ESPECIAL DON SIEGEL #27: O ÚLTIMO PISTOLEIRO (The Shootist, 1976)

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Tinha convidado alguém pra escrever sobre O ÚLTIMO PISTOLEIRO, mas isso já faz mais de um ano, acabou que a pessoa não me enviou nada e eu também não lembro quem era, então tanto faz. O importante é dar prosseguimento à peregrinação do cinema de Don Siegel, que chega neste western que carrega, digamos, uma certa importância peculiar. O fato é que três anos depois de protagonizar O ÚLTIMO PISTOLEIRO, o maior ícone do western americano, John Wayne, bateu as botas por conta de um câncer fodido no pulmão e estômago. Este filme aqui, portanto, acabou por ser sua derradeira performance. E não poderia ser mais melancólico que o último filme do “Duke” fosse sobre um velho pistoleiro em fim de carreira chamado J. B. Booker, que descobre que tem um câncer terminal.

Booker só quer viver seus últimos dias da melhor maneira possível. Para confirmar a suspeita sobre sua saúde, visita um velho amigo médico, Dr. Hosteler, interpretado por por outro gigante, James Stewart, e obtém o diagnóstico que confirma seu câncer incurável. Em seguida, aluga um quarto em uma pensão administrada por uma viúva (Lauren Bacall) e seu filho adolescente (vivido por um jovem Ron Howard). Uma vez que Booker é reconhecido pela sua fama, as notícias se espalham pela pequena cidade de Carson City, incluindo sobre a doença, e percebe que não vai conseguir viver o pouco tempo que  lhe resta tão pacificamente como gostaria. Há tanto pessoas que tentam tirar proveito da presença do sujeito, como o agente funerário (John Carradine) que pretende embalsamar seu corpo, ou o jornalista que quer publicar um livro sobre suas façanhas, quanto, obviamente, outros pistoleiros desfrutando da situação para ganhar fama num possível duelo com Booker. Como o sujeito não quer “partir dessa para uma melhor” em agonia, deitado numa cama, a ideia de morrer trocando tiros com quem quer que seja até que não é tão ruim…

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John Wayne, como não poderia ser diferente, é o tour de force de O ÚLTIMO PISTOLEIRO, está simplesmente sensacional. O sujeito reúne toda a essência da persona que desenvolveu ao longo da carreira vivendo centenas de personagens para transcender em Booker, o cowboy em fim de carreira definitivo. Wayne nunca esteve tão carismático e singelo como aqui, sem perder o jeito durão que o transformou num dos maiores casca-grossas do velho oeste. Mas são os momentos bucólicos e simples que dão força ao filme: os diálogos entre Wayne e Bacall, a relação fraternal que surge entre o protagonista e o jovem Ron Howard e principalmente Wayne contracenando com James Stewart, num desses momentos dignos de antologia.

Don Siegel aproveita todo esse material humano da melhor maneira possível, sem nunca soar piegas pelos temas delicados e nem cair na tentação de transformar a coisa toda num dramalhão sentimental. O filme é até bastante leve e divertido, embora não tenha a energia de outros trabalhos do homem, que foca mais nas performances do elenco. E apesar de atores talentosos, que é realmente o melhor de O ÚLTIMO PISTOLEIRO, o filme não deixa de ter alguns problemas. Depois de um começo sólido, que te cativa, o ritmo começa a cair um bocado, enrola demais e me peguei bocejando lá pelas tantas.

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Rola algumas histórias de que Siegel e Wayne não teriam se dado muito bem durante as filmagens e era comum o ator tentar querer dirigir o filme, atravessando Siegel, reclamando que o projeto merecia um tom mais épico, totalmente fora do estilo mais seco do diretor. Inclusive chegou a queixar e palpitar no tiroteio final, dizendo que seu personagem nunca poderia atirar em alguém pelas costas, que  nunca tinha feito isso na vida, e esse tipo de baboseira. Acho que o “Duke” já estava perdendo a noção, mas O ÚLTIMO PISTOLEIRO volta a melhorar justamente perto do final, quando Books parte na iminência de encarar os seus inimigos à base de chumbo-grosso. E ação do clímax talvez não seja das melhores sequências de tiroteio que o Siegel já filmou na vida, mas é classuda, tensa e sangrenta suficiente pra prender a respiração.

De qualquer forma, o saldo final é muito positivo. O ÚLTIMO PISTOLEIRO pode não ser a melhor despedida, mas não deixa de ser um bom reflexo da mudança dos tempos para um pistoleiro old school adentrando no século XX, e um interessante estudo sobre a aproximação da morte. E vale muito a pena aproveitar o “Duke” numa atuação daquelas!

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UM POUCO DE SANGUE…

… Só pra relaxar. Foi-me solicitada essa lista, dos meus slasher movies favoritos. Apesar da minha fissura pelo horror, não sou expert no subgênero. Muita coisa importante dentro do estilo eu ainda não conferi, o que é bom porque fazer essa lista me deu vontade de ver algumas coisinhas… Mas vocês vão notar a ausência de vários exemplares importantes. Enfim, deu pra chegar em dez títulos que gosto muito (apesar da trapaça no final da lista). Segue então um top 10 Slasher movies:

pieces310. O TERROR DA SERRA ELÉTRICA (Pieces, 1982), de Juan Piquer Simon

burning209. CHAMAS DA MORTE (The Burning, 1981), de Tony Maylam

alice-sweet-alice-remake08. COMUNHÃO (Alice, Sweet Alice, 1976), de Alfred Sole

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07. QUEM MATOU ROSEMARY? (The Prowler, 1981), de Joseph Zito. Tem texto dele aqui

af1da-BFD7F9D0-96E9-447B-857F-6A2A4E763BB906. O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (The Texas Chainsaw Massacre 2, 1986), de Tobe Hooper. Sim, eu adoro isso aqui!

impaled05. BANHO DE SANGUE (Bay of Blood, 1971), de Mario Bava. Também conhecido no Brasil sob o genial título O SEXO NA SUA FORMA MAIS VIOLENTA.

Stagefright-1987-Killer-Chainsaw-740x49304. O PÁSSARO SANGRENTO (Stagefright, 1987), de Michele Soavi

friday-the-13th-part-303. SEXTA-FEIRA 13 – Aqui começa a trapaça… Para não ficar enchendo a lista com vários filmes de uma mesma franquia, resolvi colocar a saga toda em destaque. Primeiro, pela representatividade que essa série possui no gênero, segundo, por ter criado um dos principais ícones do slasher, Jason Voorhees. Gosto basicamente de toda a série, mas destaco especialmente SEXTA-FEIRA 13 (Friday the 13, 1982), de Sean S. Cunninghan; SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 2 (Friday the 13th Part II, 1981), de Steve Miner; SEXTA-FEIRA 13 – PARTE III (Friday the 13th Part III, 1982), novamente do Miner, e a belezinha SEXTA-FEIRA 13 PARTE IV – CAPÍTULO FINAL (Friday the 13th: The Final Chapter, 1984), de Joseph Zito.

47968802. A HORA DO PESADELO – A mesma coisa aqui. Tirando um ou outro, gosto de todos os filmes da série, com destaque para A HORA DO PESADELO (A Nightmare on Elm Street, 1984), de Wes Craven; A HORA DO PESADELO 2: A VINGANÇA DE FREDDY (A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge, 1985), de Jack Sholder; A HORA DO PESADELO: OS GUERREIROS DOS SONHOS (A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors, 1987), de Chuck Russell, e uma maravilha chamada A HORA DO PESADELO 7 (New Nightmare, 1994), do Craven.

halloween_jamie-lee-curtis101. HALLOWEEN (1978), de John Carpenter

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ESPECIAL DON SIEGEL #26: O MOINHO NEGRO (The Black Windmill, 1974)

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Assisti outro dia a O MOINHO NEGRO pela primeira vez para adiantar este especial eterno aqui no blog. Trata-se de um thriller de espionagem que o Siegel fez lá pelos lados da Europa e meio que sumiu dos radares entre os filmaços que o homem fez nos anos 70, pós DIRTY HARRY e CHARLEY VARRICK. Andei lendo algumas críticas da época e outras que saíram já na era da internet e é curioso como a grande maioria desdenha da obra, que realmente não está a altura dos melhores filmes do sujeito, mas é legal, não deixa de ser interessante, tem vários momentos ótimos. E tem um Michael Caine encabeçando o elenco (que é fantástico e conta com a presença do grande Donald Pleasence), além do climão de policial europeu que de alguma forma dá um charme a mais ao filme e faz uma boa combinação com o estilo secão do Siegel.

John Tarrant (Caine), um agente MI6, serviço secreto britânico, descobre que seu filho, David, foi sequestrado por uma quadrilha chefiada por um sujeito carrancudo, McKee (John Vernon), e seu resgate deverá ser pago com uma certa quantia de diamantes que seu departamento secretamente obteve para uma operação qualquer, ou então o moleque vai sofrer as consequências… Para piorar a situação, os bandidos ainda forjam várias situações que incriminam Tarrant, fazendo parecer que ele faz parte do esquema, algo que seus superiores acabam acreditando, incluindo o desajeitado Cedric (Pleasence). E é nessa situação “Hitchcockiana” e com uma face dura como uma pedra, sem demonstrar qualquer sentimento – “Fomos treinados para isso” – que Tarrant resolve agir por conta própria para ter seu filho de volta.

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Uma dessas ações é justamente roubar os diamantes de seus chefes, que recusaram a negociar com os sequestradores, e levar sozinho à Paris para rastrear os facínoras. Ao final, toda a investigação o leva ao moinho negro do título, onde descobre-se os motivos do sequestro e quem realmente está por trás de todo o esquema, com direito a uma troca de tiros de metralhadora filmada do jeitinho classudo e cru do Siegel, bem diferente da ação dos filmes na época do espião britânico mais famoso, James Bond. Aliás, Caine é um espião do tipo intuitivo que usa mais cérebro que músculos, o que pode ser uma das razões do fracasso de crítica e bilheteria… Apesar da cena típica de um 007, com o herói sendo apresentado a uma arma secreta, uma maleta que dispara tiros.

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O fato é que O MOINHO NEGRO é bem paradão na sua primeira metade, meio enrolado e demora mais que o necessário para engrenar, além de uns furos de roteiro muito mal explicados… Mas Siegel consegue manter as coisas no lugar com uma boa atmosfera britânica e química entre os personagens. Nas mãos de algum diretor mais convencional, por exemplo, a relação de Tarrant e sua esposa, que o culpa a princípio, pelo sequestro do filho, poderia soar piegas e dramático demais, algo que não acontece… Enfim, mesmo com alguns probleminhas, O MOINHO NEGRO não deixa de interessar e até mesmo empolgar os amantes de um bom thriller setentista e também aos fãs do bom e velho Don Siegel.

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IN THE LINE OF DUTY 4 (1989) & TIGER CAGE 2 (1990)

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por GABRIEL LISBOA

Quando me propus a escrever sobre TIGER CAGE 2, imaginei que já havia visto o filme há bastante tempo, que seria bom revê-lo e de quebra ver o primeiro. Como o Luiz Alexandre disse em sua crítica, o segundo talvez seja mais lembrado mesmo entre os fãs do estilo e eu achei que era o que havia gravado com o Nero num DVD há uma década atrás. Mas quando começo a ver o primeiro TIGER CAGE percebo que não era este o filme que conhecia e fiquei perdido. Uma grata surpresa até. O que descobri depois é que Yuen Woo Ping, Donnie Yen e Michael Woods (o diretor e os dois únicos atores recorrentes) realizaram uma espécie de trilogia sem nenhuma relação entre os filmes nos anos de 88, 89 e 90 com TIGER CAGE, IN THE LINE OF DUTY 4 e TIGER CAGE 2 (que do primeiro só leva o nome para a distribuição internacional e tem o título literal de “DIRTY MONEY LAUNDERING). As três histórias, filmadas no auge da era de ouro dos filmes ação de Hong Kong, se situam no mundo caótico da virada dos anos 80 para os 90 de policiais corruptos, lavagem de dinheiro e contrabando de pessoas e drogas, mas o tom dos filmes é bem diferente um do outro.

O primeiro é um filme mais próximo do heroic bloodshed consagrado por John Woo, estilo de tiroteios elaborados, câmera lenta, amizade romantizada, códigos de honra e redenção pelo sangue. É o mais ácido dos três filmes, com um final de encher o coração de raiva até o momento de ver o vilão, interpretado por Simon Yan, levando uma chave de metal de guardar bicicletas no peito e na cara. O filme é bem brutal e até os policiais abusam da violência para conseguir resolver a confusão de traição e corrupção instalada dentro do departamento de narcóticos. Até quando Carol Cheng luta numa fábrica com uma capanga gwailo (expressão para os personagens gringos nos filmes de HK), a cena termina com Carol enforcando a vilã loira com arame enfarpado. Minha cena favorita é com Jacky Cheung e Michael Woods tapando o nariz enquanto lutam para não respirar o gás de cozinha que toma o apartamento de um dos policiais corruptos. Um pouco mais exagerada e cômica que o resto do filme, pode ser vista como um ponto fraco para quem não está acostumado com a mistura de gêneros dos filmes de ação comum no estilo da época e que se acentua bastante nos dois filmes seguintes. Outro coisa interessante é o tema recorrente da fuga de Hong Kong, um desejo dos policiais, bandidos e até do trabalhador Luk de IN THE LINE OF DUTY 4, que tem como bem mais precioso seu visto americano.

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Pelo que eu li no livro de Hammond e Wilkins, Sex and Zen & A Bullet in the Head, isto fato se deve ao medo que muitos tinham da indexação do território de Hong Kong à China Continental, sob regime comunista, marcada para o ano de 1997. Hong Kong era uma ilha de domínio inglês desde o fim da Guerra do Ópio em 1842, com um pacto de controle de 99 anos sobre o território em 1898. Hong Kong depois se expandiu para algumas ilhas vizinhas e um pedaço peninsular se transformando numa das cidades mais importantes para o comércio do Pacífico, sempre a sombra do gigante comunista ao seu lado. Mesmo o acordo firmado em 1984 entre Reino Unido e a República Popular da China, garantindo que Hong Kong se tornaria uma região administrativa especial, mantendo o sistema capitalista, não foi suficiente para que muitos artistas, como produtores e diretores, se acalmassem com a mudança de domínio, ainda mas com o massacre na Praça da Paz Celestial em 1989. Tudo isso acrescentava à temática de tensão e caos presente em alguns filmes de crime do período. Parece pra mim que “contribuição” estrangeira era vista com desconfiança, como se a região estivesse sendo entregue de bandeja para o regime comunista depois de anos de exploração por americanos e ingleses (vide o corpo sobre a bandeira americana no fim de ITLOD 4).

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Voltando aos filmes de Yuen Woo Ping, que dirigiu em 1989 IN THE LINE OF DUTY 4 com parte da equipe do trabalho anterior e que não segue uma narrativa contínua com outros filmes que ganharam o mesmo nome. Os dois primeiros filmes da série na verdade são YES, MADAM e ROYAL WARRIORS, estrelados por Michelle Yeoh. O nome IN THE LINE OF DUTY começa já do número 3 quando o papel que une os filmes, o de uma policial durona passou para Cynthia Khan (a nova aposta da produtora D&B depois que Michelle se casou e abandonou o cinema até seu divórcio e retorno triunfante com SUPERCOP de 93). Na trama do filme Luk (interpretado por Yuen Yat-Choh que lembra o Ken Jeong de SE BEBER NÃO CASE) é um trabalhador nas docas de Seattle e testemunha um crime envolvendo agentes da CIA com tráfico de drogas. Um dos policiais da equipe de Cynthia Khan, trabalhando com os americanos, entrega ao estivador os negativos de fotografias que podem incriminar os envolvidos, mas no meio da confusão Luk acaba perdendo a evidencia. Ele fica então num fogo cruzado entre a polícia, que acha que ele está envolvido no esquema e os bandidos que querem recuperar os negativos. Até a metade do filme é bem interessante acompanhar o personagem de Luk, mas depois ele acaba sumindo e foco fica divido entre Donnie Yen e Cynthia Khan tentando desbaratinar toda a confusão gerada pelo negativo desaparecido e tentando descobrir quem é o agente duplo que está frustrando os planos dos dois para prender os traficantes.

O engraçado é que fica difícil entender qual é o método de procedimento policial que eles usam porque sempre sabem onde os bandidos estão (e vice-versa) e resolvem tudo na porrada. Não que isso seja um defeito é claro é só que eu realmente estava interessado no personagem de Luk, que dava um bom equilíbrio para Donnie e Cynthia, os durões. Eu gosto das situações particulares dos filmes de Hong Kong em que é colocada uma situação dramática ou engraçada, exagerada ou pouco plausível dentro do contexto de um filme teoricamente mais sério de crime. Há uma cena em que Luk pede para que possa ver sua mãe antes de ser extraditado à Inspetora Madam Yeung (Cynthia Khan). Ela aceita o pedido mas chegando ao apartamento da senhora, Donnie (sempre o “babacão” impulsivo nos três filmes) algema Luk à Madam Yeung e os dois têm que fingir que são namorados para não deixar que a mãe saiba que o filho estava sendo preso. Eu leio algumas críticas onde o pessoal fala que esse tipo de cena é besta e que quebra com ritmo de ação frenético dos filmes. Eu mesmo quando mais novo poderia até achar isso também, mas o mais divertido de ver um filme oriental, seja chinês ou japonês é ter contato com uma outra maneira de se contar uma história, ver como outro cinema vê as relações entre os personagens. Mesmo que seja mais sentimentalista. E eu consigo me envolver e abrir um sorriso sincero, talvez por esses momentos serem puros e ingênuos.

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ITLOD 4 é o filme mais redondinho dos três. É um filme de ação mais voltado para as lutas, mas com um tiroteio e um momento cômico aqui e ali. Um filme mais previsível e talvez seja por isso que foi o que eu menos gostei. Mas é o filme que pode facilmente agradar qualquer fã de Jackie Chan já de cara, alguém menos propenso a entrar nos exageros de outros filmes (como GOD OF GAMBLERS, o campeão da mistura de gêneros para mim até hoje). As lutas são muito boas com destaque para a luta de Cynthia Khan e Fairlie Ruth Kordick (atriz gwalio que nem aparece nos créditos) numa escada de concreto e depois num poço de elevador, sempre com o risco de cair e se esborrachar no chão. Para entrar numa lista de melhores confrontos femininos de todos os tempos. Já a luta de Donnie Yen contra Michael Woods neste filme é a mais demorada dentre os três filmes, mas não chegar a ser excelente. Engraçado como me chamou a atenção alguns contornos homoeróticos, com Woods segurando a mão de Yen com seu peitoral ou admirando o bíceps do adversário enquanto este lhe dá um mata-leão. É comum um certo despir de roupas em cenas de lutas em filmes de ação. O protagonista muitas vezes acaba sem camisa, com seu próprio adversário por lhe arrancar a roupa. Algo recorrente mas pouco explorado em termos de erotismo mais óbvio como acontece com beldades de seios fartos. Talvez o ator que mais use isso a seu favor seja o Van Damme que adora aparecer de bunda de fora em seus filmes.

O filme tem um final satisfatório mas o interessante é que uma legenda conta o epilogo da história depois que a luta final termina, um jeito de amarrar as pontas soltas deixadas pelo filme. Algo que o filme seguinte não se preocupa muito. Se IN THE LINE OF DUTY 4 era mais voltado para a correria e pouco desenvolvimento da história, TIGER CAGE 2 volta a centrar mais nos personagens, mas dessa vez sem “maldade” do primeiro, num tom bem cômico e por isso a trama fica em segundo plano. Saem os policiais corruptos mas continua o mote de alguém-certo-na-hora-errada para se livrar tanto da polícia quanto da triade. No filme Rosamund Kwan e Donnie Yen presenciam um confronto entre duas gangues com a tentativa de roubo de uma maleta cheia de dinheiro e depois ainda são suspeitos de um assassinato. O interessante é que a personagem de Kwan, Mandy, é advogada responsável pelo recente divórcio de Donnie, agora um ex-policial mas que mais uma vez interpreta um redimable asshole (aquele personagem ignorante que vai dando valor as pessoas a sua volta até o fim do filme). É de se esperar então que os dois comecem se odiando para depois se apaixonar. Mas no meio dos dois aparece David Wu para transformar a relação num triângulo amoroso. David era responsável pela segurança da maleta e no começa tenta tirar a informação dos dois, que não sabem onde está o dinheiro, para depois se tornar um amigo e se sacrificar pelo casal.

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A cena em que os três estão bêbados e apaixonados num karaokê é de uma breguice sem tamanho mas que para mim funciona. Talvez porque tenho o coração mole para esse tipo de coisa, mas também tenho que dizer que essa relação dos personagens é muito melhor do que qualquer filme do Jackie Chan, que nunca convence numa cena romântica (em Gorgeous talvez?). Não só esses três personagens são bacanas mas ainda temos Cynthia Khan voltando com a Inspetora Yeung em duas pontas breves (eufemismo para personagem aleatório na trama), Gary Chow como o amigo coringa de Donnie e a galeria de vilões composta por Robin “Mortal Kombat” Shou, John Salvitti (voltando também de ITLOD 4) e Michael Woods, todos bem caricatos. Como já havia dito é o mais cômico dos três mas isso não significa pouca pancadaria e violência. Detalhe para a tortura envolvendo uma bicicleta ergométrica raspando o peito de Donnie (a tortura do enforcamento na pedra de gelo de ITLOD 4 também era bem criativa).

As cenas de ação no geral são boas mas a cena de luta mais memorável do filme (e talvez de toda a trilogia) seja a luta de espadas gigantes na fábrica-de-vapor-abandonada entre Donnie e John Salvitti. Não que seja tecnicamente incrível ou muito criativa, mas tem algo em toda aquela fotografia berrante, fumaça, arames, grades e um ventilador aleatório que criam uma áurea mágica de filme de pancadaria de início dos anos 90. Posso dizer que, particularmente, até prefiro o confronto final na fábrica-de-caixas-empilhadas, que começa com Donnie e Tak saindo do maleiro de um ônibus, os dois com uma pistola em cada mão alvejando capangas, até o confronto final de Donnie e Shou. Mais uma vez a luta de Donnie e Michael Woods, que acontece no ínterim dessas duas cenas que comentei agora, mais uma vez não é nada espetacular e me desculpem os fãs, agora posso afirmar que é um ator tão ruim ao ponto de isso atrapalhar a luta em si! Mas Donnie e Michael eram bons amigos e ainda lutaram mais duas vezes no cinema e amizade é o que importa. Como os três filmes são tão diferentes entre si é difícil até fazer um balanço da evolução de Donnie e Yuen Woo Ping no gênero de ação mista de tiros e socos. No fim fica a sensação de como foi mágica essa época de filmes repletos de ação física, trabalhos de dublês impressionantes. Deveria ter visto mais destes filmes em vez de inventar moda e querer alugar O PACIENTE INGLÊS com 15 anos de idade…

Gabriel Lisboa, além de eventualmente colaborar por aqui, edita o excelente blog Cine Bigode.

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A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO (It Came from Outer Space, 1953) -Clássicos Sci-fi Vol.1

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No mesmo DVD de ELES VIVEM, na caixa da Versátil Clássicos Sci-Fi Vol.1, temos o seminal A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO, do Jack Arnold. Não que o filme seja de fato o primeiro filme de ficção científica a explorar o tema dos alienígenas bonzinhos ameaçados pela ignorância e hostilidade natural dos seres humanos, mas meio que contribuiu para estabelecer um padrão no período para outros filmes posteriores, com uma magnifica história criada por um ícone da literatura sci-fi, Ray Bradbury, dirigido com mão firme e criatividade pelo grande Jack Arnold e muita personalidade para trabalhar os elementos visuais e efeitos especiais com os recursos da época.

Richard Carlson (de O MONSTRO DA LAGOA NEGRA) interpreta John Putnam, um astrônomo e escritor que vive na pequena cidade de Sand Rock, Arizona. Numa noite qualquer, ao invés de fazer umas bobiças com sua namoradinha, Ellen (Barbara Rush), o casal prefere ficar olhando as estrelas num telescópio, o que pra ele deve ser bem mais excitante. Mas acaba testemunhando uma bola de fogo que cruza os céus e bate com tudo em um ponto qualquer nas redondezas. Provavelmente um asteroide dos grandes, já que o impacto causa uma explosão no deserto. Putnam não se aguenta de curiosidade e vai até o ponto onde o suposto meteoro caiu e arrasta Ellen junto.

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Já no local, John Putnam toma coragem e desce sozinho na cratera gigantesca para investigar, mas acaba surpreendido ao descobrir que o casco quase todo enterrado pelo impacto é, na verdade, uma nave alienígena em forma de esfera. E na penumbra consegue avistar uma estranha criatura poucos instantes antes de um deslizamento de rochas soterrar por completo a nave sob toneladas de terra.

Putnam mal consegue escapar. Maravilhado com as coisas que viu, o sujeito tenta avisar as pessoas, meios de comunicação, polícia e etc, mas obviamente é taxado como um louco em busca de publicidade para seus próximos livros. Então, coisas muito estranhas começam a acontecer na região afetando outros moradores de Sand Rock. Pessoas desaparecendo e retornando de modo, digamos, diferente, sem emoções, algo bem parecido com o que aconteceria três anos mais tarde em VAMPIROS DE ALMAS, do Don Siegel. Além disso, aparições de criaturas monstruosas com um grande olho, atormenta os motoristas nas rodovias.

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Originalmente filmado em 3D, A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO possui uma escala bem menor em termos de consequências no confronto do homem x criaturas do espaço, em comparação com um GUERRA DOS MUNDOS, lançado no mesmo ano, que apresentava batalhas explosivas e deflagradoras. O filme é mais um estudo do conceito de como seria a reação inicial de seres humanos confrontados por extraterrestres de mentes superior, ainda que visualmente repulsivos, e tecnologia bem mais avançada, tentando ser o mais realista possível, mas sem deixar de ter sua carga de emoção e diversão em formato de aventura sci-fi que explora com perfeição os espaços, cavernas e estradas do deserto.

Putnam é o primeiro a perceber que, apesar de assumirem a forma física de alguns moradores da região, os alien só precisam mesmo é de tempo para consertar a nave pra retomar sua jornada. A reflexão que o filme propõe é que as criaturas poderiam destruir facilmente qualquer um que entrasse em seus caminhos, mas vêem num personagem como o do astrônomo um traço de bondade e caráter que impede que os visitantes ajam de maneira agressiva, já que a maioria dos seres humanos, de uma forma geral, já os teria hostilizado, não conseguem confrontar o desconhecido de outra maneira, embora Putnam seja obrigado a matar um deles em determinado momento, em legítima defesa, numa das cenas mais legais do filme… E Richard Carlson está sensacional no papel de Putman. O sujeito realmente parece levar a sério o personagem.

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Minha única implicância com A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO é que a aparência dos alienígenas seja revelada muito cedo. O visual é genial, apesar de intencionalmente horrível, também demonstra aquela falta de recursos na concepção do visual da época num típico B-Movie. E expôr as criaturas ainda nos primeiros minutos acaba com a possibilidade de um clímax mais impactante. A ideia original de Bradbury era drástica ao ponto de nunca mostrar o visual dos aliens. Não acho que seja pra tanto. Inclusive, uma das cenas mais marcantes é quando Putnam praticamente implora para que os visitante se mostrem no seu aspecto original e eles atendem saindo lentamente de uma mina abandonada. Infelizmente, a essa altura, já sabemos como ele são e a cena perde um bocado sua força.

Vale destacar também a direção de Arnold, que apesar dos pesares, numa cena como essa da mina faz miséria com a movimentação de câmera! Não importa, tanto cenas tão simples, como duas pessoas conversando, ou nas sequências das mais puras construções de atmosfera de suspense, o resultado é sempre sublime. Portanto, mesmo com um detalhe ou outro que implico, A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO continua facilmente a ser um dos melhores filmes de ficção científica dos anos 50, um autêntico clássico do gênero.

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ELES VIVEM (They Live, 1988) – Clássicos Sci-Fi Vol.1

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Comprei recentemente o primeiro volume de DVD’s da Versátil que traz alguns clássicos supimpas do cinema sci-fi, chamado justamente CLÁSSICOS SCI-FI Vol.1. E logo de cara  já mexem no meu coração apresentando ELES VIVEM, do bom e velho John Carpenter, no primeiro DVD da caixa… ai, ai…

Ainda não tinha saído por aqui em DVD, mas já vi e revi diversas vezes, inclusive depois de ter criado o blog, mas acabei nunca escrevendo coisa alguma sobre ELES VIVEM por achar que não tinha nada a acrescentar ao vasto número de resenhas que abordam o filme espalhados pelas internets. Ainda acho que não tenho nada a dizer, mas como acabei de rever, meus dedos coçaram e como o filme se revela mais atual como nunca, uns elogios a mais não vão fazer mal algum… ELES VIVEM merece, apesar de nunca ter sido um dos meus Carpenter’s favoritos. Tá lá entre os melhores dele, na minha opinião, mas não tem o fator nostálgico de um FUGA DE NOVA YORK, O ENIGMA DO OUTRO MUNDO ou OS AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO, que fizeram parte da minha infância, ou a aura que tanto me fascina em FUGA DE LOS ANGELES, que muita gente despreza. Só fui ver ELES VIVEM depois de velho. Foi amor à primeira vista, evidentemente, mas sem o mesmo encantamento dos outros supracitados.

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Mas ELES VIVEM possui algumas peculiaridades que valem a pena ressaltar. Por exemplo, é o filme mais abertamente político do Carpenter. Todos os filmes do homem possuem um subtexto político por trás da diversão, mas aqui é gritante, é como um soco no estômago sobre o sistema capitalista, um olhar ácido sobre a obsessão consumista da era Reagan, que deve ter deixado muito republicano enfezado… Se bem que esse tipo de gente é meio estúpida e deve ter visto o filme apenas como um simples sci-fi de ação. O próprio Carpenter dizia que o filme era uma crítica feroz ao presidente americano da época, o meu xará Ronald Reagan… Mas vamos deixar os polos políticos um pouco de lado antes que eu comece alguma discussão nesse sentido, me acusem de petista e tal… o que me dá uma preguiça danada. Até porque o Carpenter não defende lados, é um anarquista revoltado contra o sistema.

Da mesma forma que Nada, vivido pelo Wrestler profissional “Rowdy” Roddy Pipper, o protagonista de ELES VIVEM. Um andarilho desempregado que é a figura perfeita do outsider carpenteriano, que acaba em Los Angeles em busca de trabalho e uma vida melhor. Arruma um serviço mixuruca na construção civil, faz amizade com Frank (o grande Keith David) e arranja um lugar para encostar a cabeça à noite numa especie de acampamentos de sem-teto onde funciona um projeto social. E aqui, no mais improvável dos locais, o sujeito acidentalmente se depara com um mistério de proporções épicas, que envolve toda a humanidade.

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A pequena igreja nos arredores, que cuida do projeto social, é também a sede de um movimento de resistência militante que luta contra o governo. Nada descobre que o local funciona como um pequeno laboratório para a fabricação de lentes para óculos de sol aparentemente inofensivos, bem como equipamentos de transmissão para invadir um canal de TV a cabo local e soltar manifestos contra o sistema. Mas o nosso herói só descobre mesmo com quem e o que está lidando quando, após uma batida policial brutal que destrói o acampamento, foge levando consigo alguns pares de óculos de sol que sobraram no local. Ao colocar nos olhos o utensílio, lhe é revelado um mundo bem diferente do que ele pensava estar vivendo. E que criaturas de outro planeta têm escravizado a raça humana sem sequer estar ciente disto.

O fato é que um sinal irradiado pelos alienígenas em todo o mundo interfere com o cérebro humano e faz com que os nós vejamos aquilo que eles querem, ou seja, que os extraterrestres com uma cara medonha de horrorosa se pareçam com pessoas normais. Além disso, outdoors, placas publicitárias, jornais, revistas e programas de televisão são disfarçadas de mensagens subliminares, comandando o povo da Terra a “obedecer”, “consumir” e não “questionar a autoridade”, entre outras coisas… Com a ajuda de colaboradores humanos, os alienígenas realmente executam tudo isso às escondidas enquanto exploram o planeta por poder e lucro.

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E é nesse mundo recém descoberto, na verdade uma metáfora óbvia da nossa realidade, que Nada se vê diante. Caçado pela polícia, passado por um louco varrido por todos (que não podem ver o que ele vê através dos óculos), o sujeito decide fazer alguma coisa para acabar com essa farra alienígena… Mas o que um pobre coitado como Nada pode fazer contra uma conspiração extraterrestre de escala planetária?

O roteiro escrito pelo próprio Carpenter, sob o pseudônimo Frank Armitage, baseado numa história em quadrinhos que já era uma adaptação de um conto de Ray Nelson chamado Eight O’Clock in the Morning, de 1963, não mergulha profundamente nos elementos clássicos e convencionais da ficção científica. Prefere manter-se na superfície, de uma maneira palpável. O nosso herói é apenas um homem comum em busca de trabalho, não um cientista, um médico, jornalista ou militar de alguma base secreta, como acontece na maioria dos casos. E o sujeito é tão confuso com as revelações, em tentar salvar a própria pele e em lutar contra o sistema que simplesmente não tem tempo para perguntas. E Carpenter confia no seu público, sabe que não somos burros e permite-nos ver e descobrir o mistério da mesma forma que os personagens, quando a tela fica em preto e branco e a “realidade” oculta aparece. Na mesma lógica, toda a ideia de como os alienígenas dominaram a Terra, a formação de um movimento de resistência e como eles descobriram toda a conspiração não é nada explicado durante o filme, deixando tudo para o espectador preencher os espaços em branco por conta própria, o que torna o filme ainda mais fascinante.

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Pipper, por mais canastrão que seja é surpreendentemente simpático e convincente no papel de Nada. O personagem foi escrito, na verdade, para o queridinho do Carpenter, Kurt Russell, e até acho que teria sido mais interessante com ele, mas como o velho Carpinteiro já tinha feito filmes demais com o homem, achou melhor trocar de ator… E foi uma boa escolha, na minha opinião. Pipper tem presença física e tem o dom de criar frases de efeitos que não estavam no roteiro, como na sequência mais icônica no filme, a cena do banco, na qual o sujeito entra armado até os dentes e solta a impagável linha:

I have come here to chew bubblegum and kick ass… and I’m all out of bubblegum.

E o que segue a partir daqui é sensacional, com muitos tiros e alienígenas morrendo à sangue frio. Outro momento bizarro é a famigerada luta entre Nada e Frank, na qual o primeiro tenta convencer o outro a colocar os óculos. Dura uma eternidade e é motivo de várias críticas pelo exagero da duração, mas ter Roddy Pipper e não aproveitá-lo com suas habilidades de wrestler é o mesmo que ir no Burger King e não abusar do refil… E Carpenter, apesar dos pitacos e aconselhamentos, resolveu manter a sequência em sua totalidade. Particularmente, acho um espetáculo. E ainda há a cena final, o desfecho, a cereja do bolo, quando tudo se escancara para a raça humana e um alien sendo cavalgado por uma loura de topless solta um impagável “What’s wrong baby?” antes de subirem os créditos finais…

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ELES VIVEM é essa belezura toda, um filme divertido, com uma veia niilista, política ácida e contundente contra o capitalismo e consumismo americano irracional, mas contada como uma sátira simples, de fácil compreensão e com um senso de humor dos mais inteligentes. E nas mãos do Carpenter não deixa de ser um filme de ação da mais alta qualidade, mesmo com o orçamento relativamente modesto. Um exemplar que serve tanto para uma tarde de domingo acompanhado de pipoca e cerveja quanto um manifesto politico reflexivo e que continua atual.

Sobre a edição da Versátil, vale destacar a qualidade da caixa, com várias maravilhas do gênero, algumas esquecidas e prontinhas para serem redescobertas. Tem PLANETA PROIBIDO, FUGA DO SÉCULO 23, OS MALDITOS, O PLANETA DOS VAMPIROS e A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO. Além de horas de extras. ELES VIVEM possui making off, comentários de vários sujeitos legais e entrevista com John Carpenter… Vale uma conferida.

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TOP 10 MICHAEL BAY

Foi-me solicitado recentemente um top 10 com os filmes do Michael Bay. Ainda me falta assistir a dois de seus trabalhos, A ILHA e BAD BOYS 2, mas deu pra montar uma lista. Sim, eu sei, é notório o desgosto pelo diretor em todos os “setores cinéfilos”, e até entendo os motivos, mas não tenho problema algum em assumir que curto o cinema do cara, que me causa certo fascínio e para o tipo de cinema que se propõe a fazer acho que é um autêntico autor, o Godard do blockbuster megalomaníaco de explosões… Ou, talvez eu esteja ficando maluco, o que é mais provável… Enfim, segue o top 10, mesmo não gostando muito dos números 09 e 10…

Pearl-Harbor-2001-pearl-harbor-22333246-1706-960#10. PEARL HARBOR (2001)

800_armageddon_blu-ray12#09. ARMAGEDDON (1998)

transformers-revenge-of-the-fallen-1024#08. TRANSFORMERS: REVENGE OF THE FALLEN (2009)

transformers-age-of-extinction-4-1200x0#07. TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION (2014)

Transformers-3-Dark-Of-The-Moon-2011-widescreen-10#06. TRANSFORMERS: DARK OF THE MOON (2011)

bad-boys-1995#05. BAD BOYS (1995)

transformers-02#04. TRANSFORMERS (2007)

pain-and-gain-2013#03. PAIN & GAIN (2013)

krasinski2-xlarge#02. 13 HOURS: THE SECRET SOLDIERS OF BENGHAZI (2016)

The-Rock-1996-Movie-Direct-Download#01. A ROCHA (The Rock, 1996)

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CINEMA POLICIAL DA VERSÁTIL

A Versátil Home Video está mandando bem mais uma vez e em agosto lança uma caixa com quatro filmes imperdíveis. No recente post d’O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA, alguns amigos já haviam me alertado, mas agora saiu o release desse material. Confere a pedrada obrigatória que vem por aí:

Cinema Policial em AGOSTO!!!

“A Versátil apresenta, em exclusividade com a Livraria Saraiva, CINEMA POLICIAL, digistack com 2 DVDs que reúne 4 clássicos policiais inéditos dirigidos por grandes diretores como Michael Mann, Walter Hill, Peter Yates e Don Siegel e estrelados por astros como Robert Mitchum, James Caan e Walter Matthau, além de uma hora de vídeos extras. Edição Limitada com 4 cards. O lançamento chega às lojas no dia 12 de agosto.

Compre já o seu aqui:
http://www.saraiva.com.br/cinema-policial-exclusivo-digista…

DISCO 1

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PROFISSÃO: LADRÃO (Thief, 1981, 125 min.)
De Michael Mann. Com James Caan, Tuesday Weld, Willie Nelson, James Belushi.

Decidido a mudar de vida, um ladrão especialista em roubar joias resolve participar de um último crime, aceitando uma proposta de uma quadrilha. Obra-prima dirigida brilhantemente pelo mestre Michael Mann (“Fogo contra Fogo”).

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CAÇADOR DE MORTE (Driver, 1978, 91 min.)
De Walter Hill. Com Ryan O’Neal, Bruce Dern, Isabelle Adjani.

Em clima de filme noir, detetive obcecado persegue especialista em dirigir carros para quadrilhas durante assaltos. Policial com ótimo roteiro e eletrizantes perseguições de carro. Direção do especialista Walter Hill (“48 Horas”).

DISCO 2

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O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA (Charley Varrick, 1973, 110 min.)
De Don Siegel. Com Walter Matthau, Joe Don Baker, Felicia Farr.

Charley Varrick e seus amigos roubam um banco de uma cidadezinha e ficam surpresos com a quantidade de dinheiro. Mal imaginam que o dinheiro é da Máfia. Policial tenso e emocionante do mestre Don Siegel (“Perseguidor Implacável”).

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OS AMIGOS DE EDDIE COYLE (The Friends of Eddie Coyle, 1973, 102 min.)
De Peter Yates. Com Robert Mitchum, Peter Boyle, Richard Jordan.

Para diminuir o tempo de sua pena, um criminoso de Boston decide entregar seus comparsas. Peter Yates, o diretor de “Bullitt”, realiza um policial perfeito com uma grande atuação de Robert Mitchum (“Fuga do Passado”).

VÍDEOS EXTRAS: Especiais sobre os filmes (56 min.), Trailers (4 min.)”

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MORREU O ÚLTIMO DOS MAVERICKS. RIP MICHAEL CIMINO (1939 – 2016)

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ESPECIAL DON SIEGEL #25: O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA (CHARLEY VARRICK, 1973)

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por MARCELO NARDI

Os anos 70 foram tão grandiosos para o cinema que além da ascensão dos jovens diretores da geração Nova Hollywood, havia os veteranos como Sam Peckinpah, Robert Aldrich e Don Siegel no auge de suas carreiras engenhando filmes de ação geniais como THE GETAWAY (1972), EMPEROR OF THE NORTH (1973) e CHARLEY VARRICK (1973). Estes trabalhos ainda hoje reverenciados retém uma atmosfera e energia raramente recriada nos dias atuais. São poucos os diretores que conseguem reproduzir 15% da truculência setentista. CHARLEY VARRICK aka O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA é um filme que engloba diversas características desta década e penso que não poderia ter sido feito em outra época com os mesmos resultados.

Em todos os melhores filmes do Don Siegel antes mesmo de 1973 (THE KILLERS, THE BEGUILED, DIRTY HARRY, HELL IS FOR HEROES, COOGAN’S BLUFF, MADIGAN) permeia onipresente uma espécie de violência febril, seja em forma de ameaça ou em forma física. Em CHARLEY VARRICK não podia ser diferente, inclusive fica transparente que a ambientação e algumas situações do enredo são ainda muito bem utilizadas nas tramas de alguns dos melhores filmes e seriados de crime modernos – KILLING THEM SOFTLY do Andrew Dominik, NO COUNTRY FOR OLD MEN dos irmãos Coen e a série BREAKING BAD – só para citarmos três exemplos onde se percebe a influência da obra.

Os créditos de O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA apresentam ao espectador a rotina de uma pacata cidade do interior americano do Estado Novo México, daquelas com apenas uma escola, um mercado, uma delegacia e um banco. Pois é justamente este banco que logo nas primeiras cenas é violentamente assaltado com trágicas consequências para ladrões, funcionários e policiais.

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Após uma fuga explosiva, entre mortos e feridos, contemplando cenas de ação provindas do melhor cardápio do diretor, começamos acompanhar o cabeça do roubo, o astuto Charley (Walter Matthau) e o seu jovem beberrão e inexperiente comparsa e funcionário Harman Sullivan (Andrew Robinson), mesmo ator que interpretou o serial killer em DIRTY HARRY, aqui em um papel bastante diferente. Os sujeitos queriam apenas fazer um roubo prático e não muito ambicioso em um banco pequeno e esperavam sair com uns 20/30 mil dólares, porém na contagem pós-fuga são surpreendidos com mais de meio milhão de dólares em dinheiro. Acontece que a imprensa noticia no rádio e na televisão que foram roubados apenas algo em torno de dois mil dólares.

E é nesse jogo de mentiras que fica evidente para Charley que eles roubaram “dinheiro marcado”, dinheiro lavado proveniente de apostas, drogas e prostituição, portanto dinheiro da máfia e o sujeito inteligente sabe que roubar da máfia é uma sentença de morte. Charley Varrick conclui que terá que olhar por cima dos ombros a cada minuto e a partir desse momento terá que bolar planos ardilosos para se livrar do perigo. Em um dos melhores diálogos do filme, Charley tenta explicar para o seu não tão inteligente comparsa, que seria melhor ser perseguido por 10 agentes do FBI, do que ser perseguido pela incansável organização criminosa, que não sossegará até conseguir o seu dinheiro de volta e mais importante, não descansará até punir de forma exemplar os responsáveis pelo transtorno.

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A partir daquele momento, trabalhando para os donos deste dinheiro, está o brutamontes Molly (Joe Don Baker), camarada de chapéu e cachimbo que parece ter saído diretamente de um faroeste com a missão de colher informações, identificar e ir atrás dos ladrões e não economizar brutalidade quando for necessário (e quando desnecessário também não faz mal). Destaque para a atuação de Joe Don Baker que rouba o filme toda vez que está em cena, como o assassino de aluguel de poucas palavras e de postura ameaçadora e arrogante, intimidando gerentes de banco, mulheres e até mesmo idosos, em uma vertente contínua do politicamente incorreto, mas cinematograficamente permitido.

A curiosidade é que o papel de Molly originalmente foi escrito para Clint Eastwood que recusou o trabalho, por supostamente não ter achado nenhuma característica redentora no personagem que o motivasse a interpretá-lo. Como consequência disto, uma piada interna foi lançada em uma das cenas. Ao adentrar uma sala, Joe Don Baker se apresenta “Eu sou Molly” e recebe a seguinte resposta: “Eu pensei que você fosse o Clint Eastwood”.

A estrutura narrativa do filme é bastante solta e permite ao espectador se divertir com as situações que são criadas em diferentes cenários (prostíbulos, trailers no deserto, lojas de armas, estúdios fotográficos de passaportes clandestinos, escritórios e armazéns) incluindo uma genial ponta do diretor, que aparece em uma cena jogando ping-pong com gangsteres chineses!

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Além de um verdadeiro filmaço, pode-se considerar CHARLEY VARRICK um claro ápice na filmografia do diretor, aqui ele consegue trabalhar com todos os elementos do seu cinema na maior liberdade, em campo aberto entre uma paisagem e outra, mantendo um ritmo preciso e inserindo excelentes cenas de ação que culminam no sensacional clímax do filme que envolve três personagens, um carro e um avião. Um dos motes do filme que se evidencia pelo título traduzido em português é a perspicácia, inteligência e paciência do protagonista, que prefere resolver sozinho e na surdina todos os seus problemas. Aliás o filme ia se chamar “ O último dos independentes”, mas o título foi alterado de última hora para contrariedade do diretor.

Destaque também para a trilha sonora e a fotografia do filme, é realmente impressionante a beleza dos filmes ambientados no Estado do Novo México. A amplitude das paisagens confere vida ao filme e também regulam as dimensões e ações dos personagens. Trata-se de “cinema físico” da mais alta qualidade, utilizando os espaços internos e externos com máxima eficiência para a trama.

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