atômica em termos cinematográficos! Infelizmente não chegou nem perto de ser isso tudo. O que não significa que O TELEFONE, estrelado por Charles Bronson, seja ruim. Um trabalho menor, com certeza, longe dos holofotes de ambos indivíduos, mas que ainda possui imenso interesse como thriller de ação e espionagem. Convenhamos, um filme de ação menor dirigido pelo Siegel e estrelado pelo Bronson em plenos anos 70 ainda é melhor do que 90% do que é feito no gênero nos padrões atuais…

E olha que a ação aqui é mínima, simples e seca, mas se você aceitar a lógica do filme, é bem capaz de entrar num estado de tensão que mantém a diversão do início ao fim. Trata-se de um dos filmes de espionagem com a Guerra Fria de pano de fundo dos mais bizarros que eu já vi. A começar pelo Bronson interpretando um agente secreto soviético… Sim, um filme americano sobre espiões na guerra fria no qual um agente soviético, encarnado pelo Charles Bronson, é o herói…

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Na verdade, herói não seria o termo certo. O filme nunca define para quem devemos torcer, parece que todo mundo tá fazendo merda ou consertando merda de alguém. Mas a trama é um puta achado! A missão de Bronson ir até os Estados Unidos e matar Nicolai Dalchimsky (Donald Pleasence), um ex-KGB que roubou uma lista de nomes de agentes secretos russos infiltrados em várias cidades na terra do Tio Sam. O problema é que, e aí é que entra a graça do filme, esses tais agentes russos, na verdade, sofreram lavagem cerebral e não fazem a menor ideia de que são espiões. Inclusive pensam que são autênticos americanos. Mas basta dar-lhes um comando de voz, um código, para ativar o cérebro desses indivíduos e fazer com que cumpram a missão que lhes foram incumbidos, que basicamente se resume a ataques suicidas e explosivos em pontos militares estratégicos.

Outra questão é que este programa soviético de ataque, intitulado “Telefon”, foi desligado há quinze anos e os próprios alvos que deveriam ser destruídos já não possuem mais tanto valor… No entanto, Nicolai tem a lista de nomes de todos esses agentes, os números de seus telefones e, principalmente, o código de ativação da mente – um poema de Robert Frost – que faz os malucos explodirem coisas. E os russos já não têm intenção de iniciar uma terceira guerra mundial a essa altura, portanto, Bronson entra em cena pra tentar impedir que isso aconteça…

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A missão de Bronson é, naturalmente, Top Secret, uma vez que toda a ideia gira em torno de liquidar Nicolai antes dos americanos descobrirem o que está acontecendo, quem está praticando esses atentados – seria muito embaraçoso para os soviéticos ter que admitir que um programa como “Telefon” sequer existe. A coisa só piora para a KGB, uma vez que os caras nunca se preocuparam em informar o premier soviético de sua existência. E não informaram pelo motivo mais besta possível… Porque esqueceram.

Chegando aos Estados Unidos, Bronson conta com a ajuda da espiã Barbara, encarnada por Lee Remick, a qual o sujeito não pode revelar muitas informações sobre sua missão, e conta apenas o mínimo que ela precisa saber para ajudá-lo. O que ele não sabe é que Barbara também esconde alguns segredos, como pro exemplo, matar o pobre Bronson assim que ele cumprir sua missão…

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O fato de interpretar um espião soviético não parece fazer muita diferença a Bronson, que não faz mais que sua  figura habitual , caladão, carrancudo, mas ao mesmo tempo simpático e muito à vontade. É o tipo de coisa que admiro no sujeito e ele fez tão bem, desempenhando um personagem frio e inexpressivo, mas com uns momentos de ruptura inesperada, com algumas piscadelas, um sorriso de “eu sou foda” e um brilho nos olhos.

Lee Remick também faz sua graça, com uma atuação mais alto astral, como se estivesse numa comédia romântica… O que funciona muito bem como um contraste do protagonista, embora também passe por uma fria assassina quando necessário. Já Donald Pleasence não tem muito tempo pra desenvolver um vilão interessante, apesar de sua presença em cena ser sempre marcante, mesmo usando uma peruca à Elton John de vez em quando… Culpa do roteiro (que tem Peter Hyams como um dos responsáveis), que fica mais preocupado em avançar com a história do que dar atenção ao vilão, mas acaba funcionando nas mãos de Siegel, que consegue dar ritmo a O TELEFONE com habilidade de um mestre, sem muita enrolação, mantendo o filme, de um modo geral, divertido.

O TELEFONE pode não ser lá um filme perfeito e não é todo mundo que consegue entrar no clima, mas tem essa trama maluca, boas atuações e o Charles Bronson interpretando um russo, ou seja, curioso o suficiente para entrar nas listas tanto dos fãs do Siegel quanto do Bronson.

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7º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico está de volta

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O Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico –, retorna em setembro, depois de cinco anos de sua última edição. O evento acontece de 6 a 11 de setembro no Museu da Imagem e do Som, o MIS, espaço que vem ganhando a atenção do público jovem e fãs da cultura geek.

A programação contará com uma mostra competitiva para curtas e longas-metragens, exibições temáticas para fãs de Harry Potter e Pokémons, palestras sobre literatura e cinema e atividades, tudo relacionado ao universo da fantasia, horror e ficção científica.

Espinha dorsal do Cinefantasy, a mostra competitiva explora o cinema fantástico mundial, trazendo filmes de diversos países e diferentes culturas. Dentre os 900 inscritos foram selecionados 98 títulos, sendo 9 longas e 89 curtas-metragens de países como EUA, Canadá, Espanha e França e países não tão comuns ao cinema fantástico como Martinica, Finlândia, Líbano e Grécia.

A grande diferença de participação entre a última edição e a de 2016 ficou com o Brasil. A quantidade e qualidade dos títulos nacionais, principalmente em relação aos longas-metragens, está evidente. Este ano serão exibidos 32 curtas brasileiros e 4 longas que irão concorrer ao troféu “Corpo-Seco Dourado” entregue pelo festival.

O aumento da presença das mulheres como realizadoras também chama a atenção na programação do 7º Cinefantasy. São 14 filmes da mostra competitiva em que as mulheres estão na direção ou co-direção, onde nas edições anteriores era rara a presença feminina nesses papeis.

A força das mulheres não está apenas atrás das câmeras, mas nas personagens de muitos dos filmes do 7º Cinefantasy. É o caso do brasileiro, BLAXPLOITATION: A RAINHA NEGRA
De Edem Ortegal: A Rainha Negra que traz personagens mulheres, negras e guerreiras que vão atrás de seu destino.

Destaques Internacionais

Entre os destaques internacionais da Mostra Competitiva está o longa finlandês “BUNNY THE KILLER THING” de Joonas Makkonen, inédito no Brasil e premiado no festival Rojo Sangre de Buenos Aires. Nele, um grupo de jovens fica preso em uma cabine onde são atacados por uma criatura meio homem, meio coelho. Sua história de horror brinca com o clássico estilo “jovens, cabana e assassino”, porém com desfecho inusitado.

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Bunny the Killer Thing

Já da Itália vem o “FANTASTICHERIE DI UN PASSEGGIATORE SOLITARIO”, primeiro filme do diretor Paolo Gaudio, que fará sua estreia no Brasil no Cinefantasy. Na bagagem, o longa traz prêmios de melhor filme nos EUA, França e o Prêmio Mario Bava de Melhor Obra Prima do Fantasfestival de Roma. Este filme de fantasia mistura animação stop motion e live action, sob o ar lúdico da história de três personagens em épocas diferentes, que buscam o sonho da liberdade tendo um misterioso livro conectando seus mundos.

Não é só de belas praias paradisíacas que a Martinica, nas ilhas caribenhas, pode ser lembrada. O longa animado de ficção científica, “BATTLEDREAM CHRONICLE” de
Alain Bidard será o representante do país na mostra competitiva do festival trazendo a história de uma jovem escrava que busca a liberdade em um mundo futurístico reduzido a escravidão e vídeo games.

Outro destaque do Festival é o longa “MASKOUN”, filme libanês de horror baseado em fatos reais de atividades paranormais do Oriente Médio. Realizado pelos diretores Krystie Houiess e Shariff Abdunnur, o filme busca trabalhar com as técnicas clássicas do cinema evitando os efeitos de computação gráfica.

O Cinema Espanhol Fantástico

Já não é de hoje que a Espanha se destaca como o país da nova era do cinema de horror e dessa forma não é novidade que o país foi o que teve maior número de inscritos no 7º Cinefantasy, principalmente nos gêneros de horror e ficção científica.
Foram 166 inscritos e 28 foram selecionados para a mostra competitiva sendo que os filmes mais assustadores formam uma sessão exclusiva chamada “España Macabra”, são 8 curtas que traz o que há de melhor no cenário atual de horror espanhol.

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Mr. Dentonn, de Ivan Villamel Sanchez, é um dos destaques da sessão “España Macabra

Premiação

Com o total de 28 categorias na premiação, o Cinefantasy contempla os melhores curtas e longas de fantasia, horror e ficção científica, além categorias técnicas como melhor diretor, roteiro e trilha, categorias divertidas como melhor vilão, criatura e vítima e categorias exclusivas de estimulo aos brasileiros com o prêmio estímulo amador e estudante.

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Into the Mud, curta metragem espanhol de Pablo Pastor

ENCONTROS E BATE-PAPOS

Festival de Cinema com Alma Geek

Nas atividades paralelas, o 7º Cinefantasy fará, no dia 06 de setembro, uma tarde especial para os fãs do Harry Potter com exibição de três filmes do bruxinho escolhidos pelo público na fanpage do Cinefantasy, além de um concurso de Cosplay com premiação especial durante o evento.
Já no domingo do dia 11 de setembro, os fãs antigos e novos da série japonesa, Pokémon, também terão espaço para se divertir no evento com um passeio ciclístico com paradas para caçada de Pokémons, com chegada no MIS para assistir o filme Pokémon de 1998.

A força da nova literatura fantástica brasileira

O Cinefantasy não abordará apenas o fantástico no cinema, mas também em outras formas que esse gênero se difunde como na literatura. No sábado, dia 10, haverá a palestra com Raphael Draccon, um dos escritores que mais vendem no Brasil, criador das trilogias Dragões de Éter e Legado Ranger, além de roteirista da nova série da TV Globo Supermax que estreará em setembro. Draccon falará sobre a criação de mundos

Fantásticos e sua carreira, um assunto não apenas aos fãs aficionados, mas também para quem quer seguir os passos do escritor na literatura.
Após a palestra ele e sua esposa, Carolina Munhóz, também escritora de best-sellers como “O Inverno das Fadas” e “Por um Toque de Sorte”, farão uma sessão de autógrafos.

Historietas brasileiras

O Festival de Cinema Fantástico terá também uma sessão especial dedicada ao proeminente diretor brasileiro Victor-Hugo Borges, criador da série Historietas

Assombradas (Para Crianças Malcriadas) exibida no Cartoon Network. A sessão terá exibição de dois curtas-metragens do diretor, “O Menino que Plantava Invernos” e “Historietas Assombradas (Para Crianças Malcriadas)”, que deu origem à série televisiva.
Após a exibição, o diretor estará presente para falar de sua carreira, a produção de gênero no país e o longa da série que está sendo finalizado.

Lovecraft e Pipoca

Influente em uma extensa produção cinematográfica voltada ao horror, as narrativas fantásticas de H.P. Lovecraft tornaram-se parte do imaginário cult por meio de inúmeras referências no cinema e séries televisivas. Com base nessa premissa, o 7º Cinefantasy realizará a palestra com a pesquisadora Irana Gaia, que irá abordar como a obra lovecraftiana aparece representada nas telas.

SERVIÇO
7o Cinefantasy – Festival de Cinema Fantástic
Quando: 06 a 11 de setembro
Local de Exibição: Museus da Imagem e do Som (MIS-SP) – Avenida Europa, 158, Jardim Europa
Quanto: R$ 6,00 (inteira) / R$ 3,00 (meia)
Palestras gratuitas

Site oficial: www.cinefantasy.com.br

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THE NEON DEMON – Artwork

Assisti ontem. Vou ver se escrevo alguma coisa, mas adianto que o Refn mandou bem de novo. Arrojado visualmente e cheio de referências “gialescas” e “Kubrickianas“, THE NEON DEMON Tá aprovado! Por enquanto, fiquem com essas peças alternativas e coloridas de artes (não) promocionais:

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I DON’T GIVE A FUCK ABOUT YOUR WAR… OR YOUR PRESIDENT

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